O Amigo Do Meu Pai
28 Sem nenhuma vadia?
Notas iniciais
Acordei cansada na manhã seguinte. Mal dormira a noite, com insônia e ardendo de ciúmes do idiota do Carter (como resolvera chamar agora Sam). Levantei-me e fui ao banheiro, por volta das oito e quinze da manhã, já sem mais paciência para ficara rolando na cama em busca do sono. Olhei-me no espelho e havia marcas de olheira salientes em meus olhos. Bufei impaciente e lavei bem meu rosto, intercalando água gelada e quente. Um troque que aprendi com Lana; além de me despertar de vez, também deu uma aliviada nas olheiras. Meu cabelo estava um caco, então o prendi em um coque alto. Saí do banheiro e logo procurei algo para vestir. Catei um suéter rosa claro com um coração no meio formado por estampa de onça, uma jeans preta e All Star cinza. Para incrementar um pouco, peguei meus óculos de sol redondo com detalhe azul em cima, anel com uma pedra rosa e minha bolsa (adquirida na viajem) laranja. Como meu cabelo estava o caco, então eu o deixei em um coque mesmo e investi mais em um batom vinho. Estava aceitável. Catei meu celular e o liguei. Eu tinha três chamadas perdidas de Sam. Bufei revirando os olhos; ele deve ter desistido logo porque a vadia deve ter começado a fazer boquete nele! Joguei o aparelho dentro da bolsa e botei meus óculos. Saí do quarto, colocando a plaquinha para a camareira. Caminhei para os elevadores, rezando para ter uma Starbucks ali por perto. E minha prece foi atendida; mal saí á rua a procura de uma e encontrei no outro lado da rua. Atravessei e entrei no estabelecimento. Eram oito e cinquenta da manhã de uma sexta-feira, então havia certo movimento no local. Pessoas querendo fazer seus pedidos para a viagem, para assim poderem tomar no caminho ao trabalho. Eu sentei-me em uma das mesas, que estavam em sua maioria vagas; as pessoas queriam pedidos para a viagem e não para comer no local. Demorei um pouco para ser atendida, já que os funcionários estavam concentrados em atender o publico que trabalhava. Assim que uma moça me atendeu, eu lhe passei o pedido; um cappuccino médio (que na linguagem deles é o grande) e um brownie com geleia de amora, fruta da qual nem era fã. A moça anotou e saí e eu pus-me a mexer em meu celular. Porém, a porta do café se abriu pela nonagésima vez, e não sei por que diabos, eu olhei para ela. Meu corpo gelou. Era Sam entrando calmamente no café. Ele vestia uma camiseta negra com o desenho de um esqueleto e uma jeans azul clara com um rasgado e desfiado no joelho esquerdo. Ele estava também com um óculos estilo hippie, que curiosamente, eu lhe presenteara com tal. Eu riria dele usando meu presente, que ele abominou assim que viu, mas devido ás circunstancias eu só borbulhei em raiva e voltei a mexer em meu celular tentando parecer normal. Torcia para ele não me notar. Mas para minha infelicidade, os caras da Starbucks eram burros demais. Do nada, uma garota começou a gritar do balcão:
–Anne, Anne!
Poderia ser qualquer uma sim, mas então a menina que me atendera puxou o copo da mão da garota que berrava e falou algo. A menina fez cara de “Ah!” e concordou coma cabeça. Sam, notei de rabo de olho, prestava atenção em tudo. A menina que me atendera caminhou então até minha mesa, com o cappuccino e um prato com brownie. Sam então fez cara de surpresa, com “eu sabia!” e se encaminhou para minha mesa. Eu não notei isso. Tomei um gole de meu cappuccino, que estava pelando, e botei-o na mesa quando alguém (Sam) cochichou a minha orelha:
–Se escondendo de alguém?
Tomei um susto e levei a mão ao peito. Sam riu gostosamente e me empurrou, literalmente, para o canto para se sentar ao meu lado. Recuperada do susto, comecei a agir fria com ele.
–O que você quer Sam? — Interroguei tirando o prato de brownie da frente dele, que estava prestes a pegar um pedaço.
–Nada. Só quero saber o que minha cara amiga faz em Detroit, sendo que a um dia atrás ela estava em Chicago. Ah, e também quero saber por que ela nem se deu ao trabalho de avisar-me – Ele deu de ombros tirando os óculos.
–Não sei, vá perguntar a sua amiga ruiva de farmácia siliconada! — Ironizei sem conter minha raiva.
