O dono do hospício é um médico muito inteligente e renomado, estudou fora do país, e até hoje se dedica de corpo e alma para a ciência, porém, isso faz mal a ele.

Eu fui o segundo a ser internado, o motivo foi minha timidez. Segundo o médico, falar pouco é um sinal de loucura. Eu, uma pessoa sem estudo, simples, fui numa boa, se alguém tão importante fala que eu sou louco, então realmente sou. Porém com o tempo essa certeza que eu tinha, foi mudando.

Nos três primeiros dias, chegaram pessoas com casos de loucura de cidades vizinhas a minha. Alguns casos eram engraçados, como o do Garcia, que também não falava, porém, o motivo dele não falar, é que tinha medo que quando alguma palavra saísse de sua boca, todas as estrelas caíssem do céu e matar todos os habitantes da terra.

O médico internara todos que demonstrara algum sinal de fraqueza, ele não aceitara que uma pessoa cometa erros. Um dos casos, foi o do João, que foi internado por errar um cálculo matemático.

A partir disso, é quando as coisas começaram a piorar. A cada dia chegaram mais e mais casos de erros simples, que o alienista considerava loucura.

Pensávamos em fugir dessa prisão, mas escutamos um grito do lado de fora, dizendo que a liberdade estava próxima, então resolvemos esperar.

Enquanto isso pensava, por que pessoas com erros tão comuns e simples estão aqui? Não dizia o filósofo que errar é humano? Como vamos melhorar se não temos oportunidade para fazer isso?

Os dias passam, a liberdade não chega, a dúvida aumenta. Seríamos nós internados que somos loucos ou o médico que ficou louco por não saber ser humano?

Notas finais
Espero que tenha gostado *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.