Notas iniciais
Sim, eu voltei. Desculpem, a demora. Não, não tenho desculpas, a não ser a minha falta de criatividade e o meu desânimo para escrever.

– É uma pena que vocês já tenham que voltar. – a senhora Pierce disse, desajeitadamente puxando uma das malas para o carro. – Têm certeza de que não querem ficar mais um pouquinho?

– A San precisa voltar mãe. – Brittany respondeu distraidamente. – Tem uma coisa na escola ou algo assim. Ei, Carol, esse chocolate é meu!

– Era. – a menina corrigiu, sorrindo com a barra na mão. Seu sorriso não tardou a desaparecer, já que Brittany praticamente se jogou em cima dela. – Mãe! A Brittany tá me batendo!

– Ela pegou o meu chocolate! – a loira reclamou.

– Parem de brigar e venham me ajudar com as malas. Brittany, querida, onde está a Santana? É melhor ir chama-la; o voo de vocês é em uma hora.

– É, Brittany. Vá chamar a Santana. – Carol mostrou a língua para a irmã, que revirou os olhos e puxou o chocolate para suas mãos. – Ei!

– Compre o seu, pirralha. – Brittany riu, entrando na sala. – Ei, baby. – A loira inclinou o rosto, beijando a bochecha morena. – Pronta?

– Mhm. – Santana levantou-se, junto de seu cachorro. – Eu não queria ir. Desculpa, B.

– A gente ia ter que voltar cedo ou tarde, San. – a loira riu. – A não ser que você realmente esteja cogitando passar o resto da sua vida em Ohio.

– Não. – a morena sacudiu a cabeça, e então abriu um sorriso. – Mas ainda assim, eu gosto daqui.

– Eu também. – Brittany concordou, dando um rápido selinho na namorada. – Vamos?

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– Lopez! – Quinn grasnou. – Nunca mais passe tanto tempo longe. Eu quase passei fome!

– Vou manter isso em mente. – a morena riu. – Eu preciso ir agora. Eu tenho que arrumar a sala para as aulas de amanhã. – Quinn resmungou alguma coisa, mas Santana não entendeu. – Fabray, já te disseram que você parece uma velha cada vez que resmunga desse jeito?

– Cala a boca, idiota. – a loira xingou, atirando uma caixa vazia na amiga. – Vá para a sua sala. Eu passo lá quando eu estiver indo embora.

Santana deu de ombros e virou-se, saindo da sala da amiga. O dia estava péssimo; e não era preciso ver para perceber isso. Estava chovendo tão forte que o teto da escola parecia a ponto de desabar a qualquer momento. E além do mais, estava ventando. E frio. Em suma, o dia estava uma mierda, como Santana diria. Sem falar que o piso da sala de música era escorregadio, e piorava com as chuvas. Quase sempre, Santana escorregava. Uma vez, ela chegou a bater a cabeça no piano, e outra, ela quase esmagou o próprio cachorro, na época ainda filhote. Mas hoje, por algum milagre, ela conseguira chegar sã e salva até a sua mesa. Exceto por Scooby, que bateu a cabeça na mesa da latina.

Santana suspirou, lentamente começando a organizar as partituras em braile. Ela pensou em chamar Quinn ou alguém para auxiliar os alunos na entrada, ou até mesmo para ajudar os que haviam caído a se levantar. Mas seus pensamentos foram interrompidos ao sentir braços longos abraçarem sua cintura. Santana sorriu, girando o corpo na cadeira e inclinando o rosto. Lábios frios tocaram os seus, mas não eram os lábios que Santana estava acostumada. Eram lábios finos, porém ásperos e curtos. O cabelo não era liso, mas ondulado, e a pele não era nem de perto tão macia quanto a de Brittany. Ela imediatamente quebrou o beijo, dando um passo desajeitado para trás.

– Q-quem está ai? – Santana perguntou, tentando manter a voz firme.

