O Acampamento
3 Capitulo 2 : Rachel
Capitulo Dois: Rachel
Ao acordar, tinha uma carta em cima de mim, era da Lynn, todos já estavam acordados esperando que eu lesse a carta, pelo visto eles eram loucos o suficiente para também participarem deste desafio mortal.
“Venha vestido melhor, meu amorzinho, desta vez, o monstro que enfrentarás com certeza arranhará! Ah, e tenha cuidado com seus amiginhos, não sei o que pode acontecer com pessoas que não foram convidadas.”
Quando saímos para ir à cantina, o supervisor, Charlie, nos observava com olhos tortos, parecia desconfiado de alguma, comemos rapidamente e fomos para a “atividade natural diária”, desta vez era jardinagem, plantamos pequenos arranjos de flores perto do lago, senti um cheiro estranho vindo perto do bosque, chamei Renata (que era especialista em plantas (sua mãe tinha uma floricultura) para ver se ela podia identificar a planta:
– Nunca vim uma planta assim, será que é uma nova espécie?
Takatto pesquisou e não encontrou nada, levamo-la para a cabine e guardamos, Renata usou seu conhecimento e seu humor para apelidá-la de Cheiroizun ruinus. Decidimos ver se encontrávamos mais daquela planta, podíamos ganhar algum premio se descobríssemos que planta era aquela, dentro do bosque.
Lá dentro era denso, já tínhamos desaparecido da vista do instrutor, não encontramos nenhuma planta nova, mas algo melhor nos chamou a atenção, lá tinha a lapide de Rachel, a menina que morreu no lago, não sei por que eles não a enterraram num cemitério na cidade. Rebecca começou a cavar o tumulo, e abriu o caixão como se não fosse nada.
– Você... Tem graves problemas mentais...
– Que nada, eu tenho costume de xeretar em tudo o que me interessa, se eu ficasse de frescura para explorar, eu não seria metade da mulher que sou hoje!
– Isso mesmo, Rê, falou Renata enquanto mastigava uns salgadinhos, que eram deliciosos alias.
O corpo já estava em decomposição, era feio, mas algo nos chamou a atenção, seu corpo estava arranhado, não parecia algo como suicídio, e sim como assassinato, ela tinha um amuleto em seu pescoço, Rebecca pegou o amuleto, re-enterrou e fomos embora, dava para ouvir o supervisor rugindo de raiva, a desculpa que usamos? Estávamos explorando o lugar e procurando por espécimes raros (Rebecca escondeu o amuleto no momento que ele fitou os olhos nela).
A tarde foi chata, a atividade que iríamos fazer ainda estava comprometida pela queda de energia no dia anterior, então almoçamos e fomos para o lago, ver se encontrávamos alguma coisa no fundo que nos explique um pouco mais sobre Rachel.
E o pior era que tinha, lá no fundo, bem no fundo mesmo havia um painel, parecido com os que tinham no trem, só que mais antigo:
O ultimo desafio você deve enfrentar
Aquilo que tu temes procura lhe conquistar
O ultimo passo você procura evitar
Esta é a sua chance de ganhar
Procure o que temes
E enfrente sem medo
Ignore o que lhe traz receio
E viva sua vida sem anseio
Será que Rachel participou do desafio? Será que ela falhou, por que ela morreu, e o mais importante, quem a matou? Tantas outras perguntas, Lynn teria uma viagem agitada, todos perguntando sobre tudo, coitada. A noite estava chegando, já estávamos jantando, o trem já está vindo!
23h11min! Era hora, todos já estavam prontos e vestidos apropriadamente para batalhar contra o inimaginável, agora eu sei como meus pais se sentem ao escalar montanhas e mergulhar em cavernas mortíferas! A placa de aviso desta vez falava:
Bem vindo ao Jardim Vivo
Pela relva espreitamos
Sua vida de adubo usamos
A rosa que a derrota deslumbra
Ilude quem vê
A beleza da penumbra
Minha real forma irá ascender
– Ah, então eles também vão... A responsabilidade é tua sua viu, falou Lynn me encarando.
– Não se preocupe, não morreremos!
Cada um escolheu um lugar, se sentaram, mas quando eu fui sentar no meu, percebi que tinha uma plaquinha ao meu lado, estava escrito “Reservado para madame Rachel”, estranhei, mas como eu estou num trem demoníaco indo enfrentar um monstro que pelo visto usa plantas, eu não tinha o direito de questionar a lógica do universo.
