O Acordar Do Faraó

8 Capítulo 8 - Conquistado Parte I


Notas iniciais
Ahlan wa sahlan!! (Olá) Tou aprendendo árabe-egípcio pela net rs tou fazendo muuuitas pesquisas (até fico com dor de cabeça kk) e tentando enriquecer a fic com fatos e tal. Vai começar a conter expressões e palavras em egípcio!
Um mês depois eu atualizo aqui, muito ansiosos? :3

Mais uma vez agradeço, agora publicamente, à DomiK pela recomendação maravilhosa!! É linda! minha 3ª! *-* ♥ a sensação é muito boa ♥
Boa leitura! ♥

Eram três as estações do ano típicas do país: Akhet, Peret e Shemu. A primeira estendia-se de julho a outubro e durante ela as águas elevavam-se, normalmente, até sete ou oito metros de altura; a segunda era marcada pelo reaparecimento das terras cultiváveis antes escondidas pelas águas, era a época da semeadura e ia de novembro a fevereiro; finalmente a colheita realizava-se de março a junho.

O trabalho agrícola ocupava pouco mais de seis meses do ano e, assim, se dispunha de mão-de-obra abundante para trabalhos artesanais da aldeia, para conservação dos canais de irrigação e para as obras faraônicas: templos, palácios, monumentos e sepulcros. O povo da civilização nascida do Nilo não se dava ao luxo de parar o seu trabalho de produção.

O calendário egípcio marcava o tempo do plantio ou Peret, na linguagem do povo. Os agricultores traziam da aldeia, nas costas, um cesto com duas asas. Chegando ao campo, enchia-o de grãos e atava-o ao pescoço com uma corda comprida o bastante para que a sua mão pudesse tirar facilmente os grãos que espalharia pelo solo.

Às vezes esse semear era realizado antes que as águas voltassem totalmente ao leito do rio, a fim de que se aproveitasse a terra amolecida pela inundação, o que facilitava o trabalho. Nesses casos, fazia-se com que o gado menor, geralmente carneiros, passasse sobre o campo para enterrar as sementes. O pastor agarrava num pouco de pasto e dava-o ao carneiro da frente que o seguia docilmente e arrastava consigo o resto do rebanho. Cabras e porcos também eram usados nessa tarefa.

Caso a terra já estivesse seca, eram usados a charrua ou o alvião para recobrir os grãos. Eram instrumentos simples e leves feitos em madeira. O alvião era formado por um cabo, uma placa e uma travessa. É um ‘A’ maiúsculo com uma perna mais comprida do que a outra. Servia ainda para quebrar torrões de terra, o que também podia ser feito com uma espécie de malho.

Trabalhando de solo a solo, desde nascer do sol até escurecer, o plantio precisava ser feito com uma certa rapidez. Durante esse tempo as margens do rio Nilo estavam cobertas por Aur, uma terra de cor negra bastante fértil e que serve de adubo natural.

O palácio do Faraó estava mais agitado que o habitual, as sementes excedentes armazenadas no palácio eram as primeiras a serem cultivadas, após essas, as guardadas nos celeiros eram as seguintes. O barulho de vozes dos camponeses rudes ecoavam no pátio principal, entre ordens gritadas e obscenidades esbanjadas quando ficavam mais acalorados pela irritação de algo mal foi feito.

Com o seu quarto virando para o pátio, as vozes iradas acordaram Rouge, o mal de um palácio exótico em clima seco era que não havia vidros nas janelas, sem qualquer proteção contra sons tudo era ouvido tanto de dentro como de fora do quarto.

Desistindo de ter a sua cabeça enfiada de baixo do travesseiro para abafar os ruídos, xingando em tom baixo todos os palavrões que conhecia, Rouge atirou o travesseiro para longe. Ele tinha um extremo mau humor quando acordava rodeado por barulho. Sentou-se na cama e espreguiçou-se, notando que o dia mal havia começado, a fraca claridade do sol era agradável, e outra coisa que ainda continuava a incomoda-lo, os guardas presentes no seu quarto dia e noite.

Depois da intrusão de Jafir dias antes ele virou o ser mais protegido do palácio. Com sorte e alguma insistência, Rouge conseguiu que ficassem apenas dois ou três guardas no interior, porque a ideia inicial seria ele ter que dormir com um exército no quarto. Depois de muito argumentar conseguiu que Khan os reduzisse, porém não aceitou retira-los completamente, mas para dar a tão desejada privacidade que Rouge almejava, os homens retiravam-se do quarto quando ele acordava.

Khan aprovou a ideia, não achava a mínima graça de que outros homens colocassem os olhos no que era seu no espaço tão íntimo como um quarto. Espreguiçando-se mais um pouco, saiu da cama e andou até ao comodo do banho, uma água fria o esperava, como Sahib ainda não chegara para preparar as coisas, era apenas água sem quaisquer óleos essenciais ou pétalas de flores.

Não se importando entrou lentamente na água fria porque o dia ia ser muito quente, a aproximação do verão egípcio estava chegando, se antes achava o que sentia era calor de matar agora iria achar que estava dentro do próprio inferno.

