O Alquimista Imortal
9 Capítulo 9: O executor, e o pecado dos negligentes
Notas iniciais
Alphonse e as garotas pararam para acampar no meio do nada. O homúnculo Orgulho os acompanhava enquanto era vigiado atentamente pelas duas, que não confiavam nele.
Orgulho – Ei, velho, essas meninas vão ficar o tempo todo olhando pra mim, assim? Eu sei que sou bonito e tudo o mais, mas tenha dó.
Rika e Elisia observaram cada passo do homúnculo desde o vilarejo até o momento que haviam parado com muita atenção, e diante desse comentário da criatura, Rika ficou mais irritada do que quando Alphonse uniu-se ao grupo.
Rika – Eu não confio em você seu monstro. E que história é essa de chamar o inimigo para vir com junto? É só eu reconhecer suas habilidades e já vem dando ordens.
Alphonse – Calma Rika, eu chamei ele porque eu confio nele, e ele vai nos ajudar. Orgulho poderia, por favor, responder algumas perguntas?
Orgulho – Tudo bem velho, diz aí o que quer saber.
Alphonse – Viu Rika, ele está do nosso lado agora.
Rika fechou a cara para Alphonse, mas Elisia se colocou entre os dois para evitar mais discussões.
Elisia – Quais são os poderes dos outros homúnculos?
Orgulho – Muito bem, vocês já conhecem o meu poder, e eu já lhes disse o da Luxúria, então seguindo a hierarquia:
Orgulho => Reproduzir no próprio cérebro os pensamentos de alguém que tenha tocado.
Luxúria => Seu cheiro e o som da sua voz atraem outros seres vivos, e a recepção de seus fluidos corporais transforma esses seres em bestas puramente instintivas que seguem cegamente as ordens de sua mestra.
Ira => Sua massa muscular aumenta de forma diretamente proporcional à fúria que sente.
Ganância => Permite transportar tudo aquilo que já tocou uma vez para suas mãos, deve existir um plano físico e por onde as coisas possam se mover.
Gula => Pode devorar absolutamente qualquer coisa, o que acontece com o que é devorado é um mistério, mas ele pode regurgitar tudo que comeu e também modificar as coisas dentro de si.
Preguiça => Ele consegue ver as coisas mais lentas do que realmente estão, e consegue se mover numa velocidade absurda.
Inveja => Ninguém além de Heresia sabe exatamente como é, só sabemos que uma vez que ele toca alguma coisa, ele grava em sua memória toda a estrutura da coisa em um nível incrível e depois consegue reproduzir qualquer coisa que já tocou.
Heresia => O líder, e o mestre supremo dos homúnculos, além de ser o único capaz de usar alquimia, suas habilidades naturais são superiores as de um homúnculo simples e ele tem o poder de implantar almas em coisas não vivas e de retirar almas de coisas vivas.
Alphonse – Impressionante, mas alguma coisa que devamos saber?
Orgulho – Depende, o que você considera necessário?
Rika – Os pontos fracos deles.
Elisia – Suas personalidades.
Orgulho – Tudo bem, as personalidades e os pontos fracos são os mesmos, seus nomes, eles sucumbem muito fácil aos pecados pelo qual foram nomeados.
Rika – Então, já temos nossa vitória.
Orgulho – Não tão rápido, garotinha.
Rika – O que foi?
Orgulho – Essa característica não se aplica de forma tão simples nos três mais fortes. No Preguiça até que vai, mas ele por mais preguiçoso que seja, nunca deixa de cumprir uma ordem. O Heresia é extremamente racional, e não vai se deixar levar por nada no mundo. E o Inveja... nós não sabemos nada a respeito dele, exceto pelo que o líder explicou, e por uma coisa que ele nos disse.
Alphonse – E o que foi que ele disse?
Nesse momento uma sombra pareceu surgir nos olhos do homúnculo, mas tão rápida quanto veio, ela se foi.
Orgulho – Ele disse: “O Inveja tem medo de mim, mas não segue ordens. Se algum dia se depararem com ele, corram e me chamem, porque ele VAI matar vocês e a todos que encontrar.”
Elisia – Então, o Inveja é só um maluco que destrói tudo?
Orgulho – Não menina, ele é um maluco que destrói tudo no caminho depois de roubar-lhes a identidade e segundo o mestre, se não fosse por sua vontade de ter tudo o que os outros têm, ele seria racional o bastante para destruir absolutamente tudo, inclusive o mestre.
Alphonse – Perigoso.
Orgulho – MUITO perigoso, velho. Se encontrarmos com algum dos três mais fortes devemos nos preparar para o pior, e se for o Inveja, devemos fugir.
Vendo a expressão de medo no rosto do homúnculo ao falar a ultima frase, Rika e Elisia se sentiram menos seguras. O grupo armou as cabanas e dormiram com certa dificuldade depois da conversa na noite anterior. Rika e Elisia acordaram e saíram da cabana onde estavam para encontrar Alphonse preparando o café da manhã, enquanto se divertia conversando com o homúnculo. Ambos davam longas gargalhadas e falavam sobre coisas engraçadas do mundo que haviam visto. Para Rika e Elisia aquela cena era surreal, dois inimigos conversando e rindo como grandes amigos.
Alphonse – Venham meninas, a comida está quase pronta.
As meninas aproximaram-se e encontraram dois pratos de pedra onde Alphonse depositou dois pedaços de uma carne estranha. Elas comeram meio que na dúvida do que era aquilo, mas ficaram surpresas com o sabor.
Elisia – Tio Al, isso aqui está uma delícia.
Rika – Sem dúvida, o que é isso?
Alphonse – Lagarto do deserto, feito segundo uma receita de um povo que visitei uma vez.
Rika – Lagar... to?
As meninas ficaram com o rosto meio esverdeado e por um instante pareceu que iam vomitar, mas apenas terminaram de comer o que tinham.
Alphonse – Vocês estão bem?
Elisia – Mais ou menos.
Rika – Não tinha outra coisa para comermos além de lagarto?
Alphonse – Claro que tinha, trouxe muita coisa do vilarejo antes de sair.
As garotas olharam para ele com uma expressão que misturava incredulidade e raiva.
Rika e Elisia – E PORQUE ESTAMOS COMENDO LAGARTO?
Alphonse – Para racionar o que temos. Não temos como saber se em algum momento precisaremos do que temos agora, e como foi fácil arranjar comida aqui achei melhor não gastarmos as provisões que poderemos usar numa emergência.
A expressão das garotas não mudou, mas aos poucos foi se suavizando.
Alphonse – Agora que já estamos alimentados vamos em frente.
Eles começaram a guardar as coissa para seguir viagem, quando o homúnculo parou de se mexer, tinha uma expressão de horror no rosto.
Rika – O que foi monstro? Ajuda aqui.
Orgulho – Olha pra lá sua besta.
Ele apontou pra onde estava olhando e os demais olharam também. Naquela direção, à apenas cinquenta metros de distância, havia um homem parado. Ele tinha cabelos pretos lisos na altura dos ombros, seus olhos escuros os olhavam atentamente, mas pareciam muito desinteressados, em sua mão havia um sabre e ele caminhava lentamente na direção do grupo.
Orgulho então falou com o homem, mas em tom mais alto para que ele ouvisse a distancia.
Orgulho – O que está fazendo aqui tão longe, Preguiça?
Alphonse e as garotas ficaram surpresos com o nome que o homúnculo falara.
O homem respondeu de forma desinteressada.
Preguiça – Você sabe muito bem o porquê, Orgulho. Eu faço apenas trabalhos de execução, e o mestre diz que não precisa mais de você.
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