O Acordar Do Faraó

13 Capítulo 13 - Conexões


Notas iniciais
Apresento-vos o cap. mas longo da fic até agora YASDGAYSHSUH Este cap. misturou um pouco todos os personagens, flashbacks, coisas fofas, amor etc e tal haha Não tem muito o que falar. As frases ditas pelas crianças são frases fragmentadas, não tem todas as palavras pq as crianças não falam correctamente né? Comem sempre algumas palavras. Relembrando que mãe é quem cria e não quem só dá à luz qq Rouge como mamãe adoptiva , eu apoio. Boa leitura!

Os trinta dias de oferendas e adoração aos deuses terminaram, Saludja não perdeu tempo ao esperar pela manhã seguinte para regressar ao palácio. Ordenou que o seu barco estivesse pronto para partir assim que as celebrações terminassem. Pelo amanhecer estaria pisando o chão do palácio.

Acordado bem antes do alvorecer Arkon sentou-se em uma das cadeiras da varada, deitou a sua cabeça no braço da cadeira, enquanto o seu corpo encolhia-se na cadeira. Só conseguiu dormir as habituais quatro ou cinco horas. Por fim a sua ansiedade falou mais alto, em poucas horas Saludja regressaria. Encarar o seu amante com o seu rosto daquele jeito era assustador. Insegurança dominava a mente de Arkon, esse sentimento perturbador nunca havia sido muito intenso antes, mas com o ferimento e consequentemente a perda do seu olho, dando maior dimensão a todos esses temores.

''Controla-te! Ficar deprimido não é algo que um homem deva ficar.'' Arkon repreendeu-se. Afastou os maus pensamentos e colocou-se de pé, de volta à cama atirou-se nela enrolado em si próprio apertando a almofada de Saludja contra o rosto.

Com o alvorecer a rotina matutina começava no palácio. Banhos, comida e limpeza precisavam ser preparados e feitos. Vários patos, galinhas e cabras eram mortos para fornecer a carne fresca para os residentes do palácio. Assim como os pescadores levavam o seu peixe recém-capturado para o palácio a um bom preço, fazendo um bom negócio para ambas as partes. Todos os animais eram comprados ao seu preço merecido, nada entrava de graça para os palacianos consumirem. O faraó fazia questão de pagar por toda a comida que abastecia as mesas. Era uma igualdade que Khan aprendera com o anterior rei, seu pai.

Avisados da chegada do sumo-sacerdote, um cavalo fora enviado. Saludja permaneceu acordado toda a viagem, não conseguiu fechar os olhos sem enjoar com o balanço o barco. Lamentável para alguém como ele, acima de tudo, um homem enjoar com algo assim. Por isso ele odiava todas e quaisquer viagens de barco. Assim que o barco atracou na doca e a rampa de madeira estendida, ele saiu imediatamente montando no seu cavalo.

.OoO.

Khan esfregou o seu rosto bocejando, era hora de levantar-se, mesmo com o seu corpo suplicando por mais umas horas de sono. A sua rotina já não era tão bem-vinda como já fora antes. Os seus interesses haviam mudado para algo mais prazeroso para gastar o seu tempo, e levantar cedo não estava incluído. Um pequeno gemido provindo do seu lado, despertou a sua sonolência por completo. A noite de sexo arrebatador deixara a sua joia esgotada, Khan quase ficou se sentindo culpado por isso, pelo seu entusiasmo exagerado. Mas o rosto adormecido pacificamente afastou esse pensamento, que teria ido longe demais.

Os cabelos de Rouge estavam um pouco mais longos, rebeldes e mais espessos, porém sedosos na mesma. Khan mandava fazer vários produtos especialmente para Rouge. Visualmente o ruivo estava transformando-se aos poucos, tornara-se mais natural e descontraído ao ambiente que o rodeava. A antiga rigidez da sua postura esvaíra-se, dando liberdade de agir como ele queria ser.

Os lábios rosados entreabertos pela respiração era uma tentação, o seu pênis animou-se com a observação. Khan achava incrível como o seu autocontrole fraquejava com um simples olhar para o ruivo. Sucumbindo aos seus dedos formigando para tocar na pele leitosa, o rei deslizou-os suavemente pelo pescoço, circundando uma marca rosada ali. Uma das marcas de paixão com que Rouge ficara no corpo, era muito fácil ele ficar marcado com uma caricia mais áspera. Evitando perder-se no seu desejo crescente, Khan depositou um beijo casto no ombro nu do seu ruivo. O roçar do seu queixo áspero pela barba nascente na pele de Rouge o fez estremecer. Um sorriso torto apareceu nos lábios do rei. Pesaroso levantou-se da cama e sumiu para dentro da ala banhar do quarto. Receber Saludja era mais importante que mais algum tempo de descanso.

Facilitado pelo pouco movimento nas ruas, o sacerdote incentivou o seu cavalo a galopar mais rápido. A mistura do cansaço, e a urgência de ver o seu amado o fez querer voar pelas avenidas da cidade. Quando os portões do palácio reluziram com os primeiros do sol, nunca os achara mais belos. Depois do cavalo pisar o interior dos portões, Saludja respirou com mais facilidade pela primeira vez em trinta dias.

Um dos motivos para a sua ansiedade aumentar a níveis críticos quando estava fora em serviço aos deuses, era Arkon dizer por palavras que tinha saudades dele. Arkon nunca falava desse tipo de coisas abertamente, poderia dar a entender por meios mais contidos, mas nunca expressava claramente as suas emoções.

Desceu do cavalo, indagando se Khan já estava nos seus deveres reais, com os seus ministros. Por mais que quisesse correr até onde o seu amado estivesse, saudar o seu rei ainda era prioridade. Saludja caminhou pelos amplos corredores saudado pelos vários servos.

— Ei, Saludja! — Khan chamou-o.

O sacerdote virou-se para trás sorrindo matreiro, o corredor de onde Khan vinha levava aos aposentos de um certo ruivo, quantas coisas ele havia perdido naqueles dias. Como dois bons velhos amigos, o sacerdote e o rei abraçaram-se. — Bem-vindo a casa. — Khan deu uma boa olhada no rosto cansando, com leves rugas marcadas no rosto de Saludja. Contudo o detalhe que mais chamou-lhe a atenção, foi uma grande mecha de cabelo branco misturado na franja. — O que...

Saludja interrompeu o rei com descaso. — Não faças parecer pior do que realmente é. É o charme da idade. — Os sintomas do desgasto físico devido a toda a sua vida servir os deuses, começava a mostrar aos poucos as suas consequências.

— Charme da idade? Que bom que o teu humor permanece igual, ao contrário do teu aspeto. — A gargalhada do rei ecoou pelo corredor vazio. O riso foi breve, pois a expressão do rei tornou-se mais séria e grave. — Arkon também mudou um pouco.

Sentindo a mudança tensa de Khan, os músculos de Saludja enrijeceram-se com a menção do nome do seu amado. Os olhos alaranjados estreitaram-se. — O que queres dizer?

Matutou cautelosamente no que devia dizer. — Eu vou deixar Arkon explicar por si próprio. — ''No dia em que conhecemos Arkon ferido, em criança, tu quase arrancaste os meus olhos.'' Khan deixaria o general domar a fera, porque ele gostava muito do seu corpo intacto.

A parte racional do cérebro do sacerdote desligou-se, não conseguiu falar mais, as suas pernas dispararam numa corrida desenfreada pelos corredores labirínticos do palácio. Assim que chegou às portas duplas do seu cômodo, Saludja parou por momentos capturando oxigénio para os seus pulmões necessitados. Abriu as duas portas douradas ao mesmo tempo, a primeira coisa que viu foi a sala de lazer vazia, continuava igual. Todas as almofadas continuavam espalhadas no chão, formando uma bagunça de que ele gostava. Andou até ao seu quarto, afastando as cortinas vermelhas com a mão trêmula, os seus olhos vistoriaram o quarto até recair na figura adormecida na cama.

O aperto do peito de Saludja afrouxou de alívio. Aproximou-se da cama, subiu nela e inclinou-se sobre Arkon adormecido. Era engraçado ver o temível general dormindo enrolado como uma bola sobre si, de temível o seu amante não possuía nada.

