O Amor Único {em reforma}
29 Maldita realidade.
Notas iniciais
" Uma grande informação choca a ponto de paralisar completamente a razão a pessoa humana, ah não, o amor também faz isso" — Milton Andrade.
Era quase uma hora da manhã, no Inter Oriente Hospital Dr.Sirio Iwamoto , Namikaze Naruto, agoniado e impaciente, no jogo de sofá da sala de espera que estava vazia com um silencio horripilante pairando no ar, que mais parecia uma luxuosa sala de visitas de alguma mansão, toda branca por ser um hospital particular dos bons e florida, flores que davam alegria e que eram uma terapia as famílias que esperam noticias, o loiro estava sentado sob o couro preto que afundava seu corpo arrepiado, ele estava de cabeça baixa apoiado sobre os braços que encontravam asilo nos próprios joelhos, fitava o chão enquanto tremia as pernas nervosamente, sua mente borbulhava como uma sopa quente dentro da panela de pressão, procurando, assimilando respostas para as perguntas que o estava atormentando, grávida, ela estava grávida, se eles se odiavam da maneira como viu, como ela poderia estar grávida? E por que de repente ele queria mata-la? Ino estava seu lado, embrulhada no terno de Sai, tão pensativa quanto o amigo, se sentia gelada, ou possivelmente a pior pessoa do mundo, o que estava acontecendo com Hinata? Sai e Sasori sumiram desde o momento que haviam chegado ao hospital, Gaara estava perto da janela era claro o quão desconfortável ele estava se sentindo, ela encarou Sakura sentada no outro sofá encostada nos ombros Uchiha, e a amiga retribuiu um olhar esverdeado que dizia tudo para si, talvez ela precisasse de uma amiga, talvez o tempo todo ela o que mais precisava era de uma amiga.
Mais uma hora passou, era agoniante era preocupante, ninguém sabia ao certo o que dizer ou o que pensar, estava tudo bagunçado, e nada, absolutamente nada fazia o menor sentindo, a cada segundo ainda ali pensativo Naruto sentia seu estomago se desmembrar e quase ser jogado para fora de si, a maneira como fora encontrada, o jeito que ela estava, deplorável, aquela cena não o abandonava.
Hiashi Hyuuga adentrou-se na sala de espera com uma expressão generalista que causava medo até mesmo nos mais corajosos ele estava bravo era lógico era obvio, seus olhos faiscantes e prateados captavam cada detalhe do local, Neji estava logo atrás dele murmurando alguma coisa que não conseguiam ouvir, e sendo seguido por Sasori e Sai tentando alcança-lo, logo uma discussão queria se iniciar.
– Sr.Hiashi, eu peço que o senhor tenha a calma – pediu Sai meio ofegante.
– Calma? Você quer que eu tenha calma? – ele o encarou, o fuzilou, porém depois de anos de convivência com Hinata, ele tão pouco se intimidou – Tem noção do que vocês acabaram de me contar? Tem noção da gravidade nisso?
– Sr. Hiashi – agora Sasori era quem falava – imagino sua tamanha preocupaç...
– Não estou preocupado, estou bravo! Onde esta Riroki?
– Eu o mandei para outro hospital.
– Qual? – exigiu – Neji quero que chama o investigador Yirou e...
– Senhor não sejamos precipitados.
– Esta o defendendo Sasori – afirmou o amigo moreno – já mudou de lado novamente.
– Esse rapaz – Hiashi cuspia as palavras em revolta, nem mesmo Neji jamais o vira tão bravo – eu confiei a minha filha a ele, pensei que nossas famílias eram amigas, e de repente descubro que ela esta gravida e atacada pelo próprio noivo, estrangulada – o sibilar da ultima palavra deixou todos incomodados, era fato certo, aquela cena horrível não os abandonaria.
– Sr.Hiashi, Riroki não trabalha sozinho, você quer que todo mundo preso ou quer que apenas ele seja preso?
– Preso? – o líder gargalhou – preso é pouco, eu quero todo mundo na cadeira elétrica!
– Então deixe que Akastsuki cuide dele por enquanto, quando ele quiser, e ele vai querer virá atrás dela de novo, e colocara todos que puder encima disso e é nesse momento que você deve pega-los – fez todo o sentindo, por Hinata, por sua merecedora e amada filha ela merecia uma justiça completa, Sai suspirou olhou para a sala de espera cheia, seus amigos, ah sim claro estavam querendo explicações.
