Nós - Brittana
37 Famílias e famílias
Pouco depois do café da manhã, Santana e Quinn ouviram a campainha da residência dos Lopez tocar. Quando foram até a porta ver quem era doutro lado, enxergaram Rachel e Kurt. É claro... Eles estavam ali para ver como a mudança tinha ocorrido. E, pelo humor das garotas, parecia ter ido muito bem. Isso era bom, podiam seguir mais tranquilos dali para frente.
— Cedo demais pra dizer o quanto a gente tá sentindo sua falta? — A Berry perguntou em um abraço triplo com a prima e Kurt. Então, Santana riu, assentindo à pergunta dela. — Porque nós estamos.
— Muito mesmo. — Kurt frisou.
— Eu sei. Também senti falta de vocês. — Ela se afastou, abrindo um sorriso feliz. — Mas, é por um bem maior.
— É... A gente sabe. — Rachel sorriu também.
— Mesmo assim dói!
— E como, Kurt! E como!
— Ah, nem comecem com isso por favor... — Santana pediu aos risos, fingindo enxugar uma lágrima no canto dos olhos. — Senão vou chorar.
— Tá, paramos.
— E aí, vocês já comeram? — Quinn quis saber. — Porque eu e a San acabamos de tomar café, mas posso preparar alguma coisa se quiserem.
— Não. Não precisa, Quinnie. — Rachel negou educadamente. — Nós também já tomamos café.
— Ok...
— Quando vai nos mostrar seu quarto? — O Hummel indagou, curioso.
— Agora mesmo. Vamos lá.
Os quatro jovens se direcionaram ao andar de cima, entrando no quarto da Lopez. Lá, Rachel e Kurt puderam ver como estava o cômodo. Não estava cem por cento ajeitado ainda, mas perto disso. Era um bom começo. Em seguida, foram levados ao cômodo vazio onde ficaria o quarto de Lizzie. O espaço era ótimo... Mas, as paredes ainda estavam todas brancas o que significava que Santana ainda não havia providenciado a tal pintura que planejava para o lugar.
— Esse quarto é tudo! — Kurt disse, maravilhado. — Só quero ver quando estiver decorado... Ai, Lizzie tem muita sorte.
— Sim. Tem mesmo. — Rachel concordou. — Quem diria que tia Maribel e tio Lorenzo abririam mão daquele escritório tão almejado deles por conta da neta.
— Né, eles não gostavam nem que chegava perto... — A morena riu, cruzando os braços. Olhou ao redor, lembrando-se de como ali costumava ser. — Inacreditável, eu sei.
— É, meus amigos... Depois dizem que milagres não acontecem. — A Fabray comentou, risonha. — A prova aí, só não vê quem não quer.
— Verdade.
Alguns minutos mais tarde, Lorenzo e Maribel chegaram do plantão e cumprimentaram todos os jovens indo dormir na sequência. Precisavam ter energias para o jantar com Brittany. Estavam ansiosos para conhecerem-na.
(...)
Durante o almoço que tinha com Kitty e Sam, Brittany recebeu uma ligação de sua mãe. Pediu licença à mesa e foi para seu quarto atendê-la. Fazia uns bons dias que a loira não conversava com nenhum de seus pais, estava curiosa. Nunca ligavam sem motivo.
— Alô?
— [Brittany, filha, como você tá?]
— Bem e você, mãe?
— [Que bom! Estou bem, graças a Deus.]
— E o pai?
— [Também. Por falar nele, eu e seu pai queremos ter uma conversa com você... Pessoalmente. Tá ocupada agora?]
— Não, só almoçando. Estão em casa?
— [Na concessionária.]
— Ah... Os dois? — A Pierce se certificou de saber, pensativa.
— [Sim.]
— Ok. Chego aí em uma hora mais ou menos.
Ela desligou o celular apressada, era sua grande chance de pegar as coisas que havia visto no porão da residência de seus pais sem levantar suspeitas. Mas, precisava de ajuda, é claro... Brittany voltou para a cozinha. Kitty e Sam a fitaram, curiosos. Era agora ou nunca.
