Notas iniciais
Boa viagem!

No mundo ninja, aqueles que quebram as regras e as lei são vistos como escória, mas aqueles que abandonam até um de seus amigos são piores que escória. — Obito Uchiha

— Mangekyou Sharingan. — Respondi, direcionando o olhar para meu amigo, que se afastou mais ainda.

— O que significa isso?! — Ayumi vociferou irritada.

— É o motivo pelo qual o mestre me escolheu! O que devolveu a vida à todos vocês! — Levantei a cabeça e respirei fundo. Deveria lhes explicar da maneira mas fria possível. — Sou o portador de um dos dojutsus mais poderosos do mundo ninja. O Sharingan me dá poderes que vocês jamais sonhariam em ter. Porém, esses poderes... Vêm com uma maldição.

— M-maldição?! — Katashi exclamou.

— Sim. — Confirmei calmamente, estalando o pescoço. — É como um acordo... Uma troca.

— E que tipo de troca é essa?! — Ayumi questionou, apertando as mãos.

— O poder do Mangekyou Sharingan... — Hesitei por poucos segundos.

A hora havia chegado.

Fechei os olhos, pegando uma kunai e apontando-a para Katashi, concluí minha fala:

— Pela vida do meu melhor amigo.

Mal havia terminado de falar, quando Ayumi murmurou pondo as mãos na boca. O semblante de ambos estava desconfigurado, eles estavam completamente surpresos com o que acabaram de ouvir.

Katashi finalmente afastou-se de uma vez, pondo-se ao lado da bela mulher que tinha perdido completamente o brilho dos olhos e da pele. Ela cravou suas pálidas mãos no braço de Katashi e encostou a testa em seu ombro. Ele por sua vez, pôs a mão em seus cabelos e a acariciou. Essa cena me deixou um pouco incomodado... Desconcertado.

— Essa brincadeira não tem graça, Daisuke! — Ele bradou, irado.

— Pareço estar brincando?

— Não se entregara assim tão fácil...

— De fato. — Sorri, brincando com a arma em minhas mãos. — Foi difícil no início.

— Você não seria tão estúpido! Não mudara tão rápido! Eu te conh...

— Você me conhecia, Katashi!! — Gritei. — Eu não sou aquele garoto ridículo de antes! Aquela criança morreu!

— Daisuke!

—Agora, eu sou a vontade de um clã extinto e não há nada que impeça os meus planos!

— Por favor, me escuta! — Katashi berrava, afastando-se cada vez mais, juntamente com a Ayumi.

— Nem que eu destrua toda essa aldeia! Nem que eu derrube pedra por pedra, eu não vou falhar!!

— Ouça o que está dizendo! Tenta se acalmar, podemos dar um jeito nisso juntos! — Katashi fez de tudo, a proposta era tentadora, mas minha meta era inegociável.

— Prepare-se para lutar meu amigo.

Eu não fazia ideia do que fazer, não achei que seria tão complicado. Hozumi me falou que o Sharingan está diretamente ligado às emoções, isso explicava o despertar do Sharingan na floresta, já que eu achava que perderia todos os que amava. Agora, a única forma de despertar o Mangekyou é ver a morte de alguém que amo...

Pelas minhas próprias mãos...

Mas, essa experiência era nova para mim. Nunca tive vínculo com nenhuma de minhas vítimas, não como tinha com o Katashi. Chefões do crime, senhores feudais podres de rico ou uma ameaça à guilda eram completamente diferentes do meu... Meu amigo de infância.

Mas, já estava feito.

Não podia voltar, não podia olhar para trás, de um jeito ou de outro, as coisas nunca voltariam a ser como era antes. Sendo assim, corri em sua direção, com a kunai na mão, pronto para dar o ultimato de uma vez. Um certeiro golpe no peito seria o suficiente para matá-lo, pelo menos foi o que achei. Sua velocidade também aumentou de maneira admirável. Katashi empurrou Ayumi no chão e bloqueou meu golpe com outra kunai e pulou para trás, assustado.

Não quero contar os detalhes da luta, ela foi bem mais demorada do que parece, e não é algo que eu deva me orgulhar em contar.

— Você sabe que não precisa acabar assim!

— Eu sempre soube que você não iria se dar por vencido tão facilmente. Ao contrário de você, eu o conheço muito bem. Sei que dará o melhor na sua última luta.

Essas palavras o deixaram irritado. Dessa vez, foi ele que atacou. Assim seria melhor, não seria? A dor da culpa seria menor. Ele veio em minha direção, tentando acertar minha cabeça com um chute. Inclinei-me para trás, desviando com facilidade do golpe. Eu só não esperava que ele me acertaria com a outra perna. Seu calcanhar atingiu em cheio meu rosto, jogando-me para trás. Quando ele ficou tão forte?

Como pude cair numa armadilha tão ridícula como essa? Caí em pé. Sem querer me gabar mas, o equilíbrio do meu corpo é simplesmente impecável.