O choque térmico do corpo quente com a água fria fez Rouge encolher a sua barriga com a contato, com a parte mais difícil já submersa, escorou-se na parede de mosaicos da piscina. Colocou as mãos em forma de concha recolhendo água e atirou ao para o rosto, esfregando com mais força do que o necessário, na tentativa de fazer a sonolência se dissipar ou acordar e ver que a realidade que estava a viver não passava de um sonho prolongado. Suspirou, acabando por mergulhar na piscina e ficar por segundos submerso.

Dezenas de encarregados, donos das terras de cultivo, mercadores de exportações comerciais requeriam todos falar pessoalmente com o Faraó, o dia mal clareava e já muitos tinham tido uma conversa com ele sobre os vários assuntos respeitantes ao novo ciclo do ano em que entravam. Khan averiguava por si vez ou outra as sementes; grãos; as árvores frutíferas importadas; figueiras, tamareiras, macieiras e videiras, que mais tarde daria o belo vinho doce ou mais amargo e forte.

As verduras e legumes mais perecíveis como a alfaces, alhos, cebolas, pepinos, entre outros legumes e verduras costumavam ser os primeiros a serem cultivados, depois os legumes secos e cereais duros, favas; ervilhas; centeio; aveia; trigo; cevada, junto com plantas de sésamo para extração do azeite alimentar, o azeite de oliva era importado, muito caro e de uso exclusivamente do palácio.

A plantação de olivas não adaptava-se bem ao solo arenoso do Egito, devido à flora amena mediterrânica as árvore de olivas florescia apenas nos países que ofereciam essas condições. Óleos vegetais eram utilizados não apenas na cozinha, mas também na iluminação, nos cosméticos e na terapêutica e provinham principalmente da bolota, do coco e do rícino.

Satisfeito com a qualidade das sementes e mercadorias, Khan tinha o pressentimento que iriam tem uma farta colheita naquele ano, precisavam de controlar as pragas destruidoras de colheitas e o seu povo teria o que comer na mesa, sem necessitarem de controlarem a quantidade de comida existente na casa.

O papiro era coletado nas terras pantanosas e utilizado não só para a alimentação, preparada com os seus rizomas, mas também como matéria-prima em produtos de uso variado. Cordas eram fabricadas a partir dos seus troncos e suas fibras permitiam confecionar tecidos, desde os mais finos, para o vestuário elegante, até lonas grosseiras. Por sua vez, vimes, juncos e folhas de palmeiras tamareiras eram utilizados no fabrico de cestos e esteiras.

Camponeses e soldados começavam a carregar os grandes cestos de vime transbordando com os grãos e sementes para as carroças. Com o seu dever cumprido por ali, Khan voltava para o interior do palácio, deu um olhar de esguelha na direção da varanda do quarto de Rouge.

A coisinha vermelha estava debruçada no parapeito da varanda olhando para o nada. Khan estranhou ele estar acordado tão cedo, franziu uma sobrancelha ao pensar que ele pudesse estar se sentindo mal, apressou-se a chegar ao quarto do ruivo.

Este mal ouviu ou sentiu a sua chegada, Rouge vestira mesma túnica de dormir, o seu cabelo estava úmido continuando a dar-lhe uma sensação de frescura, a brisa matutina tocava no tecido leve da túnica levantando o tecido sugestivamente. O ruivo observava a movimentação dos camponeses no pátio, o seu humor não havia melhorado em nada e agravando o seu estado apático, a inércia em que o seu dia-a-dia tinha-se transformado estava-lhe entediando bastante.

Meses sem ter uma atividade que o ocupasse estavam deixando o seu cérebro e corpo cansados. Sobressaltou-se quando dois braços enlaçaram a sua cintura, alarmado tentou debater-se, porém as mãos fortes seguraram-lhe nos pulsos, fazendo os seus braços se cruzarem sobre o peito.

– Me larga! – Recebeu uma mordida no lóbulo, sendo massageado pelo hálito encostado na sua orelha. – Kheif halak? – Bastou ouvir a voz para que Rouge parasse de se debater. – Idiota… quer dizer, grandiosa majestade, rei do… sol e lua. – Esteve tentado em morder a sua língua pelo atrevimento de ter chamado o rei de idiota.

A gargalhada rouca característica de Khan ressoou dentro da cabeça de Rouge como algo indescritivelmente bom. Foi um pouco mais apertado pelos braços do rei. – Parece que está tudo bem. Acordar cedo não é para ti. – Khan girou o ruivo nos seus braços de forma a ficarem frente a frente, os olhos do mais velho deslizou pelo rosto ruborizado recaindo nos lábios carnudos.

''Por acaso o idiota está-me chamando de preguiçoso?'' – Rouge levantou uma sobrancelha em descritibilidade. – Se eu tivesse algo para fazer eu acordaria todos os dias cedo com prazer. – Cometendo o erro de olhar diretamente para o rosto de Khan, pensando que já estava habituado à beleza e masculinidade dele, ficou sem folego.