Sam fez cara de quem não entendeu e eu tomei mais um gole de minha bebida.
–Do que você está falando? — Ele perguntou com cara de desentendido. Fingido!
–Ah, então agora você transa com as pessoas em nem se lembra! Nossa, você devia estar bem chapado, porque para esquecer daqueles silicones puros que ela tinha...! — Descontei ainda mais a minha raiva.
Sam ainda continuou com cara de que perdeu alguma parte da historia, e eu bufei com todo o fingimento dele.
–Me poupe Sam! Eu sei bem que ontem você teve uma bela de uma noite de sexo louco com uma vadia ruiva qualquer! Eu fui até o quarto. Ela te disse? Deve ter dito, porque depois você me ligou... Mas nem se lembra, né? Não deve mesmo, afinal ela te deve ter te dito enquanto te chupava... – Despejei sem paciência. Geralmente eu não usava esse linguajar esdruxulo, mas é que no calor do momento...
Para meu assombro, Sam começou a gargalhar alto no meio do café. Todos, claro, se voltaram para nós para saber o que acontecera. Eu olhei irritada para ele, pois o filho d’égua ainda ria e chamava a atenção de todos.
–Anne, de onde você tirou essa história? — Ele perguntou depois de se recuperar do riso – É a coisa mais absurda e engraçada que já ouvi!
Dessa vez, foi minha vez de não entender algo.
–Como assim de onde tirei essa historia? Oras, eu fui até seu quarto e uma vadia ruiva atendeu a porta e me disse que você estava ocupado! — Respondi como se fosse obvio.
–Então você errou de quarto! Porque ontem tudo que fiz depois do show foi te ligar, tentar falar contigo, e depois cair morto na cama.
Eu fiz cara de espanto total. Como assim? A mulher me dissera que era ele!
–Não, não! Eu fui até o quarto 2.416 e...
–Meu quarto é o 2.408, Anne – cortou-me ele.
Eu não acreditei. Eu errara o quarto? E o pior, o quarto de Sam era ao lado do meu, imediatamente ao lado; o meu quarto era o 2.407.
–Não, mas eu perguntei a mulher se você estava lá e ela disse que sim... — Insisti não crendo que eu fosse tão burra assim.
–Você perguntou por mim? Disse meu nome e a mulher confirmou? — Ele perguntou querendo tirar a prova.
–Sim, eu perguntei se o Carter estava lá e...
–Mas há milhões de Carter pelo mundo! – Argumentou rindo Sam.
Oh, não, é verdade! Então eu errara mesmo o quarto. Então a vadia não transara com Sam! Não pude ficar mais feliz; pulei em Sam para um abraço. Ele cambaleou um pouco, surpreso, mais depois me abraçou forte.
–Então a vadia ruiva não fez boquete em ti enquanto você me ligava? — Perguntei sorrindo a ele depois de solta-lo e ficar só com as mãos em torno de seu pescoço, enquanto ele com as mãos em torno da minha cintura.
Sam riu gostosamente, me alegrando mais ainda também.
–Você pensou isso? — Ele perguntou sorrindo com ar de riso.
Corei um pouco, afinal, pensara sim. Na verdade, pensara além, mas vamos omitir isso. Ele riu mais um pouco e me apertou mais. Soltei-me de Sam, tirando meus óculos e olhando apare ele logo em seguida.
–Aliás, gostei de seus óculos! – Comentei.
–Sabe, minha amiga tem bom gosto! — Ele sorriu.
–Não foi isso que você disse quando os ganhou... — Revidei com um sorriso travesso.
–Todos mudam de ideia... — Ele deu de ombros.
Sorri e depois deu um gole em minha bebida. Sam, aproveitando-se disso, roubou um pedaço de meu brownie.
–Eí! — Disse rindo enquanto ele comia o pedaço.
–Desculpe, não resisti! – Ele disse com a boca cheia, fazendo-me rir.
Balancei a cabeça de um lado ao outro, sorrindo da idiotice de Sam.
–Então, o que rolou lá na sua missão “ultra secreta”? – Zombou ele, enquanto perguntava com um quê de interesse.
Logo em minha cabeça deu um estalo, e comecei a contar loucamente a ele. E ficamos assim; eu contando o plano maluco a Sam e este rindo esporadicamente de minha narração. Era tão bom ter Sam de volta, sem dizer que também era muito bom me livrar do ciúme. Era bom voltar a conversar com meu melhor amigo, sabendo que nenhuma vadia fez boquete nele.
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