O Alopata

4 Capítulo 4 - Interseção


"A vida ocorre de maneira misteriosa para que não possamos compreendê-la. Do contrário, isso estragaria toda a magia de vivenciar algo inédito."

"A morte é o rompimento eterno do elo de transmissão, que obriga a existência de um emissor e um receptor."

(Seria isso mesmo? Por que Jan-Martin não se tornou escritor a virar doutor? A caligrafia médica e a beleza sintática de um maestro da caneta fariam sucesso juntos?)

Capítulo 4: Interseção

Entediada, Margot tenciona enquanto o sono não estaciona na área de seu tálamo, indiferente de Jan-Martin, que também permanece inerte em seu colchão.

Jan-Martin levantou-se da cama, dirigiu-se ao móvel onde guardava medicamentos, e logo, deparou-se com a ausência do sedativo que tomava toda noite; no desespero, tornou a procurar pelas seringas.

Enquanto pensava em uma forma de alavancar o sono, Margot começou a ouvir o som de passos no carpete, o que foi o estopim para fazê-la levantar da cama.

Jan notou que não guardara o que procurava dentro da arca oratória, sequer seu baú estava perto ou dentro do móvel.

“Devo ter esquecido o bauzinho no quarto de hóspedes quando fui arrumar as coisas para a filha da professora Eunice”— refletiu Jan.

Margot, ouvindo ruídos de armário enferrujado, deixou o quarto e pôs-se ao corredor, a fim de identificar o som estranho que a incomodava.

“Será que já são seis da manhã? Preciso me apressar, se não vou acabar atrasando tudo...”— Analisou Margot, que foi silenciosamente ao banheiro se arrumar e se vestir para a longa viagem.

Jan percebeu que não poderia deixar de dormir para poder viajar, então tomou a decisão de ir ao quarto de hóspedes procurar pelos necessários medicamentos.

Logo, saiu de seu quarto em direção ao outro, destrancou cuidadosamente a maçaneta e entrou no cômodo quietamente, esgueirando pelas paredes para não acordar Margot, sem sequer reparar que a mesma não estava por lá.

“Finalmente, sabia que havia deixado aqui!”— Sussurrou de modo cauteloso de modo que “não acordasse” Margot, e logo deixou o quarto.

No corredor, Jan notou que a luz do banheiro estava acesa, e era possível ouvir barulho de água.

“Que estranho... seria isso um problema na fiação elétrica? Não tem ninguém aí dentro agora para estar tudo ligado...” — pensou o doutor, não eletricista, Jan-Martin.

Jan decidiu entrar e ver o que estava acontecendo, porém notou que a porta estava trancada.

“Quem está aí?” Perguntou de modo agressivo, pois não imaginava que Margot estivesse lá.

(De dentro do lavabo não era possível entender claramente o que era dito do outro lado) Margot não entendeu a pergunta, e teve que sair do chuveiro para atender ao chamado, então vestiu a toalha e foi a porta entender a situação.

“O que foi, doutor, aconteceu alguma coisa?” Perguntou Margot, assustada.

“Pensei que você estivesse no seu quarto, vi as luzes acesas e não imaginei que alguém estivesse tomando banho às duas horas da madrugada”— Respondeu Jan, dando uma risada irônica e envergonhada)”.

Não estou conseguindo dormir, tenho um problema de insônia. Pensei que já estava na hora de irmos viajar, e vim para cá me arrumar.”— Se explicou Margot.

“Nossa! Que coincidência! Também tenho divergências com sono, inclusive, vou tomar um medicamento para poder estar dormindo bem para viajar amanhã... hoje... aliás”— Disse ele.

“O senhor é médico, não é? Pode me ajudar? Não estou conseguindo dormir, poderia estar me receitando algo, por favor...?”— Indagou Margot, timidamente, porém, contente.

“É meu dever, vamos para o meu quarto, vou ver o que posso fazer.” — Respondeu Jan euforicamente, confiante de que poderia ajudá-la.

“Está certo, vamos lá.”— Completou Margot.

É surreal o que que uma condição biológica antropológica pode fazer na interseção de dois jovens com traumas familiares....

[...]

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.