Sozinho, enquanto esperava sua mulher chegar do plantão, o Sr. Lopez preparou um lanchinho da noite para comer em frente à televisão diretamente de sua querida poltrona que, residia ao lado do sofá na sala de estar da casa. Tal ato não era aprovado por Maribel, então o paramédico só o fazia quando a esposa não estava presente, caso contrário se dirigia à mesa da cozinha para fazer qualquer refeição junto a ela sem reclamar, afinal não era de todo ruim já que nesse meio tempo eles conversavam sobre o dia que tiveram. Acontece que, naquela sexta-feira, a cabeça de Lorenzo não estava ali, no lanche ou no que passava na TV e sim em sua filha, Santana, com quem ele não falava há mais de dois meses. Nunca tinha ficado tanto tempo sem falar com a garota antes e isso era muito ruim, mesmo que sua sobrinha, Rachel Berry, periodicamente o deixava a par das coisas.

A novidade agora era que Santana havia trancado a faculdade de Linguística, sem nem mesmo pensar em consultar ou avisar o pai e a mãe antes. Não que ela não pudesse o fazer, longe disso, tinha todo o direito, a vida era sua, mas seria o mais justo visto que o casal a ajudava a pagar certa porcentagem em cima do valor do curso... E o mais importante de tudo, eram seus pais e a amavam muito. Bom, levando em conta a personalidade de Santana, Lorenzo nem se admirava tanto, já que a dos olhos castanhos era praticamente um espelho de Maribel: teimosa, orgulhosa e irritadiça.

O homem também deduzia que, com certeza, a jovem ainda estava chateada com a sugestão de aborto feita por ele e a esposa, entretanto, ambos nunca pensaram que isso a afetaria tanto assim, já que o assunto sempre foi discutido debaixo do teto deles e Santana tinha a visão completamente aberta e resolvida em relação ao tema antes de engravidar, e aí, quando aconteceu, parecia outra pessoa, extremamente sensível e explosiva quanto à possibilidade mencionada. Mesmo assim, os mais velhos insistiram, a fim de abrir os olhos da menina que não estava enxergando as coisas a longo prazo, e foi nesse insistir que erraram e brigaram feio com ela. Desde lá, estavam sem se falar. O Sr. Lopez até pensou em procurá-la um dia depois, mas optou por dá-la mais tempo e espaço para pensar, nisso as semanas foram passando uma atrás da outra e Maribel crente de que a filha mudaria de ideia no começo, perdeu as esperanças nesse período, se contentando com uma informação ou outra que recebia de Rachel e se irritando toda a vez que o marido propunha deles pedirem desculpas a Santana. Lorenzo só tomou coragem de ligar para a filha quando sua sobrinha o avisou do trancamento da faculdade – ou seja, ontem; mas até agora todas as suas chamadas e mensagens não haviam resultado em nada, infelizmente.

De súbito, o celular do socorrista começou a tocar. Ele o apanhou. Era Rachel.

— Alô, Rach?

— [Tio Lorenzo, oi!]

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou, estranhando na hora a entonação da universitária. — Você parece ofegante.

— [É que eu tô tentando me trocar rápido... Pra sair. A San me mandou uma mensagem dizendo que tá indo pro hospital por causa de um sangramento repentino e dor, tontura, enfim... Não sei se ela te avisou.]

— Não... — Ela arqueou as sobrancelhas, levantando-se da poltrona preocupado. — Ela não avisou. Você conhece a figura, Rachel... Bem, não importa. Obrigado por me falar. Já tem carona até o hospital?

— [Não, ainda não. Tava pra chamar um táxi agorinha.]

— Certo. Não chama... Tô indo te buscar e vamos juntos, pode ser?

— [Claro. Vou te esperar aqui na frente do prédio.]

— Ok. Chego em dez minutos.

Doutro lado da linha, Rachel terminou de botar os calçados nos pés e assentiu.

— Beleza. Até, tio.

— [Até.]

Ela desligou o celular e, segundos depois, bateu na porta do banheiro que ficava no corredor do apartamento, dizendo a Kurt que iria sair aos berros. Então, rapidamente, a Berry o viu abrir a porta com uma toalha enrolada na cabeça e um ponto de interrogação estampado na cara. A outra estava muito afobada para o seu gosto.

— Misericórdia, onde vai com tanta pressa? — O Hummel questionou. — Tá tudo bem?

— Não. A San mandou uma mensagem dizendo que tá indo pro hospital por conta de um sangramento, dor e tontura. Falou que começaram do nada, e que não estavam leve. Tô preocupada, vou lá ver o que houve junto com o tio Lorenzo.

