Notas iniciais
Estão ansiosos?! Preparem seus corações para o que há de vir! Boa viagem!

"As pessoas se tornam mais fortes, porque elas têm memórias que não podem esquecer." — Naruto


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░┗┛rês anos...

Esse foi o tempo que fiquei fora da aldeia. Três anos sem manter contato com meus amigos, sem ver o Sensei, o Katashi, a Ayumi...

Enfim, muito tempo.

Durante esse período, fui treinado pela mais temível guilda de assassinos do país. Sim, me tornei um criminoso, mas não qualquer ladrãozinho de ramen. Sou classificado como classe A, no livro de procurados do país. Furtos, sequestros, até o motivo de alcançar tal posição: Assassinatos.

O sangue Uchiha transforma a morte em algo banal e quando ele é usado como um meio para alcançar propósitos de uma guilda de ninjas renegados, a morte não passa de uma palavra estúpida. O sangue Uchiha, de maneira resumida, é realmente uma maldição.

Venho treinando e aperfeiçoando jutsus por todo esse tempo. Preciso me fortalecer cada dia mais, porém preciso resolver assuntos pendentes da vila. É essencial para a continuação dos meus planos.

Um dos jutsus que aperfeiçoei, é de alto nível e uma mistura de uma técnica convencional com um genjustu. Aparentemente, é apenas uma técnica de transformação básica, mas com uma modificação feita pelo Sharingan, que faz com que meu chakra fique imperceptível, até mesmo para ninjas rastreadores.

Após aprimorá-la, essa técnica serviu de grande serventia na maioria das minhas tarefas como ninja assassino. Mas, nesse caso em especial, ele foi utilizado apenas como disfarce...

Afinal, quem desconfiaria de um idoso viajante...

Fiz o que tinha que fazer, não precisei me esforçar muito para chamar a atenção que precisava. A luta contra os primos de Katashi foi bem útil e em breve, estarei cara a cara com o meu melhor amigo...

Voltei para o hotel e peguei minhas coisas. Depois da luta, seria arriscado demais passar a noite ali. Não me importei muito, passava mais da metade da noite em claro, ora treinando, ora meditando.

Resolvi passar a noite num ponto próximo à praça que foi comemorada a entrega de bandanas, três anos atrás. Uma cordilheira que me dava uma boa visão do local, além da posição estratégica e do frio, que afasta boa parte dos seres vivos, inclusive seres humanos. Shinsato Sensei, era o único que eu conhecia da vila, que suportaria as baixas temperaturas do local. Eu estava lá, sentado, no pico da montanha, bebendo um pouco de água, levando uma enxurrada de lembranças daquela aldeia.

— Você nunca vai me alcançar, Katashi! – Daisuke grita enquanto corre, desviando-se das árvores o mais rápido possível.

— Você sabe que eu sou o único que consegue te alcançar! – Katashi gargalha, logo atrás.

— Eu duvido!

— Humpf... – Suspiro.

Essas lembranças são assustadoramente boas, e pensar constantemente no passado me deixou irado. Todas essas coisas não eram mais necessárias e embora tenha me surpreendido com a bela homenagem, sabia que não podia voltar atrás, mesmo se eu quisesse.

— E pensar que eu quase me deixe levar... De novo...

Por pouco não matei os primos do Katashi, por muito pouco. E eu estava aliviado por isso, estava muito cedo para ter sangue inocente escorrendo em minhas mãos. Embora, eu seja considerado excelente no que faço, meus sentimentos permaneciam incontroláveis. Eu, agora, sei usá-los a meu favor, mas é difícil, em algumas ocasiões.

Fazer o quê, herança de família.

Estava preocupado apenas com a forma que iria me portar quando estivesse de frente com o Katashi, a Ayumi e o Sensei. Sabia que precisava reunir toda a minha concentração para que não houvessem falhas pois, um erro mínimo – como a morte de Kai – poderia trazer o fim da missão.

A nostalgia me atormentou durante toda a noite, nunca fiquei tão distraído em tanto tempo. O céu já estava clareando quando caí num sono rápido e com ele, no mundo das cenas que eu temia quando criança.