Pensando quem no mundo ficaria tão perfeito como ele em o tronco nu, um saiote branco enrolado em uma faixa de seda negra caindo na frente do saiote, a coroa de ouro com a serpente de olhos negros estava brilhante mesmo sem os raios de sol reluzirem nela, braceletes de ouro estavam encaixados em ambos os pulsos, para dar o toque final num visual simplista mas carregado de sensualidade, o longo cabelo caia pela lateral em cima do ombro preso frouxamente.

Rouge nunca se sentira tão gay aquando conheceu aquele homem, pensando o quanto ele era afortunado por ter conseguido que um tipo de homem como aquele tivesse reparado nele, ou melhor não reparou, lembrando-se que ele fora abduzido e arrastado à força e não romanticamente. ‘’Síndrome de Estocolmo é realmente grave…’’ Perdido nas suas divagações interiores apercebeu-se que Khan observava-o intensamente, estudando o seu rosto.

O moreno pôde aperceber-se que o canto direito dos lábios de Rouge ficava num jeito engraçado quando ele ficava pensativo, a curiosidade de saber no que ele pensava de maneira tão imersa era enorme, mas conhecendo um pouco da personalidade da sua joia ele não iria compartilhar, então resolveu provoca-lo. – Eu acho que na cozinha estão precisando de ajudantes e para lavar roupa…

Interrompido do seu mundo interior e trazido para a realidade fantasiosa. Quando Rouge mergulhava nos seus pensamentos interiores, isso era a realidade, e tudo à sua volta era fantasia, ele estar ali pisando o solo do império da antiguidade, ter um Faraó lindo rendido a ele era o sonho mais molhado que alguém poderia ter. Tudo isso era real, por mais que Rouge se beliscasse para se certificar que não estava dormindo, tudo real. – Sério? Será que eu podia…

Rouge vendo a hipótese de fazer algo que precisasse mexer-se e não ficar parado, como trabalho de cozinha tudo estava sempre em constante movimento. Os olhos azuis-céu adotaram uma expressão de esperança. Naquele momento Rouge preferia uma cozinha a uma biblioteca, não queria estar mais solitário.

Khan arqueou a testa surpreso, pensando que realmente ele levara a sério sobre ele servir na cozinha ou lavar roupa, e que realmente Rouge pensava em fazer isso. Segurou as mãos de dedos magros e um pouco pequenos para serem de um homem, levou-as até aos seus lábios, tocando na pele macia. – Não pode. Seria um desperdício se estas mãos sofressem com o trabalho duro, que atrocidade.

Impensável ver ou querer ver a pessoa em frente a si a levantar um dedo para fazer tais trabalhos pesados, sempre achou que o único trabalho que assentava na perfeição no ruivo, e que poucos conseguiam, era ser exuberantemente lindo.

A extrema negação dada na sua cara com todas aquelas palavras que deveriam ser ditas a uma princesa, fez Rouge ficar com cara de lerdo. De fato Khan queria passar cada momento com a sua joia, desde do acordar ao adormecer, muito obviamente não se esquecera do perigo que Jafir o fizera passar.

porém não conseguia estar presente em todos os lugares, não ia escolher entre o seu reino ou Rouge, para ser mais prático iria ter Rouge dentro do seu reino, ter os dois conciliados o rei ficaria a ganhar. A cara de gato confuso do ruivo divertiu Khan, elevou um pouco o rosto dele para de apoderar-se dos seus doces lábios, não sabia por que não tomara a boca deliciosa do ruivo em primeiro quando chegou.

Sem oferecer muita resistência Rouge correspondeu ao beijo, tirando proveito disso assentou as suas mãos no peito rijo e quente, o contato fez o seu corpo esquentar sob as suas palmas. Enquanto o ruivo fazia um contato físico mais tímido, Khan deslizou as mãos grandes e possessivas pelas laterais do corpo delineado do ruivo, parou de desliza-las quando alcançou o que queria. Apertou as nádegas firmes de maneira um pouco rude e com força excessiva, fazendo o ruivo erguer-se em pontas dos pés com o impulso.

O beijo fê-los permanecer colados por momentos, as línguas começavam a ficar conhecidas uma da outra, entrando desse jeito em sintonia sabendo exatamente como se deviam explorar. Exercendo o seu autocontrolo de ferro, Khan deu o beijo por terminado, xingando-se mentalmente sobre qual seria o motivo que o impedia de rasgar a roupa do ruivo e de possui-lo em todos os sítios onde quer que ele o visse.

Outra força maior sobrepunha-se à luxuria desenfreada. Meio atordoado por os seus lábios terem sido largados, Rouge estava ofegante, até mesmo os seus mamilos estavam enrijecidos. De um só folgo o rei anunciou uma coisa que o ruivo demorou a processar, cérebros em estado de excitação sempre eram um problema.

– Daqui a dois dias vamos fazer uma pequena viagem. – Com esforço e relutância virou-se e foi-se embora, compensaria o tempo perdido nessa viagem.

Rouge ficou parado no mesmo sítio assimilando que ficara excitado e que Khan o iria levar para uma viagem? Sem evitar um suspiro sonoro saiu dos seus lábios, entrou no quarto e jogou-se de bruços na cama.

.OoO.