– É parece que eu devo uma historia para vocês.
– Você não explicou muita coisa para nós Sai – murmurou Neji.
– Com certeza você deve uma boa historia para nós – afirmou Naruto já irritado com a enrolação. Sai sorriu fracamente, um sorriso que não demostrava nenhuma tipo de malicia ou autoridade, era apenas um sorriso singelo por lembrar-se de tudo que sua amiga passou, era uma sorriso de pena, ele queria protege-la. Ele caminhou até se sentar do lado de Ino, Neji e Hiashi se aproximaram, eles queriam ouvir, Sai suspirou mais uma vez encarando seus devaneios, ele nem ao menos sabia por onde começar pediu desculpas para Hinata mentalmente, já era hora de parar de se esconder.
– Quando Kaoro morreu Hinata nunca mais foi a mesma – ele começou singelamente, pela parte que mais lhe doía – aquela garota cheia de motivação e energia nunca mais existiu que exalava alegria se foi no exato momento que a mãe fora enterrada, Hinata entrou numa depressão absurda, até os Hyuugas decidirem que era hora dela procurar ajuda, e como já seria previsto para o futuro, como líder das empresas das metalúrgicas Hyuuga, ela tinha que se casar com alguém a altura, de primeiro momento Hinata não se importou com a ideia, ela estava pouco ligando para a vida, e quando conheceu Riroki ficou feliz por ele ser alguém bom e generoso, o contrato de noivado foi selado por ambas as famílias e ele passou a visita-la e convida-la para sair todos os dias, Riroki em toda sua alegria e perante a tantos sorrisos, mostrou para Hinata um mundo completamente diferente daquela escuridão que vivia dentro da sua depressão, ele ligava e se preocupava, fazia de tudo para que estivesse todos os dias sorridente, ele se tornou sua base, seu psicólogo, sua terapia, era impossível não dar risadas sempre que saiam, Hinata falava para mim que ele sempre repetia a mesma frase como a via feliz “ Esta vendo a vida é melhor do que parece” e ela melhorou, não voltou a ser nossa Hinata de antes mas ela melhorou e muito, porém enquanto Riroki ficava ainda mais apaixonado, dia após dia, Hinata o apenas via como um amigo – ele fez uma pausa cortante para observar o quanto todos prestavam atenção – acho que ele percebeu que ela não o amava da mesma maneira, Hinata tentou se afastar, mas ele queria vê-la o tempo todo, a todo instante de qualquer maneira, se tornou possessivo, ela não achava justo com ele não achava mesmo, foi ai...
– Que ela começou a me pedir que eu cancelasse o noivado – ponderou Hiashi.
– O que me surpreende até hoje o senhor ter aceitado tio – murmurou Neji.
– Ela prometeu dar mais atenção para a empresa desde que eu desfizesse desse casamento, e eu não queria brigar com ela, Hinata sempre tão teimosa e ela era tão nova e acabara de perder a mãe, não queria ser duro demais.
– Enfim após três anos de noivado, ela conseguiu finalmente convencer o senhor, o noivado foi desfeito, mas Riroki pediu uma segunda chance, uma forma de mostrar que poderia conquista-la.
– Aquela viagem – soltou Neji no meio de um suspiro.
– Aquela mesmo – repetiu o moreno – Sasori acho melhor você continuar.
– A família Morimoto senhor Hiashi é uma família de mafiosos, Kayo Morimoto é líder de uma das maiores quadrilhas de corrupção do mundo.
– Impossivel – afirmou o Hyuuga.
– É chocante eu sei.
– É impossível – repetiu assustado.
– Possível, eles são realmente bons no quesito criminalidade, e melhores ainda quando se fala em sigilo, porém Kayo se quer saber, é um homem incrivelmente bom, separa muito bem o crime da vida pessoal. Ele nunca envolve sua organização com seu trabalho, sua família ou com seus amigos, para ter uma ideia ele rouba milhões todos os anos, em diamantes e barras de ouro de magnatas, porém ele mesmo nunca retirou um único tostão dos cofres públicos.
