O Acervo do Alquimista

14 O Médico & O Monstro


A doença se espalha em meu corpo…

Com a capilaridade de uma teia de aranha.

Os meus pensamentos não são mais meus,

E o movimento de meus dedos arranha

A superfície de uma realidade, que indago a contragosto:

Serei o Doutor ou o monstro?


Sibilantes formas dançam em meus olhos,

No negrume de um abismo de dez metros quadrados.

Quantos segundos já se passaram,

Desde a última vez que realmente pensei em algo?


Sou livre ou estou preso,

Aos estudos de um cientista cansado?

Ou serei eu objeto de um experimento,

Forma clássica de um niilismo ultrapassado.


Notas e anotações eu deixo de lado…

Se um dia escrevi, não recordo;

Se rimei, que ócio.

Não sinto ódio, apenas uma genuína pena,

Em comparar esses versos com algum outro poema.


Não faria disso uma cena…

A doença, como um tique, gera espasmos involuntários.

Será que meus captores me doparam?

Precisariam?

Entorpecido como me encontro, é difícil saber.


Um médico uma vez criou um monstro,

Que muitos confundiam o seu nome.

Chamavam o experimento do experimentador,

Trocando cria por criador.


É fácil se perder entre as pesquisas,

E anotações de um pretérito não tão perfeito.

Eu escrevi? Devo ter me confundido.

Não, eu escrevera é o tempo assertivo.


A doença se mistura à minha mente…

Em sinapses capilares onde já não mais identifico

Qual a voz que mente.

Profundamente, o experimento foi um sucesso ou desastre?

Sinto-me à parte dentro do meu próprio corpo,

Sem saber exatamente se sou o médico ou o monstro.

~Gabriel.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.