O Amigo Do Meu Pai
9 Perto demais
Notas iniciais
Enjoy
Os dias foram se passando com tanta rapidez, que quando me dei conta já estava há quase dois meses em turnê com a banda. Os burburinhos não paravam mais, até porque você estar a dois meses em turnê com uma banda e sempre ser vista ao lado de um dos integrantes (Sam) não é nada suspeito para se gerar certos boatos! A minha relação com a banda era excelente: todos gostavam de mim, e eu deles. Meu pai estava mais próximo... Vivíamos brincando até! Mas ele ainda não fora informado de que eu sou a filha dele. Eu e Sam já tínhamos um bom plano traçado, mas não tínhamos ainda colocado em prática por minha culpa. Eu morri de medo dele não me aceitar, de ser rejeitada. Gostava dele, meu pai, mas quanto mais o conhecia mais achava que ele não queria ter filhos. Como seria, então, se eu chegasse e anunciasse á ele que eu era sua filha? Ser rejeitada não esta em meus planos...não mesmo!
Eu estava em meu quarto de hotel, somente de lingerie e uma blusa um pouco comprida por cima, assistindo TV quando ouço baterem na porta. Bufando, desligo a TV e levanto da minha cama. Meu cabelo estava meio bagunçado, então dei uma passada de mão, ajeitando-o antes de abri a porta. Nem liguei para o fato de estar com pouca roupa, mas assim que abri a porta e vi quem estava do lado de fora me arrependi de não ter vestido ao menos uma calça. Sam estava encostado no portal da porta, sorrindo para mim. Ele olhou-me de cima para baixo e sorriu malicioso assim que viu minhas coxas. Bufei e revirei os olhos dizendo:
–E aí? Vai me secar na porta ou vai entrar?
Ele levantou as mãos num ato de rendição e entrou no quarto. Fechei a porta do quarto e encontrei-o jogado em minha cama, provavelmente segundos antes secando minha bunda.
–Não vai trocar de roupa? Ele perguntou assim que me sentei em uma cadeira de frente a cama, encarando-o.
–Necessito? Questionei levantando uma sobrancelha e cruzando as pernas e braços.
–Não, esta bom assim! Ele disse sorrindo safado e fazendo-me revirar os olhos.
–Então, porque esta tirando meu momento de paz? Perguntei.
–Bem, pelo simples fato de termos um plano perfeito traçado e a senhora não querer executa-lo até agora! Ele disse na lata, esticando-se na cama sem me olhar e botando os braços atrás da cabeça.
Mordi meu lábio inferior nervosa. Sabia que um dia ou outro ele viria me questionar, mas não sabia que era justo hoje...
–Você sabe que eu não tenho certeza ainda! Disse me defendendo, mas nervosa.
Ele ajeitou-se na cama, ficando sentado com as costas apoiadas na cabeceira da cama, e olhou-me bem fundo.
–E porque você ainda não tem certeza?
Levantei-me da cadeira, e com o olhar dele me acompanhando, deitei-me ao lado dele na cama.
–Porque eu tenho medo de ser rejeitada! Disse olhando para o teto e cruzando as mãos em cima da barriga.
–E porque você seria rejeitada Anne? Ele questionou-me, fazendo-me virar de lado para ele.
–Porque acho que Chris não quer filhos! Andei sondando um pouco e ele não parece a pessoas que mais anseia nesse mundo por um filho! Disse meio chorosa.
Sam olhou em meus olhos bem profundamente e disse sendo o mais sincero do mundo:
–Olha, eu sei que Chris não parece empolgado com crianças, filhos, mas não quer dizer que ele não tenha vontade de ter! Acho que você só tirou essa com conclusão porque a sua vinda tem mexido um pouco com ele. Pelo que percebi, ele gostou bastante de sua mãe, e do nada a filha dela aparecer e dizer que ela morreu deve ter zoneado com a cabeça dele. Mas acredite, eu tenho certeza que se Chris soubesse que tem uma filha... Que tem você, ele seria o melhor pai o mundo!
Eu sorri de canto de boca ao ouvir aquilo. Sam era de fato um grande amigo. Chegou mais perto dele e abracei-o. Este reagiu um pouco surpreso, mas agarrou-me em seus braços forte, passando uma das mãos em meus cabelos. Eu enrosquei minhas pernas nas deles (que vestia uma jeans), com um pouco de frio devido à janela meio aberta. Ele passou o braço desocupado (que não me fazia cafuné nos cabelos) em torno da minha cintura, puxando-me mais pra perto dele. Estávamos bem abraçados, e quem quer que visse aquela cena diria no mínimo que éramos namorados! Mesmo ciente de tudo isso, não desgrudei-me de Sam; era tão bom estar em seus braços.
–Sam... Preguntei enquanto fazia círculos com meu dedo na camisa dele (Ok, sei que isso é muito coisa de namorados!).
–Umh... Grunhiu ele, num sinal que estava prestando atenção.
–Você já sonhou em ter filhos? Perguntei casualmente – Ter uma família, uma mulher e vários filhos numa casa enorme?
Olhei para ele mordendo nervosamente meu lábio inferior. Ele sorriu e deu uma leve risada.
–Bem, sim. Mas com todos esses detalhes, de casa grande e vários pirralhos não – ele respondeu olhando para mim.
–Então como você sonhou? Perguntei curiosa.
Ele me olhou e voltou a falar:
–Não sei... Homens, em geral, acho, não pensam em tantos detalhes assim. Acho que só pensei em ter uma esposa, filhos e uma casa! Ele disse dando de ombros.
Arqueei as sobrancelhas, e ainda curiosa, questionei:
–E alguém já chegou perto de ser a sortuda?
Ele soltou mais uma risada e respondeu:
–Não. Mas sinto que talvez a sortuda esteja próxima... ele disse, me fazendo entender que aquilo era uma indireta.
Desenrosquei-me dele, pouco á vontade, e levantei indo até o armário para pegar uma manta. Ele não disse nada, mas desconfiei que ele suspeitasse que eu entendi aquilo como uma indireta. Voltei à cama e me cobri com a coberta, deixando ele de fora.
–Ok, não quero cobertor mesmo! Ele disse protestando.
Revirei os olhos, sorrindo de canto de boca, e abri mais o cobertor e ofereci a ele. Ele se juntou mais a mim, mas ambos ficamos com um espaço considerável separando-nos. Peguei o controle no criado-mudo e liguei a TV. Vasculhei um pouco e achei “Sherlock Holmes” passando. Como ambos gostávamos do filme, deixamos ele rolar enquanto ficávamos vidrados na TV olhando. Apesar de serem cinco horas da tarde, eu e ele acabamos adormecendo, já sem o espaço nos separando; adormecemos abraçados.
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