No silêncio morno da madrugada, sendo iluminada pela lua cheia suspensa no céu escuro e limpo fora cortado por cascos de cavalos pisoteando o pavimento da cidade. A longa comitiva real estava constituída por soldados, escravos carregando os pesados baús contendo vestuários, joias e vários objetos pessoais. Um palanquim dourado ricamente decorado com rubis e safiras, encontrava-se carregado nos ombros dos escravos mais fortes pelas grossa barras cilíndricas de suporte.

Esse palanquim fora especialmente encomendado para Rouge, o seu acolchoamento era branco, as finas e transparentes cortinas vermelhas impediam de ver completamente a pessoa que o ocupava. Ser carregado assim foi um pouco desconfortável nos primeiros minutos, a sensação de tombar a qualquer momento era incómoda, depois da estranheza inicial e vendo que era um transporte firme, ele relaxou. Consigo no palanquim estavam Kanope e Nadhirra que dormiam alheios ao mundo dos adultos, até Nuri acompanhava a família real.

Rouge ficara sabendo que iriam para Mênfis, antiga capital do Baixo Egito antes da unificação total do Egito, era tradição de Khan na altura do seu aniversário ir para o palácio do seu tio e reunir-se com os familiares lá, eram os únicos dias em que o Faraó podia permitir-se sair do palácio por lazer.

Em contra partida não podia levar Saludja e Arkon, o rei podia sair de Tebas mas o palácio não poderia ficar sem uma presença de autoridade de confiança.

Rouge fazendo as contas ficara a saber o dia em que Khan fazia anos, no décimo quarto dia de Epiphi ou seja a catorze de novembro no calendário gregoriano.

A frente da comitiva era liderada pelo rei montado no seu ganharão negro, Saludja e Arkon cavalgavam cada um do lado do rei, acompanhavam-nos até ao cais do porto para se despedirem.

Ramses estava muito agradado com a viagem tradicional daquele ano, trazia Rai consigo no cavalo. Trazer o seu servo não fora difícil, já que Rai tinha o dever de servi-lo onde quer que ele fosse. Percebeu a relutância na cara do mais novo mesmo que não mostrasse esse desagrado abertamente, vendo a oportunidade de aproximar-se do seu amor secreto.

Começando essa aproximação com a partilha da sua montada, com as manobras subtis, agitou o seu cavalo de maneira que Rai não tivesse escolha a não ser segurar na sua cintura para não cair.

No porto, um grande barco de madeira com quilha arredondada terminada com a parte frontal da embarcação num poste alto, com o emblema da família real incrustado a tinta nega, dourada e joias, estavam esperando-os. A comitiva amontoou-se no cais, os escravos subiram embarcando os baús e pertences da família primeiro.

Do palanquim, Rouge descia com a ajuda de uns pequenos degraus e segurando a mão de um dos soldados, as cuidadoras pegaram nas crianças adormecidas em seus braços. A roupa de Rouge para fazer a viagem era confortável e leve, o habitual modelo de túnica de linho branco era o ideal para repelir os raios solares e refrescar a pele das várias horas em que a viagem demoraria, sandálias de tiras cruzadas e um véu semitransparente, para para proteger do sol quer iria brilhar e castigar a sua cabeça sem dó, completavam a sua indumentária.

Sabih iria consigo, quando um servo era escolhido para servir pessoalmente alguém da nobreza essa pessoa era a única que poderia tratar do cotidiano do seu dono, não sendo permitida que outros cuidassem da sua intimidade, nem um simples copo de água poderia ser levado por outro servo.

Com tudo e todas as pessoas que iriam dentro do barco, os últimos que sobraram em terra foram Rouge e Khan. O rei despediu-se de Saludja e de Arkon com um abraço, mostrando irmandade sem laços de sangue. – Aproveita bem o presente dos deuses, meu amigo. – Saludja sussurrou maliciosamente quando retribuía o abraço do rei.

Fez o mesmo gargalhar. Deixando Rouge sem perceber o motivo da risada repentina, anuiu a cabeça em sinal de despedida para o sacerdote e o general enquanto Khan segurava na sua mão e o guiava através da prancha de madeira para dentro do barco.

Soldados marinheiros içavam a prancha e as cordas que prendiam o barco no cais, cinco soldados era o total de proteção que levavam, era muito difícil existir um ataque dentro do rio Nilo. Contudo esses cinco soldados não eram da classe normal de soldados, os Medjay, pertenciam à unidade especial de excelentes arqueiros e ferozes guerreiros. Arkon liderava pessoalmente esse exército.

Abaixo da quilha cerca de quarenta escravos exercitavam a força sobre-humana de remar sem parar, entre eles existiam prisioneiros de guerra, ladrões ou assassinos. Vigiando e comandando os escravos estava um guerreiro Medjay. Homem mais alto que muitos e dono de uns músculos extremamente prominentes, a única coisa visível do seu rosto eram os olhos negros ferozes, o resto da cabeça estava coberta com um turbante negro, nariz e boca também por um pedaço de tecido que amarrava atrás do pescoço.

A fama dos Medjays como guerreiros apelidados de ‘’Sombras’’ era falada para além dos territórios egípcios, muito raramente um desses soldados de elite era morto, devido à prática inteligente de cobrir o rosto, isso fazia com que os inimigos não os perseguissem quando havia ataques furtivos.