Dormindo profundamente o seu amante não se alertou da sua presença, Saludja acariciou os cabelos castanhos, retirando-os do rosto dele. Debruçando-se sobre o rosto de Arkon e beijou-lhe a lateral do rosto.

Arkon abriu os olhos, redirecionou o seu olhar para o que lhe acordou.

Sorrindo, Saludja oferecera-lhe uma saudação rouca. — S’bah l’khir.

Percebendo que não estava sonhando, o jovem general levantou-se, tapou o lado esquerdo do rosto e evitou o contato visual com o seu amente. Forçou a sua voz a sair firme, para não transparecer a ansiedade. — Bem-vindo a casa, Sal. — Mais nervoso que pensou que ficaria, Arkon virou as costas ao sacerdote e levantou-se da cama, caminhando até ficar na entrada da varanda.

A fronte de Saludja enrugou-se com a atitude estranha do seu companheiro. Arkon nunca evitava-o ou colocava alguma espécie de distância entre eles. Seguiu-o, parando a dois passos atrás dele, relembrando-se do que Khan dissera-lhe que Arkon estava diferente.

— Arkon o que aconteceu? — Os seus dedos formigavam para tocarem no seu amante, assim que viu um leve tremor nos ombros cobertos pela túnica. Ele próprio começou a tremer.

A aflição de Arkon chocalhava o seu corpo com nervos, não baixando a mão que protegia o seu rosto. Amaldiçoou-se por ter tirado o tapa-olho para dormir e oxigenar o seu ferimento, que estava curando mas o aspeto não era o mais agradável de ser visto.

Impaciente por não obter uma resposta o sacerdote virou Arkon para a sua frente abruptamente. Sustendo a sua respiração ao ver o rosto quase desfigurado de Arkon. Vários cristais e decorações de vidro estalaram simultaneamente, cacos de vidros espalharam-se e voaram em todas as direções do quarto. A fúria borbulhava dentro do sacerdote como ferro incandescente, dentro do seu estômago.

— Aposto que estás enojado. — O general baixou o rosto com um sorriso fraco. O seu coração batendo descompassadamente.

Preocupação encheu o rosto de Saludja, ele fechou os olhos e abriu-os respirando fundo. Segurou o rosto do moreno com as duas mãos e obrigou-o a olha-lo. — Ya hayate. Minha vida. — Sem meias medidas Salduja colou os lábios no olho dilacerado, a pálpebra havia sido completamente arrancada, um profundo corte vertical no rosto passava pelo globo ocular até ao queixo. Arkon nunca parecera tão depressivo, sensível e carente como naquele momento.

Uma tímida lágrima descia pelo olho bom do general. Arkon abraçou o seu amado com toda a força que possuía. Os carinhos e afetos de Saludja eram a sua única fraqueza e cura.

Saludja não poderia autointitular-se de sacerdote poderoso, se ao menos nem conseguisse curar o seu amado. Dispersou vários beijos leves no rosto do moreno, deixando por último os lábios. A boca de Arkon foi tomada com suavidade apaixonada, assim que os lábios dele deram uma abertura mínima, a língua de Saludja não perdeu tempo em provar o néctar doce do interior da boca do seu amado. Tornando-se um beijo áspero que esperavam acalentar as saudades dos dois amantes, mas nem de perto satisfaria a necessidade. Isso teria que servir por agora. Quando se separaram pela falta de ar, os dois abraçaram-se apertadamente.

— Não penses em usar a tua magia para curar-me. É um aviso, uma ameaça, entende como preferires Sal. — Arkon murmurou ainda nos braços do seu amante, olhando-o severamente. Tocando na mecha de cabelos brancos na franja de Saludja. Dava-lhe uma característica que Arkon não conseguiu definir. Acrescentava mais carisma, qualidade que Saludja já transbordava.

O sacerdote não levou a sério as palavras do seu amado, é claro que ele ia cura-lo, só precisava do momento certo para isso. O ideal seria quando Arkon estivesse dormindo.

— Preciso de um banho. — Saludja colocou o ar mais inocente que pôde e evitou dar uma resposta.

Arkon revirou o seu olho bom, não deixando Saludja levar a melhor, entrar em discussão só serviria para ele perder a paciência. Ninguém era mais teimoso que a sua raposa-do-deserto astuta. Pegou no tapa-olho em cima da mesinha de apoio ao lado da cama, e colocou-o, sentia-se mais confortável assim. Pegou no braço dele e levou-o para a sala do banho, a piscina já continha água limpa, colocada na noite anterior para ser utilizada da manhã. Enquanto Saludja despia-se, Arkon colocava os lírios brancos na água. O ritual que havia aprendido há muitos anos, os lírios brancos simbolizavam a purificação e ajudavam o corpo do sacerdote a revitalizar-se. Dobrou a quantidade, pois o aspeto dele parecia de um quase morto e drenado de energia.

Desfilando até à piscina abanando as ancas em excesso, Saludja entrou na água fresca, suspirando ruidosamente com deleite. Arkon abanou a cabeça murmurando um ''idiota'' com a encenação do seu amado. Seguiu-o até à borda da piscina e ajoelhou-se atrás de Saludja, massageando os ombros aplicando uma força a mais do que o necessário. O sacerdote deitou a sua cabeça no colo do moreno e fechou os olhos fechados.

O jovem general acariciou os cabelos alaranjados do mais velho com carinho. Passeou as pontas dos dedos pelas fontes, pressionando ocasionalmente em certas zonas relaxando a tensão. Arkon achou que Saludja havia adormecido, a sua respiração ficou mais lenta. Depois desse pensamento o jovem depositou um beijo ligeiro na testa do seu amado. Saludja abriu os olhos lentamente, olhando intensamente para o castanho-escuro mais quente que já viu. O sacerdote colocou uma mão na nuca de Arkon, e obrigou-o a baixar o rosto até ao nível dos seus lábios.

Beijaram-se de forma lenta e densa, degustando o sabor um do outro com tempo. As línguas tocando-se com paixão. Não de todo um beijo com conotação sexual, mas repleto de afeto e sentimento que as duas almas sentiam. A necessidade pura de sentirem um ao outro era o que significava aquele beijo.

Saludja foi o primeiro a separar as bocas, no entanto permaneceram com os lábios próximos. — Senti saudades tuas Arkon.

As bochechas do general tingiram-se levemente de vermelho, ao admitir que também sentira muita falta do seu homem. — Eu também Sal. — Arkon levantou-se para ir buscar uma toalha para seca-lo. — Termina o teu banho, por favor.

Como era de se esperar da eficiência dos servos do palácio, na mesa de refeições da sala já estavam várias comidas servidas. Assim como os cacos de vidros explodidos por Saludja já haviam sido recolhidos.

Saludja mergulhou na água pela última vez, saiu da piscina quando Arkon regressou com a sua toalha, ajudando-o a secar e retirar algumas pétalas de lírio que se colaram ao corpo molhado. Depois disso o sacerdote ficou como estava, nu, sentia-se mas confortável assim. Ambos sentaram-se para comer, entre conversa trivial, risadas e carinhos. Foi a refeição perfeita. Sentindo-se preguiçoso, Saludja deitou a sua cabeça no colo do seu amante. — Alimenta-me, amor.

— Regrediste para uma criança mimada, foi? — Arkon pegou numa fatia de queijo de cabra e levou-a à boca dele. Enquanto uma mão estava ocupada a alimentar Saludja, a outra dedicou-se a acariciar os cabelos laranja. Não pôde evitar olhar para o magnífico corpo do seu amante, ali completamente exposto à sua frente. A masculinidade de Sal continuava flácida mesmo com as suas caricias, Arkon compreendia que o extremo cansaço sempre fizera isso com ele. Em outro dia qualquer, Saludja parecia ser uma chama querendo ser alimentada a toda a hora, vulgo ter sexo a todo o instante em que se encontravam.

Todavia o moreno não poderia deixar de babar no pênis do seu amado. Livre de pelos pubianos a pele era mais macia e mais fácil de lamber. Interrompido por um pigarrear Arkon olhou para o preguiçoso no seu colo. Vingativo o general pegou em três uvas e enfiou-as na boca do sacerdote.

— Ei! Isso seria um atentado contra a vida do sumo-sacerdote. — Salduja tossiu fora as uvas. Servia de lição, para não interromper Arkon enquanto ele devorava o seu corpo com os olhos.