– Tive um criminoso como amigo durante todos esses anos? Ah isso é o fim – cuspiu as palavras mergulhando os dedos nos cabelos marrons escuros.
– Já disse que Kayo separa muito bem a vida social da vida criminosa senhor Hyuuga ele é um criminoso e isso é péssimo mas ao mesmo tempo é um homem bom – ele fez uma pausa – porém Riroki é um psicopata diabólico, completamente obcecado por Hinata, lembro dele sempre dizer que nunca encontrou tanta perfeição dentro de uma única mulher, azul marinho sempre foi a cor preferida dele, e é a cor do cabelo dela, Riroki finge ser bondoso, generoso, finge amar a medicina e finge fazer trabalhos na sociedade, tudo é um simplório teatro, mas por dentro vive um demônio que quer apenas unicamente viver para Hyuuga Hinata – Hiashi nada disse, ninguém nada disse era muita informação – mas quando Hinata disse que não o amava ele enlouqueceu de vez, o sequestro foi ele que armou, Hinata passou um mês e meio trancada no sótão de uma casa velha apanhando, passando fome, e sede, Riroki a provocava.
– Ele fez algo pior? – perguntou Neji hesitante com medo da resposta – estupro...
– Nessa parte ele nunca fez nada, ele a ama tanto, mas tanto sonha que ela se entregue o amando, e por essa razão ele quer obriga-la a ama-lo, na mente dele Hinata o ama mas não sabe, na mente dele Hinata só sera feliz ao seu lado porém não sabe, e na mente dele, ela deve ser castigada, por não ama-lo. Quando Kayo ficou sabendo mandou toda a segurança atrás dele, ele sabia o tempo todo que Riroki estava envolvido ele sempre foi louco, ele fez as ligações avisando do sequestro e que criou todo o cenário para acobertar o filho, e quando os encontrou, arramou Riroki para dentro de uma clinica na Inglaterra e entregou Hinata a você. Depois de melhor ele disse ao pai que queria melhorar de vida estudar medicina novamente e voltaria a morar em Konoha, pura mentira.
– Por isso ele disse que Riroki após o sequestro não tinha psicológico para se casar, que era melhor cancelar – Hiashi desabou no sofá indignado, como pode ser tão cego? – como sabe de tudo isso rapaz?
– Eu sou o vice-chefe da organização secreta a qual Riroki é aliado, ele é o melhor amigo do nosso líder, o meu meio-irmão.
– O que?!
– Calma senhor Hiashi – pediu Sai – ele realmente esta do nosso lado.
– COMO POSSO CONFIAR EM VOCÊ?!
– Daqui alguns dias senhor Hiashi provavelmente estarei morto por ter passado todas essas informações – ele sorriu fracamente o que fez Sakura arregalar os olhos surpresa.
– Como assim morto? – a rosada perguntou.
– Uma vez dentro de uma organização secreta de mafiosos não se pode sair nunca mais – a voz do outro ruivo que olhava a janela transparente a chuva que começa a cair pairou no ar, Gaara surpreendeu a todos de repente, uma voz rouca, áspera e claramente triste, Ino o encarou surpresa ela tentava desvenda-lo, mas parecia que ele de alguma forma fugia, fugia de tudo que pedia para se aproximar seu olhar desviado para o mundo fora daquela sala – se quiser sair você precisa morrer, ou a trair a união e depois ser morto.
– Isso mesmo – ponderou Sasori, Sakura não o amava, mas ela não conseguia ver ele como uma pessoa ruim, e como um amigo, estava tudo embaralhado.
