O Altarneiro Sombrio.

3 Capítulo 3 - eu planto flores murchas


Notas iniciais
"Quando minha atenção caí, a distração facilmente toma conta."

Ele já não sabia dizer se estava louco, ou estaria enlouquecendo. Bom, mas já que tudo era a mesma coisa, ele novamente afastou a ideia
.
– Por quanto tempo eu dormi dessa vez ? — Perguntou a Quíron.

Ele olhou Percy desajeitado.

– Dois minutos. — Falou ele por fim, a voz sendo mais rouca que o normal — Percy, tem certas coisas que... não são para serem entendidas. A mãe desse garoto, é uma deusa primordial, que por sua vez são chamados por eles e sua linhada de "Deuses Antigos". Quem tenta entende-los, morre, e quem tenta enfrentá-los, também morre. Nomes tem poder, e só por essa causa não o divulgamos para todos.

– Talvez o fato de ele me escolher também não seja para ser entendido — Disse Percy, bufando — Odeio ser o escolhido.

– Descanse, garoto — Quíron ajeitou seu casaco diante de suas pernas — Eles são imovidos pela raiva, Dominadores do Tempo, inabaláveis pelo destino. Caso ele reaparecer, contate-me, devo levá-los ao olimpo afim de descobrir o proposito da vinda deles até nós.

Percy se remexeu, inquieto.

– Tudo o Olimpo — resmungou — Quando minha mãe desvaneceu, você também me pediu para ir ao olimpo. Mas caso eu não tivesse fugido...
Quíron suspirou, afim de mostrar o quanto a conversa era entediante.
– Oque aconteceu antes, Percy, não se tratava de um garoto. Mas sim de Hades.
Ele deu meia-volta e partiu em direção ao pavilhão de refeitórios.

"E qual a diferença dos dois?" pensou Percy.

Queria contar tudo à sua namorada, Annabeth, mas não tinha jeito. Quíron me falou que ela teve que ir com Grover até o extremo oeste do Acampamento Meio-Sangue à procura de ninfas da floresta afim de habitar os carvalhos límpidos que nasceram recentemente ao lado do Labirinto de Dédalo, agora fechado.

Não era muito longe, e nem havia muito perigo com o conselheiro dos sátiros por perto, só por esse motivo eu não a segurei e implorei que ficasse, retirando o fato de que eu estava tendo um pesadelo.

Fiquei contando o tempo até ela voltar, não podia esperar mais que algumas horas.
O som de água agitada acordou ele dos seus pensamentos, alguma coisa estava acontecendo lá fora. Percy não podia se mergulhar em incertezas enquanto tinha alguém demoniaco à sua espera.

Percy parou por um instante.

"Alguém demoniaco à sua espera." ecoou novamente em sua cabeça.

"Água agitada"...

Não podia ser pior. Ele sentia claramente que algo estava para acontecer, e tentou não ficar surpreso que um ritual demoníaco estaria acontecendo lá fora nessa hora.

Ele tentou devagar se levantar, erguendo um membro de cada vez em uma velocidade que caberia em uma brincadeira de estátua. Os sentidos dele pareciam voltar ao lugar de pouco em pouco, mas a dor ainda era insuportável.

Do nada, sua alma pareceu se afastar em pânico, se retirado para longe. A dor da sua coluna se passou do que o Além-morte pode aguentar. Um pilar atrás dele se rachou, e caiu em três pedaços.

Por sorte, não o acertou. Percy ficou surpreso em saber que sentiu tanta dor, por um susto.
O som foi um baque oco, e eu duvidava que alguém da distancia do pavilhão pudesse ouvi-lo.
Jorrava água escura do lado de fora, cor-do-oceano, em pleno dia. Ele mal pode perceber que sua coluna, — Depois do susto que teria arrepiado cada centímetros do seus nervos — tinha voltado ao normal, a dor tinha ido embora, e em questão de segundos, deu um pulo e já estava de volta ao solo.