— Morde-me. — Arkon bateu nas costas do seu amante para o ajudar a desengasgar.

Tomando a palavra à letra, o sacerdote prendeu o moreno em baixo de si e mordeu-lhe o pescoço, sem gentileza. Um gemido de contentamento saiu de Arkon, ele possuía o estranho hábito de gostar quando Saludja era mais bruto.

Depois de constatar que ficaria ali uma marca bem visível, o sacerdote assentou um beijo em cima dela. — Vem, eu preciso dormir. — O olhar laranja intensificou-se olhando no rosto da outra metade da sua vida. Ele nunca soube muito bem como conseguia ter sentimentos tão fortes por Arkon. Qualquer outro ser humano não significava nada, nem chegava perto do que sentia por ele. Saludja retirou o tapa-olho antes de levantar os dois do chão.

— Não faças isso, eu não gosto. — O general sentia-se bastante desconfortável, não queria algo como pena, ou o excesso de demonstração que o seu olho perdido não significava nada. O desconforto aumentava quando era Saludja fazendo isso.

Ignorando o protesto de Arkon, o sacerdote depositou um beijo na testa dele. — Não sabia que eu poderia desenvolver um fetiche por ferimentos. — Para demonstrar o que quis dizer Saludja roçou o seu pênis semirrígido na virilha do seu amante.

— Oh por Rá! Para com isso idiota! — Sexo era a última coisa que Arkon queria quando o seu amante estava esgotado. Não iria dar nada a ele sem antes dormir por um ou dois dias. Arrastou-o até à cama e empurrou-o. Tirou a sua túnica e subiu igualmente na cama, aninhou-se contra Saludja. — Vamos dormir.

— Por tua conta e risco habibi. — Saludja rendendo-se, puxou Arkon para mais perto e deslizou a sua mão até agarrar a nádega dele e apertar. Assim ele iria dormir mais satisfeito. Suspirando, o moreno encostou a sua cabeça no ombro do seu amante, deixando o silêncio transformar-se em sono.

.OoO.

Choro alto despertou Rouge, não era uma maneira usual de ele acordar. Esperou alguns momentos para dispersar a sonolência, e saber se estava sonhando ou não. Quando o choro de criança entoou nos ouvidos do ruivo, assustou-se. Levantou-se em um pulo e buscou a sua túnica de dormir jogada no chão. O seu corpo ressentiu-se com o entusiasmo da noite passada. Khan era gentil com ele, mas acabava sempre dolorido e com ardência no seu ânus e vários chupões roxos pelo corpo, mesmo usando os óleos lubrificantes. Com a prática o corpo dele aceitaria melhor o sexo entre dois homens, essa fora a explicação de Khan, o ruivo ficou em dúvida quanto a isso.

A aflição fez Rouge esquecer-se do guarda inerte no canto do quarto, e expôs o seu corpo enquanto vestia-se. Cada vez que ele ficava sozinho sem Khan, pelo menos um guarda ficaria observando-o de perto, insistência do rei. Rápido, chegou às portas que fazia a ligação do seu quarto ao das crianças. Com a mudança do faraó para o seu quarto, as crianças mudaram-se para onde quer que o pai fosse. Khan não gostava do comodo real, demasiado grande e impessoal, e como já tinha boas memórias feitas no quarto de Rouge escolheu ficar por ali.

O que viu chocou-o. Os seus olhos recaíram sobre uma bacia de cobre com pedras incandescentes pelas brasas e fogo, dois ferros com abas largas estavam espetados dentro das pedras ferventes. Nadhirra chorava a sua alma quando a serva pegava nos seus cachos e passava o ferro alisando-os. Rouge ficou tão chocado com tanta coisa mostrada naquela cena, que ficou mudo por instantes. Não fazia a mínima ideia que havia algo assim naquele tempo, um alisador de cabelos da antiguidade. A passividade das mulheres quanto ao choro da princesa despertou a fúria do ruivo. — Parem com esse absurdo! — A produção da aparência dos filhos do faraó era sinônimo de poder.

Atônitas pela interrupção, as criadas esbugalharam os olhos, não percebem o que estavam a fazer de errado. — Alteza? — Rouge ganhara esse título desde que regressaram da viagem.

O ruivo andou até à princesa e pegou-a ao colo. Passando a mão pelos cabelos que estavam sendo esticados sentiu-os a ferver. Através da visão turva pelas copiosas lágrimas, Nadhirra percebeu quem era o seu salvador, assim que olhou no rosto de Rouge, abraçou-o apertado pelo pescoço. — Shh... está tudo bem agora pequena. — Tentou acalmar os soluços da pequena. Olhou em redor procurando por Kanope, encontrou-o sentado no chão brincando, já vestido e adornado com as desconfortáveis e pesadas joias de ouro. — Kanope vem.

O príncipe não precisou de uma segundo ordem, deixou os seus brinquedos e segurou na mão da sua Umm. Confuso por o ver ali, ficou curioso para saber para onde iriam.

— Estão dispensadas, podem ir. — Rouge virou as costas às servas e andou de volta para o seu quarto.

— Mas alteza, os príncipes… — Uma das mulheres tentou explicar, que as crianças precisariam estar prontas para irem para as suas atividades na Per Ankh.

Rouge olhou por cima do ombro, sem a usual gentileza nos olhos azuis. — Não me façam repetir. — O ruivo não se sentiu incomodado por ser rude, naquele instante não se importava. De volta ao seu quarto colocou Nadhirra na cama, teve que convence-la a deixa-lo com a promessa que poderia ficar no seu colo durante o resto do dia.

— Alteza? — Sahib fechou as portas duplas que separavam os quartos. Preocupada, a serva aproximou-se do ruivo e dos príncipes. Não entendeu o que acontecera no breve período em que saiu para buscar o desjejum. Sahib lançou olhares furtivos para o guarda presente no quarto, percebendo que ele também não estava certo se deveria fazer algo. — O que aconteceu?

— Preciso de uma tesoura Sahib. — Rouge pediu com convicção, enquanto retirava os pesados colares de Nadhirra, os braceletes e pulseiras em exagerado número, acrescentavam um peso extra que uma criança de dois anos não deveria acarretar. Igualmente nas orelhas da menina havia brincos com tamanho e largura inapropriados. O inglês não se importou que aqueles costumes fossem culturais, ou que ele estava milénios retrocedidos no tempo.

Sem hesitar, Sahib colocou uma elegante prateada tesoura pontiaguda na mão do seu senhor. Rouge inspirou fundo e pegou numa mecha de cabelo da princesa e cortou-a, cortou os cabelos incrivelmente cacheados até à altura do pescoço dela. Imaginando a tortura que a menina era exposta todos os dias para entrar no padrão da beleza exigida. Satisfeito consigo mesmo por ter cortado com esmero o cabelo de Nadhirra, Rouge limpou o rosto dela, molhado pelas lágrimas. — Já está tudo bem, não chora mais meu amor.

Respondendo às palavras da sua nova mãe, Nadhirra cessou o choro, acabando por ficar só soluçando. — Umm, cabeça dói. — A menina levou a sua mãozinha até ao lado onde os ferros alisadores incandescentes passaram.

— Não vai doer mais querida. — Rouge deu um leve beijo na testa da menina. Sentindo-se um hipócrita achar que não se deveria modificar a natureza da própria aparência. Pois ele mesmo usava produtos químicos para domar o seu cabelo, que ele tanto detestava. Agora com o seu cabelo mais comprido e sem os químicos, a sua verdadeira forma estava-se revelando, os cabelos rubros eram ondulados com muitos jeitos rebeldes. Mas nada justificava a barbaridade feita com uma criança em nome da beleza.

Kanope querendo atenção também aproximou-se de Rouge. — Mãe, quero beijo também.

O pedido do menino surpreendeu Rouge, os grandes olhos dourados suplicando, deu a sensação que estava olhando para um filhote de cachorrinho. Sorrindo, Rouge ofereceu um beijo na testa de Kanope, exatamente como fizera com a irmã.

— A minha barriga dói mãe, preciso de outro. — Kanope conseguiu fazer a sua expressão de dor infantil fingida. — Oh é mesmo?! Precisamos ir ver o médico então. — Rouge viu a suposta dor de barriga desaparecer, não conteve a gargalhada. Ru, o seu gato, presente de Khan, escolheu esse momento para ir até às pernas do seu dono e esfregar-se nelas, miando. Vendo a felicidade do seu dono enquanto ele esperava para ser alimentado, o pequeno gato não poderia permitir isso.

