O Acervo do Alquimista
13 Tempo
O senhor de todos os rios…
Arquiteto dos fios do destino.
Tempo, tempo:
Que sempre parece perdido.
Tempo, que se vai tão arredio.
No nascimento tão lúdico e bonito…
No desvanecer, suave e frio.
Tempo, tempo:
O amanhã está contigo.
Tempo, que parece tão corrido.
Posso te fazer um pedido…
Para ser complacente comigo?
Tempo, tempo:
Sei que não fazes amigos,
Tempo, tão inconstante e irrestrito.
E se algumas coisas morrerem comigo…
Terá sido pelos teus implacáveis motivos?
Tempo, tempo:
Eu terei sido vencido?
Tempo, tão peculiar em teu ciclo.
Meu vigor e vaidade…
Vão se perder com a alta idade?
Tempo, tempo:
Pode ser mais gentil com isso?
Tempo, tão arrebatador quanto tenro.
O óbice do que preciso…
Com a necessidade que presencio.
Tempo, tempo:
Tornar-se-á mero capricho?
Tempo, tão desolador quanto infinito.
Tenho andado pensativo…
Como um andarilho perdido.
Tempo, tempo:
O que fará comigo?
Tempo, tão extravagante e introspectivo.
Se te pedir a caridade…
Fará de mim um consorte à parte?
Tempo, tempo:
Sei que não escolhes favoritos.
Tempo, tão singular a seguir sozinho.
Ao acaso perder o rumo…
Procurarei respostas no escuro?
Tempo, tempo:
Sei que tens um humor soturno.
Tempo, tão expoente e taciturno.
Que será do tal futuro…
Quando enfim alçá-lo a fundo?
Tempo, tempo:
Dê-me apenas um segundo.
Tempo, tão raso quanto profundo.
~Gabriel.
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