''Não se pode matar aquilo que não tem rosto.'' era a filosofia que ensinavam aos recrutas que entravam para essa elite, servia para mentalizar os soldados que poderiam apagar os seus rastos como o vento apaga as pegadas nas areias do deserto. Ágeis e exímios tanto em combate físico como com as Khopesh na mão, espadas com a extremidade curva.

Os escravos amedrontados lançavam olhares de esguelha à cintura do Medjay, a khopesh e chicote enrolado estavam pendurados na cintura sobre o saiote negro do homem. Tochas e lamparinas de azeite iluminavam todo o barco.

Alheio à existência dos escravos, Rouge foi guiado para o fundo do barco onde encontrava-se um palanquim largo, acolchoado e coberto por cortinas de véus brancos. O perfil das crianças deitadas ainda dormindo placidamente dava a sensação que o palanquim era confortável. Agora sozinhos, Khan pôde tocar no seu ruivo, com a sua mão ainda segurando a dele, fê-lo aproximar-se de si com um pouco de força a mais, acabando por Rouge tropeçar nos próprios pés e caindo nos seus braços. – Ei!

O esticão forte que levou no braço assustara-o, não soube como o seu braço não fora arrancado. Desequilibrando-se embateu contra o tórax moreno, dessa vez coberto pelo tecido da túnica que usava. Sem ter tempo para se segurar mais, Khan segurou e elevou o queixo fino com as pontas dos dedos, com o obstáculo da diferença de alturas entre ambos diminuído pôde selar os lábios de ambos com calidez.

Abismado com a atitude do mais velho, Rouge entrou na mesma sintonia, respondia com a sua língua na mesma intensidade que recebia de Khan. As línguas duelavam contra si com mais fervor que o habitual, os cabelos ruivos eram revolvidos pelos dedos longos.

Gostar de enterrar os seus dedos nos cabelos macios e suaves era uma novidade para Khan, nunca prestara grande atenção aos cabelos dos seus amantes. Ter a mão com a uma pele tão fina tocando no seu rosto quase imperceptivelmente era fofo, outra coisa que ele não tivera o hábito de fazer, utilizar adjetivos que mostrasse tamanha gentileza.

Com a outra mão apertou a cintura delgada. Com a agressividade do beijo a necessidade de oxigênio apareceu mais depressa do que o desejado, uns poucos movimentos estalados com a língua e os dois se separaram para recuperar o fôlego.

O rosto corado de Rouge foi segurado entre as mãos de Khan, a expressão do rei era densa e enigmática. Sustendo a respiração por causa do contato visual, não soube qual a razão de Khan estar daquele jeito, não sabia se era o cenário noturno do Nilo, as estrelas e lua brilhavam com toda a sua naturalidade, a excelente visibilidade delas provinham devido a ausência de luz elétrica poluindo visualmente o panorama natural e virgem das noites do Egito.

Rouge admitia mentalmente que percorrer o Nilo sob a lua e estrelas num barco era romântico, com a companhia do homem mais carismático e lindo era romântico em dobro. Esperou ansioso que o egípcio falasse com palavras aquilo que ele não conseguia ler no seu olhar de ouro. – Hellw enta. – As palavras saíram na sonoridade perfeita para encaixar-se naquele momento, o fogo das tochas crepitavam enquanto o barco deslizava pelas águas calmas.

Os olhos cristalinos abriram-se um pouco mais em surpresa, essas palavras provocaram um efeito mais forte em Rouge do que ele pensavas. Não dava importância às vezes em que Khan dizia que o amava ou quando o pedia em casamento, mas essas palavras simples fizeram estremece-lo por dentro.

A isso o ruivo precisava responder, deixar de lado o seu lado inglês acanhado e tímido e responder ao elogio. – T-Tu também és li-indo. – Balbuciou com o rosto mais tingindo de vermelho que o seu cabelo.

Khan sorriu e depositou um beijo na sua testa, antes de deixa-lo ir dormir. – Dorme bem.

Rouge assentiu envergonhado e entrou no palanquim. Khan foi juntar-se aos homens no manuseamento e condução do barco, o sorriso simplista não abandonara-lhe o rosto até adormecer. Enquanto esperava que o balançar do barco lhe trouxesse o sono de volta, a cabeça de Rouge estava ecoando com o que acabara de acontecer. ‘’Ele não me beijou assim nem quando fizemos sexo.’’ ,‘’És lindo.’’

Para o ruivo esse era um bonito elogio, era o básico para se dizer a alguém de quem se está interessado, parecia ser mais verdadeiro do que os pedidos de casamento irrealistas.

Pelo menos Rouge gostou de ser chamado de lindo e de saber que obviamente Khan o achava lindo, acabou por adormecer com esses pensamentos.

.OoO.

As vozes grossas elevavam de tom, risadas de crianças seguido de passos estalados na madeira sugerindo que estavam correndo, o leve movimentar da sua cama, o contacto quente na sua pele fez o ruivo despertar. Assim que a sua consciência voltava a ficar mais nítida a claridade começava a atingir os olhos, mesmo fechados.