Conhecendo aquele miado, Rouge parou de rir e coçou atrás das orelhas do gato. O gato careca estava mais crescido e gorducho, de certa forma o seu porte felino exalava realeza e elegância. Até os gatos do palácio era distinguidos dos demais, as suas orelhas eram adornadas com argolas de ouro e prata, também chegavam a usar pequenas gargantilhas incrustaras com pedras preciosas. As verdadeiras coleiras de luxo. Contudo Ru não usava coleira. — Fome? — Rouge tinha três bocas para alimentar e não sabia para onde se virar, até Sahib fazer a sua presença notada de novo.

— Alteza, o seu banho está preparado. Pode ir que eu cuido das coisas aqui. — A criada ofereceu-se para auxiliar o seu amo.

Rouge olhou para a mulher como um anjo salvador, Sahib encontrava-se sempre pronta para o socorrer. Vermelho tingiu as bochechas de Rouge, ao lembrar-se que ainda tinha o odor de Khan no seu corpo, fruto da noite de paixão. Suor e esperma ressequido na sua pele não era o mais adequado para tratar de assuntos relacionados com crianças. — Obrigado. — Agradecendo a discrição de Sahib, Rouge murmurou um agradecimento, dirigindo-se para a sala do banho. Após isso Rouge teria um assunto muito sério para discutir com Khan.

.OoO.

Alguns anos antes.

— Precisamos ir buscar Jafir antes de irmos. — Saludja relembrou, enquanto andavam furtivamente pelos corredores naquela hora da noite. O jovem príncipe herdeiro verificou se o caminho estava livre, ou teriam grandes problemas se fossem flagrados. Apesar da idade do príncipe e do aprendiz de sacerdote ser já adulta, seria um problema se ambos fossem descobertos tentando sair do palácio pela noite. Aos dezoito anos, Khan ainda era obrigado a ser escoltado pelos guardas para onde quer que fosse. Sendo o único herdeiro, o rei não facilitava nem descontraia com a segurança do seu filho.

Normalmente as saídas noturnas do príncipe e do sacerdote eram para a cidade. Tebas oferecia uma vida noturna em certa parte da cidade, que não acontecia durante o dia. Satisfação carnal e rios de álcool corriam abundante na casa dos prazeres. A prostituição era estreitamente proibida no reino, mas a Casa de Anuket conseguia mascarar os prazeres pagos com um espaço de danças exóticas. Um ponto de encontro de lazer fantasiado para os mais abastados.

— Saludja, tu és uma péssima influência para Jafir. — Khan riu para o amigo enquanto encolhiam-se contra a parede, para evitarem serem vistos por dois guardas passando pelo corredor. Quando o caminho ficou livre, os dois fizeram os últimos metros para o quarto de Jafir correndo.

— Só estou ensinando a ele a viver um pouco. — O jovem aprendiz simpatizou com o outro introvertido e tímido aprendiz de sacerdote. Na Per Ankh onde recebiam a educação necessária, os dois permaneciam juntos ajudando um ao outro. Enquanto Saludja escolheu a medicina como paixão própria que queria exercer, Jafir ficou unicamente pelo sacerdócio. Não havia disputas pelo lugar de sumo-sacerdote, pois a pessoa que iria ocupar esse lugar já estava marcada para tal efeito. As marcas tribais no rosto de Saludja designavam-no como o segundo homem mais poderoso a seguir ao faraó. No futuro seria assim. Contudo ser sacerdote era uma honra e uma grande satisfação em servir os deuses.

Os dois arruaceiros chegaram à ala da Per Ankh onde ficavam os dormitórios dos aprendizes. O quarto de Saludja ficava na ala perto do sumo-sacerdote, pois assim esperavam que pudessem controlar o jovem rebelde.

Assim que Khan entrou disparado pela porta do quarto, os seus ocupantes pararam de conversar, rir e de se mexerem. Todos ficaram encarando o príncipe estupefactos. Khan foi empurrado por Salduja invadindo o espaço do mesmo jeito que ele. Recuperando o equilíbrio, Khan endireitou-se e saudou os jovens coçando a sua cabeça. — Olá! Está uma boa noite para uma inspeção surpresa, não acham?

Jafir estava num almofada ao canto com um pergaminho nas mãos, sorriu para o príncipe e para Saludja. Um sorriso impercetível, ele não conseguia expressar muito bem as emoções, logo não era bom em lidar com as pessoas e muito menos fazer amizades.

— Oh, ali está ele! — Saludja correu até Jafir e pegou no seu braço fazendo-o levantar. — Vamos.

Jafir confuso olhou entre os dois e franziu a sua testa. — Para onde?

— Viver a vida. — Saludja respondeu solenemente. Jafir nunca gostou muito dos planos de Saludja.

Khan estava conversando com os outros sacerdotes, que agora estavam rodeando-o com curiosidade. Não eram todos os dias que conseguiam ver e muito menos conversar com o príncipe herdeiro. Depois de prometer que estavam convidados para alguns divertimentos de lazer, Khan despediu-se dos futuros sacerdotes.

— Importam-se de me dizer para onde vamos? — Jafir fugiu do aperto de Saludja preferindo ficar ao lado do príncipe. Não se importando muito em olhar para Khan com os olhos brilhando.

— Casa de Anuket. — Khan respondeu com um sorriso. Jafir ficou uns momentos olhando para ele sem expressão no rosto. Haviam-no tirado do quarto para ir para um puteiro. Para ver o príncipe sujar o seu corpo com as prostitutas. No palácio havia poucas concubinas, mas elas serviam ao rei, depois da morte da sua primeira esposa, e por consequente também serviam ao príncipe. Jafir ouvia dizer que Khan não frequentava muito o harém, o que aliviava-o.

O jovem aprendiz remeteu-se ao silêncio e seguiu os outros dois, sabendo que não iria deixar as mãos das pessoas sujas tocarem-no.

— Estamos preocupados contigo, dezoito anos e ainda virgem Jafir! — Saludja liderou o caminho para os portões do palácio. O caminho que usavam era menos usado àquela hora, três cavalos já estavam prontos e esperando fora do palácio, para os levar à cidade.

Corando um pouco com a indiscrição de Saludja, irritação aflorou dentro de Jafir. — Creio que isso não é assunto que te diga respeito.

— Hum pode ser, mas a natalidade é muito importante para o nosso país. — Saludja afirmou chocado. Um falso choque que fez Khan rebentar em gargalhadas, formando lágrimas nos cantos dos olhos. — Tu és tão imbecil, pelo amor dos deuses. — Diminuiu o som da sua voz, não querendo chamar mais a atenção dos guardas, se eles já não haviam sido alertados pelas risadas.

Os três rapazes foram abruptamente parados quando uma adaga caiu aos pés de Saludja. O jovem sacerdote olhou para cima, procurando o dono da faca. Um leve movimento e uma sombra sentada em cima da muralha chamou a atenção dele. — Arkon desce daí.

— Se querem ser discretos deviam ser menos barulhentos e mais rápidos. — A voz do garoto era tão baixa mas clara, o garoto estava coberto com as sombras da noite. Arkon estava na terceira noite da sua vigia, os treinos medjay agora incluíam a utilização das sombras como complemento de fazer a sua presença passar despercebida. Os guerreiros sem rosto entravam e saiam de qualquer sítio sem serem vistos. E só revelavam a sua presença no momento em que tiravam a vida a alguém.

Aos doze anos Arkon fizera muitos progressos nos seus treinos, os seus tutores estavam bastante orgulhosos do seu desempenho, e esperavam grandes feitos dele no futuro. Arkon mudara bastante desde que chegara ali, crescera mais, estava ganhando mais massa muscular e o seu corpo estava ficando mais definido. Contudo continuava a ser magro.

Com a graciosidade felina Arkon desceu da muralha, e aterrou no chão com o menor ruido possível. Mostrou o seu respeito para com o príncipe herdeiro curvando-se ligeiramente. — Alteza.

