O Acordo

1 Parte I – Flores e Unicórnios


Notas iniciais
Olá ♥ Essa é a primeira das duas partes desta fic, amamos fazer e espero que vocês também amem ler /o/ Boa leitura :B

Peter Parker estava andando de um lado a outro de seu pequeno quarto para, ao menos, tentar controlar a crescente irritação que aumentava a cada aparecimento de Wade Wilson. O maldito sempre surgia nos momentos mais inoportunos e com os presentes mais inusitados, o que combinava com sua personalidade fora do comum, mas não com o garoto que os recebia.

Ele vivia concentrado em seus projetos escolares, tendo como propósito exercer uma boa faculdade enquanto intercalava com sua vida de herói. O surgimento repentino de Deadpool em sua vida acabou por atrapalhar seus objetivos, embora, de certa forma, ele gostasse do humor, de sua animação ilimitada e, principalmente, da maneira como ele dizia o que queria fazer consigo ao pé do ouvido.

— Droga... — Sussurrou para si mesmo ao massagear as têmporas e, repentinamente, ouviu duas batidas em sua janela.

Já sabendo quem era aquela hora da noite, ele andou até a mesma e a empurrou para cima antes de se concentrar em quem estava do outro lado, franzindo o cenho ao notar que Wade estava com uma coroa de flores do campo rosa claro na cabeça, assim como um unicórnio de pelúcia nos braços.

— Que diabos você está fazendo com isso e isso?! — Inquiriu, apontando para ambos os objetos e controlando a estranha vontade de rir, mantendo uma expressão séria em sua face.

— Ora, o que parece? — Wade se manifestou, como se a resposta fosse óbvia, tomando liberdade de passar as pernas pelo parapeito da janela e adentrar o quarto de Peter. — Trouxe para você, baby boy! — Ele exclamou, estendendo o unicórnio branco e rosa para o super-herói.

Embora acostumado com as maluquices de Deadpool, aquela cena era algo inimaginável na cabeça do mais novo se lhe contassem sobre ela um tempo atrás – mesmo agora era bastante difícil de ser processada: Um dos mercenários mais famosos no mundo todo, com todas as suas armas ainda presas ao corpo, simplesmente estava com flores rosa na cabeça oferecendo-lhe um bichinho de pelúcia.

Peter ainda não conseguia decidir se ria ou chorava.

Ele abriu e fechou a boca, sem reação, e acabou por pegar o presente, ainda um pouco receoso e sem saber bem o que falar. Wade estava com a máscara, mas Peter conseguia notar perfeitamente que esbanjava um enorme sorriso.

— Bem, isso era pra você também, mas eu achei que ficariam melhores em mim, mesmo. — Deadpool continuou o diálogo, visto que Peter permanecia mudo, fazendo uma pose provocativa ao indicar as flores em sua cabeça.

Piscando algumas vezes, o garoto analisou o presente e, sem saber muito bem como lidar com aquele unicórnio, pousou-o em sua cama antes de encarar Wade, arqueando a sobrancelha assim que deixou certos indícios de incredulidade surgir em seu rosto.

— Por acaso você não conhece o celular ou, sei lá, a campainha? — Soltou ao cruzar os braços contra o peito, ignorando a última frase do mercenário e mantendo-se a uma distância segura. — Não pode simplesmente surgir no meu quarto, na hora que bem entende! Eu deveria estar indo dormir neste exato momento, afinal, tenho coisas a fazer, caso você não saiba! — Exclamou, claramente estressado com a presença do outro, mas também havia certo desconforto e aquela estranha vontade de vê-lo sem aquela maldita máscara cobrindo-lhe o rosto para que pudesse mirar os olhos dele enquanto falava.

Wade, parecendo ignorar facilmente tudo que Peter havia dito e a clara distância que ele tentava estabelecer, simplesmente caminhou até ficar cerca de centímetros de distância do garoto, aproximando os lábios de sua orelha antes que ele pudesse ter alguma reação.