– Hinata demorou muito para se recuperar do sequestro e quando ela voltava a melhorar, vocês começaram a pressiona-la novamente, empresa, empresa, empresa, só tinha se passado um ano e ela estava muito abalada – Sai tentava julgar o Hyuugas uma maneira desesperada de mostrar que não era apenas Riroki eles também estavam a destruindo, era hora de falar, era hora colocar tudo para fora – como se não se bastasse isso ela viu Sasori rondando a casa em Konoha, então ela fugiu, pra cá. Hinata estava feliz, longe da empresa, estudando para ir para os Estados Unidos, ela fez amizades ela ganhou vocês, vocês nem imaginam como ela ama vocês, todos vocês. Hiashi você sempre teve seus inúmeros defeitos como severo e tradicional, sempre foi desde que ela era pequena, mas ela sempre te considerou um grande pai, e se quer saber, e ela sente falta daquele pai amoroso e atencioso, quando Kaoro morreu ela realmente sentiu que você foi junto, pois você se tornou amargo e ríspido mais do que já era, mas ela te ama e muito e ainda tem esperanças que você retorne. Neji, autoritário, primo, não primo não, irmão, ela sempre me corrigia. Ino e Sakura as primeiras amigas, as primeiras melhores amigas, Sasuke e Gaara, quietos, porém sinceros, Hinata sempre foi bajulada pelas pessoas ao seu redor por ser rica, mas mesmo ela sendo “pobre” vocês pouco ligavam pra quem ela era e mesmo assim conversavam a aceitaram na roda de amigos. Por ultimo Naruto, o loiro irritante e arrogante – sentimentos flutuaram entre as pessoas da sala, por que até então ninguém conhecia os sentimentos da Hyuuga – quando descobriram que ela estava em Tóquio Riroki não perdeu tempo para bolar um plano, ele mandou Sasori a vigia-la, seis meses, um dia de repente ele apareceu, dizendo que ela deveria ficar com ele caso o contrario ele destruía todos vocês, Riroki tinha um dossiê completo da vida de cada um de nós, até quantas vezes por dia vamos ao banheiro, a que mais preocupou foi Hanabi, com certeza a vida de Hanabi foi a que mais a preocupou, ela aceitou se casar, aceitou fazer o papel de boa esposa na frente de todos, terminou com Naruto e cortou relações com qualquer pessoa ligada a ele, tudo para que ele não fizesse nenhum mal a nenhum de nós.
Naruto mergulhou ainda mais a cabeça entre os braços quase chegando perto dos joelhos, Hiashi levantou-se de repente, irritado, bravo, queria que Riroki Morimoto ardesse no fundo do mais quente inferno, na verdade ele queria ser unicamente a pessoa que o mandaria para lá.
– Ela sofreu em silencio – continuou Sai – por todos nós.
– Não posso acreditar – afirmou Ino surpresa e incrédula, ela fitou Sakura chorar e esconder nos braços fortes do namorado, palavras não descrevem tal revelação, palavras não descrevem o que ela fez, por suas amigas.
– Isso é muito grave – ponderou Sasuke.
– Minha filha – sussurrou o líder dos Hyuugas, ele colocou a mão no bolso retirando o que parecia ser um relógio antigo e redondo de ouro, mas que na verdade era um medalhão, ao abrir no lado esquerdo uma foto de Hanabi e do direito Neji junto de Hinata, ele a observou toda sorridente e se odiou – papai vai dar um jeito em tudo.
– Hinata tem a mania de pensar mais nas pessoas do que em si mesma, a ponto de ser egoísta, eu pedi para ela contar a alguém, mas ela não quis.
– E você deveria ter contado – acusou Neji.
– Eu deveria – admitiu – mas até onde eu sei, sou a única pessoa que se importa com a Hinata aqui Neji, eu não tinha nenhuma escolha que não fosse ficar do lado dela.
– O quer dizer com isso?!
– Desde que Kaoro morreu senhor Hiashi só pensa na empresa, a empresa a empresa a empresa, ela já disse que vai liderar as empresas ela não precisa ficar vivendo sob pressão, ela passou por muita coisa ruim, ela precisa de uma família, não de acionistas, não seja egoísta Neji, não negue que Hinata é completamente diferente de qualquer um de vocês. Enquanto vocês só se preocupam com o patrimônio e a imagem eu estive do lado dela, e se eu tivesse contado? Ia ser um caos, Riroki ia fugir, sumir, desaparecer, surgir de novo iria coloca-la contra a parede e nem em mim ela confiaria, esconder tudo isso foi o meu jeito de estar do lado dela, foi o meu jeito protege-la.
– Esta dizendo que não me importo?
– Esta tudo bem Neji – pediu o Hyuuga mais velho ainda encarando o medalhão – ele esta certo. Agora tudo faz sentindo – ele suspirou – apenas não aceito ter que ter visto ela quase ser morta para perceber o quão ruim tenho sido como pai.