— Tá tudo bem? — O Evans arriscou-se a perguntar.
— Sim...
— E que cara é essa? — Kitty questionou depois.
— Nada. Quer dizer... Eu meio que preciso da ajuda de um de vocês pra uma coisa. — A dos olhos azuis retornou a sua cadeira. — Quem tá livre? É menos complicado do que a bagunça do meu carro, garanto.
— Hum, infelizmente, tenho um compromisso daqui a pouco. Então... — A Wilde deu dois tapinhas no ombro do primo. — Sobrou pra você de novo, Sammie. Boa sorte.
— Tudo bem, não é como se eu tivesse alguma coisa mais interessante pra fazer mesmo. E a Britt disse que é menos complicado do que a bagunça do carro... Certo? Já me ganhou aí.
Eles riram.
— Legal, daqui a pouco a gente vai então. — A Pierce avisou, voltando a comer e os outros loiros continuaram a fitando à espera de alguma explicação, por menor que fosse. Suspirou. — Tá, se querem saber... Preciso pegar umas coisas na casa dos meus pais, só que eles não podem saber. Me chamaram pra conversar lá na concessionária, então o plano é pegar as coisas antes disso e depois ir pra lá numa boa, como se nada tivesse acontecido.
— Ok... — Sam riu. — Isso explica muito. Obrigado.
— Droga. — Katherine se lamentou. — Aposto que vai ser divertido. Queria não ter marcado nada pra hoje, te odeio Sam.
— Ei! O que eu tenho a ver?
— Você vai estar lá e eu não, já é motivo suficiente.
— Se você diz...
Brittany e Samuel gargalharam da amiga. Algum tempo depois, Kitty foi embora e a Pierce e o Evans se prepararam para ir até a residência de Liza e Frank. No caminho, a desenhista explicou que estavam planejando um chá de bebê/aniversário para Santana e que ela queria presentear o bebê com seu berço, também mencionou ter visto outras coisas de sua infância que pareciam interessantes para levar consigo. Sam logo entendeu suas motivações e concordou, de fato, eram ótimas ideias.
Eles chegaram na casa dos Pierce e entraram, tomando muito cuidado para não serem vistos pelos vizinhos. Tinham que admitir, estavam adorando entrar de fininho ali. Muita adrenalina envolvida. Os amigos desceram para o porão e lá desmontaram o berço, levando-o para o carro de Brittany. Cobriram o berço e outras coisas com uma lona no porta-malas e, enfim, se acomodaram dentro do veículo.
— Quer ir comigo? — A Pierce perguntou a Sam, quando os dois estavam dando o fora dali. — Eu não tô querendo falar com eles sozinha, sinceramente.
— Demorou, vamos nessa.
Em alguns minutos, eles chegaram na concessionária dos Pierce. O Evans acompanhou a amiga para dentro do estabelecimento e logo ambos chegaram ao escritório de Liza e Frank.
— Oh, Brittany, você trouxe o Sam! — Frank veio os cumprimentar, junto a Liza. Sorriram. — Como é bom ver vocês!
— Olá...
— Então, sobre o que queriam falar? — Ela foi direto ao ponto.
— Ah, certo. — Liza ajeitou-se. — É que nós vamos viajar por uns dias, filha...
— Sim, e estávamos pensando de você ficar no comando nesses dias. — Seu pai complementou. — Só pra ver como é na prática, ter certeza se realmente não gosta.
— É, voltamos quarta-feira. Não é nada sério.
— Não, obrigada. Mais alguma coisa?
— Brittany, você se quer pensou no assunto. — Sua mãe voltou a falar, um pouco chateada. — Estamos pedindo um favor só, não é como se tivesse que assumir pra sempre todas as concessionárias a partir de agora. É temporário.
— Não é o que tá parecendo...
— Mas, é!
