O senhor de todos os rios…

Arquiteto dos fios do destino.

Tempo, tempo:

Que sempre parece perdido.

Tempo, que se vai tão arredio.


No nascimento tão lúdico e bonito…

No desvanecer, suave e frio.

Tempo, tempo:

O amanhã está contigo.

Tempo, que parece tão corrido.


Posso te fazer um pedido…

Para ser complacente comigo?

Tempo, tempo:

Sei que não fazes amigos,

Tempo, tão inconstante e irrestrito.


E se algumas coisas morrerem comigo…

Terá sido pelos teus implacáveis motivos?

Tempo, tempo:

Eu terei sido vencido?

Tempo, tão peculiar em teu ciclo.


Meu vigor e vaidade…

Vão se perder com a alta idade?

Tempo, tempo:

Pode ser mais gentil com isso?

Tempo, tão arrebatador quanto tenro.


O óbice do que preciso…

Com a necessidade que presencio.

Tempo, tempo:

Tornar-se-á mero capricho?

Tempo, tão desolador quanto infinito.


Tenho andado pensativo…

Como um andarilho perdido.

Tempo, tempo:

O que fará comigo?

Tempo, tão extravagante e introspectivo.


Se te pedir a caridade…

Fará de mim um consorte à parte?

Tempo, tempo:

Sei que não escolhes favoritos.

Tempo, tão singular a seguir sozinho.


Ao acaso perder o rumo…

Procurarei respostas no escuro?

Tempo, tempo:

Sei que tens um humor soturno.

Tempo, tão expoente e taciturno.


Que será do tal futuro…

Quando enfim alçá-lo a fundo?

Tempo, tempo:

Dê-me apenas um segundo.

Tempo, tão raso quanto profundo.

~Gabriel.