– Ela deveria ter nos contado – a voz de Naruto finalmente se manifestou, o loiro estava gélido e ainda mais confuso que todos os outros.
– Eu ainda não acredito – repetiu Ino, com os olhos azuis marejados, enquanto Sakura tentava se recuperar das lagrimas já derramadas.
– Achamos que ela não gostava de nós – murmurou Sakura.
– Ela deveria ter nos contado – repetiu Naruto se levantando e caminhando com os punhos cerrados pela sala.
– Neji – pediu Hiashi – quero seguranças em volta de todo esse hospital, e impeça de alguma forma que a impressa descubra, dê um jeito, não quero ninguém saiba onde Hinata esta internada pela própria segurança dela.
– Não foi combinado que vocês deixariam ela morar em Tóquio sem seguranças?
– A vida dela esta em jogo.
– Ela vai surtar – rebateu.
– Hinata é minha filha preciosa, eu já pedi Kaoro, e tenho que viver com o fato de que Hanabi esta doente, eu não sou um bom pai, tão mereço ter filhos tão bons como vocês. E eu não irei perde-los – Neji nem mesmo ousou a responder, um murmúrio surgia entre os amigos que ainda tentavam processar toda a situações era muito informação era muito emoção ao mesmo tempo.
– Sai – chamou Ino – e o fato dela estar gravida? – Hiashi cruzou os braços esperando uma resposta, e Sai amaldiçoou a acompanhante por ser tão curiosa, quis que o murmúrio voltasse, mas o que prevaleceu foi o silencio e das pessoas o olhando o encarando esperando uma resposta, mas sai não teve tempo para responder.
– A sr.Hyuuga esta bem – a médica loira esbelta com o nome de Yume Kobaiyashi escrito no crachá surgiu na sala surpreendendo a todos, uma mulher linda e de aparência uma excelente médica cirurgiã que esbanjava confiança, Hiashi apertou a mão da mesma se identificando com pai.
– Ela esta bem mesmo doutora? – perguntou Neji.
– Sim, que bom que muitas pessoas se preocupam com ela – respondeu sorridente e logo ficou seria de novo – Hinata vai passar pelo psicólogo e por muitas medicações ela teve varias fraturas e cortes, foi muito bem atacada, vou deixar ela internada mais uns dias por segurança e – ela fez uma pausa de que deixou uma tensão no ar – eu sinto muito mesmo, mas ela perdeu o bebê.
– Ah não – murmurou Sai em desespero enterrando seu rosto com as mãos.
– Sinto muito – repetiu a médica – eu fiz tudo que pude.
– Isso não podia ter acontecido – Sai estava indignado – Hina queria muito esse filho.
– Ela esta acordada, eu já dei a noticia, hoje eu permitirei que apenas uma pessoa a veja, ela esta muito debilitada precisa descansar, amanhã os outros poderão visita-la também. E teremos que conversar sob o fato dela ter sido atacada, não posso deixar de registrar uma ocorrência contra isso.
– Bom então, eu irei – adiantou-se Hiashi – Neji converse com a médica, sobre o sigilo e a imagem que nossa família insiste em preservar, por favor.
– Não – pediu Sai – Naruto vai.
– Eu? – indagou o loiro.
– Ele? – repetiu Neji.
– Senhor Hiashi, acredite em mim, Hinata tem muitas coisas para colocar em ordem, ela não precisa de um pai, não agora, o senhor já faz muito por ela, pode por fé em mim, Naruto é a única pessoa que ela vai querer ver agora.
– Por que eu?
– Acredite em mim, você vai ser a única pessoa que ela vai querer ver – repetiu.
[...]