– A sua nova namorada. – Uma voz feminina ecoou na sala. – Não finja que você não gostou, Santana.

Samantha. – A latina sibilou. A mulher agarrou o pulso da morena, mas soltou assim que ouviu o rosnado do cachorro ao seu lado. – Sua vadia.

– Eu não fiz nada, San. – ela sorriu. – Você quem me beijou. E a gente bem que podia aproveitar mais um pouquinho. – ela disse, se aproximando da latina. Santana ouviu os passos da mulher em sua direção, e rapidamente recuou para a porta. – San, não foge!

A morena sacudiu a cabeça, andando em passos largos junto ao seu cachorro. Ela sentiu suas pernas bambearem e escorregou no chão úmido, mas alguém a segurou.

– Ei, vai com calma! – Sam riu, ajudando a latina a se recompor. – Por que a Britt passou correndo por aqui? Tá tudo bem com vocês?

– Ela esteve aqui? – Santana perguntou, sentindo o desespero tomar conta de si. – Mierda! Eu preciso de um taxi.

– Quer carona? Nós vamos sair daqui a pouco. – ele ofereceu, mas Santana sacudiu a cabeça.

– Não, eu preciso de um táxi. – Santana disse apressada. O rapaz murmurou um “ok” e pegou seu telefone, discando o número do tele taxi. Em poucos minutos, um homem gordo e careca estacionou em frente à escola. Sam se despediu da amiga, mas Santana mal ouviu. Ela entrou apressada no carro, passando o endereço para o motorista. Ele resmungou alguma coisa sobre o tempo, mas Santana não estava prestando atenção. Sua mente estava focada na loira que possivelmente estava irritada com ela, visto que não atendia ao telefone.

– Moça, já chegamos. – o taxista informou, tirando Santana dos seus pensamentos. Ela estendeu uma nota para o homem e saltou do carro, sendo seguida por Scooby. – Ei, seu troco! – Santana não ouviu. Ela começou a andar apressadamente, guiando-se pelos aromas e sons. Não devia estar longe, pois sentia o cheiro de pão da padaria na esquina da casa da loira. Ela ouviu Scooby latir e tentar puxá-la para o lado, mas ela ignorou o labrador. Em uma questão de segundos, sentiu algo golpear seu rosto fortemente, derrubando-a no chão. Seus óculos se partiram em dois, e seu rosto começou a sangrar. Ela soltou um gemido de dor, mas ergueu-se rapidamente, atirando os óculos no meio da calçada. Uma ou duas pessoas tentaram pará-la, mas ela afirmou estar bem. Scooby, já sabendo aonde ir, puxou Santana para dentro do prédio de Brittany.

– Srta. Lopez? – O porteiro chamou. – A senhorita está sangrando! – ele exclamou.

– Eu estou bem. – Santana afirmou. – É só um arranhão.

– A senhorita precisa ver um médico! Está muito profundo.

– Avise que eu estou subindo, por favor. – A morena pediu, enquanto o cachorro a guiava para o elevador. Ela não estava mais certa se tremia de medo ou de frio, já que estava encharcada, mas de qualquer modo, dirigiu-se para a porta da loira. Santana tocou a campainha impacientemente, mas não obteve resposta. – Britt. – chamou. – Britt, abre, por favor. – Santana escorregou o corpo para o chão, recostando a cabeça na porta. Talvez a batida em sua cabeça tivesse sido um pouco forte de mais. – Britt, amor, me deixe entrar. – Sua cabeça estava girando, e ela lentamente começou a fechar os olhos, lutando contra a vontade de adormecer. – Britt. – sua voz não passava de um sussurro.

A porta abriu bruscamente. Santana sentiu seu corpo cair, mas não tinha força para levantar. Scooby começou a latir e a ganir, enquanto Brittany se ajoelhava no chão, ajudando a morena a sentar.

– Mas que merda aconteceu com você?

Notas finais
E ai? Alguém por aqui ainda?