— Vocês podem chamar literalmente qualquer pessoa pra isso, por que tem que ser justamente eu?
— Não está claro? — Frank indagou, um pouco impaciente. — Queremos alguém de confiança. Nada mais que isso.
— Ótimo. Nesse caso, chamem o Sam. — Brittany puxou o amigo para perto, sem pensar muito. — Ele é de confiança, formado em contabilidade como vocês bem sabem, tá desempregado e tem habilidades incríveis pra venda. Já eu não sou qualificada e tô atolada de coisa pra fazer, então... Continua sendo não. Valeu.
— Tudo bem. — Frank suspirou, olhando para o Evans. — Então, quer dizer que está desempregado garoto?
— É... Eu pedi demissão uns dias atrás.
— Bom, já que a Brittany continua se negando a ter relação com os nossos negócios, se estiver interessado em cuidar da concessionária por uns dias.... — Ele trocou olhares com a esposa. — Eu e Liza ficaríamos agradecidos. Não é, querida?
— Com certeza.
— S-sério?
— Sim. Podemos te passar as instruções agora mesmo, se tiver tempo.
— Eu tenho!
— Que bom que todo mundo saiu ganhando! — A dos olhos azuis comemorou, dando alguns passos para trás. — Mas, eu preciso ir... Obrigada, Sam! Mãe, pai... Se cuidem. Boa viagem pra... Seja lá o lugar que forem, tchau!
Ela foi embora às pressas e no caminho para casa, teve uma ideia e resolveu passar numa daquelas lojas de material de construção para procurar tintas de parede sem cheiro e hipoalérgicas. Abriu a imagem com o desenho que Santana queria pintar no quarto de Lizzie e procurou cor por cor, com ajuda dos funcionários do lugar. Logo, estava com todas as tintas que precisava anotadas e voltou para seu apartamento, para se arrumar para o jantar com os pais da namorada algumas horas mais tarde.
(...)
— Oi... — Santana abriu um sorriso ao abrir a porta para Brittany, se inclinou para dá-la um selinho. — Chegou cedo.
— Desculpa. Eu devia ter enrolado mais?
— Não! Isso é bom, Britt. — Ela riu da namorada. — Lorenzo e Maribel vão adorar, pontualidade é com eles mesmo.
— Ah, que alívio... — A Pierce relaxou, sendo trazida para dentro da casa pela morena. — E como foi seu dia, San-shine?
— Legal, Rachel e Kurt vieram pra cá e depois eles foram embora com a Quinn. Assistimos um filme, comemos. Nada demais e o seu?
— Normal. Só tô meio nervosa agora.
— Relaxa...
— Tô tentando.
As garotas chegaram na cozinha e Lorenzo e Maribel foram até elas, cumprimentando Brittany. Em alguns minutos, todos estavam à mesa. A comida cheirava muito bem. E o gosto, então? Conseguia superar. Era bom demais. Talvez, por isso Santana fosse tão exigente.
— Então, com o que trabalha Brittany? — Maribel quis saber.
— Histórias em quadrinho. Sou ilustradora.
— Ah, que legal! — Lorenzo sorriu. — A propósito, Rachel nos contou como te conheceu...
— Você não pensou duas vezes em socorrer a Santana no Breadstix, mesmo mal a conhecendo. Isso é admirável. — A Lopez mais velha reconheceu. — Não é todo dia que vemos pessoas assim, né Lorenzo?
— De fato, Mari.
— Eu só... Fiz o que achei que era certo.
— Antes todo mundo fizesse isso. — O Sr. Lopez sorriu, verdadeiramente grato. — Muito obrigado, minha jovem.
— Que isso... — Ela ficou sem jeito.
— Ei! — Santana entrou na conversa, brincalhona. — Não fiquem elogiando tanto assim a Pierce não... Senão, ela vai começar a se achar.
— Não vou, não. Prometo. — A loira riu, tomando um gole de seu suco. Olhou para os médicos outra vez. — Vocês são casados há quanto tempo?
— Vinte e três anos.
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