Nós Somos Nossos
4 Tatuagem
Notas iniciais
— Olá Charlotte! — Eu digo ainda sorrindo – Que surpresa te encontrar aqui!
— Oie! — A garota diz tímida, pegando em minha mão e e num impulso louco eu a acolho num abraço.
Acontece um silêncio profundo na mesa. Todos os rostos ali se voltam para mim. Eu coro violentamente, mas fico feliz com o carinho da menina.
— Charlotte Cullen, comporte-se! — A senhora Cullen é quem repreende a garota, pois o pai está num limbo entre o choque e a admiração. A menina solta a minha cintura e imagino como foi que eu consegui manter a bandeja segura no alto este tempo todo.
— De onde você a conhece, filha? — O ‘deus grego’ Cullen pergunta a Charlotte.
— É a moça que me deu o desenho papai, o desenho da praça que o senhor gostou. Foi ela que fez! — Charlotte exclama em sua voz doce. Um sinal de compreensão passa pelo rosto do pai dela.
— Ah sim! — Ele diz e me encara — Parabéns, seu desenho é muito bom. — Eu coro ainda mais – Bella, né isso? — eu arregalo os olhos quando ele fala meu nome e ele sorri — Está na assinatura do desenho. — ele explica.
— Sim, isso mesmo. Obrigada! — Respondo envergonhada com os olhares dos outros Cullens em mim. Desvio o olhar para baixo para me concentrar. — Sua bebida, senhor?
— Coca com limão, por favor! — ele responde gentil.
— E você, pequena? — Eu falo com a menina e ouço a sra Cullen pigarrear, mas outra voz me repreende.
— Srta Cullen para você, serviçal! — Uma voz feminina soa atrás de mim e reconheço antes mesmo de me virar. É a mãe de Charlotte. Eu respiro fundo e me viro para ela.
— Desculpe, sra Cullen, garanto que não irá se repetir. — Falo olhando-a e percebo seu rosto se contrair de leve.
— Ah não Bella, ela é Alice Brandon, ela é mãe da Char, mas não é mais uma Cullen – Nessie fala rindo fazendo a mulher fazer uma careta. Nessie sorri maliciosamente e eu seguro meu riso mordendo a boca por dentro.
— Ok me desculpem meu ato falho. Refrigerante, srta Cullen? — digo, me virando para a garotinha novamente, que assente e eu vou para a mesa ao lado entregar as bebidas que estavam na bandeja.
Quando volto para o bar, Seth me encara. Ele percebe na hora que eu não tô bem.
— O que houve Bells? Você está pálida! — Ele fala me dando um pouco de água.
— Essa família Cullen... — falo sussurrando — só tem doido naquela mesa. Lembra da menina bonita de ontem, que eu te falei que tinha uma mãe bem grossa?
— Sim, a menina que tem seus olhos, lembro – Seth assente
— Olhe na mesa dos Cullens e você verá a garota lá. Ela é neta da sra Cullen. — Eu suspiro – Ela me reconheceu e foi uma pequena confusão ali – Eu digo suspirando.
— Nossa, que loucura menina! — Seth devolve. — Ah! Deixa eu te falar... tem um gostoso ali numa mesa que tá de frete comigo, Bella! Me deu o número dele e tudo! — Ele me mostra um guardanapo com um número rabiscado.
— Hm, ta podendo hein? – Eu digo e arrumo a minha bandeja – Bom, agora deixa eu ir enfrentar aquele povo doido ali.
Saio rumo as mesas de minha responsabilidade e respiro aliviada ao ver que a tal Alice Brandon não está mais na mesa do Cullens. Ao chegar à mesa, eu deposito o whisky duplo do Sr Cullen pai, a água com gás da sra Cullen, o suco de frutas de Nessie, o refrigerante de Chalotte e por último a Coca com limão do Sr Cullen filho. Ele me olha quando afasto a minha mão e a segura levemente. Uma corrente elétrica toma todo o meu braço e se alastra daquele ponto pelo meu corpo inteiro. Em contrapartida, um arrepio surge da direção oposta, subindo a partir dos meus pés.
— Desculpe pelos modos da minha ex-esposa. Ela acha que pode falar com as pessoas como se fossem objetos só porque trabalham para ela. — Ele diz e me dá um sorriso torto que me derrete.
— Tudo bem, Sr Cullen. Não que eu concorde, mas estou acostumada com isso. Não é a primeira vez. — respondo retirando minha mão da sua – Com licença! Eu digo e me retirando dali, sentindo o rastro de frio e fogo em meu corpo ainda.
Quando o leilão acaba, os convidados passam a se servir do buffet da ceia. Assim o nosso trabalho passa a se resumir em circular com bebidas entre os convidados. No jardim, enquanto volto para a cozinha já bem tarde, observo a pequena Charlotte quase dormindo num banco ao lado de Nessie que mexe em seu celular. Nessie então chama a menina para entrar na casa, mas a pequena não consegue nem andar direito. Também pudera, são quase meia noite, ela deve estar exausta.
— Ei Nessie, ta tudo bem? — Pergunto me aproximando delas
— A Char tá com sono, estou tentando levá-la pro quarto dela, mas ela não tá conseguindo andar direito. — Nessie resmunga – Eu só tenho 13 anos e sou um palito, não consigo carregá-la!