Começou a abri-los lentamente, colocando a mão na testa formando uma pala protetora para evitar uma cegueira do acordar. Agora os sons pareciam mais vivazes, tanto de humanos quanto de animais, a ondulação do Nilo parecia mais forte, Rouge levantou-se e afastou as cortinas, pôde constatar a magnificência de ver o coração do Egito no seu estado selvagem e puro.

No lado esquerdo, embarcações comerciais e de pessoas flutuavam e deslizavam com a correnteza curiosa do rio, formado pela confluência de três outros rios, Nilo Branco, Nilo Azul e Rio Atbara, o Nilo nascia no sul e desagua no norte. Iteru era o nome que os egípcios antigos usavam para chamar o rio, literalmente querendo dizer ‘grande rio’.

Em ambas as margens via-se manadas de animais selvagens saciando a sede, coisa que nunca mais se iria ver no século XXI, a selva urbana que transformara as bermas do rio era agoniante, as pessoas do tempo de Rouge jamais iriam percorrer o Nilo no seu estado virgem como ele estava fazendo naquele momento, esse era o seu grande privilégio.

A vontade de voltar à sua Era tornara-se mais desvanecida, uma vez provada a beleza e fascinação da cultura do deserto é difícil querer ir embora.

Mais animado e energético depois de dormir o necessário, calçou as suas sandálias e espreguiçou-se, perto dele não havia ninguém, como era a área um pouco reservada do barco, precisou descer os três degraus que separavam a área do palanquim do convéns.

A sua atenção foi centrada primeiro em Nuri, a tigresa enorme estava justamente deitada no meio do convés, todo o seu corpo estava esticado sobre a madeira, fazendo os homens terem que passar por cima dela para poderem passar, o ruivo pensou que os felinos da realeza eram realmente prepotentes.

Ru-Ru, o seu gato Sphynx, que Nadhirra numa tentativa de dizer o nome dele, batizou o bichinho pelado e cor-de-rosa como Ru-Ru, ficou no palácio, como bebé que ainda era esperava que não sentisse a sua falta.

Passeando o olhar pelos restantes passageiros, a agitação das crianças correndo fazendo traquinices era mais energética que o usual, as duas cuidadoras estavam tratando da comida dos pequenos, isso dificultava mante-las de baixo de olho. Excitada além da conta, Nadhirra estava pendurada na borda do barco, com um pé encaixado numa saliência da madeira aprontava-se para subir.

O susto que tomou o estomago de Rouge impulsionou-o a mexer-se rapidamente, correu na direção da garota tão depressa quanto pôde enquanto gritava o nome da garota. – Nadhirra! – Pegou nela ao colo, tirando-a da perigosa borda.

O súbito grito assustou Khan, que estava libertando as velas para aproveitar o vento a favor, em meio de cordas e panos ele não tinha a visão concentrada nos seus filhos, Ramses que encontrava-se com Rai junto à borda contraria, por isso não estava atento, confiante que as mulheres cuidassem deles, e num espaço tão pequeno, não seria perigoso e fácil de mante-las de baixo de olho.

Largando tudo que tinha em mãos, correu para Rouge, nem dera por ele já estar acordado. A garota olhava para o ruivo com rostinho de quem não sabia o que estava acontecendo, e o por quê da agitação dos adultos. – Umm, Umm! – A menina agitou-se no colo do ruivo ficando elétrica agitando o corpinho nos braços dele.

As mulheres jogaram-se nos pés do rei chorando pedindo perdão e misericórdia. Respirando de alívio por ver que nada acontecera com a filha, suspirou. – Ísis a protege.

Rouge lançou um olhar censurador, apertando mais a menina agitada contra si. – A proteção dos deuses não vai funcionar se ela cair na boca de um crocodilo.

O egípcio arqueou as sobrancelhas com a resposta descrente e irônica da sua joia. Quando não conseguia reter Nadhirra mais no colo, colocou-a no chão, uma vez de volta ao piso foi ao encontro do irmão que estava brincando com os joguinhos de madeira, que não se apercebera da agitação dos mais velhos.

Ramses correra aflito para o sítio onde o seu irmão estava com o ruivo, porém ao ver a pequena novamente às traquinices suspirou de alívio, as duas crianças davam-lhe tanta preocupação como se fosse o pai delas. – O que aconteceu?

– A tua sobrinha é tão vivaz como as asas de um colibri. – A comparação podia ser um pouco exagerada, mas o grupo virou-se para observar a pequena, que no momento estava atrapalhando Kanope na sua brincadeira, primeiro mexia e tirava as figuras de madeira das mãos do irmão depois largava os brinquedos para subir nas costas dele.

A paciência do garoto parecia infinita, ele nem fizera qualquer gesto bruto quando a garota tirava-lhe os brinquedos das mãos, com cinco anos era o verdadeiro irmão mais velho paciente.

As cenas infantis ofereceram risadas aos adultos, ver crianças cheias de energia e saúde era uma bênção. Mudando de assunto, havia tempo que queria perguntar algo a Ramses e ver um garoto bonito e calado perto do seu irmão proporcionou a ocasião ideal. – Esse jovem é o tal?

