O Alquimista das Chamas

Mustang olhava impaciente para o relógio quase imóvel, não via a hora de acabar o expediente e ele poder ir buscar os filhos na escola pra irem pra casa. Andava em círculos na sala e parava brusca e repentinamente pra olhar o relógio.

-- Se está tão impaciente assim, pode ir – Liza já tinha se cansado de ver o marido tão inquieto.

-- Mas o quartel...

-- Eu cuido de tudo – ela tranqüilizou-o sorrindo.

-- Te vejo em casa, então – ele lhe deu um beijo e saiu sorridente.

A escola de Edward e Alicia não era muito longe de lá, os poucos minutos de caminhada eram o necessário pras crianças saírem.

Ele chegou pouco antes dos portões abrirem, muitos pais e mães já aguardavam a saída dos filhos, consultando os relógios. Os olhares de todas as mulheres recaíram sobre o General Mustang.

-- Como vai, General? – a mulher que cuidava de abrir os portões cumprimentou-o, fazendo todas as outras morrerem de inveja pelo sorriso que Mustang lhe ofereceu.

-- Bem, obrigado – ele respondeu, educado.

Quando o sinal tocou, todas as crianças correram pelo pátio, que pareceu pequeno para um grupo tão grande. Mustang se erguia pra encontrar os filhos. Viu primeiro Alicia, agarrada ao ursinho e ela veio até o pai chorando.

-- O que foi, meu amor? – ele se ajoelhou e abraçou a filha.

Com os olhos molhados, ela apontou para o joelho ralado.

-- Você caiu? – ele perguntou, com a voz macia e carinhosa e a menininha confirmou. – Vem cá, papai dá um beijo pra sarar.

A menina esfregava as mãozinhas no rosto e ergueu os braçinhos para que o pai a pegasse no colo. Mustang segurou-a e ela envolveu seu pescoço e deitou a cabeça em seu ombro.

-- Meu anjo! – ela olhou pra ele sorrindo com o rosto ainda molhado. O sorriso dela era como o da mãe. – Agora vamos achar o seu irmão.

Não demorou muito pra encontrar Edward, o garoto estava cercado de amigos e todos corriam de um lado para o outro. Quando o garoto passou do seu lado sem perceber, Mustang segurou-o pela mochila.

-- Hora de ir pra casa, Eddy!

-- Oi, papai! A mamãe já ta esperando em casa? – o garoto abraçou e beijou o pai.

-- Ainda não, eu saí mais cedo pra buscar vocês. Então, vamos? – Mustang ofereceu a mão ao filho, que acenou em despedida aos amigos e pegou orgulhoso a mão que o pai lhe oferecia.

Quando chegaram em casa, Edward entrou correndo e foi largando as coisas pelo caminho.

-- Volta aqui e pega suas coisas. Sua mãe me mata se ver essa bagunça. Pronta pra descer, Alicia?

-- Pronta! – Mustang colocou a menininha no chão e ela foi atrás do irmão, os dois foram até o quintal ver Black Hayate.

-- Ai, ai – Mustang riu, desabotoando a farda e se jogando cansado no sofá.

As crianças voltaram pra sala acompanhadas pelo cachorro, que se aproximou do dono pra receber carinho.

-- Olha papai – Alicia colocou o ursinho montado em Black Hayate e a menininha deu uma risada gostosa.

-- Você também quer brincar de cavalinho? – ele pegou a menininha e sentou-a em seu joelho, fazendo-a subir e descer imitando o som de cavalo.

-- Vem, Black – Edward começou a correr pela sala, em volta dos móveis com o cachorro.

Liza chegou em casa e encontrou os quatro deitados no chão, rindo.

-- Mas que algazarra, hein? Vocês ainda estão de uniforme por que, posso saber? E o papai, o que faz fardado ainda?

-- Ih, autoridade máxima restituída, crianças, abortar missão, cada um pro seu quarto. Corram! – Eddy e Alicia se levantaram depressa e subiram rindo as escadas.

Mustang se levantou e foi até a esposa, que o abraçou e os dois se sentaram juntos no sofá.

-- Você parece uma criança quando está com eles, Roy.

