O Último Desbravador do Leste

11 Todo mundo aqui perdeu alguma coisa


Notas iniciais
Quando três competidores estão prestes a serem eliminados, os nervos de todos permanecem à flor da pele. Um capítulo cheio de suspense chega prometendo mexer com a cabeça de todos os leitores. Não deixem de conferir!

De todos os possíveis fatos que se sucederam após a grande vitória do grupo Água, que acabou enviando as demais equipes para o conselho dos desbravadores, nada consegue ser mais revelador do que uma simples análise do solo. Isso mesmo, o solo, aquele em que as pessoas deixam marcas enquanto seguem seus mais variados e complexos destinos.

A primeira amostra a ser analisada vem acompanhada de um rastro pouco convencional. Mesmo para quem vive na mata, não é tão comum encontrar, ao invés da grama verde, uma trilha acinzentada e escura decorando o caminho de volta para casa. E para completar, o sol poente ia arrancando aos poucos o último pedaço de tranquilidade que sobrou após a grande derrota da qual aqueles três jovens estavam retornando.

Uma barraca coberta de pó, três gravetos de lenha sujos e uma pilha de bolsas foi tudo que restou de um acampamento aparentemente consumido pelo fogo. E mesmo no meio de um cenário tão catastrófico quanto aquele, André e Bel encontravam-se às gargalhadas quando seus colegas Rafa, Ana e Teca voltaram da prova.

A causadora de toda aquela algazarra — para não usar termos ainda mais dramáticos que a situação em si — estava sentada quieta ao redor do que um dia fora uma fogueira rigorosa e cheia de vida, encarando os pés, e apenas isso, dos recém-chegados.

"Será que alguém aqui pode me explicar o que foi que aconteceu?" — A frase, que à princípio se tratava de um questionamento, poderia muito bem ter se passado por exclamação, tamanha a altura e espanto com que fora proferida.

Todos olharam para a entrada do acampamento, contemplando a cara de fúria com que Rafa se apresentava naquela tarde. Por um segundo, Dani quis se defender antes mesmo de a atacarem, mas quando percebeu que Teca estava tão brava quanto o dono do berro, preferiu se manter reservada por mais alguns instantes.

Teca procurava alguma coisa com os olhos. Vasculhou o ambiente inteiro, conduzindo mais de uma vez o olhar na direção da pilha de bolsas, e quanto mais o tempo ia passando, mais se dava conta de que suas coisas não estavam ali.

"O que aconteceu com a minha bolsa? Eu não acredito que vocês deixaram ela dentro da barraca, seus idiotas!" — Seus pés firmes do chão formou pequenas crostas cinzentas enquanto cruzava o local em busca de explicações. Ao ver Dani quieta demais, percebeu instantaneamente que aquilo possivelmente tinha um dedo da garota no meio.

"Calma aí gente. Eu sei que a derrota é triste, mas dá um tempo. Todos nós estamos sofrendo com o incêndio no nosso acampamento. Todo mundo aqui perdeu alguma coisa." — Falou Bel tentando acalmar Rafa apenas com a força do seu olhar.

"Calma nada. A bolsa de todo mundo ta aqui, menos a minha. Você quer que eu fique como? Meu diário tava lá dentro! Você sabe há quanto tempo eu venho me dedicando a esse diário?" — Teca ia se exaltando progressivamente, se aproximando cada vez mais de onde Dani estava.

"O que você quer olhando pra mim, hein garota? A barraca começou a pegar fogo sozinha. Ninguém aqui teve nada a ver com isso. Eu salvei tudo que eu pude." — Dessa vez, Dani estava com a cabeça bastante erguida, sem medo algum de encarar a fúria de Teca.

Após um momento minúsculo de relaxamento, Rafa respirou fundo e, olhando na direção de Bel e André, fez um convite que chamou a atenção de todos.

"Chega mais, Bel. Eu preciso falar com você."

Bel se levantou rapidamente e seguiu junto de Rafa para o córrego onde costumavam conversar, porém dessa vez não se importaram em disfarçar.

Ana e André se entreolharam por um instante, e aquilo foi mais que suficiente para um saber o que o outro estava pensando. Aproveitando que Dani e Teca estavam discutindo, os dois se aproximaram e Ana rompeu o silêncio com todo o cuidado do mundo para que mais ninguém ouvisse o que estava falando.

"Esses dois estão muito estranhos, você não acha?"

