O Acervo do Alquimista

1 A Pedra Filosofal


O que faria tendo a eternidade?


A juventude é uma fase ignorante,

Onde se pensa que jamais a morte virá.

Sábia tolice, como alguns sábios podem pontuar.

A morte é apenas uma passagem,

Onde se ruma a uma desconhecida viagem.


Se a beleza não escapasse,

E a mente não adoecesse.

Aquela certeza imatura de ser eterno fosse verdade,

Quais seriam as suas primeiras vontades?


Será que somos feitos para sermos mortais...

Seria isso o que nos une como iguais?

O ciclo final é o mesmo para todos,

Mesmo para nobres, sábios, pobres e tolos.


Porém, um alquimista procura a ruptura...

Trazendo a imortalidade nessas terras pútridas.

Sente-se um deus entre homens, ideal;

Portando entre suas joias uma Pedra Filosofal.


O que fará pelos anos que irá viver,

Longe da sua sina que é morrer?

O quanto vai assimilar da vida, da poesia, da natureza;

Da morte, do desconhecido, da passagem, da estranheza?

De quantas coisas terá certeza?

Quando a sua inata beira o desconhecido desvanecer.


Línguas e palavras soam quase sempre as mesmas...

E o tempo, ele passa, mesmo que diferente para você.

Se puder viver uma eternidade, que diferença faz...

O orvalho que cresce pelas manhãs, a neblina da chuva,

O sabor das maçãs, a inquietante procura?

Tudo isso morre com a ruptura.


A ideia fugaz escapa dos escritos em meu acervo...

Guardo a pedra, com algum receio.

Sei que não devo, porém, há um detalhe inexorável,

Que permanecerá nessas páginas, confortável.


Não é meu dever manchá-los...

Outros sábios, outrora gastos, também o encontraram.

Mantenho o segredo guardado, no meu diário;

Deixem que os alquimistas mais céticos tentem acha-lo.


Porém, uma dúvida real tem me tomado nessa idade...

O que fazer quando se tem apenas a eternidade?

~Gabriel.