O Último Dia De Pompéia
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Notas iniciais
A luz do Sol há muito tempo havia esvanecido, o céu estava tomado por uma fumaça negra, enquanto minha visão aos poucos enfraquecia-se, os gritos do lado de fora eram agonizantes, minha irmã choramingou ao meu lado. Sabia que iríamos morrer. Era apenas uma questão de tempo.
Dois dias atrás, o monte já nos dava avisos, a terra tremia com frequência, fazíamos sacrifícios a Poseidon, mas nada parecia apaziguar sua ira. Mesmo assim, a vida seguiu normalmente, deveríamos ter fugido enquanto era tempo, porém o oráculo nos disse para não nos preocuparmos.
O segundo aviso veio logo depois, há muito tempo não chovia, porém naquela tarde Zeus nos amaldiçoou com uma grande tempestade de pedras, meus pais foram as primeiras vítimas. O que havíamos feito para enfurecer tanto os deuses?
Enlouquecidas, algumas pessoas tentavam fugir por água, outras ainda confiantes nas palavras do oráculo, permaneciam realizando seus respectivos trabalhos. Como o ferreiro ao lado de minha casa, que permanecera forjando espadas. Era, de certa forma, reconfortante ouvir tão conhecido som mesmo em meio àquele caos.
Logo o monte deu-nos o pior de seus avisos. Após um grande terremoto, ele começou a expelir pedra derretida e fogo líquido. Logo o rio foi contaminado e começou a ferver, matando todas as criaturas que ali viviam, assim como aqueles que tentavam fugir por água. Estávamos presos na ilha. Os deuses não nos permitiriam sobreviver.
Algumas horas depois, o monte mais uma vez expeliu pedra derretida e fogo líquido. Porém era ainda pior que antes, uma fumaça negra o acompanhara, cobrindo o Sol, Eu e minha irmã nos trancamos em casa, sabia que não seria o suficiente, mas não havia nada a fazer. Ouvi gritos do lado de fora e minha irmã começou a chorar. Abracei-a com força pela última vez. "Vai ficar tudo bem", prometi.
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