Aos poucos o sono veio e, com ele, mais um pesadelo para me atormentar. Dessa vez, eu estava em pé na beira de um penhasco, pronto para cair, até sentir uma mão me puxando e me afastando da beirada. Eu rapidamente tento olhar quem havia feito aquilo, mas não consegui. Vi apenas uma trilha pouco distante. Ao me aproximar percebo uma peculiaridade nela...

Era feita de sangue.

Começo a seguir os rastros para saber até onde ela daria, não demorei para chegar no local, e consequentemente, ver umas das piores cenas que já vi. Simplesmente horrível, meus amigos, os poucos que eu tinha...

Mortos. Assassinato à sangue frio.

Acordei com raios de sol em meu rosto.

Eu sentia algo estranho...

Na verdade, eu me sentia estranho, como se aquele medo ingênuo de antes estivesse voltando.

“Besteira”, pensei.

Não podia perder o foco, não podia deixar com que minha memória destruísse tudo o que eu mais almejava. Poder era o que eu mais almejava.

Desci da montanha.

Em passos lentos, caminhando pelas ruas, percebi que a hora estava chegando, me deixando mais eufórico. Algo estava diferente. Os poucos aldeões que passavam por mim, se afastavam e apressavam o passo, mesmo sem ter habilidade alguma de rastreamento. Pequenos comércios fechados, casas com portas e janelas trancadas, o comportamento estranho dos moradores...

Tudo indicava que eles já haviam sido alertados sobre a minha presença.

Eu não os culpo.

É difícil aceitar alguém que tenha uma história traiçoeira, marcada pela destruição e derramamento de sangue. O medo deles não me impressiona nem um pouco.

O passado, um monstro antigo, que sufoca o presente e impede o futuro de ser o que é... Era o único que realmente conseguia me perturbar.

Continuei andando, pronto para contra-atacar, caso algum ninja experiente tentasse alguma coisa. Percebo um vulto, ao longe, vindo em minha direção. Preparo-me para um ataque rápido, não podia perder tempo.

E estava certo.

Um ninja vinha a caminho, dois, para ser mais exato.

— Daisuke! Daisuke! – Eu ouvi a gritaria. O som da sua voz me deixou estagnado por alguns segundos. Ele estava diferente, o tempo lhe fez bem. Estava mais alto, mais forte e aparentemente, ainda com aquela ideia estúpida de deixar os cabelos crescerem.

Logo atrás, a Ayumi, tão deslumbrante como nunca. O tempo deve odiá-la, tanto a ponto de não querer passar para ela, ou deve amá-la a ponto de dar-lhe a dádiva de não envelhecer. Seu rosto era o mesmo, apesar de estar acompanhado por um belíssimo e desejável corpo.

Notei que o rosto dela transpassava terror.

Enquanto Katashi corria, expressando uma felicidade abundante, Ayumi permanecia com um semblante sombrio, de intenso medo.

Lembrei-me que um dos adeptos da guilda havia me informado, que ela havia se tornado uma ninja sensorial. Esses ninjas tem a capacidade de sentir o chakra dos outros ninjas. A distância e o reconhecimento variam de acordo com a habilidade do ninja, podendo até sentir a maldade do outro.

Então, está explicado o motivo de tanto horror. Até um inexperiente sentiria o meu fedor. Meu chakra exalava o odor da morte, graças a quantidade de assassinados que tenho carregado nas costas. Se ela fosse inteligente – e eu sei que ela é -, saberia o motivo de minha volta e essa seria um outro bom motivo para tanta preocupação.

Mas, o Katashi...

Tinha absoluta certeza que era um excelente ninja, como ele não conseguia sentir meu chakra? Como ele não compartilhava do mesmo medo que a Ayumi?

— Não é possível que ele simplesmente ignorou, ele não pode fazer isso!

— Dai! Eu não posso acreditar! – Katashi me abraçou fortemente.

— Katashi... Você está mais forte! – Tossi, devido o abraço inesperado.

— Quanto tempo, meu amigo!

Notas finais
Daisuke está... Diferente. Parece que ele deixou de ser trouxa kkk Nesse caso, o que poderá acontecer com ele e com seus amigos? Até o próximo capítulo! Tchau!