Quarto particular, paciente Hyuuga Hinata, terceiro andar apartamento 339, Naruto girou a maçaneta e empurrou devagar, nem sabia ao certo por que concordou em ir vê-la, mas seu coração queria ser certeza de que estava bem, queria resposta que viessem da boca da própria, tudo tão confuso, tão bagunçado e ele tão preocupado, abriu a porta de madeira branca vagarosamente, vendo que o quarto estava escuro apenas iluminado pela luz do abajur no canto da parede, triste como a noticia que havia recebido, Naruto viu a cama desarrumada, mas ninguém estava nela, ele se preocupou, até abrir a porta com mais velocidade, e finalmente avista-la, seu coração como sempre ficou acelerado, era incrível o efeito que ela causava, Hinata estava sentada de lado no sofá com um braços apoiado no encosto admirando e sofrendo junto com a chuva que escorria pelo vidro da janela meio embaçada, Tóquio a confortava, toda lindamente iluminada, ela estava usando o pijama hospitalar, e o carrinho metálico que carregava o soro conectado ao seu braço, com passos silenciosos ele adentrou no local, desviando da luz para que a sombra não o entregasse, a oceano azul perfeito que vivia em seus olhos, captaram claramente os hematomas dela, toda roxa, com alguns cortes no braços, curativos na testa, e marca clara de que fora estrangulada. Era tão desconfortável vê-la numa situação tão deplorável, Naruto se sentiu um incompetente que não conseguiu proteger a mulher que tanto amava, e como amava cada detalhe vivo que exista nela, amava mais que Riroki, com certeza, por que ele jamais permitiria que algo daquela magnitude lhe ocorresse, porém ele permitiu, ele relaxou, pensou que ela não precisava mais dele, porém precisava.
Ele continuou a encara-la e apesar de bravo por todo aquele ocorrido não conseguia evitar o brilho apaixonado que era lançado, Hinata tão perfeita, tão sua. Ela virou o rosto e arregalou os olhos perolados no encontro da imensidão azul de Naruto, surpresa por ele estar lá.
– Hina – sussurrou devagar sentindo pena da dor que ela deveria estar sentindo.
– Naruto – ela sussurrou de volta.
– Você deveria estar na cama Hinata.
– Eu estou bem, consigo andar, acho que é até bom eu andar – sua voz entregava a surpresa que sua presença causava, ela realmente não esperava ele ali, preocupado e procurando formas de conversar.
– Que bom.
– O que faz aqui?
– Não precisa mais mentir para mim – adiantou-se logo e ela já imagina que algo do tipo aconteceria – Sai me contou tudo – ela nada respondeu abaixou os olhos fitando o chão deixando que uma lagrima solitária caísse pelo seu rosto machucado, ela ainda parecia um anjo, mesmo na pior forma, Naruto não perdeu tempo para se ajoelhar diante dela, ele queria tanto chama-la de louca, petulante e irracional, mas impossível se irritar.
– Ainda estou confuso – ele admitiu pousando as mãos nos seus joelhos fraquinhos.
– Eu também estou – ela sussurrou, olhos azuis encaram a joia perolada pendurada no seu pescoço, e num ato impensável, ele arrancou o colar, pegou na sua mão lembrando-se daquilo que lhe selavam o noivado, e também retirou de seu dedo anelar o anel de noivado, os colocou encima da mesa ao lado do sofá.
– Não use mais isso – ele pediu – ele não merece.
– Eu tinha me esquecido completamente – ela respirou fundo passando as mãos delicadas no pescoço estrangulado, quando havia ficado tão frágil?
– O que aconteceu com você Hina? – exigia uma resposta, mais lagrimas caíram de seu rosto de forma triste, que partia o coração de qualquer pessoa, Naruto não queria de nenhuma forma pressiona-la, mas ele queria tanto entende-la.
– Não podia deixar que Riroki lhe fizesse mal, eu não podia deixar – afirmava chorosa – eu nunca iria me perdoar se algo lhe acontecesse Naruto.
– Por que? Por que alguém se preocuparia comigo?
– Esse mês sem mim lhe fez mal – ela sorriu fracamente e voltou a ficar seria novamente – já disse para você largar essa amargura e para de pensar que é uma pessoa ruim...
– Mas eu sou...
– Não, não é! Seu pai te ama Naruto, da maneira esquisita dele, mas ele te ama, e é severo por que quer que você se torne um bom empresário eu sei que é exagerado, mas é o jeito deles, você é a pessoa mais incrível e mais maravilhosa que já surgiu na minha vida, você recuperou um pedaço da minha felicidade que eu francamente tinha esquecido que existia, você não faz ideia o quão bom é – era impossível deixar de ser sincera perto dele, ela impossível se controlar enquanto era fitada pelos olhos azuis que era tão apaixonada, ela nunca conseguia resistir, se entregava e declarava sem perceber a noção das próprias palavras.