— Última luta, não é? Continua o mesmo convencido de sempre!

— Hahaha, sabe que não preciso de muito para te destruir. Classe A, lembra? – Retaliei, estalando e posicionando as mãos, e fechando os olhos para concentrar o chakra no Sharingan.

Ao abrir os olhos, pude ver um novo mundo, novamente. Eu sempre adorei essa sensação, de ver o que os olhos comuns não são capazes de enxergar. Katashi por sua vez, não parecia ter contato com dojutsus oculares faz um bom tempo, pois no momento em que nossos olhares se cruzaram, ele quase caiu involuntariamente.

A partir dali ele entendeu, que era um caminho sem volta.

Ayumi nem conseguia se mexer, estava horrorizada com toda aquela situação. Não me importei muito no começo, mas depois senti-me aliviado com tanta perplexidade. Dessa forma, ela não seria perigo na luta, não correria o risco de se machucar ou de estragar meus planos.

Katashi jogou uma chuva de shurikens contra mim e como era de se esperar, calcular a trajetória das armas não foi uma tarefa difícil, graças ao treinamento e aos olhos amaldiçoados, era praticamente involuntário.

— Fraco demais. – Debochei. – Não me diga que estava com tantas saudades que não conseguiu aprender algo que preste, Katashi. Estou ligeiramente decepcionado.

— Não se precipite, irmãozinho. Prepare-se para lutar! Estilo terra, Jutsu barragem de rochas!

Ele gritou, apoiando as duas mãos no chão. No mesmo instante, o solo rachou e quatro rochas gigantes saíram do chão. Ele arremessou a primeira rocha, que obviamente era maior e mais poderosa do que as shurikens.

Não foi difícil evitá-la.

Corri em sua direção e no último segundo, escorreguei para debaixo dela, que quase atingiu minha cabeça.

Estender a luta só me traria mais complicações, mais dor. Então, esse era o fim. Uma técnica específica e exclusiva para assassinatos, que aprendi durante esses três anos:

— Estilo fogo, dança das labaredas!

Um jutsu que consistia em um grande acúmulo de chakra nos braços, até se tornarem chamas visíveis. Um fogo intenso e vermelho, que dança em meus braços, transformando-os numa arma unicamente letal.

A segunda pedra foi arremessada, um pouco mais baixa, obrigando-me a pular. Um salto giratório, um pouso perfeito, nada muito fora do comum. A terceira veio logo em seguida, não me permitindo abaixar ou pular. Estiquei o braço com os punhos fechados, atingindo a rocha, fazendo-a explodir em pequenos pedacinhos. O calor desse jutsu é algo inimaginável. Conhecida também como a espada de fogo, a técnica tem esse nome porque além de queimar o alvo, o chakra é tão veloz que torna-se lâmina incandescente.

Continuei correndo sem parar, na direção do Katashi. A dança das labaredas consome um nível extremo de chakra, eu não podia deixar um segundo sequer passar em vão.

Ele lançou a última pedra, numa distância menor que 5 metros. Eu pulei sobre ela e usando-a de apoio, lancei-me contra Katashi que deu um passo para trás, com os olhos vidrados, assustado com a cena.

Minha mente me levou rapidamente ao passado...

— Você não precisa fazer isso, Daisuke! Nós já estamos mortos... Salve sua vida!

Ao dia em que tudo isso começou...

— Se você os salvar...

— Daisuke, não! – Katashi gritou.

— Eu irei. Sem lutar, sem fugir, sem tentar qualquer coisa...

— Daisuke! – Katashi berrou desesperadamente.

— Pare de ser estúpido! – Ayumi berrou. – Você sabe que não irá suportar!!

Dois melhores amigos, agora dois inimigos mortais, prontos para darem um fim, na história que durou toda a vida de cada um deles.

Um único golpe certeiro, fatal.

As lembranças fazem o peito arder em dor, enquanto eu observo seu corpo chegar cada vez mais perto da morte. Ainda ouço os ecos das nossas vozes tão fracas e tão sensíveis...

— Eu fiz o necessário, meu amigo...

— Eu sei... Sinto muito, Daisuke.

— Adeus.​

Então essa é a última cena, não há volta.

Eu já estava sentindo meu corpo despedaçando e meu coração clamando pela perda do meu irmão. Katashi fechou os olhos e eu fiz o mesmo, ambos tentando ao máximo aceitar o trágico destino. Pude sentir, mesmo que fora do chão, a carne rasgando em minhas mãos, o sangue sendo aspergido em meu rosto e seu último suspiro.

— Adeus, amigo.

Notas finais
aaaaaaa, que dor! Essa foi uma das cenas mais tristes que eu já escrevi. O nosso SasuNaru alternativo está sendo destroçado nesse momento... Eu nunca sei como reagir a essa cena. Mas, eaí? Gostaram? Falem comigo! O comentário de vocês é muito importante para o avanço do livro. Um beijo e até a próxima! Tchau!