Não é o que você está pensando!
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Bakugou estava furioso. A turma A acabou de receber o resultado das provas escritas e ele, novamente, ficou em segundo. Aquela Rabo de Cavalo pegou a porra do primeiro lugar por causa das malditas questões dissertativas! Tudo o que ele precisava era ter sido mais detalhista. Aquela porra! Mas ele não sabia mais o que escrever. Caralho! Todo aquele maldito esforço e não foi suficiente!
Decidido a superar Yaoyorozu nas próximas provas, Bakugou nem sequer trocou de roupa, ele abriu seus livros e começou a revisar o assunto dado no dia e a procurar por mais informações além do que os professores passaram. Ele iria pegar o primeiro lugar, ele seria herói numero um e teria o histórico perfeito, ou não se chamaria Bakugou Katsuki.
O loiro nem tinha ideia de quanto tempo estava sentado na escrivaninha, fazendo resumos e pesquisas sobre os próximos capítulos que seriam dados até que Jirou bateu na sua porta.
Ele o mandou embora, contudo, aquela cabeça roxa era uma erva daninha espinhosa, quanto mais você a corta mais ela se espalha e pior, se não tomar cuidado, ela te corta de volta.
— Ei, eu e Kaminari vamos tocar um pouco no meu quarto. Vem com a gente? — Kyouka convidou entrando no quarto.
— Vai embora — Katsuki ordenou sem sequer levantar a cabeça.
— Você devia ter estudado antes das provas sabia — Ela brincou sentando-se na cama perto dele. Bakugou apenas a ignorou — Você ainda está com a calça do uniforme? Desde que horas você está estudando?- Sem resposta — Bakugou, tá tudo bem? — Novamente ignorada — Ei, você precisa relaxar.
— Eu não posso relaxar, Orelha. — Katsuki rosnou impaciente — Eu tenho que bater aquela cadela da Rabo de Cavalo. Eu vou tirar aquela puta do primeiro lugar nem que…
Bakugou não terminou a frase. Jirou literalmente chutou ele nas costas e ele do lançado no chão em total confusão.
— Mas que porra?! — Ele exclamou possesso, explodindo o chão.
— Puta merda — Kyouka exalou ao perceber o que fez e levou a mão à boca.
Katsuki jogou sua mão direita mirando na garota. Com grito, Jirou se abaixou e rastejou até a porta, deixando Bakugou explodir a parede.
Ela conseguiu abrir a porta, mas Katsuki prendeu-a pelas costas e a ergueu pela junção do ombro, deixando a garota punk berrando e chutando para todos os lados na tentativa de se soltar.
— Bakugou, solta ela! — A voz de Kirishima soou ao seu lado. O ruivo e Sero sairam do quarto do garoto assim que ouviram a confusão.
— Foi ela quem começou!
— A culpa foi sua! — Jirou contrariou debilmente agarrando os cabelos de Bakugou tentando se livrar do garoto.
— você me chutou, porra!
— Jirou, isso é verdade? — Kiri perguntou surpreso.
— Foi sem querer! Ele xingou a Momo, Eu não tive culpa! — Kyouka defendeu-se com a voz aguda — Sero, você sabe disso, certo? É instintivo.
— Cara, é verdade. Ela não controla isso.- Sero concordou esfregando o rosto com uma lembrança dolorosa do soco de Jirou.
— Bakugou, solta ela, por favor — Kirishima pediu com as mãos juntas.
— Peça desculpas — Bakugou ordenou.
— Quê?
— Peça desculpas — Ele rosnou com um solavanco.
— Desculpa! Desculpa, eu não quis chutar você — Jirou rapidamente concordou.
Bakugou a largou bruscamente, encarando-a com os olhos estreitos antes de entrar no quarto e bateu a porta.
— Droga, Jirou, você brincou com a morte — Sero suspirou esfregando a nuca.
— Eu acho que vou falar com ele — Kirishima ponderou caminhando até a porta.
— Boa sorte — Kyouka desejou praticamente correndo dali.
Jirou aprendeu rápido que podia usar Kirishima ao seu favor. A garota punk sempre tinha as provocações mais ácidas para fazer quando o ruivo estava por perto e ela podia esconder-se em suas costas.