Saludja pegou na adaga cravada perto dos seus pés e entregou-a a Arkon. Os olhos laranja fixaram-se no rosto do garoto, Arkon não era a pessoa que queria ver agora. A sua sanidade já estava bastante abalada e consequentemente a relação dos dois já não era a mesma. A proximidade e cumplicidade que ambos usufruíam terminaram, só restavam as conversas vagas. Não que o jovem quisesse que assim fosse, mas não poderia colocar as mãos em Arkon de um jeito impuro. — O que estás a fazer aqui?

Arkon pegou no punhal estendido na mão do mais velho, e recolocou-o no seu suporte preso à sua coxa. — Patrulhando. Os soldados vão trocar o seu turno duas horas antes do nascer do sol. — O garoto aconselhou-os, sabendo que precisavam voltar para o palácio sem serem vistos. Arkon curvou-se mais uma vez para o príncipe.

— Obrigado. Só não te levaremos junto, por seres demasiado novo. Daqui a dois anos andaremos todos juntos na vida noturna. — Khan bagunceou os cabelos de Arkon.

Saludja deu um olhar feio a Khan. Achou a sugestão um autêntico absurdo. Jafir observou em silêncio, não entendendo o que estava acontecendo. Olhou com apreensão o jeito que Khan tratou o garoto, estava claro que ele gostava daquele garoto.

— Vamos. — Saludja abriu os portões e saiu, sendo seguido pelos outros dois. Logo partindo para a cidade.

.OoO.

Rouge pediu a Sahib para enviar uma mensagem para a Per Ankh, dizendo que os príncipes estariam ausentes das suas atividades educacionais. O ruivo esperou que isso não fosse formar algum tumulto indesejado. Ele pretendia dar um dia diferente às crianças, estava confirmado que faltar um dia à escola até fazia bem às crianças de vez em quando. Não achava que fosse diferente com duas crianças filhos de um rei, numa era de dois mil anos atrás no tempo.

Pediu a Sahib para colocar uma tenda em um dos jardins, para que ele e as crianças pudessem desfrutar de algum tempo ao ar livre. Foi escolhido o jardim Safira, o primeiro que o ruivo conhecera, a fonte ajudaria a refrescar com a sua água fresca sempre correndo.

Terminado de vestir-se e ter trançando os cabelos, Rouge comeu algo rápido. Pegou em Nadhirra ao colo e deu a mão a Kanope, os três saíram do quarto. Rouge precisava falar com Khan, depois de saber a sua localização, e com os vários meses deambulando pelo palácio, ele já conseguia encontrar o seu destino com mais facilidade.

Naquele dia Khan encontrava-se com um pequeno grupo de ministros da corte, Rouge ficou meio relutante quanto a ir conversar com ele. Não iria incomoda-lo se o que tinha para falar não fosse importante. Atendendo às suas preces vislumbrou a silhueta de Khan por entre as colunas de mármore.

Não foi preciso chegar perto para Khan dar pela sua aproximação. Alguém obviamente já o havia alertado. Rouge não conseguia passar despercebido, o vermelho do seu cabelo reluzia como um archote por onde quer que passasse naquele palácio. Encontrou Khan a meio do caminho, o sorriso aberto que colou-se à boca dele quase fez Rouge esquecer-se do que tinha que fazer ali. Derreteu-se por saber que um homem como aquele gostava dele, e desejava-o. Na loucura Rouge aceitara casar-se com ele. Basicamente um rei egípcio seria o seu marido, voltar para o seu tempo agora era impossível e indesejável. Rouge estava apaixonado por aquele homem viril e atencioso.

O sorriso de Khan desapareceu quando notou a expressão carregada no lindo rosto de Rouge. Os seus filhos estavam com ele, apreensivo Khan analisou os três em busca de algo errado neles. — O que aconteceu?

— Pai, cabelo novo. — Nadhirra disse sem levantar o seu rosto do ombro da sua mãe adotante. Khan pegou um cachinho com as pontas dos dedos, não se lembrava da última vez que tinha visto o cabelo de Nadhirra assim. Fazia-o lembrar a mãe de Nadhirra. — Linda. — Depositou um beijo na bochecha da sua filha, o sorrisinho dela sempre o animava em qualquer momento.

Rouge sorriu com o momento entre pai e filha. Logo a atenção de Khan recaiu em Kanope, o tímido menino segurava a mão do ruivo com as duas mãos, ficando muito próximo a ele. O rei desceu à altura do seu filho e abriu os seus braços. Kanope não hesitou em abraçar o seu pai. — Estamos ficando bem fortes não estamos? Abraço de tigre. — Khan brincou com o seu filho. Levantou-se com Kanope ao colo e finalmente colocou toda a sua atenção em Rouge.

— Oi. — Rouge ficou hipnotizado pelo ouro líquido dos olhos de Khan. O sorriso o outro deixava-o com um formigueiro pelo corpo inteiro. O rei acomodou melhor Kanope no seu braço para ficar com o outro braço livre. Khan acariciou gentilmente a bochecha de Rouge com o polegar, deslizou os dedos pelo queixo dele erguendo-o na sua direção. Os lábios ávidos do rei reclamaram a boca do ruivo com paixão. O beijo foi intenso e caloroso transmitindo muitas palavras, e emoções que só poderiam ser sentidas pelos dois através do beijo. A demonstração de carinho foi intensa mas curta, Khan separou as bocas para frustração do ruivo.

Tendo a intenção de provocar mais a sua deliciosa joia, o rei colou os seus lábios perto da orelha do ruivo. Sussurrou — Como está o teu corpo, meu amor?

Rouge sabia que Khan jogava sujo, o respirar contra a sua orelha era um golpe baixo. Um arrepio desceu pela espinha do ruivo. Sentindo a tensão do seu amante o rei sorriu inocente.

— O meu corpo está bem! Mas não foi para isto que eu vim procurar-te. — Rouge recompôs-se, a parte lúcida do seu cérebro não lhe falhou, nem deixou ele desligar-se da razão. Nadhirra escolheu esse momento para se entediar e pedir para ser colocada no chão. Assim que a menina chegou no chão, virou a sua atenção para um grupo de pássaros, pousados ali perto. O seu irmão fez o mesmo, deixou o colo do pai e foi brincar.

Agora que estavam os dois sozinhos, Khan mostrou deixou a sua preocupação fluir. — O que se passa?

— Eu sei que o que vou pedir é estranho, mas é o que eu acho que é o melhor. — Rouge mediu as suas palavras, os seus olhos nunca desviando do rosto confuso de Khan. A veracidade do seu pedido tinha que estar refletida no seu olhar.

— Rouge, amor, fala de uma vez por favor! — Khan pegou as mãos de Rouge e apertou-as entre as suas, buscando controlar a ansiedade crescente.

— Eu quero cuidar da rotina dos teus filhos. Cuidar das necessidades da Nadhirra e Kanope, apesar de eu não saber nada sobre isso. Eu não gosto da maneira severa com que duas crianças são tratadas no seu cotidiano. — Rouge falou tudo em uma batida de coração. Ficando orgulhoso de si mesmo por a sua voz não ter falhado. O seu pedido dito em voz alta pareceu que ele estava querendo algum poder, isso deixou-o desconfortável. Não queria que Khan o interpretasse errado. Mordeu o seu lábio inferior perguntando-se se fizera bem ou não ter tomado essa decisão.

Khan ficou encarando-o sem dizer nada por instantes. Contudo aliviado por não ser nada de grave. Ouvir Rouge dizendo que queria envolver-se com a rotina dos seus filhos, aqueceu o seu coração. O interior de Khan ficou muito mais quente, que um dia inteiro no deserto. Beijou as palmas das mãos pálidas do ruivo, e sorriu levemente. — Kanope e Nadhirra já são teus filhos. Não precisas pedir permissão para isso. Alguém os destratou? — O rosto de Khan ficou sombrio com o pensamento de algum ser vivo maltratar os seus filhos.

— Não! Eu só não aprecio o tratamento de adulto neles, ninguém encostou um dedo neles. — Os olhos de Rouge abriram-se com a possibilidade de ele ter criado algum problema para as pobres servas. A suspeita de Khan dissipou-se, se a sua joia disse que nada de mal acontecera às crianças ele iria acreditar, sem piscar em dúvida. — Meu adorável Rouge… — O rei suspirou apaixonado.

— Acho que tens pessoas esperando por ti, Khan. — Rouge estava em ponto de açúcar derretido. Mais um pouco e ele estaria salivando de ansiedade para ser tomado pelo seu faraó.