— Certo, você me mostra o caminho que eu a levo, pode ser? — Eu digo entregando minha bandeja vazia a Nessie e carregando a menina em meus braços. Ela se aconchega no vão do meu pescoço e fecha seus olhinhos, dormindo serena.
Nessie me conduz por um caminho menos movimentado até a parte residencial da mansão. O local está pouco iluminado e por isso não posso ver muita coisa, mas o que vejo é suficiente para me fascinar. É um lugar digno de um filme de Hollywood. Nessie sube a escadas e me guia por um corredor cheio de portas e quadros magníficos. Controlo o desejo de parar na frente deles e os analisar. A tensão de estar num lugar que nem deveria me deixa apreensiva demais para dar oportunidade a curiosidade. Ela abre, finalmente, uma porta naquele corredor e eu suspiro.
Pisco duas vezes para assimilar a quantidade de rosa no ambiente. O quarto parece de uma princesa da Disney com direito a cama com dossel, penteadeiras e tapetes felpudos. É o sonho de qualquer menina de 5 anos! Avanço até a cama e deposito a menina devagar sobre os lençóis. Ela se aconchega nas almofadas e eu percebo que ela está um pouco desconfortável naquele vestido de festa cheio de coisas e enfeites. Olho para Nessie que ainda está parada na porta.
— Nessie, ela tem alguma roupa mais confortável? — Pergunto e ela vai até uma porta, qua acredito ser um closet. De lá, ela vem com um pijama de unicórnio em tons pastéis.
— Coloca essa aqui, ela adora. — Nessie diz. Eu pego o pijama e começo a tirar o sapato da menina. – Vou descer, até para avisar ao maninho que Nessie já dormiu.
— Ei, espera, não posso ficar aqui sozinha... — Eu falo, mas ela já se foi. respiro fundo pensando no quanto eu estou ferrada se me pegarem ali. Eu já podia sentir o cheiro de problemas. Mas, já que estava ali mesmo...
Retiro o vestido da menina com cuidado e a vesto com seu pijaminha. Sorrio ao perceber a graça que ela ficou vestida com ele. Podia até desenhá-la agora. Olho ao redor e encontro um caderno de desenho e alguns lápis. Mordo o lábio, mas a arte sempre vence em mim. Começo a rabiscar o contorno de seu rosto sereno e vou fazendo os detalhes. Em 20 minutos, está pronto.
— Seu talento é incrível. É uma artista nata. — Uma voz aveludada e já conhecida soa baixo no ambiente, mas isso não impede o meu susto. Abafo o grito com a mão um segundo antes dele sair.
— Meu Deus! — Eu digo me levantando da borda da cama onde eu estava. Ele está a cerca de três passos de mim e posso vê-lo com mais clareza agora que estamos a sós. — Me desculpe, senhor Cullen! Não sei o que me deu para fazer o desenho. Posso rasgá-lo, se quiser...
— Não! — Ele diz alarmado e anda até mim pegando o caderno — Não faça isso! Está tão lindo... e eu sei que minha filha irá adorá-lo.
— Sério? — Ele assente e eu sorrio — Então me deixe assinar, por favor — Ele segura o caderno na minha direção e eu assino no canto do desenho.
— Bella — Ele lê.
— Isabella Swan, Bella, prazer – Eu falo estendendo a mão e ele retribui.
— Edward Cullen, prazer! — Ele diz apertando minha mão levemente e a corrente elétrica volta ao meu corpo. Sinto meu rosto ficar quente.
— Oh! — Eu falo e ele franze a testa — Já ouvi seu nome. Você é o dono da Cullen’s Arch? — Ele assente — Conheço sua secretária, sou amiga da Rosalie e e do Emmett.
— Uau! E como eu nunca te conheci? — Ele exclama — Conheço o Emmett desde pequeno. — Ele diz surpreso e eu dou de ombros.
— Não era pra ser antes, eu acho – eu falo e ambos silenciamos. — Me desculpe está nesta parte da casa, eu só quis ajudar a Nessie com a Char e ...
— Tudo bem Isabella,
— Só Bella, por favor! — Eu interrompo.
— Certo — Ele sorri e eu me pego sorrindo junto — Nessie me explicou e eu que agradeço pela ajuda com a Charlotte. Não devia ter me afastado tanto dela. — Ele suspira – Ela parece gostar muito de você, e acredite, isso é incrível. A Charlotte tem dificuldades de interação social, principalmente com estranhos. Quando eu a vi te abraçar tão espontânea mais cedo eu nem acreditei. — Ele dá um meio sorriso lindo que me faz sorrir.
— Fico feliz com isso porque eu também gostei muito dela desdo o primeiro sorriso. — Eu respondo sincera e um silêncio se faz novamente. — Bom, eu vou voltar para o meu posto, devem estar sentindo minha falta – falo me encaminhando para porta e ele se inclina para dar um beijo na filha e me acompanha para fora do quarto.
Quando eu ia me virar para voltar para a escada algo em seu antebraço esquerdo me chama atenção. Sua camisa social está puxada até o cotovelo e dá para ver uma tatuagem ali. Involuntariamente eu a toco e o sinto estremecer levemente.
