O Amigo Do Meu Pai
15 Errando o camarim/Apresentada ao mundo
Notas iniciais
Um mês depois
O que eu posso falar da minha vida? Nada menos do que espetacular! Depois de meu pai e eu termos nos acertado no aeroporto, as coisas só melhoraram. Ele e eu tivemos mais conversas até sabermos tudo um do outo. E para podermos ter essas conversas, eu teria de estar perto. E para eu estar perto, eu teria de sair em turnê junto com eles. Até parece que não gostei quando meu pai me pediu para acompanha-lo! Eu e ele já estávamos bem introduzidos um com o outro, e eu só posso dizer que isto me faz bem feliz! Outra coisa que também me deixa de ótimo humor são os garotos (ou caras, que seria mais apropriado): todos eles me aceitaram muito bem, além de terem ficado felizes por meu pai ter me aceitado, sem contar que eles me tratam bem para caramba e me fazem quase perder o rim de tanto rir. Sou uma espécie de musa para eles (tá, não é pra tanto!). Se todos me aceitam bem imagina Sam! Ele tem sido um amigo muito bom para mim. Ele continua sendo o mais próximo de mim (com exceção agora de meu pai). Já sei tudo sobre ele e ele sobre mim. Vivemos grudados, praticamente, e por isso os boates de que temos algo além da amizade não diminuem. Ah, esqueci-me: meu pai ainda não “revelou ao mundo” que sou filha dele, então a mídia ainda acha que sou peguete do Sam! Ah, lembrasse daquela homenagem de Sam para mim no show (ele dedicou Sunday Morning á mim)? Pois bem, aquilo repercutiu muito na mídia, dizendo que Sam estava tão "apaixonado por mim" que estava até dedicando músicas a mim, o que me deixou furiosa! Eu mal saí no dia seguinte porque havia um bando de garotas “protestando” , quando fui á uma Starbucks, por eu ter agarrado o Sam “delas”. Vê se pode! Isso não é realmente uma maravilha? Eu sou filha de Chris, mas para o mundo eu sou a peguete de Sam!
São seis horas e eu estou saindo para mais um show dos “meus meninos” (como dei para chamar a banda agora). Estava toda produzida, afinal, além de eu gostar de arrumar-me, hoje o show seria em Los Angeles. Um motivo e tanto para se arrumar, não? Vestia uma saia preta até metade de minha coxa com uma meia calça da mesma cor, uma blusa preta e branca estampada, sneaker preto de tachas, bolsa cinza, batom vermelho e o cabelo preso numa espécie de rabo-de-cavalo baixo com trança. A banda já esta no local da apresentação, por isso tive de pegar um taxi para ir. Na verdade, eles tinham de estar mais cedo para a passagem de som, preparação para a apresentação e mais um monte de etc. A apresentação daquela noite seria bem empolgante, porque além de ser a “terra” de Sam e meu pai (e aonde eles todos tem casa, ao menos) teria algumas presenças de celebridades. Não que eu fosse conhecê-las, mas saber que elas estavam ali para o show de meu pai e de meus amigos deixava-me orgulhosa e empolgada. Iria ficar nos bastidores dessa vez, mas isso para mim era mais divertido do que ficar na plateia. Meu táxi chegou ao local do show e eu paguei o motorista, saltando para fora do veiculo logo em seguida. Entrei no meu destino e segui para o caminho inverso da multidão que ali já se encontrava. Entrei, digamos, pelos fundos (ou melhor, uma entrada alternativa para funcionários). Não fui parada por ninguém, simplesmente tive “acesso livre”. Andei um pouco pelos bastidores até chegar a um corredor onde tinham oito portas de cada lado, com plaquinhas informando o que se encontrava atrás da porta. Logo vi que seis eram camarins e as outras duas uma espécie de sala de reunião para os artistas. Vendo que havia seis camarins e que de cinco desses era possível ver um fecho de luz saindo por baixo da porta, deduzi que cada integrante da banda tinha seu camarim. O problema era saber que integrante se encontrava atrás de cada porta, já que não havia nenhuma placa ou algo do tipo dizendo quem ocupava cada camarim O jeito era tentar na sorte e ver se achava o de meu pai. Seguindo minha intuição, direcionei-me até a segunda porta do lado direito, e cruzando os dedos em figuinha para que fosse o de meu pai, girei a maçaneta abrindo a porta e entrando rapidamente no camarim. Arrependi-me instantaneamente de não olhar o dono do camarim antes de entrar. Sam encontrava-se deitado, cochilando, num sofá que havia mais ao canto do cômodo, vestindo somente uma cueca boxer preta. Minha respiração começou a ofegar assim que botei os olhos em Sam. Aquele abdome definido exposto, completado com as tatuagens que ele possuía, que caiam-lhe perfeitamente, como um acessório. A cara que ele possuía dormindo era, no mínimo, fofa; ele parecia sereno, calmo, como um anjinho. Eu imobilizei ali, olhando meu amigo seminu dormindo. Eu tentava não olhar ele da cintura para baixo, mas era quase impossível: o volume de sua boxer não era algo que se passava despercebido. Tentei recuperar o ar para sair dali, mas não estava funcionando. Parecia que eu sugava o ar, fazendo um barulho que lembrava até gemidos de frio (sabe, aqueles que soltamos quando estamos tremendo de frio?).Virei-me lentamente para sair dali, mas eu estava tão atordoada com a perfeita visão que tivera, que esbarrei num mancebo que ali tinha, derrubando-o. É claro que a droga fez barulho ao encostar no chão, e é claro que isso acabou despertando Sam. Ele abriu os olhos lentamente, e percebeu rapidamente minha presença.