— Não consigo resistir, Petey, é impossível saber que posso vir te ver sempre que quiser e provocar reações em você e não o fazer. — Wade murmurou, a voz rouca, em seguida dando uma pegada nas nádegas de Peter que ele tanto amava. — Prefiro você na sua roupinha apertada, assim posso te apreciar todo. — Prosseguiu, tendo a certeza de que a bunda do menor ficava muito bem na sua roupa de Homem-Aranha, assim como todo o resto do corpo, que também ficava bem definido.

Peter, sentindo ódio, amaldiçoou o próprio corpo por reagir daquela maneira, fazendo seu rosto ficar tão vermelho como quando ele estava com sua máscara. Ele não queria admitir que quase gostava da pegada de Wade.

Saindo do transe, o garoto empurrou Deadpool com força, querendo enfiar o rosto em um buraco.

— Você não pode fazer o que quiser comigo dessa maneira, não sou seu brinquedo! — Quase gritou, censurando-se mentalmente para que sua tia não o escutasse, o rosto queimando com todas as forças.

Ele passou a mão por seu rosto, claramente nervoso e envergonhado, porém, sabia que Wade não desistiria tão fácil. Já tinha o xingado, ignorado e o evitado diversas vezes, mas mesmo tendo feito tudo isso, lá estava ele mais uma vez dentro de seu quarto, tentando-o a realizar coisas que nunca sequer imaginou. Ele soltou um discreto suspiro.

— Isso definitivamente não está dando certo e eu... Eu nem sei se me interesso por isso da mesma forma que você, fora que essa sua máscara está começando a me irritar. — Confessou em um rompante, realizando diversos movimentos com as mãos para suprir a vontade de andar, pois com Deadpool ali, sobrava pouco espaço para tal. — Você sabe perfeitamente quem sou, como é minha vida e o que faço pelas pessoas, mas não ocorre nenhuma maldita recíproca aqui! Que porra eu sei sobre você, Wade?! — Percebera que sua voz se elevou novamente, então respirou fundo para controlá-la e passou ambas as mãos pelos cabelos, bagunçando-os a tal ponto que os deixou semelhante a um ninho de pássaros.

Deadpool colocou a mão sobre o queixo, fingindo alisar uma barba invisível e olhando para o teto enquanto, supostamente, pensava no que havia lhe sido dito. Peter teve certeza de que ele não o havia feito quando Wade encarou seus olhos novamente e disse:

— Bom, você sabe que eu sou incrivelmente sexy e que minha tara favorita é sua bunda. Não é o bastante, Petey? — Declarou descaradamente, um sorriso sacana aparentemente surgindo em seu rosto.

Somente naquele momento Peter agradeceu por ele estar usando a máscara, pois temia que não resistisse ao impulso de empurrá-lo janela afora se visse aquele sorriso. Na verdade, estava quase fazendo isso no momento mesmo sem vê-lo.

— Não, isso não é o suficiente, Wade! — O garoto exclamou, quase não conseguindo falar a frase em um tom normal, bagunçando ainda mais seus cabelos enquanto suspirava, irritado.

Era extremamente injusto que aquele homem sabia absolutamente tudo sobre Peter, enquanto não havia visto sequer seu rosto. Ele então virou de costas, tentando organizar seus pensamentos, que estavam a mil por hora e não conseguia controlá-los, até que, em um impulso, Peter o encarou com seriedade.

— Então faremos um acordo. — Anunciou antes mesmo de registrar tais palavras, logo vendo certo interesse na forma como Wade se aproximou de si, acabando por fazê-lo recuar e sentir sua cama encostada atrás de seus joelhos. Merda. — Eu quero ver seu rosto, e não, não vou deixar isso de lado. Você quer... A mim, embora não tenha certeza de que quero o mesmo. Porém, a questão aqui é o que cada um quer, não o que o outro pensa sobre isso. — Deixou claro ao encará-lo, mantendo a postura ereta e tentando ignorar a enorme vontade de simplesmente pular sobre o outro para arrancar aquela maldita coisa do rosto dele.

Wade franziu o cenho, claramente interessado no que havia sido dito até agora, já que seu cérebro parecia só registrar as partes mais importantes, como por exemplo a proposta de um acordo – algo que parecia muito mais interessante que todos aqueles já propostos até hoje para ele – e o fato de que Peter "não tinha certeza", o que, teoricamente, não era um "não" por completo. Peter engoliu em seco, interpretando o silêncio do homem como um sinal para continuar, tentando não pensar no que estava prestes a fazer, porque se pensasse, não diria nunca.