— Ficou linda em você! — eu exclamo ao constatar o desenho que eu mesma fiz anos atrás em sua pele. Encaro seus olhos tão azuis como os meus.
— Foi o Emmett que fez há quase um ano, eu acho. É em homenagem a Charlotte, ela nasceu em outubro — Ele disse passando os dedos da mão direita ali. — Eu achei no acervo dele e me apaixonei. Você já conhecia o desenho? — Os meus olhos marejam com sua pergunta.
— Este desenho é meu. Eu o fiz — Falo e ele arregala os olhos.
— Uau! — Ele responde – Que loucura!
— É que eu faço uns desenhos para Emm às vezes. — Respiro fundo para recuperar a voz de choro – Bom, tenho que ir agora. Até mais! — Eu falo e quase corro para as escadas. Aquele desenho, de tudo que eu vivei naquela noite, foi o que mais mexeu comigo. Eu havia feito aquele desenho no dia que minha mãe morreu, ela amava o outono. No dia seguinte, pedi para Emm tatuar para mim. Soluço com a avalanche de lembranças. Eu costumo fazer um esforço muito grande para não sucumbir a dor da perda de minha mãe, mas nestas situações fica muito difícil.
Quando chego no jardim encontro Seth e, ao me ver, entende que algo aconteceu e me arrasta para o banheiro onde consego extravasar um pouco do choro que está preso em minha garganta. É muito difícil ser sozinha no mundo, saber que você não tem mais um vínculo de sangue com ninguém que respire. Posso dizer com certeza que se não fossem meus amigos e a arte eu já teria desistido de tudo.
Voltamos para os nossos postos e a noite prossegue tranquila. Vejo Edward algumas vezes, de longe, e ele sempre me encara curioso. Eu estou intrigada com ele e nem sei porquê. Ele mexe comigo e isso tá me deixando confusa. Às 2h da manhã, depois de todos os convidados terem ido embora e termos limpado e arrumado tudo, todos vamos para a van de Aro para voltarmos para casa. Dou uma última olhada naquele jardim fabuloso antes de partir e o vejo sentado num banco com uma taça de vinho nas mãos. Ele me encara e acena com a cabeça para mim antes de eu entrar no carro.
Nova Iorque, 4 de fevereiro de 2018, domingo.
Ainda bem que domingo não tem Café Latino e eu posso me dar o luxo de dormir mais e descansar da semana, apesar de trabalhar a noite. Seguindo meu padrão dominical, acordo às 10h15 bem relaxada. Consigo descansar bem da noite intensa de trabalho e da crise de choro também. Tomo um banho e visto um dos shorts que Rose me deu e uma camisa preta do RHCP*. Vou tomar o meu café. Faço ovos com bacon com suco de laranja. Depois faço uma massa de panqueca para os próximos dias.
Ligo o som do meu celular e começo a limpar a casa. Varro tudo e tiro o pó dos móveis. Era pra ter feito isso ontem, mas levei muito tempo com Rose e deu nisso né. Pelo menos a casa é pequena e o trabalho também, por consequência. Quando termino tudo, eu tomo outro banho e visto minha calça verde militar, uma camisa branca, all star e cachecol preto. Deixo o cabelo, úmido ainda, solto e rebelde.
Saio do prédio e encaro o vento frio do Brooklin. Sue havia implorado para que eu fosse almoçar com eles e eu não pude recusar de novo. Já havia recusado nas últimas duas semanas. A casa deles fica cerca de 15 minutos da minha. Num prédio também, porém é um apartamento completo. Ao chegar e tocar a campainha, Seth me atende.
— Aleluia, mãe, ela veio! — Ele exclama dramático e eu reviro os olhos. Ele veste uma calça de moletom somente e a cara é de quem acabou de acordar. Ele abre espaço para que eu passe e fecha a porta.
Seth, como todo bom descendente de mexicanos, tinha uma pele bronzeada por natureza. Ele é moreno, alto e levemente musculoso. Tem o corpo atlético graças ao futebol americano que jogava no High School e um certo charme atraente. Sem camisa, como está agora, ele fica muito sedutor. Só acho um desperdício para humanidade ele gostar de outra fruta. Ele daria descedentes lindos ao mundo.
— Bom dia também viado! — Respondi provocando e ele me fuzila com o olhar, ele odeia ser chamado assim. — isso é hora de acordar? — Pergunto indo com ele até o sofá e me jogo ao seu lado.
— Fui dormir tarde, viada! – ele diz, eu reviro os olhos e eu ia argumentar, mas ele me corta – Mais tarde que você, querida. Mandei mensagem para o tal gostoso da festa e conversamos até as 4h da manhã. — Abro minha boca num ‘o’ perfeito – Vamos até sair hoje!
— Sair? — eu digo erguendo a sobrancelha e ele gargalha.
— Primeiro vamos sair... depois é depois, né Bels! — Ele rebate — Mas você também se deu bem, não se faça de santa!
— Como assim? Eu não fiz nada! — eu digo confusa.
— E a história com o Cullen, hum? — Ele joga e eu coro ao lembrar dos nossos breves contatos que tivemos — viu, você tá corada, você quer pegar ele que eu sei!