Eu sai pela fresta que tinha se aberto, olhei para a grama brilhosa pelas gotas de orvalho que caíra essa manhã, e percebi que aquilo me fazia bem. Olhei para o alto, o sol estava em cima de minha cabeça, isso significava que era meio-dia, então Quíron não iria me culpar por uma volta na costa de Long Island, já que eu precisava de um tempo sozinho.

Me apoiei em uma árvore que estava ali desde a guerra contra os exércitos de cronos, e continuei andando.

A decida era íngreme demais, por sinal, e o mato era muito grande.
Percy parou por mais um momento afim de observar os chalés às suas costas, que por sua vez poderia conter alguém o observando.

Quando me dei conta, por onde que que eu andava, brotavam flores negras e murchas em um arco enorme de onde meus pés conseguiam pisar, o solo se contraia, as árvores se curvavam.

Olhei à frente, e meu coração parou.

Não tive tempo de raciocinar o momento em exato, mais algo bem maior do que o pássaro que vi em meu pesadelo estava tentando me matar.

Ele me atacava diretamente com ondas negras, minha esquiva estava frágil demais para me dar vantagem agora. Saquei contracorrente, e meu primeiro golpe foi um verdadeiro desastre.

Tentei acertar as pernas da fênix, que apenas alçou voo para se desviar.

Ela tinha penas roxas desbotadas, me olhava diretamente com seus olhos vermelhos aonde rodopiava tons de preto como se estivesse tentando acompanhar uma mosca.

Ela não dava trela para o tempo. Não hesitava momento nenhum em me atacar e me mandar para o tártaro novamente. Se é que eu não seria mandado em uma missão para lá novamente.
Outro sopro negro, e dessa vez era pra ser a minha morte.

Rolei para o lado e posicionei minha espada afim de me defender, e por mais que tenha dado certo ainda levei o golpe de raspão.

O dor era insuportável, não sei se conseguiria aguentar até o fim da luta. Devagar me levantei e pulei em direção ao monstro, tentando estocá-lo.

Talvez um frágil pesadelo tivesse afetado a minha espada também.

Por um lado deu certo, por outro, errado. Feri a asa direita da fera, e no instante escorregou água escura por toda a estrutura óssea. As únicas penas restantes nela cairam, e posso dizer que esse foi o lado bom.

O lado ruim foi que a fúria dela se libertou, e se recuperou da espadada tão rápido quanto eu conseguia calcular, voltando para a batalha com força total.

E eu, é lógico, fiquei assistindo em vez de acertá-la novamente.

Um espiral negro foi soprado pela fera, e meus membros adormeceram. Ela me prendeu com suas garras e voou comigo até o topo de uma árvore, me jogando de lá de cima. Eu cai de costas, minha coluna estalou, por um último vislumbre, vi ela ainda intacta cravando suas garras em meus braços.

Pronto, eu estava morto.

Ou não.

Como algo sem fim, me senti voltando cada nano segundo atrás, vendo como a batalha foi. em questão de minutos, sem menos captar oque estava acontecendo comigo me vi de volta à arvore que tinha se curvado perante as flores murchas que brotaram em meus pés.

"Tem coisas que não são para serem entendidas." dissera Quíron.

Olhei para à frente, entendi o motivo da Fênix.

O menino estava sentado em cima de uma capa negra como obsidiana, e aparentava estar fitando o mar. Seus cabelos não eram tão grandes, mas balançavam com o vento. A espada que eu temia estava ao seu lado, enterrada pela metade.

Talvez ele estivesse mandado a fênix para me alertar do perigo. Ou tivesse tentando me matar mesmo. Ele fixava seu olhar no horizonte do mar, como se estivesse vendo uma tromba d'água em plena tarde de verão.

O solo de barro em volta da espada ficou duro como pedra, e então percebi que ele não estava sentado em cima de uma capa, e sim de areia negra solidificada, um presente confortável de sua montante.

Como um ecó em minha cabeça, nem percebi que ele estava se dirigindo a mim.

Sem me olhar, me falou :

– Eu esperava por você, Percy. — Seu olhar me petrificou. — Ah sim, consegui ver que você parece distraído demais.

Olhei atentamente, ou quase, ele se levantar.

Sussurrando para mim mesmo, falei :

"Nasci assim."