-- É, é verdade – ele disse, puxando o corpo da esposa pra mais perto dele e beijando-a entusiasmadamente. – Mas agora, eu estou com você.

-- Ed foi te procurar um pouco depois de você sair.

-- E ele disse o que queria?

-- Disse que não era tão urgente e que falava com você amanhã. Mas, eu acho que, se não fosse importante, ele não o procuraria no final do expediente. O que acha, Roy?

-- Acho que ele quer permissão pra ir até Rezembu, só isso. O que teremos de jantar?

-- Ainda não sei. Alguma sugestão?

-- Café da manhã no jantar!

-- Viu como você parece criança/

Ele deu risada e deitou-a por cima de seu corpo e ficaram abraçados. Os filhos desceram, fazendo estrondo e pularam por cima dos pais, ficando os quatro juntos no sofá.

-- Mas que família mais linda! Venha, Black Hayate, você também é da família – Mustang segurava os dois filhos num braço e fazia carinho no cachorro deitado no chão ao seu lado com a outra. Liza lhe sorria e os dois se beijaram.

-- Vou fazer o jantar – ela disse, se levantando.

-- E eu vou pro meu escritório – Mustang disse, segurando cada um dos filhos em seus braços, carregando-os junto de si.

-- Tire a farda primeiro, Roy!

-- Ah, mas é minha roupa preferida!

-- Eu também quero usar farda, papai – Eddy disse, inclinando a cabeça pra trás, no ombro do pai.

-- Por isso te coloquei naquela escola, aí o uniforme de vocês parece com a farda do papai e da mamãe e vocês ficam bonitinhos parecendo miniaturas do exército!

-- E a boa educação não teve nada a ver, né? – Liza brincou, entrando na cozinha.

-- Claro que sim, mas os uniformes me convenceram. Quero o melhor pros maiores amores da minha vida!

-- Quem vê, pensa que seu maior sonho sempre foi ser pai.

-- Não deixa de ser verdade. Eu achava que não porque eu não sabia que seria assim tão bom.

Enquanto Liza preparava o jantar, Mustang levou os filhos para o escritório e ficou sentado no chão, com Alicia no colo e jogando bola com Edward. O jantar foi animado, enquanto Liza dava a papinha de Alicia, Mustang e Eddy riam e faziam palhaçadas na mesa.

-- Vem com a gente lá pro escritório – Mustang pediu a Liza, enquanto tiravam a mesa.

-- Eu vou depois, tem umas coisas que eu preciso terminar. Eddy, cuidado com os copos.

Mustang pegou um dos livros da estante, sentou-se em sua poltrona e pegou as duas crianças no colo.

Quando Liza terminou seu serviço, já era muito tarde e ela foi preparar a cama dos filhos para pô-los dormindo.

Ela desceu as escadas e foi até o escritório do marido, tudo estava estranhamente silencioso e quando ela abriu a porta, encontrou os três adormecidos. Liza encostou-se e admirou seus amores mais preciosos ali. Ela se aproximou pra tentar tirar Alicia e Eddy sem acordar Mustang, mas ele estava segurando os filhos de um jeito impossível de tirá-los.

-- Roy – ela chamou e ele foi despertando devagar.

-- Nós dormimos?

-- Dormiram – ela deu risada. – Me ajuda a levá-los pra cama?

Ele passou Alicia cuidadosamente para o colo da esposa e ajeitou Edward no seu próprio. Subiram as escadas e deitaram os filhos. Mustang abraçou Liza e os dois ficaram admirando o sono dos filhos.

-- Eddy dorme do mesmo jeito que você – ela sussurrou. Mustang sorriu e beijou-lhe a face. Os dois acenderam o abajur e fecharam a porta, se dirigindo para o próprio quarto.

Os dois deitaram-se abraçados, Liza debruçou-se sobre o eito de Mustang e ele segurou-a mais forte, fechando os olhos e prestando atenção em seu toque e perfume.

-- Obrigado – ele sussurrou. – Por ter feito de mim tudo o que sou!

-- Obrigada por fazer de mim a mulher mais feliz!

Mustang beijou a boca da esposa intensamente e, permaneceu com o rosto próximo do dela.

-- Eu te amo, Liz.

-- Eu te amo, Roy.

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