— Não surta Seth! — Eu grito – Não existe história com ele. O cara é completamente fora dos meus padrões e nunca vai me enxergar na frente dele.
— Ah pode ter certeza que ele te enxergou. Te enxergou muito naquele vestido preto sexy. Ele não tirou os olhos de você a noite toda!
— Não viaja Seth. Ele ficou abismado com a nossa semelhança, só isso. — falo querendo mudar o rumo da conversa.
— Menina, nem me fale. Que bizarro isso! — Ele fala com cara de choque e conversamos um pouco mais até Sue nos chamar para comer. Nessa hora Leah chega com o namorado, James Winter.
Leah é morena, assim como o irmão, tem cabelos de textura grossa e lisos até a altura dos ombros. Seu corpo é curvilíneo e muito bonito com seu quadril largo e seios fartos. Ela tem diversas tatuagens e piercings pelo corpo, afinal, ela tinha que fazer a propaganda de seu trabalho. Ela trabalha no estúdio de Emm colocando piercings e alargadores. James é loiro com olhos azuis num tom comum. Alto e musculoso, uma vez que trabalha como mecânico. Seus cabelos compridos estão sempre puxados num rabo de cavalo preso na nuca. Ele tem um olhar muito intenso que chega a ser constrangedor.
— Boa tarde, família! Oi Isabella! — Leah diz revirando os olhos e vai sentando à mesa – Chegamos na hora certa amor.
— Boa tarde a todos! — James fala e senta ao lado de Leah. Ele me fita um pouco me deixando constrangida e desvio o olhar para Seth que está falndo do cara que conheceu ontem.
Leah e James conversam entre eles e Sue nos observa. Seth, inconveniente como sempre, insere o episódio com os Cullens na conversa, fazendo até Leah e James prestarem atenção.
— Sério, gente, vocês precisam ver, é muito bizarro. Os Cullens tem o mesmo tom de ruivo da Bella — Seth fala – isso sem falar nos olhos. Sério, se eu não tivesse conhecido a Renée podia jurar que você tem parentesco com aquele povo. — Todos nós rimos, com a improbabilidade da situação exceto Sue, que se engasga e tem uma expressão indecifrável no rosto.
— Deixe de besteira Seth, Isabella nunca teria sangue tão nobre! — Leah diz venenosa e gargalha.
— Leah! — Sue exclama raivosa – Brincadeira tem limite! E vamos mudar esse assunto.
— Eu acho que já vou indo, Sue — Eu digo após um minuto de silêncio na mesa – Obrigada pelo almoço, estava maravilhoso como sempre. — E arrasto minha cadeira para levantar.
— Bells, mas já? — Sue questiona – Fica mais um pouco!
— Affs, mãe, você já a vê a semana toda? Suas vistas não doem não? – Leah gargalha e James a acompanha. Eu reviro os olhos e Sue se levanta.
— As vistas eu não sei, mas os ouvidos dela devem doer com essa sua voz chata e mau humor do caralho, Leah! — Respondo já me levantando – quer saber Leah, supera isso, já tem 2 anos já. Não é você que ele tá comendo? Então faz bom proveito e me deixa em paz!
— Sua... — Leah levantou de vez
— Nem termine, Leah Clearwater! Já chega vocês duas! — Sue grita.
— Desculpe Sue! — Eu digo controlada, afinal respeito muito a Sue — Obrigada mais uma vez. Nos vemos por aí Seth! — Eu digo dando um beijo no rosto de Sue e saio da casa ouvindo Leah bufar.
Começo a fazer o meu caminho para casa e me pego pensando no Cullen para me distrair da discussão. Affs! Porque não paro de pensar nele e na sua filha? Sacudo a cabeça e olho meu celular, 14h50. Resolvo passar na casa de Emmett e ficar um pouco com eles.
Ao chegar lá vejo um carro preto estacionado na frente do estúdio. Um carro bonito e caro. Seria um cliente importante? Emmett geralmente não atende aos domingos, exceto casos especiais. Aquele parecia um. Eu contorno e vou direto para a escada lateral que dá acesso ao loft. Dou três batidas leves. Rose que abre e se espanta. Abre espaço para mim e eu entro.
Arregalo meus olhos. Ali estão os Cullens que tanto povoam meus pensamentos, pai e filha, sentados no sofá da sala de Emm e Rose. Deus do céu como ele tá lindo! Sinto uma onda de calor me invadir e coro.
— Boa tarde! — Eu digo – Desculpe Emm, não sabia que tinham visi...
— Beeeeeeeeeella! — Um furação de cabelo loirinho e vestido rosa e amarelo vem ao meu encontro e se choca com as minhas pernas. Eu me agacho e a ergo no colo — Muito obrigado pelo desenho que deixou pla mim, eu não sabia que eu é tão bonita dormindo. — Todos nós rimos.
— É obrigada que você fala, filha. — Edward se levanta e vem até nós — E é "que eu sou tão bonita". Boa tarde Isabella! — ele se dirige a mim com aquela voz aveludada e gentil que me faz sentir um formigamento entre as pernas na hora. Que diabos está acontecendo comigo? Meu olhar passeia por ele, que está bem diferente da noite anterior. Veste uma camisa polo azul marinho e um suéter cinza com um jeans escuro e tênis. Seus fios ruivos estão bagunçados caindo levemente sobre a testa e seus olhos azuis brilham na minha direção. É a visão do paraíso.
