Nós - Brittana
49 Dias felizes
Nós | pronome pessoal
1ª pessoa do plural (“eu” mais outra ou outras pessoas)
plural de “nó” (laço apertado, embaraço de linhas)
Durante o sexto e sétimo mês de vida, Elizabeth tentou engatinhar múltiplas vezes, mas foi só quando completou oito meses que conseguiu de fato. Santana, Brittany e Sebastian se encheram de orgulho e, a partir dali, a bebê quis mostrar a todo mundo sua nova habilidade começando por seus avós, Lorenzo e Maribel, depois Rachel, Kurt, Kitty, Sam, Quinn, Blaine, Mercedes, seu bisavô – o Sr. Smythe; e até mesmo Liza, Frank e Marley.
Aconteceu durante o verão. Já era Julho e o tempo parecia estar voando. Brittany e Santana haviam acabado de retornar de uma volta de carrinho pelo parque e, em algum momento, colocaram Lizzie no chão de seu quarto que era preenchido de tatames coloridos. As namoradas também estavam no chão vigiando a pequena, mas desviavam os olhos vez ou outra para as coisas que faziam à medida que a bebê se distraia com seus próprios brinquedos.
Santana tinha um livro de linguística em mãos e Brittany rascunhava o novo volume de Codinome Snixx. Então, olhos azuis voltaram a fitar Elizabeth por um segundo, foi quando ela viu a neném engatinhar pela primeira vez.
— San-ta-na, olha!
A morena teve a atenção roubada pela pequena e abriu um sorriso imenso.
— Você é a pessoinha mais perfeita, né... — Ela soltou o livro e se aproximou de Lizzie, beijando-a. — Muito bem, hija.
— O Sebastian tem que ver isso! — Brittany se apossou do seu celular e ligou para o rapaz. Ele não demorou a atender. — Bastian, você não vai acreditar!
— [O que aconteceu, Britt?]
— Veja você mesmo.
A loira mudou a videochamada para a câmera traseira de seu smartphone, e passou a gravar Elizabeth engatinhando.
— [Nossa! Ela tá engatinhando!]
— Falei que não ia acreditar...
— Vai, mostra pro seu pai como você é habilidosa. — Santana posicionou a bebê para engatinhar em direção ao celular e ela foi. — Como pode? Parece que sempre soube.
— [Né!]
— Lizzie é muito esperta. — Brittany riu. — Podem anotar, daqui a pouco ela já tá falando.
Dito e feito, a primeira palavra da bebê foi apenas algumas semanas mais tarde. Entre seu nono e décimo mês, disse “mama” para Santana, pouco tempo depois “papa” para Sebastian, continuou balbuciando diversas coisas sem sentido e quando estava perto de completar um ano, veio a chamar Brittany de “Bitt”, era final de Outubro.
A loira se emocionou na hora. Como Santana não viu a cena, assim que voltou para o quarto estranhou. Será que estava tudo bem? Não era todo dia que via Brittany chorando com sua filha no colo.
— Aconteceu alguma coisa, Britt?
— Uhum. — Ela assentiu, enviando um sorriso para a namorada. — Lizzie acabou de me chamar de “Bitt”.
— Ah, é?
— Sim! Você tinha que ter visto, Sannie. Ela é tão fofa, não aguento... — A desenhista passou a mão nos olhos para limpar as lágrimas que dali escorriam e teve a atenção completamente roubada pelo modelito de Santana, ela estava trajada de sua super-heroína Snixx porque estavam indo para uma festa de Halloween da Glee Comics onde personagens de quadrinho iriam aparecer aos montes. Santana havia voltado para a universidade no mês anterior, mas ainda estava se adaptando a toda a mudança, embora estivesse indo muito bem. — Você tá muito... Muito... Nossa, eu nem sei dizer. Incrível é pouco.
— Obrigada. Era assim que imaginava?
— Não... Você supera, sem dúvida alguma. Parece que tô me apaixonando de novo. Isso sequer é possível?
— Boba. — Santana sorriu um pouco tímida e se inclinou para dar um beijo rápido na loira. — Quando vai se trocar?
— Agora mesmo.
— Ok, então deixa eu levar a Lizzie pros meus pais. — Ela pegou a bebê e foi saindo do quarto. — Então, quer dizer que você chamou a Brittany de “Bitt”, é? É sim, eu sou muito esperta mamá, sou sim! Tô vendo, coisinha. Tô vendo... Agora você vai ficar com seus abuelos, mas prometo que mamãe e eu estaremos de volta em algumas horas.