Suspirando pesadamente, o rei soube que Rouge tinha razão. Os seus deveres estavam esperando por ele, não pôde evitar distrair-se, porque Rouge era a melhor distração que poderia haver. Bastava segundos ao lado dele para Khan esquecer-se do mundo, e talvez até de como respirar. — Eu vou, mas mais tarde quero uma recompensa. — Os olhos dourados brilharam com as possibilidades de entretenimento para aquela noite. Não deu tempo para Rouge responder, roubou mais um beijo de tirar o folego aos dois.

Khan enfiou a sua língua pouco amistosa no interior doce da boca de Rouge. Reclamando o que era seu com possessividade. Rouge agradeceu mentalmente por Khan estar segurando o seu rosto com as suas duas mãos, caso contrário as pernas dele teriam falhado de tão bambas que ficaram. Esse tipo de beijo dava-lhe calafrios no estômago. Quando Khan ficou satisfeito em sugar toda a boca do ruivo, parou o beijo. Rouge abriu um pouco os olhos anestesiado. A sua boca assim como o resto do seu corpo formigavam.

O ouro liquido do olhar do rei escureceu, transformando-o em olhos felinos demonstrando claramente que Khan ainda não estava satisfeito. Khan observou o rosto mais belo de todos os reinos bem na sua frente, a expressão de deleite no rosto de Rouge deixou-o orgulhoso. A sua joia estava a ponto de derreter-se nos seus braços por causa de meros beijos. Os lábios cheios encontravam-se vermelhos e úmidos. Estavam no ponto certo para os ter rodeando o seu pênis.

— Preciso ir, nos veremos mais tarde Rouge. — Khan depositou um beijo na testa do ruivo despedindo-se dele.

O transe de Rouge rebentou-se como uma bolha, Khan nunca o chamava pelo seu nome. Normalmente só o chamava pelos vários apelidos, ter o seu nome dito por voz rouca, baixa e muito masculina deixou Rouge arrepiado. Viu o rei a afastar-se de si, as costas morenas marcadas pelos músculos definidos, a bunda firme e pernas musculadas era um orgasmo para a sua visão. Um saio de linho nunca fora uma peça de roupa tão sensual.

Os gritos das crianças fizeram Rouge acordar das suas divagações sexuais. Bateu com as duas mãos no seu rosto, para espantar os pensamentos inadequados e chamou as crianças.

.OoO.

Arkon acordou em cima do peito do seu amado, com surpresa reparou que o sol ainda brilhava. Outra coisa que surpreendeu o jovem foi a sua visão, ele estava vendo com dois olhos. Deslizou os seus dedos no olho que devia estar ferido, mas no lugar das crostas cicatrizadas estava o seu olho como novo. Pálpebra e glóbulo ocular reconstituídos. Arkon evitou suspirar de exasperação, mas rolou os olhos, Saludja nunca aceitava as escolhas dele.

Lentamente saiu abraço de Saludja e com cuidado saiu da cama, foi até um dos móveis do quarto e pegou num espelho de mão. O moreno sabia que o seu companheiro tinha um senso de humor muito diferente e peculiar, só não achou que ele usasse isso para restaurar o seu olho. No lugar do olho perdido, Arkon possuía um olho felino, o tom amarelo-dourado contrastava com o seu outro olho castanho-escuro. A pupila era redonda mas transformou-se numa fenda negra quando Arkon pensou nisso.

O jovem voltou para a cama caminhando lentamente, apreciando o seu amado adormecido. A ponta do lençol tapando unicamente o pênis dele. A paz no rosto de Saludja aqueceu o coração de Arkon. Quase que sentiu-se tentado a não fazer o que tinha em mente e deixa-lo dormir. O jovem subiu na cama, abriu as pernas de Saludja mais amplas e ajoelhou-se entre elas. Afastou o pedaço de lençol arrastando o tecido no membro dele de propósito. O sacerdote podia estar dormindo, mas o seu corpo era bem responsivo ao toque de Arkon.

Os dedos do moreno provocaram a ponta do pênis adormecido, Arkon usou a sua unha para raspar delicadamente na carne rosada. Sorrindo com o pequeno gemido adormecido de Saludja, o moreno inclinou o seu rosto de encontro ao pênis não muito adormecido. Dispersou vários beijos ao longo do comprimento, até se focar na glande. Ao primeiro contato com a língua, o pênis de Saludja despertou completamente, deixando o estado flácido para duro.

Entre lambidas e sucção os gemidos de Saludja aumentavam. Arkon levantou os seus olhos do delicioso prêmio e olhou para o seu amante, acordado e cheio de tesão, mesmo com a boca cheia conseguiu sorrir. Apimentando a sucção, Arkon raspou suavemente os dentes na cabeça vermelha e inchada do pênis de Saludja. Virou a sua atenção para os testículos, sugando um cada de vez, apertando-os levemente para dar prazer extra.

— A-Ark-kon… — Saludja gemeu alto. Ser acordado com a boca do seu companheiro no seu pênis, era a maravilha dos deuses. Ele desconfiou que Arkon estava punindo-o por ter curado o seu olho, caso contrário, ele jamais atrever-se-ia a acorda-lo com o seu nível de cansaço. Arkon poderia ser sádico quando estivesse inclinado para isso. As mãos do sacerdote enterraram-se nos cabelos castanhos, movendo os quadris começando a foder a boca do seu amado.

Arkon tomou isso como um incentivo e tomou todo o membro na sua boca. Saliva e pré-gozo escorriam pelos dedos e lábios. O próprio corpo de Arkon estava no seu limite, os músculos anais contraíram-se com a urgência de ter o pênis de Saludja dentro dele.

Saludja não conseguia pensar coerentemente, enquanto o seu pau estava sendo devorado pela boca lasciva, todavia ele sabia que queria estar enterrado dentro do corpo de Arkon quando tivesse o seu orgasmo. E a esse ritmo não iria conseguir segurar-se por muito tempo. O sobe e desce molhado da boca do seu amante no seu pau era uma coisa extraordinária.

— Arko-on para… — O sacerdote implorou gemendo, apertando ligeiramente os cabelos de Arkon. Não atendendo de imediato ao pedido, Arkon sugou o pênis do seu companheiro com mais afinco. O moreno sorriu internamente com o descontrolo dos gemidos do outro. Saludja merecia ser punido por não aceitar as decisões e desejos dele, mesmo que o castigo fosse prazeroso. Vez ou outra Arkon gostava de mostrar o lugar do seu companheiro.

Arkon enrolou a língua na ponta do pênis escorrido de sêmen e saliva, cutucando a fenda. Quando o fez outra quantidade do líquido perlado saiu, assim como mais gemidos de Saludja, os seus cabelos foram o amparo do outro, mas não se importou. Com mais uma sucção Arkon deixou o membro livre do aprisionamento da sua boca, com um barulho de ''pop'' provocado pelo vácuo. Livre, o pênis de Saludja caiu no seu ventre, respingando sêmen.

O general levantou-se com a uma expressão trocista no rosto. Limpou o esperma escorrido dos cantos da sua boca com a língua, o que não conseguiu limpar escorria pelo queixo. Se não soubesse pelo pênis ainda duro e pulsante, Arkon diria que tinha engolido o orgasmo de Saludja, só pela quantidade de líquido que saiu. — Oh, eu acordei-te? Não tinha essa intenção Sal. Só queria agradecer-te pelo meu novo olho.

O sacerdote semicerrou os olhos para o seu amante. Sim, Arkon era um ser maligno. O olho restaurado cabia perfeitamente na personalidade do seu amado, felino e indomesticado. Ele só fizera o favor de o colocar à superfície. Saludja esperara que o moreno adormecesse primeiro, depois fora somente um truque de magia. Custou-lhe um fio de sangue pelo nariz, nada a que não estivesse habituado. Seria ridículo se ele não usasse os seus poderes com a pessoa que ama.

Saludja deu um sorriso torto, recuperado do seu quase orgasmo, sentou-se e estalou os dedos. Cordas douradas apareceram envolvendo o corpo de Arkon. As cordas moviam-se como serpentes na pele, com o corpo imobilizado Arkon caiu de costas no colchão. — Qual é Saludja, eu odeio estas coisas! — A ponta de uma das cordas enrolou-se no pênis duro e ereto de Arkon, passageando-o vagarosamente. A maciez do material das cordas, seda, acrescentavam um toque especial aos movimentos. Arkon revirou os olhos com deleite com os movimentos.