— Só Bella, por favor. Oi! — Eu digo meio constrangida – Desculpem atrapalhar a visita. Eu só passei para dar um oi para vocês. — Digo me direcionando a Emm e Rose
— Deixa disso Bells, senta aqui! — Emmett fala apontando o sofá e todos sentamos, eu ainda com Charlotte no colo.
— Então Bella, o Edward veio aqui justamente saber de você! — Rose dispara e eu coro violentamente baixando o olhar.
— Co-como? — Gaguejo, surpresa. Droga!
— Ei! Não é bem assim, não sou um maluco! — Ele se defende alarmado e eu olho para ele. Ele está levemente corado — É que a Charotte queria muito te ver de novo para te agradecer pelo desenho e como eu não tinha como entrar em contato com você, me lembrei de você ter dito que era amiga desses dois...
— Aí ele resolveu vim de East Village até Bed-Stuy ao invés de só ligar e pedir seu número. — Emmett fala irônico fazendo o seu amigo corar ainda mais e eu não seguro o riso baixo. Rose dá uma cotovelada no namorido, rindo também.
— É, parece meio louco visto dessa forma... — Edward diz pensativo – Mas Charlotte queria te ver, não falar somente. — Eu olhei para a menina que estava mexendo nas mechas de meu cabelo e agora estava quase dormindo em meu ombro. — Ela simplesmente te adora, isso é tão assustador, mas tão bom — ele fala olhando a menina em meus braços.
— Coloca ela lá na cama Bells. Emm e eu vamos fazer um lanche para nós quatro — Rose diz indo para a cozinha com Emmett, deixando-me a sós com Edward quando volto para a sala.
— Minha filha disse que te viu na praça do Empire na sexta – Ele começa o assunto.
— Sim, eu fico por aquela região ali ao longo da semana, entre o Empire e a Times vendendo desenhos prontos ou fazendo desenhos na hora para turistas — Respondo.
— Ah que legal! Admiro muito a arte das ruas, quando consigo tempo, gosto de observar. Sou arquiteto sabe, adoro arte. — Ele desata a falar e depois parece perceber que está falando sem pausas. – Pena que nunca lhe vi por ali, meu escritório fica ao lado do Empire.
— Eu realmente não fico muito no Empire, só quando os melhores lugares estão muito cheios quando chego. — Eu digo – E sim, arquitetura é fantastica, era a minha segunda opção de curso.
— Qual a primeira? — Ele dispara
— Artes plásticas, licenciatura. — falo sonhadora.
— Mas quando terminar a escola, com certeza você vai passar. Com seu talento pode tentar a Julliard. Conheço gente que fez arquitetura desenhando muito menos que você — Ele fala e suas palavras marejaram meus olhos. Como alguém que me conhece tão pouco consegue este efeito em mim?
— Já terminei a escola – eu digo – Tenho 20 anos, Edward.
— Sério?! — ele exclama claramente surpreso. — Oh, me desculpe, achei que tivesse menos. — Ele completa envergonhado – Mas por que não está na faculdade?
— Longa história — devolvo rápida e ele percebe que eu não quero continuar no assunto porque logo muda para falar de Charlotte.
— Sabe, estava pensando numa coisa. Quero te fazer uma proposta. — Ele começa e nesta hora, Rose e Emm surgem com uma bandeja de petiscos e um balde de pipoca, fora as cervejas. — Bom, a Rose me disse que você já trabalhou de babá antes... Como a Charlotte gosta tanto de você e isso é tão raro, eu queria saber se você aceita ser a babá dela?
— Oh! — Eu exclamo, não esperava por isso – Bom, é que eu tenho outros trabalhos e tudo mais...
— Deixe-me explicar a situação! — Ele pede e eu me calo – Eu tenho a guarda compartilhada de Charlotte, ela fica 15 dias comigo e 15 dias com a mãe. O colégio que ela estuda é internato e nos 15 dias que ela deveria ficar com a mãe ela fica no internato, só indo para casa nos finais de semana. Alice alega que trabalha muito, mas sei que é mentira — Meu rosto se contrai levemente de raiva daquela mulher – Quando Char está comigo, eu faço questão que ela venha para casa todos os dias, mas meu trabalho exige muito de mim, a Rose pode lhe dizer. — Ele para e toma um fôlego — A Charlotte tem deixado de desenvolver relações pessoais por ficar muito presa naquele lugar, me parece que ela não tem muitas amigas e isso acaba comigo, sabe. Por isso, quero deixar ela lá o mínimo possível — ele me olha com certa profundidade — Assim, você seria responsável por cuidar dela da saída da escola até a minha chegada em casa as 20h, não seria um tempo integral de qualquer forma, mas posso te pagar como se fosse.
— Nossa! Nem sei o que dizer. — eu respondo – Eu gosto muito de cuidar de crianças e a Charlotte é um amor, mas preciso pensar um pouco. Eu tenho um trabalho a noite e se aceitar sua proposta terei que sair dele.
— Qual o trabalho? — Ele questiona.