"Sim. A Bel parece gostar mais desse gorducho do que de mim. Com certeza eles vão tramar alguma coisa pra hoje à noite no conselho" — André começou a se entusiasmar em poder falar abertamente com algum membro do grupo que não fosse sua amiga Bel.

"Você precisa descobrir o que ta acontecendo entre eles. Anda, corre lá no córrego e se esconde atrás de alguma planta. Antes do conselho eu dou um jeito de falar com você." — Ana estava começando a revelar um pouco mais de sua personalidade, até então desconhecida por todos.

"Ué, e por que eu tenho que ir, e não você?" — André olhava para a garota sem entender porque havia falado daquele jeito estranho e autoritário com ele.

"Porque eu não estou correndo risco algum de ser eliminada essa noite." — Ana finalizou o diálogo com uma expressão irônica no rosto e saiu apressada para impedir que Dani e Teca saíssem no tapa.

André passou um tempo pensando no que acabara de ouvir e começou a fazer alguns cálculos mentalmente — "Se a briga dessas duas pirralhas irritantes não for o suficiente para que uma vote na outra, a Ana tem razão… eu preciso fazer alguma coisa antes que seja tarde demais."

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Outro fato curioso à respeito do solo, é o quanto ele tem a declarar sobre as pessoas. Uma análise bem feita sobre as pegadas em sua superfície pode muito bem identificar quem passou por ali e ainda por cima para onde se dirigiram.

Após ter sido resgatado e ter voltado junto de sua equipe para o acampamento, Mosca estava muito preocupado com o futuro do grupo Fogo. Não só com o fato de ter ao seu lado dois dos competidores mais fracos do jogo, Neco e Maria, mas por temer o que poderia estar acontecendo entre Samuca e Vivi.

Uma coisa é certa, Samuca é o garoto mais inteligente da competição. E isso preocupava não só Mosca, mas muita gente de outros grupos, que adorariam ver o "nerdzinho" ser eliminado. Mas ao mesmo tempo o garoto é uma peça fundamental para as provas de raciocínio. Já Vivi seria um alvo fácil por não ser boa em nada que se propõe a fazer. Isso quando ela se propõe a fazer alguma coisa.

"E agora? Eu sei que o Binho ta comigo desde o início e jamais vai trair a minha confiança. Mas eu não posso dizer o mesmo dos outros quatro. O Neco anda muito mais com a Maria do que com a gente. Sem contar que os dois não ajudam em muita coisa. O problema de tirar um deles agora é que eu não confio nem um pouco nessa amizade da Vivi com o Samuca… o que eu faço?"

Enquanto confabulava possíveis votos para o conselho que estava por vir, percebeu que o casal havia deixado pegadas rumo a um caminho totalmente desconhecido. Ao se perguntar o que os dois poderiam estar aprontando, Mosca preferiu seguir a trilha e ver com seus próprios olhos.

"Vai Samuca, rápido! Alguém pode chegar a qualquer momento!" — A empolgação de Vivi não era para menos. À cerca de dois metros e meio acima de sua cabeça se encontrava o colar de imunidade que tanto havia procurado desde que o jogo havia começado.

Samuca não possuía muitas habilidades como, por exemplo, subir em árvores, mas seu raciocínio foi além disso. Usou sua camisa para amarrar dois gravetos, formando uma vara de altura suficiente para alcançar o objeto. Assim que conseguiu derrubá-lo, Vivi deu um grito e saltou para cima do colar. Ao apanhá-lo, colocou em seu pescoço e deu um enorme abraço no seu comparsa. Antes que um dos dois decidisse pôr um fim naquele momento de comemoração, alguma coisa se mexeu por entre os arbustos, fazendo com que os dois se soltassem imediatamente um do outro. Vivi escondeu o colar em seu bolso e correu para ver se encontrava a origem do barulho.

Mais à frente Mosca estava vindo na direção dos dois, e começou a fingir estar procurando algumas frutas para o jantar. Os olhos dele e os de Vivi se cruzaram e ambos acabaram revelando mais do que deveriam. Samuca veio logo em seguida e os três passaram a procurar juntos por frutas. O solo, mais uma vez agindo como um verdadeiro detetive, exibia um sinal confuso demais para que Samuca pudesse decifrar naquele momento tão angustiante. Poderia ser qualquer coisa, desde um javali que correu assustado com os berros de Vivi a uma quarta pessoa à espreita do que não deveria ser visto. Ou até mesmo Mosca, que poderia muito bem ter estado ali antes, observando os dois na surdina e, ao ser notado, correu para um local seguro onde pudesse desenvolver melhor seu personagem catador-de-frutas-para-o-jantar. A tensão entre os membros do grupo Fogo diante do primeiro conselho mostrava o quanto não estavam preparados para enfrentá-lo.

