Notas iniciais
Lúcia voltou do velório de uma velha amiga sua, bastante abatida e fragilizada por vê-lo pela última vez, naquele estado sem cor ou vida alguma, morto. Ela se senta no sofá e liga a televisão para se distrair.
Enquanto isso, no quarto dela, Rebeca, sua filha, sobe numa cadeira, pois o armário é alto, e retira de cima dele algumas caixas empoeiradas. Ela as coloca sobre a cama e senta, revira os álbuns de fotografias da família, olha-os um por um, emocionada por se recordar de sua infância. Até que, no fundo da caixa, encontra um álbum vermelho, 40 cm de altura e 30 cm de largura. Curiosa, ela o abre e olha as fotografias. Sua mãe chega nesse exato momento.
__ Onde você achou isso? — Lúcia se senta na cama ao lado de Rebeca.
__ Em cima do guarda-roupas.
__ É do meu casamento, o álbum do meu casamento. — quando terminam de ver as fotos. Nossa(...).
__ Que foi?
__ Engraçado, boa parte dos padrinhos e madrinhas, dos amigos e parentes que aparecem aí estão todos mortos. Ontem mesmo a Neidinha faleceu, me pegou de surpresa a notícia. — Rebeca parece distante. Filha, tudo bem?
__ Sim, claro. É que eu fiquei pensando: que estranho, né? — Lúcia beija a sua testa e caminha até a porta.
__ Não tem nada de estranho. Um dia todo mundo morre. É a única certeza que temos nessa vida. — Lúcia sai e fecha a porta; Rebeca olha para o álbum sentindo uma estranha sensação, como se o pior estivesse prestes a acontecer.
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