— Caraca... Por que não me disse antes?! — Ele tirou a toalha da cabeça, correndo até seus tênis e se agachou para enfiá-los nos pés. — Vou com vocês.

— Não precisa...

— Claro que eu preciso. — Kurt a fitou, sério. — Você e a Santana são minha família também... Tô aqui pra vocês sempre, nunca se esqueça.

— Mas, e o seu encontro com o carinha lá?

— Dane-se, Rach. — Ele se levantou. — Tá cansada de saber que amizade pra mim é prioridade... E se o garoto achar ruim de passarmos o date pra outro dia, minha amiga, o azar é todo dele. Boca pra beijar é o que não falta, né?

— É... — Ela balançou a cabeça, com um leve sorriso, e o alcançou. — Tudo bem, vamos.

(...)

Na companhia de uma Santana completamente abalada, Brittany manobrou seu carro frente ao pronto-socorro do hospital mencionado pela morena minutos antes. Assim que terminou, desceu em passos rápidos indo abrir a porta do veículo para a outra mulher. A Pierce então ofereceu a mão direita à ela, a ajudando a levantar do banco passageiro. A grávida se virou na sequência, na intenção de retirar o pano que havia forrado o assento para não sujá-lo de sangue (quando ainda estavam no estacionamento do Breadstix), mas rapidamente sentiu a outra mulher lhe tocar o ombro.

— Não se preocupa com isso... Vem comigo.

— Ok.

A loira passou um dos braços da Lopez pelos seus ombros, depois que bateu a porta do carro o deixando para trás, e, pelo pouco caminho que tiveram dali até o interior da ala emergencial, Brittany não conseguiu evitar diversos olhares de relance à latina que, há pouco, voltara a chorar e agora estava ainda mais evidente pela proximidade entre as jovens. Era sempre assim, quando a loira presenciava alguém chorando sentia vontade de chorar também... Mas, precisava se controlar. Não queria piorar a situação da morena com tal esquisitice, afinal de contas elas nem se conheciam.

Lado a lado, as duas pararam diante ao balcão de recepção, e a dos olhos azuis se afastou um pouco a fim de não ouvir as informações que Santana passava a recepcionista para preencher o formulário de entrada no pronto-socorro, que consistia em: nome completo, idade, endereço, contatos de emergência, número de identidade, médico atual e etc. e tal. Mesmo querendo evitar, no entanto, a Pierce acabou por ouvir o nome completo da outra e sua idade também, já que foram as primeiras coisas que a recepcionista perguntou... Santana Guadalupe Lopez, 20 anos. Bom, podia ser pior, ainda bem que Brittany só ouvira até ali. Ela voltou a se aproximar da latina, assim que notou o formulário terminar de ser assinado por ela.

— Ei... Vou te esperar aqui, até ser liberada. Tá bom?

— Não tem necessidade, você já pode ir. Eu avisei minha prima e ela tá vindo pra cá... — Santana esclareceu, fungando. — Mas, obrigada pela carona, Brittany. De verdade.

— Santana Lopez. — Um enfermeiro apareceu a chamando, com uma cadeira de rodas em mãos. — Queira me acompanhar, por favor.

— Tchau...

Ela deu as costas para ir com o homem e a loira ficou para trás, inquieta. Sentiu os olhos tremerem. E aí, algumas lágrimas escaparam deles, mesmo com o empenho dela de não deixar que acontecesse. Não tinha jeito, ela era fraca para essas coisas.

— Eu vou ficar. — Declarou, mesmo assim.

Santana olhou para trás, após sentar-se na cadeira de rodas, e se perguntou o porquê Brittany se importava tanto. Aquele olhar em sua direção... Estranho. Era como se elas se conhecessem a bem mais que uma semana, quando na verdade só haviam dirigido a palavra em 4 desses 7 dias, isso sem contar a sexta-feira passada quando Sugar fez o escândalo que tanto as perturbou... Não tinha explicação.

(...)

Como sua médica ginecologista e obstetra, Emma Pillsbury, não estava disponível naquela hora, Santana foi atendida por outro profissional, muito amigo da ruiva aparentemente. Lorenzo, Rachel e Kurt chegaram no pronto-socorro cerca de uns trinta minutos depois, então o Hummel ficou para trás, na recepção hospitalar, quando só os familiares de Santana foram permitidos a entrar no quarto em que ela estava tempos mais tarde.