— Não me parece que estejas odiando, ya habibi. — Saludja engatinhou para cima do seu amante, ficando por cima dele sem o tocar, exceto a ponta do seu pênis que continuava a vazar sêmen.

Tanto o olho felino, quanto o olho normal de Arkon dilataram-se, em resposta ao prazer que ainda estava por vir. As cordas começaram a roçar nos seus mamilos, junto com o aperto no pênis fazendo o general delirar. As provocações de Salduja eram infinitas vezes piores e mais intensas que as suas. E Arkon gostava disso, anos depois a vida sexual ainda era bastante ativa e interessante, tudo fruto do amor de ambos e criatividade, ou melhor a magia de Saludja dava uma ajudazinha nas brincadeiras acrobáticas dos dois. — Uhm… Sal… — Arkon queria implorar para ser tomado naquele instante, mas foi traído pela sua mente dormente que não conseguiu formar as palavras. Em pouco tempo o seu abdómen foi depósito para o esperma de Saludja.

Com um estalar de dedos as cordas que aprisionaram o corpo de Arkon desapareceram. Para quase tristeza do mesmo. Saludja colou os corpos friccionando os membros duros um no outro. O esperma derramado no estômago de Arkon serviu para ser lubrificar o ânus do general. Ambos ficaram encarando-se enquanto os dedos de Saludja entravam e saiam estirando os músculos anais.

— Sal… eu p-preciso de ti agor-a. — Os olhos de Arkon estavam nublados de excitação e necessidade pulsante. O sentimento era mútuo, Saludja abandonou os preliminares, abriu as pernas de Arkon e colocou uma delas sobre o seu ombro, e alinhou o seu pênis na entrada úmida. Aos poucos deslizou para a entrada apertada, sendo menos paciente do que ele gostaria, Saludja deu pouco tempo para o canal se acostumasse.

O pênis do sacerdote saiu e voltou a entrar atingindo o ponto doce de Arkon. Ambos beneficiaram com o ato, o aperto em redor do seu membro fez Saludja enlouquecer, e a sensação de preenchimento fez Arkon gemer os seus pulmões. O general abraçou o seu amante como uma âncora, a cada novo movimento dentro dele Arkon cravava as unhas na carne do outro.

A visão selvagem do seu amado gemendo em baixo de si, fez Saludja ficar mais duro e excitado. Revindicou a boca de Arkon, sem um pingo de meiguice, atacou o interior doce como um animal selvagem esfomeado. Dentes misturaram-se com os lábios e línguas, o que deixaria algumas mazelas mas pouco importavam nesse momento. Insatisfeito somente com a boca do seu amante, Saludja queria provar mais. A sua língua deslizou do queixo de Arkon para o pescoço, lambendo e mordiscando o pequeno alto na garganta do outro. As investidas dentro do corpo do jovem nunca pararam, enquanto o sacerdote explorava outras partes do corpo de Arkon.

— P-pelos Deuses… uhm… Sal… — As investidas certeiras contra a sua glândula lasciva, faziam Arkon querer voar e o seu cérebro derreter. O corpo tonificado arqueava-se e colidia contra o de Saludja em busca de mais, suplicando por mais.

Saludja agarrou o queixo do moreno e apertou-o firme, arrancando outro beijo volátil demonstrando possessividade. — Os deuses não têm nada a ver com isto, amor. — Os olhos laranja escurecidos ansiavam por mais expressões de puro prazer carnal. Um movimento mais brusco foi feito dentro do interior de Arkon, nem por isso deixando de ser gostoso. O anel de músculos do ânus de Arkon contraiu-se violentamente. A pouca concentração que o sacerdote possuía impediu-o de ter o orgasmo naquele instante. Ainda não estava preparado para tê-lo, ainda tinha muito prazer para dar a Arkon. Subitamente Saludja parou de se movimentar e saiu de dentro do moreno. Para desespero do jovem, que tentou protestar contra o abandono do pênis dentro do seu corpo.

— De quatro. — A ordem foi dada roucamente, Saludja estava queimando para voltar a enterrar-se dentro do delicioso buraco do seu amante.

Num piscar de olhos o general já estava com o rosto enterrado no colchão, com a sua bunda para cima, pronta para receber o que lhe fora tirado. Saludja lambeu os lábios com a visão, separou as nadegadas, e provocou a entrada sensibilizada pela fricção, com os seus polegares. Arkon gemou sendo abafado pelo colchão. A zona estava extra sensível agora, abundante quantidade de esperma escorria do ânus pelas pernas. Parando de provocar, Salduja recolocou o seu pênis dentro de Arkon, sentindo que era ali que ele pertencia. O sentimento era igual para os dois, não havia nenhum sítio onde pudessem estar mais em paz do que perto um do outro.

As estocadas começaram a ser mais rítmicas e com o objetivo do orgasmo. Os dedos pegajosos de Saludja deslizaram e confinaram o pênis do moreno num aperto. Cobrindo o corpo de Arkon com o seu, a diferença muscular não era em grande escala, mas o corpo de Saludja era um pouco maior e largo. Naquela posição um ponto muito sensível de Arkon ficou exposto. Saludja sugou a nuca até a pele clara ficar vermelha escura. Os sons orgásticos que o seu amante fez foram uma doce melodia para os seus ouvidos. A mão no membro gotejante e implorando por alívio não parou, até Saludja sentir a rigidez do órgão por entre os dedos, avisando a iminente libertação.

Com a chegada do orgasmo o corpo de Arkon já pendia ao ritmo das estocadas de Saludja. Os gemidos altos foram diminuindo para os roucos, o jovem tinha sido muito vocal, um mês sem o toque do seu amado obtinha esse efeito nele. O ato final para ter o seu orgasmo foi Saludja concentrar as caricias na cabeça do seu pênis, o polegar esfregava e cutucava a fenda enquanto o seu traseiro recebia os movimentos rítmicos certeiros ao seu ponto doce. Esvaiu-se em líquido branco-perlado na mão do seu amante com um último gemido.

Saludja quis rugir quando o seu pau foi apertado pelos músculos anais do moreno. Depois de fazer Arkon chegar ao seu orgasmo, era a vez de o seu corpo implorar por alívio. Para facilitar os movimentos Salduja segurou os quadris e perfez mais umas investidas, logo o seu sêmen atingiu o interior de Arkon como uma pedra atingindo um cristal. Incontrolável o seu orgasmo explodiu levando-o a sua cabeça a pender para trás como reflexo. Os movimentos antes frenéticos tornaram-se lentos até Saludja parar completamente, e desabar em cima do seu amante. O pós-clímax teve o efeito anestesiante igual para ambos. Arkon encontrava-se esmagado entre o seu amado e o colchão, não era a melhor posição para conseguir recuperar o folego.

— Sal… não te atrevas a adormecer em cima de mim. — Arkon só conseguiu mover os lábios, tendo forças para retirar os cabelos úmidos do suor do rosto.

Uma risada cansada nasceu no peito de Saludja, muito lentamente rastejou para sair de cima dele. O seu pênis facilmente saiu do canal banhado pelo seu esperma, por ele mesmo, arrastando grandes quantidades de sêmen pelo ânus híper sensível e vermelho de Arkon. O sacerdote deitou-se ao lado do seu amado ainda recuperando o oxigênio. Retirou as mechas dos olhos de Arkon. O singelo sorriso apareceu no rosto dos dois, o amor estava em abundância físico e espiritual era quase palpável e visível. O general reuniu uma forcinha para levantar-se e desabar em cima de Saludja, ronronando os seus sentimentos. — Bhebbak kteer.

Agora sentindo-se pleno o sacerdote poderia descansar completamente. Os braços fecharam-se possessivamente no corpo de Arkon. — Eu também te amo muito, gatinho. — A alusão felina fez o general relembrar da ousadia do outro o presentear com um olho meio felino.

— Ainda não te perdoei. — Não podia entregar-se muito cedo, era assim que o jovem general com centenas de legiões de guerreiros sob o seu poder era.

Saludja sorriu, mas não respondeu. Beijou o topo da cabeça dele e fechou os olhos. O silêncio embalou os dois amantes, envolvendo-os no seu próprio mundo construído por eles.