– Eu não entendo nada, e tudo aquilo que eu você me disse?
– Se eu tivesse simplesmente terminado você teria acreditado em mim? – era uma pergunta retorica, é claro que ele não teria acreditado – era tudo mentira.
– Você me ama? – ela ficou em silencio por alguns minutos, até aproximar seu rosto para um pouco mais perto do dele, o encarando ainda mais, até finalmente sussurrar o que ele tanto desejava ouvir durante todo aquele tempo.
– Eu amo – não havia mais por que mentir – mas quero que fique ciente que não podemos mais ficar juntos – começou a chorar novamente – me perdoa Naruto, mas não podemos.
– Por que você insiste que não podemos ficar juntos?
– Não podemos – ela repetiu tentando limpar as lagrimas.
– Ah não Hinata! Olhe para você, olhe o seu estado! Olhe o que esse cara fez com você, eu não vou me afastar de você nunca mais, eu não vou te deixar sozinha por mais nenhum minuto, eu não deixar ele te machucar, eu não posso me permitir ficar longe de você é impossível para mim, você não tem ideia do quanto eu sofri nesse tempo que ficamos separados...
– Naruto... – ela tentava chamar.
– Se eu tivesse sido avisado um pouco antes, eu teria te salvado e você não estaria toda machucada dessa maneira – ele gesticulava erguendo os braços indignado, completamente revoltado.
– Naruto... – tentou novamente.
– Mas agora que eu sei a verdade eu não vou deixar de ficar perto de você...
– Naruto! – elevou o tom de voz e ele silenciou a encarando, ele não sabia ser menos nervoso quando ocorria injustiças e quando Hinata estava em perigo – eu perdi meu filho Naruto, eu perdi o nosso filho.
– O-oque?
– E se Riroki teve a oportunidade de fazer tudo isso comigo, imagine o que ele pode fazer com você – ela colocou sua testa machucada junto a dele e segurou em suas bochechas com os olhos fechados despejando lagrimas – eu já perdi o suficiente, eu não posso te perder, não posso.
– Você dis-sse...que perdeu o nosso filho? Nosso?
– Nosso – ele não sabia o que era ser pai, mas sentiu seu coração ser bombardeado por um sentimento completamente desconhecido, seus olhos ficaram arregalados encarando algum devaneio desconhecido.
– Como? – ele a fitava perdido na informação.
– Eu fui com Gaara te buscar na boate, eu fui te arrastar de lá, e percebi que sou péssima em resistir a você.
– Não pode ser...
– Cabine 23 – a imagem dela o abraçando veio a mente e sua voz gritando no seu ouvido “não diga que você é um monstro, por que você não é” insana Hinata, sua amada Hinata, sua garganta secou, e ele ficou sem palavras, viu ela abrir os olhos e finalmente encarar as joias raras que viviam em seus olhos, então ele admirou a sinceridade, o tempo todo ela o amava, o tempo todo ela o protegeu o tempo todo aquele filho era dele, um filho, um filho, uma criança, fruto de um amor, o amor deles.
Num ato desesperado mediante a saudades e todo amor que podia lhe entregar, ele não tinha palavras, mas a abraçou de maneira afoita se encaixando no sofá e acolhendo entre os músculos do seu peito. Aquele abraço, aquele abraço numa troca perfeita não apenas de calor mas sim de muito amor, fez toda a diferença nos pesadelos da Hyuuga, um abraço que dizia, eu te perdoou, eu entendo tudo que você fez, eu estou sofrendo com você, e eu te amo, ela sentiu vontade de nunca mais solta-lo, ela queria morar naquele abraço, eles amavam de maneira extraordinária.
– Eu te amo Hinata, não me obrigue a ficar longe de você – disse a apertando ainda mais para perto de si querendo conforta-la.
– É por você Naruto, é por você – ela explicava, com vontade de chorar novamente.
– Eu vou te proteger, nós vamos nos proteger – afirmou correto e otimista – eu vou dar um jeito nisso tudo, eu prometo.
– Naruto...
– Eu sinto muito – ele fungava arrependido descendo a mão até o ventre frágil pela cirurgia, acariciou e disse – eu sinto muito não ter protegido vocês.
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