A Pierce observou Santana interagir com Elizabeth e soltou um riso, ela com certeza era a mais abobalhada de todas com a bebê. Mesmo que não quisesse admitir. Era lindo de ver. Logo, Brittany botou sua fantasia de Sweet Lady – a fiel parceira e namorada de Snixx; se maquiou e desceu, encontrando com a dos olhos castanhos na sala de estar, onde estavam ela, Lizzie e os Lopez mais velhos.
— E então, como estou? — A loira perguntou dando uma voltinha. — Sejam sinceros.
— Está muito bem. — Maribel foi a primeira a falar, seguida de Lorenzo.
— Sim, igualzinha aquela sua personagem!
— Esplêndida. — Santana respondeu risonha, enquanto aproximava-se para dá-la um beijo. — Vamos?
— Sim, sim... Obrigada, Sr. Lo, Sra. Mari. Até mais tarde!
— Até mais tarde, queridas. — Maribel acenou.
— Fala “tchau” para as mamães. — Lorenzo segurou o bracinho de Elizabeth e a fez acenar também. — Tchau, mamães! Divirtam-se! Viram só? Muito esperta.
— Tchau, tchau!
Santana e Brittany riram e acenaram de volta, respondendo todos os tchaus. Assim que chegaram na festa de Halloween aberta da Glee Comics, encontraram com Quinn e Sam – que foram combinando suas fantasias, Lucy estava de Arlequina e o Evans de Coringa. Em meio a festividade houve uma homenagem de um ano da saga de Codinome Snixx e as coisas nunca estiveram tão boas.
(...)
A festa de um ano de Lizzie ficou nas mãos de Rachel, Quinn e Mercedes. Elas foram atrás de todos os preparativos, tendo algumas dicas de Kurt que, na data, estava fora da cidade com Blaine. De convidados os Lopez receberam em sua casa Sam, Kitty, Rachel, Quinn, Mercedes, Sebastian, Bree, Liza e Frank e até mesmo Marley (quem Santana aprendeu a gostar com o tempo, ela era gente boa) já em relação aos pais de Brittany, bom, podia-se dizer que o coração de pedra dos Pierce amoleceu com todo aquele contato que estavam tendo com a filha, Santana e a pequena Elizabeth. Eles conseguiam ver o amadurecimento da loira e ela, o deles.
Olhando para trás naquele dia, Brittany e Santana puderam ver o tanto de coisas que viveram em apenas um ano de vida de Elizabeth. Foi uma série de aprendizados, dias sem dormir, mas tudo valia a pena. Embora momentos difíceis, eram uma família feliz, não restava dúvida alguma.
(...)
Santana lia para Lizzie todo dia ao botar a bebê para dormir, a partir disso, Brittany adquiriu o mesmo hábito. Sebastian também. Foram meses e meses nisso, e o vocabulário da pequena Elizabeth foi se estendendo mais e mais à medida que também passou a frequentar a escola. Quando completou quatro anos, era uma máquina de perguntas e já sabia ler e escrever.
A Lopez tinha terminado a faculdade de Linguística fazia um ano e ela, Quinn e Brittany haviam aberto um estúdio de animação chamado Trinity Animation em parceria com a Glee Comics e um novo serviço de streaming interessado em transformar “Codinome Snixx” e “Queijos, Dinossauros & Unicórnios” (outra saga da loira) em séries animadas. A produção de tudo se desenrolava há uns cinco meses e os investidores cresciam ao passo em que haters protestavam na internet.
Os negócios iam muito bem para as garotas, Liza e Frank estavam orgulhosos – mas, Brittany sequer se importava mais com isso. O apoio de seus amigos era o suficiente para ela e Santana. Estavam construindo coisas incríveis juntas, um passo de cada vez.
(...)
E novamente era final de Outubro e Elizabeth havia passado o final de semana com Sebastian e Bree (que agora eram casados), estava perto de completar cinco anos e mais esperta do que nunca – Brittany tinha certeza que ela era um prodígio como Kitty, dava para ver de longe. Santana estava fora de São Francisco resolvendo alguns negócios em Los Angeles, por isso ligou em chamada de vídeo para desejar boa noite a filha e a namorada.
— [Eu amo muito vocês! Muito, muito!]
— Mamãe e eu também te amamos, mamá! — Lizzie respondeu, sorridente.
— [Acho bom.]
— Claro que acha. — Brittany riu, mandando um beijo para a morena. — Boa noite, San-shine.
— [Boa noite, Britt. Boa noite, Lizzie... Amanhã eu tô de volta, hein. Estejam na cama antes das dez.]
— Nós prometemos, né filha? — A loira bagunçou os cabelos da criança.
— Aham!
Depois que a Pierce ajudou a pequena a se arrumar para dormir, passou a ler Alice no País das Maravilhas para ela, mas Lizzie não parecia lá tão interessada como dois dias atrás e Brittany logo percebeu.
