O Acordo

1 Capítulo 1: O Acordo


Notas iniciais
E o mestre dos magos das fanfic's voltou!

— O que está fazendo?

Zed questionou sério após abrir o par de olhos âmbar, encarando os surpresos olhos prateados de Syndra, a qual estava prestes a lhe retirar do rosto a máscara de ferro.

— Tá me olhando tempo demais.

— Pensei que estivesse dormindo.

Syndra recuou, ajoelhando-se ao lado do corpo do homem deitado na sombra da árvore cerejeira.

— Estava. – admitiu retirando as costas da grama para poder encostar-se no tronco da árvore atrás. – Você me asfixia com essa droga de perfume. – resmungou virando o rosto para o outro lado antes de voltar a atenção para a jovem. – O que você quer? Não deveria estar aqui.

— E você não deveria ficar me espionando por ai.

— Não estava te espionando. Estava te protegendo. – explicou.

— Eu não preciso de proteção. Mande os seus soldados e aquele bicho – apontou para a águia descansando nos galhos acima. – pararem de me seguir.

— Não. Você querendo ou não é assim que vai ser. E se eu souber que você matou um deles eu mando mais três no lugar. – ameaçou. – Essas terras não são mais as mesmas que você conhecia. Eu não vou colocar tudo a perder por causa da sua falta de atenção.

— Falta de atenção?! – repetiu indignada. – Estou isolada numa fortaleza a metros do chão e posso manipular tudo o que eu quiser! Exatamente do que está querendo me proteger?

— Estou tentando impedir que te joguem no meio da bagunça que fizeram nessa guerra. Se não entendeu ainda, de nada vale você não querer fazer parte disso, existem pessoas capazes de tudo para te colocar lá dentro, então, será que dá para diminuir o seu ego e prestar mais atenção no que está fazendo?

Ela permaneceu em silencio por um instante, tentando analisar o rosto que estava por detrás da máscara.

— O que você tem? – perguntou desconfiada. – Não pode ser... É esse o seu jeito de admitir que gosta de mim? – deduziu sorrindo.

— Defina “gostar”. – tentou disfarçar.

— É claro que gosta! Qualquer um se encantaria por mim. – respondeu para si mesma, convencida. – Eu sou incrível.

— Não. Você é insuportável. – a corrigiu. – A única razão de eu ainda estar com você é por ser uma enciclopédia mental ambulante.

— E está nervoso porque?

— Eu não estou nervoso.

— Está sim. E está estranho também.

— Eu sou estranho. – lembrou. – Já avisei para ficar longe de mim.

— Mas você ainda não me explicou o porquê.

— Porque você me enfeitiça, Syndra! – confessou, irritado pelo fato. – Você me sufoca! Eu odeio ter que cuidar dos outros. Como acha que eu me sinto? Eu estou inquieto! Eu não consigo pensar direito! E isso é patético!

Ele sabia como era a sensação de querer alguém, mas ele não queria ter que sentir de novo, porque aquela relação era perigosa demais.

— Você quer que eu vá embora? Ou o que? – a expressão no rosto feminino tornou-se séria. – O que eu preciso fazer? – estalou os dedos, os envolvendo com a sua magia negra. – É só falar que eu faço.

— Pode começar me beijando e depois saindo da minha cabeça. – sugeriu ainda mal humorado.

Syndra arfou revirando os olhos.

— Porque será que eu não estou surpresa com a sua forma narcisista de resolver as coisas.

— Eu não tenho o dia todo. Nós vamos entrar em um acordo ou não?

— Não. Eu não vou entrar nesse seu jogo.

— Deixa eu adivinhar, você não sabe beijar.

— O que?! Não! – gaguejou nervosa. – Eu sei como isso funciona! Não preciso que me ensine!

— Devo considerar que está com medo de se apaixonar por mim?

— Eu não vou me apaixonar por você! Isso é impossível! O meu cérebro ainda está funcionando!

— Então qual é o problema?

Zed não era sério com provocações, e ele estava olhando para ela tão seriamente, com aquela expressão arrogante que a fazia odiá-lo por desafia-la.

— Cala a boca e fecha os olhos. – ela ordenou autoritária.

A jovem pressionou as mãos nos ombros largos, se apoiando ao passar uma das pernas para o outro lado do corpo do homem antes de se sentar encaixando os seus quadris. Em seguida, ela jogou o comprimento do cabelo preso para um dos ombros. E a pele de Syndra se arrepiou com o toque áspero dos dedos de Zed subindo por sua coxa. Logo, ela retirou cuidadosamente a máscara de ferro que escondia o rosto dele, segurando as bochechas pálidas por entre as suas mãos. Ela se inclinou para frente, se aproximando, lentamente fechando os olhos à milímetros dos lábios rasos. A sua boca abriu sobre a dele, mas acabou por hesitar abaixando a cabeça, soltando todo o ar preso nos pulmões, exalando a insatisfação ao ouvir os passos de alguém se aproximando.

— Tsc! Droga... – Zed rangeu os dentes após Syndra voltar a sentar do seu lado. – E eu achando que estar com você não pudesse ficar pior.

E em menos de um minuto, apareceu um dos discípulos da Ordem das Sombras chamando por seu mestre, o qual se recompôs levantando com a postura ereta.

— Kayn. – pronunciou reconhecendo o aliado. – Como sempre na hora certa. – cruzou os braços. – Prossiga.

— Mestre, todos já estão no salão principal como ordenou. – avisou antes de reparar que o local possuía uma presença a mais. – Syndra? Não sabia que estava por aqui. – sorriu. – Você também vai com a gente?

— Com certeza não. – interviu o ninja se pondo de costas para o assassino e estendendo a mão para a maga. – Ela já está de saída.

Os olhos âmbar fixaram nos olhos prateados, de modo que ficasse claro que ele não queria envolver ela em seus assuntos particulares.

— Eu vou embora porque não suporto ficar mais um minuto perto de você. – retrucou aceitando a ajuda para levantar.

— O que foi? Já se arrependeu de se envolver comigo? – provocou.

— Anda logo e some da minha frente. – virou o rosto emburrada, colocando as mãos na cintura.

— É você que está no meu território. Ei, – o mestre chamou a atenção de seu discípulo. – você disse que todos estavam lá dentro. O que é que aquele idiota ali está fazendo!? – apontou.

— Hã? Onde?

Intrigado, o rapaz virou de costas procurando pelo jardim por um de seus colegas ao mesmo tempo em que o homem estendeu os braços para as suas mãos alcançarem o rosto surpreso da jovem, levando os lábios avermelhados entreabertos de encontro aos seus lábios pálidos, os pressionando enquanto deslizou a língua pela dela, lhe roubando brevemente um beijo.

— Viu? Deixa que eu resolvo. – ele sorriu convencido, piscando o olho esquerdo ao sair andando.

— Você... – grunhiu ela apertando as mãos em punho, sentindo as bochechas enrubescerem. – Mas você é muito atrevido!!!

Notas finais
Foi curtinha mas, espero que tenham gostado. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!