O Último Sayajin
1 De volta ao futuro
Notas iniciais
Do lado de fora da máquina do tempo, tudo o que Trunks podia ver era uma forte luz branca tremeluzindo. Ficava assim por alguns minutos, depois desvanecia-se aos poucos e a paisagem da Corporação Cápsula, metade ainda em ruínas, surgia diante dele. Estava em casa. Ele saltou da máquina e correu até o prédio, detendo-se diante das escadas que davam acesso ao laboratório. Era naquele ponto que o medo o travava, o medo de voltar e não encontrar Bulma ali, esperando por ele. Inspirando fundo ele se encheu de coragem e desceu os primeiros degraus, sorrindo ao ver a cientista sentada à frente da escrivaninha, digitando ferozmente alguma coisa no teclado.
– Mamãe. Já cheguei. – ele disse, simplesmente, sem esconder o alívio que sentia por vê-la bem.
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O cheiro de café e de bolo preenchiam o laboratório, assim como a música suave do rádio. Enquanto comiam, Trunks contou a Bulma as coisas que vira no passado. O treinamento no templo da Kami Sama, a luta contra Cell, a convivência com Vegeta. Eram muito raros os momentos assim, em que podiam conversar como mãe e filho, quase sempre interrompidos por problemas causados pelos androides. E aquela vez não seria diferente. Subitamente a música parou e uma voz anunciou no rádio:
– Interrompemos a programação para dar uma informação sobre os androides: o Número Dezessete e a Número Dezoito voltaram a aparecer. Agora estão atacando na região número quarenta e nove, no ponto BPM na cidade de Percidy. Toda a área deve ser evacuada imediatamente...
Trunks levantou-se, cerrando os punhos com força.
– Esses androides malditos vão me pagar por tudo! – Exclamou.
– Mas meu filho... – Bulma tentou argumentar, como sempre falhando.
– Não se preocupe mãe. Esse foi o principal motivo de eu ter viajado ao passado para ver Goku. Desta vez vou vingar a morte do meu mestre Gohan e dos outros guerreiros. – Disse, decidido, e com um rápido movimento tirou a jaqueta da Corporação Cápsula e jogando-a sobre a cadeira. Antes mesmo que a jaqueta caísse, Trunks já havia se transformado em super sayajin, totalmente envolto por uma densa aura amarela de ki.
– Nesta época também deve haver paz, como no passado. – ele informou, seguindo em direção às escadas.
– Tome muito cuidado, Trunks. Eles são bem fortes. – pediu Bulma.
Ele a olhou por cima do ombro com um sorriso, tentando tranquiliza-la.
– Sim, mãe. Pode deixar.
Partiu sem olhar para trás.
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Nunca era muito difícil encontrar os androides, mesmo que não soubesse a localização atual deles. Bastava seguir o rastro de aniquilação e morte deixado por eles, partindo do ponto mais frio para o mais fresco. Tudo o que se tinha que fazer era sobrevoar a área e procurar pelo padrão específico de destruição que eles causavam. Alguns quilômetros de pilhas frias de escombros, cadáveres sujos com sangue seco e carros que haviam queimado até o limite logo se transformavam em colunas de fumaça, casas desmoronando e gritos, sempre gritos. Então, conforme Trunks se deslocava, o barulho das explosões se tornava mais próximo e ele sabia que estava perto. Então oS ataques pararam e ele ouviu tiros. Cerrou os dentes e aumentou sua velocidade. Pessoas estavam tentando se defender de alguma maneira. Sua demora podia custar vidas humanas.
E ele não estava errado. Logo avistou o Número Dezessete, abaixado e apontando uma arma para um homem ferido no chão. Seu sangue ferveu nas veias e ele lançou uma rajada de energia na direção do androide, que desviou facilmente, levantando-se e olhando na direção dele.
–Quem é esse aí? – perguntou, em seu tom arrogante típico. Mas ele mesmo respondeu a própria pergunta quando Trunks aterrissou. – Ah, é o Trunks.
– Número Dezessete e Número Dezoito. Eu vou acabar com vocês. É o fim, malditos. – Trunks anunciou.
– Puxa, então você ainda estava vivo? Mas eu ainda não conheço alguém tão burro como você que acha que pode nos derrotar. – Dezessete ironizou, inclinando a cabeça na direção dele.
– Número Dezessete, eu não aguento ver insetos tão arrogantes quanto ele. Não se importa de eu o matar não é? É uma verdadeira praga. – cuspiu Dezoito, naquela voz melodiosa.
– O mal é que ficaremos sem ter com quem brincar, mas tudo bem, faz o que você quiser, Dezoito.
A androide esticou a palma da mão aberta na direção de Trunks, com um sorriso presunçoso.
– Isto é mais divertido do que um jogo de computador, tem mais ação! – gracejou e disparou contra ele, surpreendendo-se quando Trunks desviou-se e a energia atingiu uma pilha de escombros.
Dezoito ainda encarava a pilha de escombros, perplexa, sem se dar conta da presença de Trunks atrás de si até que seu gêmeo a alertasse:
– Tome cuidado, Dezoito! – gritou Dezessete.