— Bargirl, 5 horas diárias, 5 dias na semana. — Respondo – 150 dólares por semana.
— Te ofereço as mesmas 5 horas, de segunda a sábado, e dobro o valor – Ele diz e eu arfo, até Rose se surpreende – 300 dólares por semana. São os mesmos 600 dolares por mês trabalhando apenas duas semanas. E nas semanas que você não trabalhar, você está livre. O que me diz?
— Uau, que arriscado chefe! — Rose comenta e olha para mim num sinal de aprovação.
— Eu preciso de alguém de confiança cuidando da minha filha e ela adorar você é realmente um bônus muito bom. A babá da casa de Alice é detestável. Emmett e Rose adoram você e confio no julgamento dele e da Rose. Para mim é o suficiente.
— Ok, eu aceito. — Respondo suspirando. Fico hipnotizada com seus argumentos e não consigo recusar. Não que eu odiasse o meu trabalho no pub, mas sempre me deixa cansada demais, principalmente aos finais de semana. Saber que vou poder dormir mais cedo todos os dias é muito bom, fora que vou ganhar mais por um trabalho mais leve. Não tinha como recusar. — Mas me diga uma coisa, vou precisar lidar com a mãe da Charlotte?
— Eventualmente, mas bem pouco, eu garanto. — Ele responde e eu suspiro. Nem tudo é perfeito. — Talvez precise que você fique com ela quando eu tiver algum jantar de negócios, mas pagarei hora extra nestas situações.
— Quando começo? — Pergunto alguns segundos depois e vejo meus amigos e Edwrad sorrirem.
— Amanhã mesmo, se puder. — Ele responde e eu ergo a sobrancelha – Meu tempo com ela começaria amanhã, mas Alice sempre dá um jeito de mandar a menina antes e eu não me importo! Pode ser amanhã?
— Pode ser sim. Eu vou falar com Caius hoje e pedir demissão. Pelo menos amanhã é segunda e dará tempo de ele conseguir alguém até terça feira. — Eu digo e consulto o relógio de parede, são quase 17h. — Inclusive, eu já vou indo, ta quase na minha hora — me levanto – Obrigada Edward pela oportunidade e confiança.
— Eu lhe sou grato pelo resto da vida. — Ele responde – Ah, precisamos trocar nossos números e preciso que me envie uma foto sua para mandar para a escola amanhã para liberarem a saída de Charlotte com você. — Ele me estende o seu celular para eu colocar meu número e eu faço o mesmo com o meu.
— Pronto. — Ele diz me devolvendo o meu e pegando o seu das minhas mãos — Vou te passar o endereço do meu escritório, da minha casa e da escola. Você poderia almoçar comigo amanhã para eu te passar algumas rotinas e tudo mais? — Assinto – Passe no meu escritorio e aí te levo a um lugar. Pode ser às 13h?
— Pode sim. Estarei lá no horário. — Dou um beijo em Rose e um abraço em Emm. Aperto a mão de Edward levemente e a já conhecida corrente elétrica passa entre nós. Percebo a expectativa em seus olhos e me questiono se ele também sente essa corrente — dê um beijo na Char por mim!
Ele assente e Rose vai comigo até a porta.
— Temos o mesmo chefe agora, Rose! — Eu brinco com ela.
— Exato, a diferença é que eu não recebo aqueles olhares dele. E nem quero, é claro. — Ela alfineta – O que é aquilo?
— Você e Seth estão viajando legal. Não há nada ali pra mim, é sério. Pare com isso! — Falo emburrada.
— Ah minha amiga, tenha certeza, há algo ali sim... e há algo aqui também! — ela diz apontando para mim na direção do meu baixo ventre, o que me faz ruborizar até a alma.
— Rose! — Eu exclamei baixo — Você está louca! Até mais! — eu digo e me viro para sair da frente daquela maluca. Nem tem 24h que eu conheço, como ela pode insinuar uma coisa dessas? É fato, só ando com gente doida.
Faço meu caminho até minha casa cantarolando uma música qualquer. Aceitar este emprego é muito vantajoso para mim. Eu recebia 600 no pub, e 500 no Café Latino. Esse valor era o suficiente para manter o aluguel mensal com o aquecedor, as contas mensais e o mercado. Agora com mais tempo livre, vou poder fazer mais free-lancers e eu vou conseguir guardar mais do que a grana dos desenhos, das tatuagens e dos eventos, e quem sabe me arriscar num curso liberal de artes? Todo este esforço será recompensado um dia, quando enfim eu tiver a minha casa própria.
Aquele sempre fora o sonho de Renée, desde que perdera a casa de meus avós devido a dívida da hipoteca em New Haven, Connecticut. Me lembro de como ela se culpava, ela era a filha única deles e, segundo ela, já havia dado muito desgosto a eles sendo mãe solteira e ainda perdeu a casa que eles tanto amavam. Ela sonhava em ter a sua casa própria novamente e trabalhava muito juntando dinheiro para isso. Ela queria que eu fosse para a faculdade e realizasse meus sonhos e eu sempre dizia que eu daria uma casa para ela quando fosse uma grande artista. Ela se foi sem ver seus sonhos serem realizados, mas mesmo sem ela do meu lado agora eu os realizarei e orgulharei a minha mãe onde quer que ela esteja.