Assim que chegaram no exato corredor, o Sr. Lopez optou por esperar o chamado da sobrinha doutro lado da porta, antes de ir entrando de surpresa e Rachel continuou seu caminho. À primeira vista, Santana estava deitada numa cama, conversando com o médico que a atendia, mas logo a conversa se cessou ao perceberem a presença da Berry. A Lopez tomava soro na veia, seus olhos castanhos se encontravam meio inchados por conta de todo o choro de antes, e Rachel veio se aproximando devagar à medida que entrava no perímetro.

— San...

— Tá tudo bem. — Ela deu um fraco sorriso, aliviando-a. — Comigo e com o bebê. Não se preocupa, anã.

— Ah, que bom. — Rachel segurou a mão da Lopez e acenou com a cabeça para o médico, na sequência. — Olá... Desculpa a grosseria.

— Imagina! — O homem sorriu. — Sou o Dr. Carl Howell, prazer.

— Rachel Berry, prima da Santana. — Se apresentou também. — Então... O que houve exatamente, Dr. Howell?

— Não poupe detalhes, doutor... — Santana cochichou para ele. — Ela é estudante de enfermagem e tá doida pra saber.

— Ah, é?

— Shh, deixa ele falar por favor. — A baixinha pediu, arrancando alguns risos de Santana e Carl. — E então, doutor?

— Bem, Rachel... Acontece que os níveis de cortisol da Santana estão muito altos. No caso dela, resultado de estresse crônico e sono irregular, o que aumentou consideravelmente sua pressão arterial e se sucedeu em dores musculares e tontura. Somado a isso, houve um esforço físico intenso da parte dela nos últimos dias e alguns vasinhos se romperam causando o sangramento de escape que ela teve. Como bem deve saber, o fluxo sanguíneo aumenta na região uterina por conta da gravidez, então é por isso que a quantidade a assustou. Eu mesmo fiquei alarmado no começo, pois os sintomas são quase idênticos a um descolamento de placenta... Ainda bem que não é o caso como os exames vieram a nos mostrar, mas não dá pra descartar a possibilidade eminente se as coisas não mudarem daqui em diante... Por isso, a Santana deve repousar no mínimo uma semana, e quando voltar ao trabalho não ultrapassar mais que oito horas de expediente por dia como ela estava fazendo.

— Entendo...

— Uma semana? — Santana perguntou, apreensiva. — Você tinha dito que eram só alguns dias, Dr. Howell.

— É, sete dias passam rapidinho.

— Não posso ficar tanto tempo assim sem trabalhar...

— Mas, você vai. — Rachel a interrompeu em tom autoritário. — Isso não tá mais em discussão.

— Desde quando?

— Tenho mesmo que dizer?

— Vou dar um tempo pra vocês. — O médico saiu de fininho do quarto, ao notar a tensão tomar conta do ar.

— Tem sim, Rachel. Tô esperando.

— Desde que eu, o Kurt, a Quinn, o Sebastian e até a Mercedes, vem pedindo numa boa pra você pegar mais leve, tirar folga e você só ignorando, até vir parar no hospital. A fala do doutor é só o veredito que faltava.

— Ah, então a culpa é minha? — Ela soltou a mão da prima. — É isso que tá dizendo?

— Claro que não, San...

— Que estranho, foi o que pareceu. — Ironizou. — Talvez eu esteja surda, né?

— Por favor, para de ser teimosa e escuta pelo menos uma vez.

— Você não ajuda...

— Poxa, não tô dizendo por mal e você sabe disso, Santana. Presta atenção, se tiver que ficar uma semana, duas ou seja lá quantas forem de repouso não importa, você vai e ponto. Nem que eu tenha que te prender em casa, entendeu? — Rachel brincou. — Não é novidade alguma que eu tenho toda a ajuda necessária do meu lado. O quinteto fantástico vai garantir o bem desse bebê e da senhorita, quer você queira ou não. Fim de história.

— Certo... — A dos olhos castanhos deu de ombros, soltando uma leve risada. — Tá bom, exagerada.

— Quando se trata do seu bem estar, eu sou mesmo. Por falar nisso, tenho duas coisas pra te contar. Primeiro, que o Kurt veio comigo mas foi barrado e tá lá na recepção agora... — Ela se afastou, indo até a porta chamar o pai da Lopez com a mão. — E, bom, o tio Lorenzo nos deu carona e tá aqui pra te ver também.

— QUÊ? — A latina arregalou os olhos. — Por que contou pra ele?!

— Porque ele é seu pai e se importa com você, tanto quanto eu.

— Eu juro que vou te matar...

— Não. Não vai.

— Hija... — O socorrista chegou perto da cama, choroso. — Oi, meu bem.