Mas era tarde demais. O punho de Trunks esmagou a face de Dezoito e o impacto do soco a atirou com tamanha força que a androide atravessou dois prédios antes de parar. Ela se levantou e seu rosto já não continha nada da presunção e da arrogância anterior. Tudo o que se via naquela face era raiva.
– Maldito! Como se atreve!? – gritou, investindo na direção dele com um soco armado. Mas Trunks desviou-se, voltando a aparecer atrás dela. Dezoito preparou um chute, mas ficou a encarar o vazio quando o sayajin desapareceu outra vez. Quando apareceu diante dela outra vez, Dezoito o golpeou com toda a sua força, mas Trunks apenas segurou seu punho com uma mão enquanto a socou com a outra.
Novamente Dezoito foi arremessada longe, mas antes de cair, disparou energia outra vez na direção dele. Trunks não se moveu um único passo, inclinando a cabeça para o lado enquanto a energia desviava dele e atingia uma pilha de escombros atrás de si. Dezoito caiu aos pés do irmão, que não perdeu a chance de zombar dela.
– O que foi? Eu não acredito em como você é distraída!
Dezoito apenas o ignorou e se levantou com esforço, totalmente focada em Trunks.
– Maldito! Eu não vou te perdoar! – ela berrou.
– Já deu para ver que você evolui. Olha só, você conseguiu irritar a gente. – Dezessete disse, com uma mão apoiada no quadril.
– Quando eu viajei ao passado na máquina do tempo eu pude ver que vocês eram boas pessoas. Mas nessa época são bem diferentes, só gostam de destruir tudo o que encontram e fazer as pessoas sofrerem. Isso eu jamais vou perdoar.
Dezoito o olhou demoradamente, depois sorriu, incrédulo.
– Mas que bobagem é essa? Você ficou louco?
– Vamos acabar com ele, Número Dezessete! – gritou Dezoito e o seu irmão assentiu.
Os dois atacaram simultaneamente, mas Trunks desviou-se dos golpes. Enquanto eles ainda procuravam por ele, Trunks surgiu diante de Dezessete e lhe socou o rosto. Dezoito atacou-o com rajadas sucessivas de energia pura, mas Trunks simplesmente as afastou com as mãos como não fossem nada enquanto avançava na direção dela. Parou, face a face com a androide e disparou contra ela um feixe de energia bruta do qual Dezoito não pôde desviar-se. Desintegrou-se diante dele como poeira levada pelo vento.
Dezessete estava petrificado, olhando para o que acabara de acontecer. Mal conseguia falar, e perdera toda a sua pose arrogante.
– Eu não... Eu não ac-credito – gaguejou enquanto via Trunks virar-se para encará-lo – Como pôde um lixo como você ter matado a Dezoito?
– Foi por todos os meus amigos assassinados. E desta vez vai ser para vingar a morte de Gohan. – disse Trunks, atacando Dezessete com um chute. O androide foi jogado longe como uma boneca, e antes mesmo que pudesse se levantar, Trunks atacou-o com uma rajada de energia, destruindo-o.
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Enquanto ajudava o velho homem que atirara contra os androides, Trunks deixou escapar um suspiro. “Por fim, tudo terminado”, pensou. Sobressaltou-se em seguida, lembrando-se de Cell, que rastejava nas sombras em algum lugar, esperando uma oportunidade para roubar a máquina do tempo e fugir para o passado.
“Não. Ainda não. Falta alguém muito importante.”
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Antes mesmo de chegar até a corporação Cápsula, Trunks já sentia o Ki de Bulma, ainda que não pudesse vê-la. Aterrissou e a viu de pé esperando por ele na entrada de casa, com uma expressão preocupada no rosto. Nenhuma pergunta foi feita, mas ao ver a ansiedade nos olhos da mãe, Trunks sabia o que ela queria ouvir. Então, falou:
– Acabou, mãe. – disse simplesmente, a voz rouca pela emoção do momento. Repetiu para ter certeza de que ela ouvira. – Acabou.
Bulma sorriu um sorriso que logo se desmanchou em lágrimas e soluços, correndo para abraçar o filho. Trunks colocou seus braços em volta dela e apoiou a cabeça em seu ombro, deixando-a segurar seus pedaços, esperando que ela pudesse curar seu coração e deixa-lo inteiro de novo. Mas Bulma não podia. Por mais feliz que se sentisse, as cicatrizes estavam lá, e ninguém poderia removê-las. Mãe e filho ficaram abraçados por longos minutos, ou talvez fossem horas, nenhum dos dois saberia dizer. Sem saber como, acabaram ajoelhados, abraçados um ao outro.
Trunks ergueu o rosto para Bulma e olhar para a expressão de felicidade na face dela o atingiu como um murro no peito. Então, ele enterrou o rosto nas mãos e chorou. Não chorou pela vitória recém conquistada. Não chorou por estar nos braços da mãe, com a promessa de um futuro pacífico. Chorou por Goku, por Vegeta, por Piccolo. Chorou por Kuririn, Yamcha, Caos e Tenshinhan. E mais do que tudo, chorou por Gohan que fora tudo para ele, seu amigo, seu irmão mais velho, seu mestre, seu herói. Chorou pelo destino cruel que o levara. E assim, perdido no luto, entregou-se às lágrimas no colo da mãe e não soube de mais nada.
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