O dinheiro que ela tinha guardado desde que viemos para Nova York acabou sendo gasto em seus tratamentos, medicamentos e internações. Acabou mais rápido do que ela previra e eu tive que começar a trabalhar ainda no colegial, com 16 anos. Minha mãe lutou contra um câncer agressivo durante quase 2 anos. Primeiro veio na mama esquerda, depois na direita, depois fígado e por último, cérebro. Já cresci sem conhecer meu pai, perdi meus avós muito pequena e aos 18 anos estava sozinha no mundo.
Perdi minha oportunidade de Bolsa na Julliard por dois motivos. Devido a enfermidade de minha mãe e ter de trabalhar nos últimos anos do colegial o meu rendimento escolar se tornou mediano, o que me garantiria no máximo uma bolsa parcial, mas no dia do meu teste de aptidão a minha mãe morreu e eu não fui. De qualquer forma, eu não iria conseguir pagar a outra parte da bolsa parcial, então o sonho já estava cancelado mesmo. Suspirei no banho enquanto lembrava de tudo isso e deixava algumas lágrimas escaparem.
Meu foco agora é entrar numa escola superior de Belas Artes, abrir uma galeria de arte de rua e construir a casa dos sonhos de minha mãe. Saio do banheiro enrolada numa toalha e vou até a estante. Tiro uma folha de desenho bem antiga de dentro duma gaveta ali. Sorrio. Eu fiz aquele desenho com 14 anos, dizendo a minha mãe que eu faria aquela casa para ela. Lembro do sorriso lindo que minha mãe me direcionou dizendo o quanto seria linda a nossa casa. Um soluço escapa.
— Ah mamãe, quanta falta você me faz! Queria tanto que o câncer não tivesse vencido! — Falo fitando a foto dela que está em cima do criado mudo com a voz embargada.
Não, eu não podia ficar assim! Eu prometi a ela, antes que morresse, que eu nunca deixaria a tristeza me dominar. Ela sempre me dizia que eu tinha que ser forte e corajosa, nunca desistir de lutar e realizar os meus sonhos. Aliso a minha tatuagem na costela esquerda onde está escrito a frase que ela sempre recitava para mim “Seja forte e corajosa!”. E é o que eu tenho feito, um dia de cada vez. Por ela e por mim.
Seco minhas lágrimas e vou me vestir com um jeans, camisa amarela, suéter vermelho e botas. Prendo o cabelo num rabo de cavalo e vou pegar a condução para Clinton Hill. Encontro Sônia e Sarah na condução e elas vão me contando como foi o trabalho na noite anterior. Chegamos com um tempo de folga no pub e eu aproveito para procurar o Caius na sala dele nos fundos. Ele está com Aro conversando.
— Boa noite Caius, boa noite Aro! — Eu digo entrando – Posso falar com você rapidinho? — Pergunto.
— Entre, Bella! — Ele diz – Tem problema o Aro ficar? — Eu nego
— Bom, primeiro eu queria agradecer a você por toda oportunidade que você me deu aqui no pub. Eu não tinha experiência com bar e você acreditou em mim sabe. — Respirei fundo – Mas, eu vim me demitir, Caius.
— Ah meu Deus! Você é uma das minhas melhores garotas, Bella! O que houve? — Caius exclamou e vi Aro surpreso também. Eles sempre me deram oportunidade de trabalho e sinto que devo ser honesta com eles.
— Bom, eu consegui um trabalho, graças ao evento de ontem. O Sr Cullen me contratou para ser babá de sua filha, por eu ter cuidado dela por um tempo durante a festa e a menina gostou de mim. Temos alguns amigos em comum, que lhe deram boas referências e ele me fez uma oferta. — DOu uma pausa — Eu aceitei, porém não daria para chegar aqui a tempo pois eu sairei as 20h de Manhattan. Vocês sabem que eu quero estudar arte e neste trabalho talvez eu consiga tempo para fazer isso.
— Eu entendo que você merece um trabalho mais leve do que este, Bella. Você é jovem, tem que ir atrás de seus sonhos mesmo. — Caius diz derrotado e se levanta vindo até a mim – Saiba que sempre terei um lugar para você aqui caso queira ou precise voltar. Mas não nos abandone, tá bom? — Ele fala abrindo os braços para um abraço.
— Virei sempre que puder ver vocês. — Respondo.
— Mas na Volturi’s Events você vai continuar né? — Aro pergnta dramático quando saio do abraço de Caius.
— Sim, inclusive agora poderei ir a eventos no meio da semana quando você precisar. — Pisco para ele.
— Ah que ótimo! — Aro exclama batendo palminhas e eu reviro os olhos.
— Bom, agora vou descer para meu trabalho. — Falo sorrindo.
A noite transcorre tranquila, o movimento está dentro do padrão para um domingo à noite. Hoje eu fico no salão, o que significa boas gorjetas, mas também algumas cantadas e ‘mãos bobas’ desnecessárias. Se eu podia listar algo de ruim em ser bargirl era isso: os homens que acham que temos a obrigação de fazer algo além de servir as mesas e ser simpáticas. A política da casa não permitia essas coisas e os clientes fiéis já tinham consciência disso. Porém sempre tinha um ou outro novato gaiato que vinha com gracinhas. Era aí que Joe, Thomas e Félix eram obrigados a informar a esses seres como é que uma mulher deve ser tratada, já que não aprenderam em casa.