–Anne, que você esta fazendo aqui me observando dormir? Ele perguntou pondo-se sentado e sorrindo para mim de uma forma maliciosa. Nem parecia que ele havia acabado de despertar. Não com aquele sorriso malicioso no rosto.
–Eu... Eu estava procurando o camarim de mau pai e... E não sabia qual era então entrei no seu achando ser o dele, mas percebi que não e eu estava saindo quando... Quando esbarrei no mancebo e ele caiu, fazendo barulho e te acordou – disse contando a verdade com algumas omições. Oras, eu não podia chegar nele e dizer que o admirava dormindo e fiquei tão boba que acabei derrubando o mancebo!
–Ah, sei! Sem problemas! Ele disse dando-me outro sorrisinho malicioso e indo até o banheiro que tinha em seu cômodo.
–Acho que vou indo! Para achar meu pai antes do show e deixar você se trocar em paz! Disse alto para ele, quase gritando, aproveitando-me da ida dele ao banheiro para escapar.
–Eu não me incomodo nada em ter você aqui enquanto eu me troco! Ele disse voltando do banheiro vestido com uma jeans e passando as mãos nos cabelos – Mas se você quer ver o Chris antes do show... É a porta ao lado, a primeira a esquerda.
–Valeu — disse virando-me e botando a mão na maçaneta. Estava prestes a virar a maçaneta, quando senti a mão de Sam me segurar pelo braço. Eu virei para olha-lo, e este encontrava perto demais para meu gosto de mim.
–Não vai nem me desejar bom show? Ele disse com um sorriso travesso nos lábios, tipo de ironia.
–Não sei... Talvez volte mais tarde para desejar-lhe isso! Disse sorrido da mesma maneira e livrando-me da mão dele, podendo assim ir até a porta e girar a maçaneta para sair.
Mal fechei a porta e comecei a ofegar novamente. Escorei-me na porta do camarim de Sam, e fui deslizando até encontrar o chão. Ofegava bastante. “Como aquele cara consegui ser tão atraente?”, perguntava-me mentalmente. Por outro lado, havia uma voz em minha cabeça que dizia “ele é amigo do seu pai, fruto proibido garota pervertida!”. Fiquei ali ao chão, dento aquele debate mental, até ouvir uma porta abrindo-se e deparar-me com meu pai saindo desta. Ele saiu ao corredor e de cara deu comigo escorada á porta do camarim de Sam ofegante.
–Anne, que você esta fazendo ai, escorada na porta do Sam? Ele me questionou com um olhar curioso e desconfiado ao mesmo tempo.
–É que... É que eu vim correndo desde a entrada até aqui por causa de um bando de fãs, e como eu estava cansada, acabei me encostando em qualquer porta para recuperar o folego! Disse inventando uma bela de uma mentira.
Ele me deu mais um olhar como o anterior, e logo em seguida sorriu debochado e me ajudou a levantar do chão. Ele voltou ao camarim dele e me levou para dentro desse.
–Então, você não estava de saída? Perguntei quando o vi sentar-se no sofá olhando-me e fazendo um gesto para eu e juntar á ele.
–Estava indo te procurar você, achei estanho sua demora.
–Ah... Disse entendendo e indo me juntar ao meu pai no sofá.
Fiquei conversando com meu pai até dar uma meia hora antes do inicio do show. Ele disse que tinha de se reunir com pessoal para se prepararem e pediu para que eu fosse junto. Assenti e o acompanhei. Saí junto com ele, mas logo em seguida me dei conta que havia deixado minha bolsa. Avisei-o que estava indo pega-la e ele concordou dizendo para depois eu ir ao seu encontro. Entrei no camarim, peguei-a em cima do sofá e saí. Mal toquei o pé no corredor e senti uma mão envolver meu braço e puxa-lo, levando-me inteira junto. Era Sam, que logo em seguida a esse ato, prensou-me na parede e colocou seu rosto a centímetros do meu. Voltei a ofegar ao poder ouvir sua respiração tão próxima á mim.
–Não ganhei meu “boa sorte” ainda — ele disse sorrindo de canto de boca e olhando-me.
–E prensando-me na parede acha que vai ganha-lo? Disse tentando parecer firme e recuperando meu folego. Não queria que ele percebesse o efeito dessa “prensa” em mim.
–Acho.
–Esta errado! Enquanto não me liberar, não ganha nada! Respondi-o sublinhando a ultima palavra
–Enquanto você não dizer nada, não a solto! Ele disse imitando-me, também sublinhando a palavra nada.