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À medida em que o sol ia se pondo, os integrantes do grupo Ar foram se dispersando aos poucos. Tati e Tatu ficaram responsáveis por pegar frutas enquanto Pata procurava lenha para alimentar a fogueira. Duda se dirigiu à árvore correio para checar se havia alguma informação sobre o conselho daquela noite. Cris foi a única a quem nenhuma tarefa foi designada, e o tédio foi consumindo sua paciência aos poucos. Por um lado estava ansiosa pelo retorno de Duda, mas por outro gostaria de aproveitar aquele tempo sozinha para gravar um video para o seu blog contando o que havia acontecido entre os dois na floresta.

"E agora? Será que eu devo ir atrás dele? Mas… eu nem sei direito o que ele sente por mim..." — Quanto mais tempo levava para se decidir, mais o dia ia escurecendo. De repente, Cris se viu fora de si, correndo feito uma louca à procura do garoto.

O solo pedregoso às vezes traz algumas armadilhas consigo. E era exatamente esse o caso do caminho que levava até a árvore correio, tanto que Duda jamais deixara os outros irem buscar a correspondência. Cris já estava quase sem fôlego quando resolveu parar diante de uma grande pedra. Parecia uma espécia de mensagem de alerta, como se alguém tivesse colocado a pedra ali na tentativa de avisar que haveria um buraco logo em seguida. Mas não havia nada mais ali, além da pedra e da menina. Em questão de segundos, Cris começou a afundar, lentamente, numa espécie de lama. Sem se tocar do que se tratava, tentou se mexer, em vão, fazendo muitos movimentos bruscos, e isso fez com que seu corpo descesse ainda mais naquela poça gosmenta.

Nesse mesmo instante, Duda estava voltando da trilha e, ao se deparar com o sufoco de Cris, correu em disparada para salvá-la.

"Cris! O que você ta fazendo aqui? Isso aí é areia movediça!" — Duda percorria o local com os olhos, a fim de encontrar algum graveto forte o suficiente para erguê-la.

"Me ajuda por favor! Duda, eu tô afundando!" — Os braços de Cris estavam erguidos ao máximo. A menina se esforçava à todo custo para encontrar alguma coisa sólida em que pudesse se agarrar.

"Calma, não se mexe! Aqui, segura esse graveto." — Duda estendeu o graveto para Cris e foi puxando com cuidado até que a menina conseguiu alcançar o chão firme.

Cris estava chorando, com o corpo completamente sujo de lama. À princípio, tentou evitar abraçar o garoto, para não sujá-lo, mas quando Duda viu que a menina estava tremendo de medo, não hesitou em envolvê-la com seu corpo.

"Já passou. Olha pra mim. Ta tudo bem agora." — Duda segurou no queixo de Cris e puxou o rosto da menina para perto do seu. Enxugou uma lágrima que caía fina perto da boca e aproveitou o momento para lhe dar um beijo tranquilo. Com o tempo, os dois foram se desencostando, lentamente, até olharem olho no olho, ainda confusos com o sentimento recém descoberto.

"Obrigada por me salvar. Eu te…" — A menina estava perdida em seus sentimentos. Não conseguia pronunciar a palavra 'amo', pois tinha medo de não ser correspondida. Os homens já haviam demonstrado a ela que nunca se deve dizer logo de cara o que realmente está sentindo. E ela permaneceu ali, calada e sem reação, contemplando a beleza dos olhos de Duda, tão lindos e tão cheios de vida.

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"Eu te chamei aqui porque provavelmente eu e as meninas vamos votar no André hoje à noite. Prefiro te dizer logo, para que você não pense que eu ando tramando pelas suas costas." — Rafa foi direto ao ponto, sem se preocupar com efeito de suas palavras envoltas naquele tom de voz grosseiro.

"Tem certeza? Rafa, eu sei que pode parecer que eu tô querendo salvar o meu amigo, mas eu tenho quase certeza de que foi a Dani quem colocou fogo no acampamento hoje mais cedo."