Santana não respondeu e seu pai segurou uma de suas mãos, buscando ter algum contato visual da garota. Sem sucesso, a princípio... Mesmo assim, persistiu. Não desistiria tão cedo, se bobear nunca. E Santana? Bem... Ela estava, SIM, feliz em vê-lo, mesmo não querendo estar ou demonstrar.

— Graças a deus foi só um alarme falso e não perdeu o bebê, o médico acabou de me falar tudo ali fora... Isso é ótimo. Agora, basta repousar e tudo vai voltar ao normal.

— Como se você se importasse! — Ela puxou a mão para longe. — Veio fazer o que aqui, afinal? Ver se o universo conspirava a favor do aborto que você e a Maribel queriam que eu fizesse, é?

O homem respirou fundo, apertando os lábios e negou.

— Nunca, hija. Eu nunca desejaria isso... Mas, não posso te culpar por estar chateada desse jeito. — Lorenzo passou as costas das mãos nas próprias bochechas, limpando as lágrimas que estavam escorrendo por elas. — Reconheço que te pressionamos demais, não foi nada honesto da nossa parte insistir tanto num assunto tão delicado pra você, agindo como se fosse a coisa mais simples do mundo. No fim... Trabalhar nessa área, inevitavelmente tira um pouco da nossa sensibilidade pra certas coisas e, muitas vezes, a gente fala sem levar os sentimentos dos outros em conta. É um processo inconsciente, então mal notamos e isso é extremamente ruim porque, trabalhar com pessoas tão perto como fazemos, exige uma empatia tremenda e se não formos capazes de tê-la com nosso próprio sangue, algo está muito errado.

— Jura? Um pouco tarde pra reconhecer isso, não?

— Pode até ser, mas e-eu... Me arrependo de verdade, acredite. De tudo, Santana. Sua mãe também. — Ele foi sincero, e a jovem soube na hora. — Houve muita reflexão nesses dois meses que ficamos sem contato e com certeza faríamos diferente agora, pelo menos eu faria... Perdóname, hija. Não queria que as coisas tivessem ido por esse caminho, me perdoa... Senti tanta saudade, tanta, que nem imagina o quanto. Você é a coisa mais preciosa que eu tenho na vida, e sempre vai ser, independentemente de qualquer coisa.

Em um segundo, ele estava em prantos outra vez. Emocionado.

— Tá... — Santana assentiu, alcançando a mão do pai. — Vou tentar te perdoar. Agora respira, se não quem vai precisar de soro na veia aqui vai ser o senhor, não eu... E me desculpa por ignorar suas ligações também, talvez eu pudesse ter atendido.

— Isso é o de menos agora... — Lorenzo abriu um sorriso ao perceber a Lopez mais nova fazer o mesmo, e apertou sutilmente a mão dela. Queria dizer tantas coisas, mas por ora só iria pedir uma coisa. — Por favor, hija, nunca mais vamos ficar tanto tempo brigados desse jeito. Tá bom?

— Não posso prometer nada... Apenas, tentar.

— Tudo bem. Posso me contentar com isso.

— É o único jeito.

Ele riu, balançando a cabeça.

— Te amo, viu?

— Também te amo, papá.

— Own, eu não aguento! — Rachel lembrou-os de que ela ainda estava ali, com seu mini-grito histérico, e chegou neles, os puxando para um enlace. — Abraço em família!

— Só pra constar... — A Lopez a apertou. — Ainda tô brava com você.

— Vai passar, prometo.

Depois que os três se separaram, subitamente, Santana se recordou de Brittany dizer que ficaria por la até ela ser liberada. Não duvidava... Não depois das loucuras que ela fizera, por exemplo: entregar um envelope cheio da grana para uma desconhecida e, claro, a invasão de agora no vestiário exclusivo para funcionários do Breadstix.

— Rach, me faz um favor?

— Claro. Diga.

— Sabe a Brittany?

— Brittany? Você quer dizer “a doida do envelope”, essa Brittany?

— Isso. — Ela assentiu. — Loira, alta, olhos azuis... Foi ela que me trouxe aqui. Disse que ia esperar na recepção até eu ser liberada, não sei se ela falou sério ou não, mas enfim... Se ela ainda estiver lá, será que você pode falar pra ela que tá tudo bem e que ela já pode ir, por favor?

— Ok. Já volto. — A Berry saiu.

— Doida do envelope? — Lorenzo indagou, curioso. — Que papo é esse, hija?

— Longa história, pai.

(...)

Rachel alcançou a recepção e foi andando até Kurt que, se levantou na hora, ansioso por notícias.

