O Último Suspiro
2 Minha Governanta Meio Que Me Sequestra
Depois do pequeno “incidente” na escola, Ohana e eu corremos o mais rápido que pudemos até que eu conseguisse ligar para Martin. Quando ele chegou estávamos suadas e esbaforidas, mas eu sabia que aquela criatura ainda estava atrás de mim, por isso não parei. Joguei Ohana dentro do carro e gritei para que Martim dirigisse o mais rápido possível sem se preocupar com sinais de trânsitos ou possíveis multas. Dinheiro não era o problema naquele momento.
— O que aconteceu senhorita? — Olga perguntou quando chegamos à minha casa.
Mandei Ohana tomar um banho e contei tudo o que havia acontecido para Olga. Eu sabia que Ohana duvidaria, ainda estava atordoada, pois eu a havia arrastado comigo sem lhe falar nada. Porém, Olga absorveu cada palavra dita que eu disparava sobre ela.
— Está segura agora, menina. — ponderou Olga. — Farei algo para comerem!
Quando os pais de Ohana foram buscá-la pareciam um pouco bravos e decepcionados, mas seu pai parecia relevar mais que sua mãe. A mãe de Ohana. Engoli em seco enquanto ela me fuzilava com os olhos.
— Onde já se viu sair da escola assim? — ralhou ela pegando Ohana pela mão como uma criança. — Teremos uma longa conversa.
Ohana virou para me olhar e sorriu, acenando enquanto ia embora e eu sorri de volta. Naquela noite, jantei sozinha, mas algo parecia diferente. Era meu aniversário e eu não tinha ninguém. Nem mãe. Nem pai. Nem irmãos. Nada. Olga apareceu em seus trajes de dormir e com o cabelo solto, parecendo alarmada.
— Senhorita, temos que ir agora! — disse ela me puxando até a porta. — Aqui já não é mais seguro. Rápido, menina. Rápido!
— Olga, você viu que horas são? — bufei. — Me deixe!
— Não menina, não há mais tempo. — implorou ela.
Olga me jogou dentro do carro e pediu para que Martim acelerasse, enquanto eu tentava convencê-la de voltarmos para casa, mas já saíamos dos limites da cidade. Olga estava me sequestrando e Martim era seu cúmplice. Inacreditável! E eu nem havia pegado meu celular para pedir socorro. Entramos em uma estrada de terra e o carro começou a sacolejar de um lado para o outro, mas o impacto foi sentido por todos. Havia algo sobre o carro. Algo que queria nos matar. Olga murmurava algo que parecia grego para meus ouvidos, mas, por incrível que pareça, compreendi algumas palavras como “proteção” e “cuidado”.
— Treze anos, a idade maldita! — sussurrou Martim. — Rápido com isso, Olga!
A Sra. Rock abriu um buraco no teto do carro e seus olhos negros como a noite repousaram em Olga e depois brilharam em minha direção. Sua língua bifurcada deslizou sobre os dentes pontiagudos e ela grasnou, fazendo com que eu me encolhesse. Olga pareceu não se importar e sua confiança parecia me deixar mais confiante, mas eu estava com medo. Sabia que, por algum motivo, aquilo queria me matar. Martim parecia lutar com o volante para manter-se no controle, mas não estava tendo muito sucesso.
— Martim, tire a menina daqui. — ordenou Olga.
Paramos o carro e Martim me puxou para fora enquanto Olga ficava para trás, junto com aquela coisa. Corremos por alguns metros e depois subimos uma encosta, mas então eu soube. Aquilo estava atrás de nós. Por um momento fiquei aliviada de que tivesse deixado Olga em paz, mas foi aí que o óbvio me atingiu como um tijolo. Se ela estava atrás de nós novamente era porque havia terminado com Olga. Senti minhas pernas amolecerem e os braços de Martim enquanto me carregava, eu só queria chorar a morte de uma amiga fiel.
— O tempo dela já estava se esgotando, Jennett! — disse Martim acelerando o passo, ao longe a criatura ainda grasnava. — Rápido com isso. Eu estou tentando salva a sua pele.
Alcançamos o alto da colina e, lá de cima, vi o carro queimando. A fumaça subia ao céu como se elevasse a pobre alma de Olga. Escorei-me em um pinheiro alto e robusto, deixando que as lágrimas caíssem, deixando que o luto tomasse conta de mim. Porém, eu não podia ficar ali sem fazer nada. Levantei-me ainda cambaleante e encarei a coisa, que parecia estar se preparando para atacar Martim. Não sei o que aconteceu ou o que eu fiz, mas corri em sua direção e pulei em suas costas. Arranquei algumas penas de suas assas e a criatura grasnou, alçando um voo maior. Limpei as mãos em meus jeans e senti algo gelado. Gelado e pontiagudo. Enfiei a mão no bolso e… Uma adaga?
— Você sabe o que fazer, não sabe? — gritou Martin lá de baixo.
“Não, eu não sei” era o que eu queria dizer, mas não disse nada. Ergui a adaga acima da cabeça e a enfiei no meio das costas da criatura, abrindo-a no meio. No mesmo instante ela se desfez em pó sob meu corpo.
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