Rafa arregalou os olhos e manteve o olhar fixo em Bel. Nesse momento, André se aproximou lentamente e se escondeu detrás de um arbusto.

"Eu acho que ela ficou com raiva quando a gente pediu ajuda da Teca pra te procurar, sendo que na verdade ela mesma não estava nem aí para o desafio. Então, quando a gente viu o sinal de fumaça, voltamos às pressas e nos demos de cara com a barraca das meninas em chamas e a Dani desmaiada do lado." — Bel prosseguiu com uma voz séria e firme.

"Mas eu fiz a fogueira de uma forma que o vento soprasse a brasa para o lado contrário de onde nós armamos as barracas… como isso pode ter acontecido?" — Rafa estava ainda mais intrigado com a situação.

"Essa foi justamente a desculpa que a Dani nos deu. De que o vento soprou o fogo para a barraca. Sendo que isso é impossível de ter acontecido. Ao que tudo indica, ela mesma causou o incêndio."

André acompanhava cada detalhe da conversa se perguntando, cada vez que Bel abria a boca, quais motivos levaram ela a discutir estratégias de jogo com um dos maiores inimigos do grupo dos vizinhos.

"Mesmo que isso seja verdade, eu não posso votar em alguém do orfanato ao invés de eliminar o André. O Mosca e os outros nunca iriam me perdoar por isso. Além do mais, o André tem outros amigos espalhados pelo jogo e em algum momento eles podem se encontrar e tramar algo contra mim." — Rafa aos poucos foi amolecendo, à medida em que Bel ia expandindo seu olhar penetrante em sua direção.

"Eu te entendo. Mas pensa com cuidado. Talvez manter a Dani possa ser mais prejudicial pra nós do que manter o André, que é um ótimo competidor nas provas." — Bel finalizou seu discurso pegando na mão de Rafa e exibindo um sorriso bobo no rosto, à espera de alguma coisa mais romântica. Rafa lhe deu apenas um beijo na bochecha e se levantou para retornar ao acampamento.

Já fazia bastante tempo que Bel esperava um beijo de Rafa, mas cobrar uma atitude dessas de um garoto tão tímido e meigo como ele, era bem difícil. Talvez Rafa estivesse esperando a oportunidade certa. O problema era que Bel já havia proporcionado várias oportunidades certas, e mesmo assim, nada de beijo. Naquele momento, passou pela sua cabeça que Rafa poderia estar usando ela para seu benefício no jogo. E isso a entristeceu em um dos momentos mais cruciais do jogo. Os últimos instantes antes da ida ao conselho.

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Cabeça baixa, braços envolta dos joelhos e o chão decorado com três pingos misteriosos. Uma quarta lágrima descia do rosto de Janjão, aumentando a mancha molhada que havia se formado na areia à sua frente. E talvez seja essa mais uma utilidade do solo, acolher o choro daqueles que não tem um ombro amigo.

"e u — n u n c a — m a i s — v o u — m e — a p a i x o n a r"

Era tudo que conseguia repetir enquanto novos pingos caíam de seu rosto. O fato de ter levado um fora não era tão ruim assim, mas Bia era a única garota com quem ele realmente se importava. Para Janjão, Bia era uma garota de verdade. Sem medo de encarar quem quer que seja e cheia de marra. Não conseguia parar de lembrar do beijo que havia roubado dela mais cedo. E agora se questionava se aquilo poderia ter acabado com todas as chances de conquistá-la.

Nesse momento, Bia estava descansando na caverna onde passava a maior parte do tempo. Olhando para o teto, pensava na importância daquela vitória para o seu futuro no jogo. Naquela manhã, talvez tivesse conquistado um pouco mais de respeito dos seus companheiros de grupo, e isso poderia evitar o complô que estavam fazendo contra ela. Isso, é claro, se Marian não armasse alguma outra coisa para dificultar ainda mais sua permanência no grupo Água.

Marian não gostou nada de ver Bia mostrando sua utilidade para o grupo. Se Janu e Janjão de repente passassem a gostar da garota, seu jogo poderia ir por água abaixo. E enquanto todos perdiam tempo comemorando a vitória, a garota permanecia em silêncio, tramando algo para acabar de vez com o jogo de Bia.

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No acampamento do grupo Fogo, Maria e Neco conversavam na barraca, aproveitando que todos estavam ausentes.