— E aí, como ela tá? E o bebê?

— Estão bem. Quer dizer... Os níveis de cortisol da San estão muito altos. Mas, tirando isso tá tudo bem. Já te falo com mais calma, eu só preciso... — Ela olhou ao redor, procurando por Brittany. — Achar uma pessoa.

— Que pessoa?

— A tal da Brittany. Santana me disse que foi ela quem a trouxe pra cá.

— Men-ti-ra... — Kurt abriu a boca. — E ela ainda tá aqui?

— Não sei ao certo... Parece que a garota avisou que não ia embora até a San ser liberada, então... Vamos ver.

— Own! Uma verdadeira lady. Queria eu atrair admiradores assim.

— Né! — Ela riu, se afastando. — Bom, vou procurar por ela. Um instante.

A universitária foi andando e se atentou a todas as pessoas que ali estavam, até achar uma certa loira cabisbaixa, isolada num canto. Estava sozinha por lá, aparentemente. Bom, ela se encaixava no perfil que Santana havia falado... Parecia alta, tinha olhos azuis. Só podia ser ela. Rachel se aproximou.

— Oi... — A jovem olhou para ela, um tanto quanto confusa. — Brittany?

— Eu.

— Ufa! — Rachel soltou o ar, feliz por acertar de primeira, e sentou-se ao lado dela. — Sou prima da Santana, me chamo Rachel Berry.

— A-ah, sim. Brittany Pierce.

— Prazer, Brittany.

— Igualmente, Rachel. Tá tudo bem com a Santana?

— Sim, sim. Tudo bem. Ela só vai precisar repousar alguns dias até melhorar totalmente... Enfim, obrigada pela ajuda. Mesmo.

— Não precisa agradecer...

— Claro que eu preciso. — Ela sorriu, simpaticamente, e se pôs de pé depois. — Bom, eu só vim mesmo dar esse recado da Santana e dizer que já pode ir pra casa tranquila, o pai dela tá de carro e daqui a pouco vamos todos pra casa também.

— Ok... Obrigada. — Brittany se levantou, mexendo nos bolsos, e tirou um celular dali, desbloqueando a tela, a fim de ver as últimas notificações. — Acho que vou indo então.

— Espera. — A Berry pediu, esticando a mão no ar. — Empresta o celular, rapidinho.

— Por quê?

— Vou salvar o número da San nele. — Rachel explicou e, simplesmente, arrancou o smartphone da outra jovem. — Aí podem conversar o quanto quiserem, enquanto ela tá de folga.

— Acha que é uma boa ideia? — A dos olhos azuis indagou, receosa.

— Eu acho. — Ela logo devolveu o celular para Brittany, como se tivesse feito a coisa mais normal do mundo, e sorriu. — Prontinho. Mais uma vez, foi um prazer... Tchau!

— Tchau...

Rachel se afastou e a Pierce ficou um tempo estática, só olhando para o número da morena em sua lista de contatos, sem acreditar direito. Quando enfim resolveu ir embora do hospital, checando as notificações pelo caminho, foi na tentativa de ouvir uma mensagem de voz que Marley deixara há pouco menos de uma hora na caixa postal que ela trombou com um rapaz apressado na fachada do pronto-socorro. Este, que mais para frente ela descobriria ser Sebastian Smythe, ex-namorado de Santana e pai do bebê que ela esperava também. O celular da Pierce foi arremessado no chão com o encontro bruto e repentino, mas não se danificou na queda para a felicidade de ambos.

— Desculpa, moça.

— Tudo bem...

Os dois se agacharam para pegar o aparelho. Mas, o homem foi mais rápido. Logo o entregando na mão da loira que, relaxou ao constatar o celular são e salvo... Ainda bem.

— Obrigada.

Sebastian balançou a cabeça e ergueu-se, para ir embora. Na sequência, ela fez o mesmo. Já dentro do carro, descobriu que seus pais haviam contato à Marley sobre tudo o que os três conversaram de manhã, mais especificamente: a pretensão dela em vender sua parte do apartamento para a Rose ou o todo para um terceiro, e depois entregar o dinheiro na mão dos Pierces mais velhos. Ótimo... Por que isso não a surpreendia? É claro que Liza e Frank não levaram o papo numa boa, queriam o controle de tudo. SEMPRE. De qualquer forma, Brittany não esquentaria a cabeça com isso agora. Sua única preocupação no momento era jantar, o assunto com a ex resolveria mais tarde.

Notas finais
Se tudo der certo, o próximo capítulo sai mais cedo kk Até ♥