Khan lembrou-se de o seu irmão mais novo dizer que tinha alguém especial que também queria proteger. A pergunta inesperada fez os três voltarem a sua atenção para ele.

Ramses abriu o sorriso, porém não respondeu à pergunta por palavras afirmativas, pegou no braço de Rai e puxou-o para mais perto de dele. O garoto ficou sem reação certa, ficou surpreso, assustado, aflito por estar na frente do Faraó.

– Qual é o teu nome? – Khan perguntou divertido, o garoto mantinha uma expressão fechada e fria, perguntou-se se foi isso que atraíra o seu irmão, por serem o oposto um do outro. Ou se tinha pena do garoto por saber que como era o prazenteiro Ramses que podia nem estar sério sobre ele.

O seu irmão poderia reagir mal, se no final Rai não o aceitasse. – Rai Nicodemus, sua majestade. – A voz de Rai fluía límpida, calma e clara, isso contrastava com o seu interior tumultuoso, Rai sabia muito bem colocar as máscaras que precisava.

O sobrenome do garoto fez o interesse de Rouge despertar, usando o grego básico que aprendera lendo literatura Homérica, línguas clássicas era uma das componentes no seu curso da faculdade. – Nicodemus? Graikós?

Três cabeças voltaram-se na sua direção como se ele tivesse dito algo de horrível.

– Ne, eu sou grego. – Rai afirmou com uma leve mesura, mostrando respeito para com o consorte do rei.

‘’Bem-vindo ao ninho homossexual, meu jovem’’ – Argumentou sarcasticamente na sua cabeça. Científico e curioso como sempre, começava a indagar-se que seria muito enriquecedor conhecer os gregos da antiguidade, principalmente no Egito, onde as colônias de gregos proliferavam, trabalhando e ajudando o Egito a crescer economicamente como qualquer outro egípcio.

– Além de lindo é inteligente. – Ramses espantou-se por Rouge falar outra língua estrangeira, não esperava que o amante do seu irmão fosse tão inteligente. Pessoas bonitas e inteligentes eram duplamente perigosas, a beleza seduzia os homens e o seu cérebro acabaria com os homens seduzidos num piscar de olhos, se a intenção fosse prejudica-los.

Homens cegados pelo poder da sedução e luxuria seriam homens caídos, lembrando das histórias que ouvia os mestres anciãos contaram quando pequeno. Grandes líderes caírem por amor.

Uma das coisas boas que Rá usufruía felizmente, não sendo herdeiro direto ao trono, poderia cair que não levaria o império à ruína, caso não fosse correspondido.

Mesmo sendo seu irmão mais novo, Khan não gostou que outro homem elogiasse Rouge, o seu rosto endureceu um pouco, até então ele, o grande rei, que tinha tudo e todos quando queria, nunca conhecera ciúmes, estava sentindo um gostinho ácido dentro de si. – Apesar de termos os mesmos olhos, não quer dizer que tenhamos que ver o meu amante da mesma maneira.

Khan referia-se à cor ouro líquido dos olhos de ambos. Em jeito de defesa, Rá levantou os braços em rendição, dizendo que não era intenção dele de faze-lo pensar que as suas palavras eram indignas, camufladas com segundas intenções.

Cansado de ver o outro trata-lo como uma boneca ou uma princesa, interferiu cortando com frieza inglesa. – Eu não sou amante de ninguém, sou um convidado, eu acho, quando eu for amante de alguém eu aviso. – Rouge deu meia volta e foi embora, subindo as escadas com Sahib atras de si querendo alimenta-lo e ele recusando comer, o movimento do barco não lhe dava muita fome.

– Que Hórus te ajude a domar a fera vermelha, meu irmão grande Nisu de tudo o que é vivo. – Ramses ironizou antes de ir embora rebocando Rai atras de si, ver o irmão mais velho correndo atras de um rabo. Não podendo rir muito da desgraça alheia porque ele mesmo se encontrava na mesma situação, coisa de irmãos, isso definitivamente era algo que tinham em comum.

Antes de poder ir atrás da sua joia nervosa, um dos Medjay informou-lhe que estavam chegando. Era a hora certa, o sol atingia o seu ponto mais alto no domínio de Nut. Subiu as escadas para chegar ao palanquim meio irritado.

Um pouco da exasperação apagou-se com a imagem que teve na sua frente, Rouge estava deitado lateralmente com o cotovelo apoiado no acolchoado e a mão segurando a cabeça, a visão das pernas bem-feitas estavam mais evidentes pela túnica subida.

Os olhos azuis observavam o rei por cima do copo que estava levando à boca. Khan estava estático e admirando-o de modo luxuriante. ''Será pedir muito eu conseguir beber a porra da água em paz?'' O ruivo levantou-se e esvaziou o copo na sua boca, deixando apenas as folhas de menta no fundo. Entregou o copo a Sahib, que foi ordenada por Khan para os deixar a sós.

