Névoa de Guerra

5 Os loucos de Zaun - 1


Notas iniciais
Sim, é um capítulo bem curto, pois é a primeira parte. A segunda parte virá daqui a alguns POVs. Escrevi este para agilizar as coisas quanto ao arco Piltover, e pra deixar várias histórias ocorrendo ao mesmo tempo x)

Jinx

– Hããã? Trita e cinco moedas por esse cinto? Ele só tem seis compartimentos a mais que o meu. — Jinx berrou, indignada, deixando o vendedor ainda mais nervoso. O homenzinho carrancudo e calvo alternava a mira de seus olhos castanhos entre Jinx e Mundo, não sabendo qual dos dois gostava menos. Mundo, apesar de estúpido, foi uma ajuda que Jinx precisava — afinal, impor um pouco de medo nem sempre é desnecessário. — Mundo, queridinho, explique para ele a situação.

Mundo pareceu muito contente em responder, escandaloso:

– Metralhadora tem fome! Mais balas! Mundo não paga trinta e cinco ourinhos por seis balas a mais! Metralhadora tem fome!

O vendedor pareceu ter chegado ao limite. Atirou na bancada o cinto e pegou outro numa prateleira, desta vez com oito compartimentos para bala.

– Trinta e cinco por oito compartimentos ou nada feito! — o homenzinho berrou, com o rosto vermelho. Jinx riu, a risada mais sincera desde dias.

– Valeu. — ela disse, pegando o cinto da mão do vendedor e colocando uma pequena sacola na bancada, que tilintou levemente. — Até a próxima, tio!

– Deuses me poupem!

Aquela exclamação a fez rir ainda mais. Andando pelas ruas de Zaun com Dr. Mundo ao seu lado, Jinx notou como a cidade estava deplorável. Respirar aqui é pedir a própria morte, pensou, vendo crianças correndo com máscaras no rosto. Zaun era uma metrópole industrial, com uma arquitetura bizarra e cheia de canos e conexões por toda parte, a maioria exalando algum vapor. Muitas vezes as pessoas inalavam o vapor errado e não sobreviviam pra contar a história. Será que uma bomba hextec explodiria fácil neste lugarzinho cheio de fumaça inflamável? Acho que sim, divagou, animada. Os vapores só fariam as chamas se espalharem mais ainda. Aah, as labaredas por toda parte. Pânico geral.

Ela andava quase dançando, saltitando e sentindo as tranças se erguerem do chão. Há poucos dias esteve em Piltover, mas seus planos deram bem errado e acabou presa. E na prisão descobriu uma tecnologia interessante. Luvas hextec. Mesmo depois dos drones que eu instalei nelas explodirem, as luvas nem sofreram muito dano. Incrível. A dona das luvas já não era assim tão incrível — uma policial de estranhos cabelos rosados e um VI tatuado no rosto. Ela é o soldado número seis ou o quê? Como ela suporta aquelas mãos enormes? Hehe, muitas questões, senhorita Seis. Jinx ainda tinha uma nova visita a Piltover em mente, mas precisava se abastecer em Zaun, onde a munição era muito mais barata... E não haveriam xerifes de cartola a perseguindo.

– O que a xerife te disse, meliante? — Jinx recitou, imitando algumas das últimas palavras que ouvira da Soldado Seis. — Detalha isso aí, meliante! Pffff, eu dei a melhor resposta de todas, né, Fishbones? — ela apalpou seu canhão, ainda saltitando. As armas faziam bastante barulho enquanto se movia, e ela gostava disso. — Fishbones precisa de mais munição, não é, querida? Na nossa fuga de Zaun, as balas nos meus cintos acabaram em meio ao caos! Oh, que vilania. — Jinx pôs a mão direita na testa, imitando um desmaio.

– Mundo não entende. — disse o enorme homem roxo, com sua língua rosada balançando. Quase tropeçou numa fiação jogada no chão. — Jinx perguntando coisas pra Jinx. Quem é Meliante?

– Ah, Mundinho, não se frustre com essas coisinhas. — Jinx respondeu, finalmente parando de saltitar para falar frente a frente com o gigante. — Escuta, você é rápido?

– Mundo corre mais que yordle assustado!

– E aguenta um monte de ossos como eu nas costas?

– Seria como se Mundo carregasse uma pena! — a cada resposta, o grandão parecia mais orgulhoso de si mesmo. Gostaria de ter visto esse cara em seus dias sanos. Só deixaria sua loucura ainda mais engraçada, Jinx pensou, rindo sozinha.

– Ótimo! Mundo levaria Jinx até Piltover novamente? Minhas comprinhas em Zaun já acabaram, querido. — ela disse aquilo olhando-o nos olhos, mas seu último foco era o grande monstro roxo. Ela pensava em prédios desabando, naquela ridícula torre arredondada repleta de incêndios, com aquela enorme janela dourada giratória caindo e rodando escadaria abaixo. E então veria a Soldado Seis novamente, e se possível tomaria suas luvas. Imagina só, aquelas mãos enormes em mim! Nunca precisaria derrubar portas e paredes com balas de canhão novamente. Dr. Mundo parecia ter notado os olhos da jovem brilharem de expectativa.

– Jinx tem planos mirabolantes? — ele perguntou, sentando no chão. Mesmo sentado, era mais alto que Jinx.

– Mirabolante não é a palavra certa, Mundinho. — ela respondeu, sentando-se também. Espreguiçou-se. — Qual seria a palavra pra um plano que causa pânico? É! Só pânico! Pessoas correndo pra se salvar, e das chamas e escombros, eis que a Soldado Seis emerge, com suas mãos enormes e perguntando sobre a xerife de cartola. Hehe. Dr. Mundo, meus planos são mais que mirabolantes.

– Mundo não sabe nome de plano de pânico.

Jinx deu uma risadinha. Tornou a girar as tranças com a mão, observando seus cabelos que pareciam uma serpente azul tentando se livrar de uma mão que a estrangulava. Mas e se, em Piltover, eu me tornar a serpente? A expectativa de tal perigo só fez seu sorriso se abrir ainda mais na face.

– Considere, Dr. Mundo, este como um plano... Caótico.

Notas finais
Me pareceu bom fazer essa união com Jinx e Mundo. Não é uma amizade - os dois só se encontraram em Zaun. Ambos insanos, por assim dizer, e Jinx sabe que sua estatura não impõe respeito. Ela o usou, basicamente - verdade seja dita, ele parece ser bem volúvel.