Essa noite, até então, está tudo muito tranquilo. Até que vejo entrar no pub um moreno de tirar o fôlego. Alguns de seus traços me lembravam os de Seth, o que me leva a crer que ele tem origem latina ou indígena. Os cabelos dele são lisos e curtos, além de escuros como os seus olhos. Ele tem um corpo forte e viril. E está muito atraente num jeans escuro, camisa vermelha e casaco preto. Bella, o que é isso?! Você tá andando demais com Seth e Rose e está ficando pervetida. Logo ao lado dele tinha outro rapaz e aquele eu conheço muito bem, o que faz me ir até eles para servi-los na mesa que escolheram.
— Seth! — Eu digo e lhe dou um beijo no rosto.
— Bells! Este é Jacob Black, um novo amigo – Seth insinua – Jake, esta é a Bella, minha melhor amiga no mundo todo!
— Pode me chamar de Jake. É um prazer conhecer uma garota tão linda e atraente! — O moreno diz e, ignorando a mão que eu estendi a ele, me puxa pela cintura e deposita um beijo em minha bochecha corada. Nem preciso dizer que fiquei ainda mais vermelha e quente.
— Obrigada! — Eu digo encabulada – O que vocês bebem hoje?
— Uma tequila para mim – Jake diz sensualmente – Seth?
— Um mojito – Ele diz e eu me inclino até seu ouvido aproveitando a distração de Jake.
— Ele é gay mesmo? Ou só um curioso? — Sussurro para meu amigo
— Ele é Bi, Bella, e parece que curtiu você também. — Seth diz gargalhando e eu arregalo os olhos. — Ah Bella, qual é, você já passou da hora de começar a viver... — reviro os olhos e Jake se vira para nós.
— Quem fuxica o rabo espicha... se bem que no seu caso Bella, nem precisa espichar nada... — Jake fala maliciosamente dando uma conferida nada discreta no meu traseiro, que devido a minha inclinação está levemente empinado. Me endireito na hora, como se tivesse levado um choque e saio dali ainda mais vermelha. Seth e seus amigos malucos.
Eu lhes servo sua bebida sob mais olhares provocativos de Jake. Porém, ao invés de eu me incomodar com aquilo, eu até que estava me sentindo... bem. Quer dizer, o cara parecia me comer com os olhos e eu me sentia sexy com isso, até rebolava um pouco mais quando passava perto dele. Deus do céu! Que diabos está acontecendo comigo?
Seth e Jake ficam até o pub fechar. Quando eu saio para ir para o ponto pegar a condução, os dois estão parados na porta, pelo viso me esperando.
— Vão madrugar aqui na porta é? — Pergunto me aproximando
— Na verdade, estávamos a sua espera — Jake fala – Queria saber se você não quer esticar a noite com a gente, chamei o Seth para ir numa bate de um conhecido em TriBeCa.
— Manhattan uma hora dessas? Sem condições para mim. — Respondo — Seth sabe que trabalho muito cedo amanhã. — Digo, o fuzilando com os olhos
— Eu disse a ele, mas ele quis insistir... — Seth se defende.
— Ah que pena! Mas você vai ficar me devendo uma saída então — Jake diz e piscou para mim. Reviro os olhos e me despeço dos dois que vão embora curtir o resto do domingo Deus sabe onde.
Nova Iorque, 5 de fevereiro de 2018, segunda feira.
A segunda feira amanheceu nublada, porém menos fria para um 5 de fevereiro. Eu já estou no Café Latino quando o sol desponta no leste da Big Aplle. No meio da manhã, Sue me pede desculpas pelo comportamento de Leah no almoço do dia anterior.
— Sue, não precisa. Eu que tenho que me desculpar por ter desrespeitado a sua casa daquela maneira. Mas Leah não me suporta a anos e todo mundo sabe disso, não precisa se desculpar por ela. Eu só não podia ficar calada mais uma vez. — Explico a ela enquanto começo a guardar umas coisas.
— Tudo bem Bella, é que me corta o coração, sabe. Queria que vocês fossem como você e o Seth.
— Ei, mudando de assunto. Me demiti do pub! — Falo a ela que ainda não sabia da novidade
— Como assim, o que houve?
— Consegui um trabalho como babyssitter em Manhattan que vai me pagar mais e vou trabalhar menos pesado. — Respondo e ela esboça um sorriso pequeno. — Talvez eu consiga fazer aquele curso de artes até...
— Se você está feliz, eu fico feliz, Bella. Vou sentir sua falta aqui, mas...
— Ei, vou continuar no Café Latino! — Respondo e vejo sua expressão mudar. — Lá eu trabalharei pela tarde e início da noite. Vou continuar te ajudando como sempre.
Então explico a ela a situação de Edward e Charlotte. Ela ouve atentamente tudo e depois fica estranhamente calada.
— Você tem algo contra os Cullens? Você os conhece, Sue? — Pergunto e ela se assusta.
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