.OoO.

Rai suspirou em frustração, o intrometido do príncipe ganhara o gosto por ficar esperando por ele em qualquer esquina do palácio. E ele não podia fazer nada contra isso. Dessa vez Ramsés estava encostado perto da cozinha. O servo desfez a sua cara frustração e recolocou a sua máscara de indiferença, como se adivinha-se o príncipe levantou a cabeça nesse momento, abrindo um sorriso de puro contentamento. As vísceras de Rai encolheram-se com o gesto. Apertou o cesto de verga carregado com os legumes do dia, até sentir os dedos abrirem pequenos buracos por entre as fibras.

Ramsés aproximou-se dele, falando com normalidade como se fossem amigos. Rai só queria que ele fosse embora, não bastava ter que vê-lo quando precisava de cuidar das necessidades do príncipe, ainda teria que vê-lo perseguindo-o pelo palácio. O servo usava o tempo que gastava com outras tarefas como refúgio para limpar a mente. Ramsés claramente que não entendia isso, claramente o príncipe não sabia o significado de manter-se distante, ou a indiferença que Rai demonstrava na presença dele.

— Muito atarefado? — Ramsés perguntou olhando para o pesado cesto. — Deixa-me ajudar-te.

Rai não teve intenção de entregar-lhe a sua carga, ele era capaz de fazer o seu trabalho sem ajuda. — Certamente. — Respondeu estoicamente. — Desculpe-me mas estão à minha espera, alteza. — O servo desviou-se do príncipe e continuou o seu caminho entrando na cozinha.

Ramsés franziu as sobrancelhas formando uma carranca, os olhos dourados deitando faíscas de irritação. O desdém do seu servo deixava-o catatónico e sem saber o que fazer. Ele sequer sabia o que havia feito para o outro mostrar tamanha repulsa pela sua pessoa. Contudo Ramsés era cobarde demais para perguntar diretamente o que Rai não gostava nele, tinha medo da verdade. Achava que não conseguiria suportar a rejeição explícita na sua cara. Só restava tentar, insistir e rezar aos deuses que o guiassem. Sem deixar-se abater Ramsés seguiu-o e entrou na cozinha. Por aquela altura os serviçais da cozinha já estavam habituados às visitas aleatórias do príncipe, por isso não se espantavam mais quando ele aparecia. Quando localizou o seu desejo, ele estava recebendo uma pequena bolsa de pele amarelada de um dos servos supervisores. E sim, Rai era o seu desejo.

As palavras de Rai sobre querer ter dinheiro suficiente, para poder ir embora para o país dos seus pais, dançaram como um aviso de perigo na sua cabeça. No mesmo instante uma ideia aflorou-se na sua mente. Arquitetou um plano para impedir isso de acontecer. Ramsés sorriu malicioso. ''Meu, meu, lindo Rai…'' Cantarolou na sua mente. Ramsés ficou por ali observando o seu desejo fazendo as suas tarefas, agradecendo por naquele dia Rai usar somente o saio de linho. Deixando exposto o torso esguio, somente o colar e os braceletes de ouro, a marca que os servos pessoais da realeza usavam, estavam tocando na pele que Ramsés ansiava tocar. Simplesmente lindo e uma dádiva aos olhos do príncipe.

.OoO.

Alheios ao mundo e desfrutando de uma maneira especial, Rouge e as crianças estavam no jardim Safira, protegidos por uma tenda montada especialmente para eles. A tapeçaria a qual estavam sentados poderia cobrir o chão de um quarto inteiro de um apartamento, isso no século XXI. Tudo no palácio era grande, ou enorme, desproporcional ao que o ruivo havia estado habituado. Comidas, doces e bebidas estavam dispostos para o efeito de passar algumas horas ao ar livre. Depois de várias brincadeiras e corridas as energéticas crianças ficaram cansadas, agora os três encontravam-se sentados para Rouge ler uma história infantil. Nadhirra como sempre usou o colo do ruivo como o seu trono, Kanope ficou bem perto de Rouge, segurando o braço dele.

O inglês desenrolou o papiro contendo a história infantil, o Peixinho Vermelho. Ele não a conhecia, havia muita coisa perdida aos longos dos milênios, por isso cada coisa desconhecida que Rouge aprendia era muito enriquecedor, ele ficava realmente feliz. Como arqueólogo funcionava um pouco como contador de histórias, e Rouge fazia isso muito bem. A leve impressão que por ali estavam dando muita importância à cor vermelha. Coincidência. Então quando as crianças já estavam acomodadas e confortáveis, ele começou a contar suavemente a história.

''No centro de formoso jardim, havia grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa.
Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita. Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça. Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos.
Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso. O peixinho vermelho que nadasse, e sofresse. Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome. Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.

(…)

— “Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas?
Grande tolo! Vai-te daqui! Não nos perturbes o bem-estar… Nosso lago é o centro do universo… Ninguém possui vida igual à nossa!…”
Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo. Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca. As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama…''

Após a leitura do conto, Rouge ficou sentindo-se estranho. O peixinho vermelho teve um final feliz. Relembrou-se a sim mesmo, precisou retroceder no tempo para ser notado, transformado em único e apreciado. No século XXI Rouge não possuía nada de especial que o destacasse, era uma pessoa comum, trabalhava e possuía uma família normal sem grandes marcas deixadas no mundo. Certo dia tudo mudara, agora tinha duas crianças ligadas a ele e um faraó na sua cama à noite. O ruivo esperava que o seu final também fosse feliz no seu palácio, igual ao peixinho vermelho.

— Então, o que aprendemos com a história, meninos? — Rouge enrolou o pergaminho e colocou-o de lado. Precisando das duas mãos para amparar uma Nadhirra sonolenta, aconchegou a menina nos seus braços.

— Que não devemos ser gordo? — Kanope analisou a pergunta, encarando a sua Umm com os curiosos.

— Ah, isso também pode ser. — Rouge afastou a franja de Kanope dos olhos, revelando um menino curioso e ansioso para absorver aprendizado. Sorrindo para a inocência de cinco anos.

Perto do jardim as pessoas viam com curiosidade o acampamento montado no meio do jardim. Khan caminhava com um ancião, um dos mais antigos amigos da família. O pouco que observou enquanto conversava com o ancião deixou um aperto no coração do rei. A vontade de Khan era de sair correndo para juntar-se à amorosa e calorosa reunião, entre as três pessoas mais importantes da sua vida. Os carinhos trocados entre Rouge e os seus filhos, encheram o peito do rei com uma felicidade que nunca conhecera antes.

O ancião parou a sua marcha quando percebeu que o rei não estava mais o acompanhando. Invés disso estava encarando imperturbável a famosa pessoa dos rumores, brincando com os pequenos príncipes. — Duas coisas o homem não consegue ocultar: que se embriagou e que está apaixonado.

— Eu não pretendo ocultar isso. Não se oculta a outra metade da vida de um homem. — Khan não desviou os olhos da direção da sua joia e filhos.

— A pessoa que se dedica a impressionar primeiro o coração dos filhos, e só depois o coração do homem, é um companheiro para toda a vida e quem sabe na outra também. — O ancião observou a cena doméstica, a pequena princesa já estava rendida ao seu sono, confortada por uns braços que a amparavam gentilmente.

— A minha outra metade conquistou a mim e aos meus filhos ao primeiro olhar. — Khan sorriu para a imagem da família perfeita que ganhou. Incerto do futuro mas bastante certo quanto ao amor que banhava a sua família.

Notas finais
Vocabulário: S’bah l’khir - Bom dia Ya hayate - Minha vida Umm - Mãe Habibi - Querido Bhebbak kteer - Eu te amo muito. Awwn gente mas eles estão muito amor... tbm queria um amor assim, inveja ç-ç Tinha tanta coisa para dizer que nem lembro, enfim, espero que tenham gostado do cap. :3 Não vai ter actualização até eu actualizar duas outras fics, então fica um cap extra grande haha Os próximos caps a história já vai ficar mais mexida haha... casamento e tal e o primeiro dos quatros acontecimentos ruins e centrais do enredo qq Ah gente, não sou de pedir muito mas tem por aí algumas almas caridosas que façam aquele número 8 das recomendações desaparecer, já está ali há tanto tempo que enjoei ç-ç Até à próxima! Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.