— Que foi, Lizzie? Não tá gostando da história? Posso ler outra se quiser.
— Não é isso, mamãe... É que eu tava pensando.
— Ah, sim. — A desenhista repousou o livro na cama e dobrou a perna, encarando fixamente a mini Lopez. — E no que você tava pensando, filha? Você pode me contar?
— Sim. — Ela assentiu, despreocupadamente. — Papai e Bree, abuelo e abuela, vovó Liza e vovô Frank, tio Kurt e tio Blaine, os pais da minha amiga Lily, as mães do meu amigo Max e um monte de outras pessoas se amam e são casadas. Você e mamá também se amam, mas não são casadas... Por quê?
— É uma boa pergunta. — Brittany riu, fazendo cócegas na pequena e na sequência se inclinou para dar um beijo na cabeça dela. — Bom... Acontece que nem todo mundo que se ama se casa, Lizzie. É uma escolha, não uma obrigação. Tem gente que quer muito se casar, outras não e tá tudo bem, não significa que elas se amam menos por isso. Entende?
— Acho que sim... Então, mamãe Britt e mamá Sant não querem se casar nunca?
A loira deu risada e negou, divertindo-se com as perguntas da filha. Tão esperta.
— Eu não disse isso, Lizzie. Eu me casaria com a Sannie hoje mesmo se fosse preciso. Mas, pensando bem... Nós já somos praticamente casadas, temos você, moramos aqui nesse apartamento alguns dias, outros lá na casa dos abuelos... É tão legal, não acha?
— Aham.
— Pois é... — Brittany começou a pensar longe. — Só faltava mesmo uma festa pra oficializar.
— E você gosta de festas, mamãe?
— Gosto.
— Mamá, também gosta?
— Claro!
— Então, por que não se casam de verdade?
— Ok. Tenho que admitir, você é boa nisso. Muito espertinha. — Brittany gargalhou, bagunçando o cabelo da mini Lopez e encheu-se de coragem. — Você tem toda a razão, Lizzie. Eu e sua mãe deveríamos casar.
— Eu sei.
(...)
Após alguns dias digerindo aquela ideia de novo e de novo, Brittany foi atrás de alianças de noivado. Também passou algum tempo imaginando como seria se comprassem uma casa própria e tornassem tudo ainda mais real. Especialmente, após Elizabeth completar cinco anos.
Agora a loira tinha 28 e Santana 26, possuíam um estúdio de animação, projetos de sucesso, o dinheiro ia muito bem, Lizzie estava grandinha e a morena havia concluído sua graduação há meses, em outras palavras: estavam num ótimo momento para investir num casamento e numa casa.
Era isso, Brittany iria pedir Santana em casamento.
— Hija, cuidado! — A morena alertou, ao ver a pequena escorregando pelas escadas em cima de uma caixa papelão. Chegou perto em um flash de luz para checar se a criança estava inteira. — Dios mios, Elizabeth Annie Lopez-Smythe! Isso é muito perigoso, nunca mais faça isso! Você entendeu?
— Sim, mamá...
— Quantas vezes eu já te falei que não pode imitar as coisas que você vê no Youtube?
— Muitas. — Respondeu, cabisbaixa.
— Pois é. — Ela suspirou, segurando o queixo da mini Lopez. Logo, a trouxe para um abraço. — Por favor, mi amor... Não faz mais isso. Promete?
— Aham, prometo.
— Nunca mais vai se jogar da escada ou qualquer outra perigosa do tipo?
— Nunca mais.
— Ok. — Santana se afastou e abriu um sorriso. — Papai já tá vindo te buscar pro aniversário do Kyle, vamos pentear esse cabelo?
— Vamos!
Alguns minutos depois, Brittany saiu do banho e percebeu que havia acontecido algo ao trocar olhares com Santana. Mas, elas esperaram que Sebastian aparecesse, para só depois conversarem a sós.
— Pérola!
— Papai! — Elizabeth pulou no colo do Smythe, animada.
— Nossa, que penteado chique...
— Foi a mamá que fez.
— Ficou lindo. Vou pedir pra ela fazer um desse em mim também, será que fica bom?
— Hum, não sei. Seu cabelo é muito curto.
— Tem razão. Então, deixa pra lá. — Ele riu e acenou para Brittany e Santana, que estavam logo à frente na porta. — San, Britt.
— Sebastian. — Santana sorriu, pondo uma mão na cintura. — Divirtam-se e nada de brincadeiras perigosas, hein!
— Tá bom, mamá. Tchau! Tchau, mamãe!
— Tchau, filha! — Brittany deu um beijo na criança, logo após Santana o fazer.
— Voltamos amanhã, meninas. Um bom dia pra vocês!