O lugar tinha uma placa bem discreta, enrolada em vinhas de plantas e com uma aparência de que não vê um reparador há séculos, a entrada para o próximo desafio exibia o nome Jardim Vivo, era um jardim-cemitério abandonado, a luz da lua não ajudava a criar nenhum clima confortante, mas era melhor do que estar sozinho, a única pessoa que parecia calma era Rebecca. Renata se roia de medo, ela prestava atenção ao misero barulho do vento, até que ouvimos um riso:
– EHAHAHAHA! Vocês não são nem um pouco educados, pisando em cima dos meus sobrinhos, que deselegância!
– Mostre-se! Gritou Takatto, que não aparentava ter uma grama de coragem também.
– Há! Você não parece estar preocupada, está, menina dos cabelos castanhos?
Rebecca ria, enquanto esmagava com vontade um canteiro de rosas perto de um tumulo, do nada, elevou-se do chão cipós espinhentos e agarraram no pé dela, ela ficou pendurada de cabeça para baixo!
– Vamos fazer um trato, eu não estou com a mínima vontade de quebrar minhas unhas... De novo, então, eu ficarei com sua amiginha valente, se vocês conseguirem resolver um joguinho simples, eu vos devolverei e calmamente desistirei da luta, simples, mas se vocês perderem, eu a levarei juntamente com vocês, minhas tias precisam de comida nova, hahaha!
A criatura tinha se revelado, era uma mulher ruiva, usando um vestido verde, ela usava um batom roxo e saia alguma coisa rosa da boca dela, parecia veneno, enquanto Rebecca calmamente ficou dependurada, ela recitou o desafio:
– Para cada um de vocês, eu lhe darei uma rosa, diga qual é a mais bonita dependendo de sua descrição, alias, existe uma pegadinha, uma delas mente, e a outra entrega a verdade sobre a outra, porem a que se auto-intitula verdadeira é venenosa. Descubram!
A primeira rosa ficou comigo, era a Rosa da Carruagem, cor de chumbo, era mais pesada que outras, em sua descrição, ela dizia o seguinte: “Usada para decorar os palitos dos antigos motoristas, esta rosa é perfeita para encontros vintage. A segunda rosa ficou com Takatto, a Rosa da Imperatriz: “Dada há bastante tempo para uma megera rainha, esta rosa foi usada como arma de assassinato, seu veneno pode comprometer o sistema respiratório de quem a porta, seu veneno é, entretanto, nivelado pelo odor da Rosa da Carruagem.” A ultima era a da Renata, e acreditem, era a mesma que ela tinha encontrado no acampamento, ela era a Rosa do Tolo: “Seu odor irritou tanto um rei que ele utilizou como arma, usou seu forte cheiro para disfarçar uma Rosa da Imperatriz e usou-a para aniquilar sua inimiga, os guardas que levaram a rosa para a imperatriz estavam portando uma rosa da carruagem, mas não chegaram a retornar.”
A primeira pessoa a começar a pensar e a dar idéias foi Takatto, sua mente trabalhava em questão de minutos, e ele indagou: Se a da Carruagem afirma o seu uso, ela era a envenenada, entretanto, a rosa da imperatriz encobertava, afirmando que a própria rosa era envenenada, e por fim, a do tolo que conta a história do uso de ambas as rosas, não se mostra ser a verdadeira, mas também não dá motivos para ser a falsa, ao contrário, ela foi usada para provar o problema que era a da imperatriz, que encobertava sua letargia ao ser usada em conjunto com a da carruagem. Ela não se intitulava a certa, porem falava quem era a errada, logo a errada se intitulava certa, e pelas dicas dadas, ela seria a errada!
– Eu descobri!
– Hmm?
– A Rosa que se esconde na verdade é a da Carruagem, a que mostra quem é a correta ao mesmo tempo em que incrimina a outra é a da Imperatriz, mas por mentir, ela não é a correta, então a Rosa certa é a do Tolo!
– Será?
– Ah, esqueci de mencionar, sabíamos que a rosa que encontramos era problema, e sabemos isto porque a Rosa do Tolo não é ela! Ela está em seu peito, você e a rosa correta, você e a rosa que não se pronunciou que não usou de mentiras ou de disfarces para se defender, a rosa mais linda só pode ser aquela que não se esconde, você é ela!
Ao pronunciar as palavras, a ruiva das plantas entrou em uma espécie de combustão interna, ela não parava de gritar que seu segredo foi cortado pela raiz, seus gritos eram infernais, mas Rebecca estava livre e era o que importava, depois de sua combustão, colhemos sua própria essência, a rosa que ela escondia em sua mentira, ela.
O trem chegou, Lynn estava muito feliz por termos conseguido, cada um se sentou em seu lugar mais uma vez, mas desta vez, tinha alguém do meu lado.
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