Lembrando-se da maneira afetuosa com que se beijaram mais cedo. Rouge ficou a pensar que o outro sofria de distúrbios de personalidade, de noite conseguia ser carinhoso e durante o dia era um bruto sem tato algum. Condenando furiosamente, quando ele sabia que fazia a mesma coisa, a maneira como se entregava quando as caricias tornavam-se mais intensas, depois a maneira como conseguia ser desagradável com ele, era o autêntico jogo do toca e foge.

Khan sentou-se ao lado do ruivo, perdera um pouco o interesse de tocar nele quando o viu olhando tão desconfiado e algo como antipatia? – Estamos quase chegando. Rouge acenou a cabeça em sinal de entendimento.

.OoO.

Os grandes portões de ferro estendiam-se abertos sobre uma imensa verdejante e prospera propriedade, o tapete de grama verde estendia-se até perder de vista, muitas árvores de tamanhos e feitios diferentes estavam dispersas proporcionando sombra fresca, sons de diversas aves provinhas dos cumes farfalhudos das árvores.

O palácio era do típico formato com cúpulas arredondados terminando no finial pontiagudo dourados; toda a estrutura era em pedra mármore branca; arcadas de vários tamanhos eram suportadas por colunas e pilares redondos; na fachada frontal do edifício uma grande arcada erguia-se; duas portas de ferro dourado retorciam-se em curvas; e no centro desenhavam flores metálicas. O tapete de grama era cortado ao meio por um caminho de mármore traçado até à entrada do palácio.

Sem conter o espanto, o lugar era tão exótico e fresco que nem lembrava que estava situado num dos ambientes mais hostis do planeta. Uma comitiva conduzira-os desde do cais até ao palácio. Serviçais do dono do palácio abriam os portões, podendo finalmente dizer que tinham chegado assim que a pequena escada foi colocada na frente do palanquim Rouge passou as crianças para as cuidadoras, sendo ele ajudado por Khan, que ofereceu a sua mão.

Esperando pela chegada dos convidados, estava o tio de Khan e Ramses, um modelo mais velho de beleza egípcia aliada à sabedoria dos quarenta e seis anos. Alto, cabelos negros e curtos, olhos castanhos-escuros, um corpo ainda trabalhado e saudável, causador de alguma inveja a muitos soldados jovens, expressão carinhosa e acalorada, um sorriso de pai abriu-se no rosto de Heqet ao abraçar os sobrinhos. – Peret é a altura do ano que eu mais gosto, ver vocês dois se tornando homens apenas tendo um ao outro, posso sentir o orgulho do meu falecido irmão correndo no meu sangue.

O homem colocou as mãos nos ombros dos irmãos, que retribuíram sorrindo afavelmente para o tio. A atenção de Heqet virou-se para a pessoa tão falada pelos rumores, alguém que fora apelidado de ter a beleza dos Deuses, tinha que ser no mínimo extraordinariamente bonito.

– Todas as vozes das quarenta e duas províncias de Kemet falam sobre você. Nem mesmo Nefertiti alcançou o estatuto de beleza dos Deuses. Seja bem-vindo a minha casa. – O queixo de Rouge despencou-se e caiu no chão, suado, descabelado e coberto com o véu que o fazia transpirar mais, a roupa amarrotada e sem ter tomado banho, Rouge não era um modelo de beleza.

Nem quando estava com os melhores tecidos e coberto de joias chegava a tanto, na sua opinião.

Quem ficou de peito orgulhoso foi Khan, levantou a mão de Rouge por falta de reação da parte dele na direção do tio. Heqet segurou na mão dele, e com delicadeza depositou um toque de lábios nas costas da mão do ruivo.

Rouge recompôs-se e disse um agradecimento sem graça. – Perdão, obrigado.

Continuando animado, o tio do rei apresentou o seu filho e filha mais velhos. Tathenen e Ancksunamum, um leve acenar de cabeça foi tudo o que deu em cumprimento. – Com certeza agora querem ir banhar-se, depois disso o banquete está pronto para ser servido.

– Obrigado tio. – Khan conduzia Rouge aos aposentos onde sempre ficava quando ia para ali. Escravos vinham atrás com as respetivas bagagens. As crianças seguiam na frente dos adultos saltitando, Ramses não largara a mão de Rai, que cada vez mais se sentia encurralado e ainda agora tinha chegado.

Rouge teve a impressão que aquela viagem ia ser estranha, havia começado com um beijo arrebatador, só não soube como poderia terminar…

Notas finais
Ficaram traumatizados pensando que eu ia matar a Nadhirra? -Baby Killer- HEUEHUE
E desculpem o testamento sobre agricultura kkk mas é interessante!

Então gostaram do capítulo? :3
Vamos à tradução das palavrinhas: - Kemet é como os egípcios antigos chamavam à sua terra, Egito só é o nome que utilizamos nos dias de hoje significa ''Terra Negra'' derivado à lama negra do Nilo.

Hellw enta = 7ellw enta, Esse 7 representa um H que a gente não tem em Português - É um H BEM FORTE, por isso coloquei o H mesmo, quer dizer, ''Você/tu é lindo'' , e ''Ne'' quer dizer 'Sim' em grego.
Depois de terminar com esta fic vou saber falar fluentemente árabe-egípcio e grego rs

Próximo capítulo em poucos dias. ;)
Beijos! ♥