— Igualmente, Bastian!
Assim que Santana trancou a porta, se virou para Brittany com as sobrancelhas franzidas.
— Sabe o que eu peguei a Elizabeth fazendo?
— O que, amor?
— Escorregando escada abaixo dentro de uma caixa. Dá pra acreditar? — Ela balançou a cabeça, possessa. — Quase me matou do coração...
— Imagino. — Brittany se preocupou. — Você pediu pra ela não fazer mais?
— Naturalmente.
— E o que ela disse?
— Que não vai mais fazer...
— Ainda bem, agora só resta esperar e torcer que ela não faça de novo mesmo.
— Sim. Senão não sei o que vamos fazer, Britt... Depois vou conversar com o Sebastian também. Nunca achei que teria medo dela gostar de esportes radicais. Mas, agora tô ficando com medo.
— Não fique. Vai ficar tudo bem, Sant. — Brittany a puxou para um abraço, depois beijou a testa dela e desceu os lábios até a boca de Santana, de onde a roubou um selinho. — Eu tenho uma surpresa pra você.
— Uma surpresa?
— Sim. Lá no apartamento.
— Tá legal. — Santana abriu um sorriso, apoiando os braços no ombro da mais alta. Beijou-a sem pressa. — Me leve até a tal surpresa então, Pierce.
— É pra já.
Sem perder muito tempo, as namoradas foram da casa dos Lopez até o apartamento de Brittany. Chegando lá, Santana se deparou com um caminho de desenhos dela pelo chão. As cortinas fechadas, luzes coloridas iluminando todo o espaço.
Em silêncio, a Pierce apenas acompanhou o caminho da latina até o ponto final daquela trilha de desenhos de sua amada. Atravessando a porta do quarto, Santana foi pega de surpresa com os dizeres “Quer casar comigo?” grafitados numa das paredes e Brittany de joelhos atrás dela com uma caixinha em mãos.
— Brittany...
— Eu sei. Demorou, mas eu andei pensando muito nos últimos dias e sabe, por que não? — Ela sorriu, emocionada. — Minha vida com você e com a Lizzie, já é perfeita. Eu não poderia pedir mais nada... De verdade, Santana. Vocês são as coisas mais importantes pra mim. E eu te amo tanto, tanto, tanto que pensei que, talvez, fosse legal a gente oficializar ainda mais as coisas. Comprar uma casa depois, quem sabe... Há algumas semanas a Lizzie me perguntou o porquê não éramos casadas se a gente se ama e isso me pegou de jeito, confesso.
Santana riu.
— Isso é a cara dela.
— Não é? — Brittany balançou a cabeça, risonha e continuou. — Bom, como eu ia dizendo...
— Sim!
— O que?
— Sim, Brittany! Sim! — Santana se ajoelhou também, deixando a loira um pouquinho confusa, mas após puxá-la para um beijo e mais outro e outro, as coisas ficaram mais claras que nunca. — Eu caso com você, sua lerda!
— Mesmo?
— Mesmo! — A morena assentiu aos risos. — Se tem uma coisa nessa vida que eu não tenho dúvida alguma é que quero passar todos os meus dias do seu lado, Britt-Britt.
— Eu também... Eu te amo tanto, San-shine.
— E eu amo você.
Elas se beijaram de novo e Brittany começou a chorar entre gargalhadas, foram abrir um vinho para comemorar.
— Ah, eu tô muito feliz! — A loira externalizou, saltitante. — Muito!
— Eu também, amor!
— Nós somos noivas!
— Somos noivas!
— A gente precisa contar pro pessoal o quanto antes!
— Concordo, mas eles podem esperar até amanhã... — Santana se inclinou em cima do corpo da namorada, beijando Brittany com paixão. — Não acha?
— Com certeza.
Era engraçado. Antes, a vida das mulheres se parecia com um amontoado de nós, linhas e mais linhas de embaraço. Nem sabiam por onde começar a desenrolá-los. Mas, desde que se encontraram, Brittany e Santana cuidaram dos nós uma da outra e com o passar dos dias, semanas, meses e anos aprenderam como afrouxá-los. E o que antes eram nós de embaraço transformou-se em nós de união. Estavam juntas até o fim.
O “Nós” perfeito para elas? Era aquele onde tinha as duas para sempre... Dentro do eu e você. E claro, todos aqueles que elas consideravam família também. Se não fossem seus amigos, se não fossem seus pais, se não fosse por Elizabeth, nem uma delas seria o que era hoje em dia.
E todo dia aprendiam algo novo. E todo dia cultivavam o amor que nutriam uma pela outra. E isso seria eterno... Enquanto durasse. Não podiam estar mais felizes.
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