"Eles tentaram fazer minha cabeça contra o Mosca hoje mais cedo." — Maria penteava os cabelos de sua boneca enquanto Neco contava nos dedos os possíveis votos para o conselho.

"Eles estão com medo porque o Mosca e o Binho podem querer eliminar a Vivi antes de um de nós." — Neco era uma figura curiosa no jogo. Quando se tratava de provas e desafios, era o primeiro a dizer que não era capaz, mas quando o assunto era estratégia, conseguia desenvolver algum tipo de raciocínio, mesmo que um pouco inocente.

"Você acha que eles podem votar em mim?" — Perguntou Maria, apreensiva.

"Acho que sim… a menos que a gente faça alguma coisa…" — Neco completou sua frase com um gesto de incerteza. Nesse momento, uma ideia cresceu na cabeça de Maria.

"Acho que eu sei o que posso fazer" — Maria agarrou Laurinha e saiu correndo à procura de Mosca.

Quando ia saindo da barraca, deu de cara com Vivi e Samuca, e isso fez seu coração bater mais depressa.

"Aonde você pensa que vai?" — Indagou Vivi impedindo que Maria passasse adiante.

"Eu só ia perguntar se o Mosca já foi ver se tem correspondência na árvore correio…" — Disfarçou Maria.

"Nós precisamos ter uma conversinha antes." — Vivi puxou Maria em um canto onde ninguém pudesse ouví-los e deixou que Samuca explicasse o plano que tinha em mente.

"Maria, eu preciso que você convença o Neco a votar no Binho. Você vai ter que deixar bem claro que ouviu o Mosca dizer que votaria no membro mais fraco do grupo hoje à noite, e que esse membro é o Neco. Você consegue fazer isso?" — Samuca tentava suavizar a tensão do momento, falando em um tom de voz sereno e tranquilo.

Maria ficou parada, pensando no que acabara de ouvir. Era uma forma bastante pertinente de convencer Neco a votar em Binho, mas ao mesmo tempo tinha medo da forma como Vivi a tratava.

"Anda, Maria. Ou você faz o que a gente manda, ou eu mesma convenço o Mosca a votar em você hoje à noite. E não pense que isso seria difícil." — Vivi tinha os olhos afetados, de quem não dormia há séculos. Sua voz também havia mudado um pouco desde que chegou no acampamento. Tinha um tom mais raivoso que o de costume, e isso fazia Maria lembrar da época em que Marian a chantageava no orfanato.

"Tudo bem… eu faço o que vocês me pediram… Agora eu posso ir?" — Maria segurava Laurinha o mais forte possível.

Com isso, Maria seguiu em direção à barraca de Mosca. Samuca e Vivi resolveram ficar de guarda. Sentados ao redor da fogueira, esperavam a hora em que Maria fosse voltar para onde estava Neco e cumprir sua parte do plano.

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Duda e Cris retornaram da trilha com um bilhete nas mãos. Pata ainda estava arrumando a lenha para fazer a fogueira, quando todos foram convocados para uma reunião do grupo Ar. Duda então leu em voz alta o que estava escrito:

"O grupo Terra deverá comparecer ao conselho dos desbravadores pontualmente às seis horas. Às sete será a vez do grupo Fogo. Por terem chegado mais perto de vencer a prova, o grupo Ar será o último a ir para o conselho desta noite, às oito horas em ponto, tendo assim mais tempo para pensar em quem irão votar."

Depois que o comunicado foi lido, cada um voltou para o seu canto e os primeiros cochichos começaram a surgir.

Aquela seria uma noite completamente atípica, em todos os sentidos. Em breve, mais três participantes iriam deixar o jogo e muitas novas tramas estavam prestes a surgir. Era possível afirmar que o solo permanecia sendo a única coisa firme naquela floresta. Todo o resto era inflexível tanto quanto imprevisível, pendendo para o lado que mais lhe favorecesse.

Notas finais
Então, gente. Primeiramente gostaria de pedir desculpas pela pausa gigantesca. Acontece que eu não estava gostando muito da minha escrita e passei a ler mais e escrever menos. Mas prometo que isso vai mudar. Também quero agradecer a todo mundo que comenta nos posts, que recomendou minha fic e que me mandou mensagem pedindo pra que eu voltasse. Fico muito feliz que vocês estejam gostando. Se tem uma coisa que eu nunca vou poder reclamar, é de vocês. Seus fofos! Logo logo sai a continuação (: Beijo Beijo Beijo