–Ah é? Perguntei desafiadora.
–Sim.
Na hora que ele respondeu sim, percebi que Sam tinha segundas intenções com aquela situação toda. Sorri internamente ao bolar um plano para deixa-lo doido. Sorri um pouco maliciosa para ele e, colando nossos corpos, sussurrei em seu ouvido um “boa sorte” com a voz um tanto quanto sensual enquanto passava uma mão em seu cabelo e outra em seu abdômen (protegido com a camiseta) . Ele realmente ficou doido. Pude sentir algo se ouriçar em baixo das calças dele. Soltei-me da prensa dele, de repente, e fui seguindo pelo corredor andando remexendo os quadris (rebolando). Antes, porém, de fazer a curva que havia naquele corredor, surgiu-me outra ideia. Virei minha cabeça para ele, que continuava parado no mesmo lugar olhando-me paralisado, e dei uma piscadela e saí andando pela curva. Devo dizer que ri muito até chegar aonde meu pai estava. A cara que ele fez, o jeito que tentou me ouriçar, o modo que agi deixando ele ouriçado, tudo me fez dar umas boas risadas. Claro, aquilo não passou de uma brincadeira nossa. Não estava afim dele (apesar dele ser a perdição em pessoa) e ele também não estava afim de mim (que sou 12 anos mais nova que ele e filha de um de seus melhores amigos). Mas que foi engraçado ver a reação dele e do “amiguinho” dele quando eu provoquei-o, foi!
O show já estava quase no fim, e até agora, estava maravilhoso. Com os ingressos esgotados, casa lotada e milhares de fãs gritando (desde “Amo vocês!” até “Sam seu gostoso!”), o animo dos meninos para o show só podia estar nas alturas. Nunca os vi tão empolgados para uma apresentação como esta que estava vendo. Faltava uma música para encerar o show, e Sam entregou o microfone ao meu pai, dizendo ao público que ele queria dizer algo.
–Boa noite senhoras e senhores, eu queria muito agradecer vocês, antes de tudo, por estarem aqui hoje. Cara, VOCÊS ESGOTARAM OS INGRESSOS! Ele disse exaltando-se um pouco e levando a galera ao delírio – Mas o que eu tenho mesmo para dizer é mais, digamos, impactante. Senhoras e senhores, eu quero que vocês recebam ao palco minha filha: Anne! Ele disse fazendo um gesto com a mão para que eu me juntasse á ele.
Não consegui mexer um musculo. Paralisei ao ouvi-lo revelar á todos que era sua filha. Não consegui mexer-me, só olhava-o paralisada. O público, que de começo ficara espantado, agora gritava, numa forma de pedir para que eu fosse até lá. Eu continuava sem reação, então o público intensificou os gritos até eu perceber nitidamente que faziam um coral de meu nome; “Anne! Anne! Anne!”. Mesmo com todo aquele coral (que era puxado pelos integrantes da banda, como percebi depois), continuei parada, e Sam, vendo que não sairia daquele estado de choque sem ajuda, foi até mim e puxou-me para o palco. O público gritou entusiasmado quando me viu, e soltaram também uma exclamação de surpresa (tipo Ah!). Demorei á entender a exclamação, mas quando entendi corei. Eles deviam estar imaginando que Chris era meu pai (e de fato é!) e Sam é meu affair (como as revistas e sites de fofoca diziam!). Sam entregou-me ao meu pai e eu abracei-o, não acreditando na ação dele. Ele correspondeu ao meu abraço, apertando-me mais. Assim que nós separamos, tinha umas lágrimas chatinhas rolando em meu rosto. Eu as limpei com o punho da blusa, e virei-me para a plateia sorrindo e acenando tímida. Depois disso, dei um beijo em meu pai e estava quase me retirando do palco para que eles terminassem o show, quando decidi dar um beijo em outra pessoa. Corri até Sam e pulei em seu colo abraçando-o. Ele reagiu surpreso, pois este estava se preparando para continuar a apresentação e finaliza-la, mas recebeu-me quando pulei nele e apertou-me mais em seus braços. Afastei-me um pouco dele, lembrando que estávamos de frente a 15 mil pessoas, e dei-lhe um beijo na face antes de me retirar do palco. Devo dizer que as pessoas soltaram um “Owh” quando pulei em Sam? Só para esclarecer algumas coisas, pulei em Sam porque se não fosse pela ajuda daquele mané não teria conseguido conhecer meu pai, e também eu não cumprimentei somente ele e meu pai. Mandei um beijo de longe com a mão para os outros integrantes. Ok, pode não ser a mesma coisa, mas pelo menos eu os cumprimentei! Eles voltaram-se a concentrar na apresentação e tocaram uma ultima música em minha homenagem: “Home”, Phillip Phillips. Eu devo dizer que também amo essa música?
Just know you’re not alone
Cause I’m going to make this place your home
Quando eles tocaram esses versos, uma lágrima teimosa escorreu pelo meu rosto que abrigava um sorriso feliz. Eu não estava sozinha, eu estava em casa.
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