— Então, eis o que proponho. Você pode fazer o que quiser comigo durante um dia... — Ele começou, mal acreditando no que havia acabado de dizer, o arrependimento já atingindo-o como um soco na cara. — SE! — Peter colocou as mãos sobre o peitoral de Wade, já prevenindo-se de um ataque. — E somente se você tirar sua máscara e me deixar ver seu rosto.

Um silêncio inesperado se instalou no quarto. Peter esperava – e temia – que Deadpool não aguardaria nem dois segundos antes de joga-lo na própria cama e fazer coisas indevidas com ele, arrancando a máscara no meio do processo sem nem se importar. Mas o anti-herói permanecia, pela primeira vez desde que Peter o conhecera, quieto, sem fala, sem reação. E o garoto não estava entendendo nada. Depois de todas as perseguições e provocações de Wade, Peter estava simplesmente permitindo que ele fizesse qualquer coisa com seu corpo e ele estava pensando antes de responder? Era uma proposta que, pensando agora, compensava muito mais para o lado do outro que para o lado de Peter.

E Deadpool não dava resposta.

Wade estava sofrendo, pela primeira vez desde que se tornou quem era, um grande conflito interno. Seu rosto já não tinha a beleza maravilhosa de antes e, por mais que seu corpo houvesse curado por completo, seu rosto havia sido uma exceção. Era o motivo principal de utilizar a máscara que Peter estava tão desesperado em retirar, e era o motivo de estar tão calado quando o mais novo estava entregando seu corpo à disposição do mercenário durante um dia inteiro. Era óbvio que ele queria, pois somente ao pensar em tê-lo para si, já sentia-se excitado, no entanto... Havia a condição.

Se bem que poderia driblá-lo assim chegasse o momento, fazendo-o esquecer daquele pequeno detalhe, e este pensamento o fez sorrir de forma ampla. Deu um passo para mais perto do garoto, assim podendo mexer na gola da camisa do mesmo como se fosse um gesto automático. Peter se arrepiou involuntariamente, logo xingando-se em seu interior por ter uma reação tão imediata ao toque dele com aqueles trajes. Acabou imaginando qual seria sua reação ao sentir a pele de Wade contra a sua, mas logo afastou tal pensamento, voltando ao presente.

— Eu aceito. — Falou Deadpool em alto em bom som, não conseguindo impedir seu sorriso de ficar maior. Aproximando seu rosto ao de Peter, sussurrou: — Vou deixar meu endereço anotado, pois sei que não gostará de fazer isso aqui. — Sua vontade era de puxá-lo para um beijo, porém, apenas o provocou, acariciando a bochecha dele com seu nariz antes de se afastar, indo até a mesa do computador para procurar um pedaço de papel em branco e uma caneta.

Peter, secretamente, tentava desacelerar as batidas de seu coração, aproveitando que Wade estava de costas para ele. Agora, com seu rosto novamente em chamas por um gesto que não era nada comparado ao que Deadpool faria com ele, Peter notava o quanto havia sido estúpido aquele acordo. Ele finalmente veria o rosto de Wade, mas não era nada comparado ao que o outro ganhava com isso. E ele tinha a breve sensação de que o mais velho tentaria driblá-lo de sua parte do acordo.

Peter nunca deixaria aquilo acontecer.

Endereço anotado, Deadpool deu uma olhadinha para trás, lançando um beijinho no ar para o mais novo enquanto saía pela janela, a ridícula coroa de flores ainda em sua cabeça.

— Te aguardarei amanhã, baby boy. — Ele provocou, antes de sumir novamente.

Peter sentou-se em sua cama, as mãos no cabelo novamente, fitando o maldito unicórnio repousado ao lado de sua coxa.

Aquilo havia sido uma péssima ideia.

Notas finais
E aí? O que acharam? O que acham que vai acontecer no próximo? (risos) Deixem reviews, queremos saber a opinião de vocês ♥ Até a segunda parte o/