Ao menos foi o que ela pensou. Até que ela passou dos limites depois de provocar Bakugou pela sétima vez em uma única manhã e não tirar o sorriso de deboche do rosto durante todo o dia.
Quando ela estava saindo do elevador do dormitório feminino, Bakugou estava ao lado da porta. O loiro esperou que ela passasse e a chamou. Quando Kyouka olhou para trás, só teve tempo de receber o aviso não verbal do sorriso diabólico de Katsuki e a explosão em suas mãos antes de correr pelo salão principal.
Bakugou a derrubou com um baque surdo, explodindo suas costas. Jirou reclamou da dor e o espetou com seus fones, enviando seu som de maneira perturbadora pelo corpo do loiro.
Katsuki.
Com uma segunda explosão para libertar-se, Bakugou saiu de cima das costas de Jirou somente a tempo de ter suas pernas puxadas pelos fones da garota. Ele tentou explodi-los, mas Jirou retirou-os à tempo. Contudo, Kyouka não foi rápida o suficiente para evitar ser derrubada novamente.
— O que vocês dois estão fazendo?! — A voz escandalizada de Yaoyorozu soou ao lado deles.
Kyouka e Katsuki pararam por um segundo para perceber que havia uma reunião considerável de seus amigos observando Bakugou segurando a cabeça de Jirou com uma das mãos enquanto tentava livrar-se dos fones da garota que se enrolavam em seu pescoço.
— Bakugou? O que aconteceu?! — Kirishima apareceu descendo do elevador.
— Ele simplesmente pulou em mim, Kiri! — Jirou acusou irritada. socando o ombro de Bakugou.
— Kyouka-chan! — Momo repreendeu-a aproximando-se — Não precisa recomeçar a briga.
— D-desculpe — Jirou baixou a cabeça e corou levemente.
— vocês dois estão brigando de novo?! — Kirishima perguntou chateado.
— Mas que tem de errado com vocês dois? — Kaminari reclamou espantado — Droga, Bakugou, Jirou é uma garota, por que você pega tão pesado com ela? E Jirou, cara, você sabe que o Bakugou é assim, por que você provoca tanto ele?
— Isso… é surpreendentemente sábio da sua parte, Jamming whey — Jirou constatou legitimamente impressionada.
— Kyouka-chan, isso é verdade? — Momo piscou surpresa. — Eu esperava essa atitude infantil do Bakugou-san, mas eu confesso que estou decepcionada com você.
— Como é, Rabo de Cavalo?! — Katsuki grunhiu tentando avançar, porém Kirishima o segurou.
— Me desculpe, Momo. Eu não tive a intenção — Jirou murmurou juntando a ponta dos fones e corando — Eu sinto muito, não vai acontecer de novo — Ela prometeu olhando-a de cabeça baixa.
— Você devia estar implorando o meu perdão, Orelha, não o dela — Katsuki rosnou irritado. Até que um pensamento lhe ocorreu e o garoto sorriu satisfeito antes de erguer a mão para Kyouka — Ei, estamos bem? — Ele perguntou com um dos melhores humores que aquele rosto rabugento conseguia expressar.
— Ahn… sim? — Jirou confirmou receosa.
Aquela expressão feliz não podia ser boa coisa. Um pouco encolhida, ela aceitou a mão de Katsuki. Que a puxou para muito perto;
— Você quer a Rabo de Cavalo, não é? — Ele sussurrou no ouvido dela, deixando a garota pálida por alguns segundos.
Jirou engoliu em seco e depois corou até a raiz dos cabelos, olhando para todos os lados pensando se mais alguém tinha ouvido as palavras do loiro.
Os demais ficaram confusos, inclusive, não sabiam se o mais estranho fora BAKUGOU iniciar a reconciliação, ou se foi Jirou praticamente correr para o quarto depois de Katsuki claramente dizer algo para ela.
Parece que ninguém saberia a resposta. Bakugou seguiu o caminho oposto de Kyouka acompanhado de Kirishima e o grupo se desfez.
Jirounão conseguia encarar Katsuki. Ela corava toda vez que o via. Mesmo sabendo que Bakugou não era um fofoqueiro, Kyouka tinha a forte impressão de que se tivesse uma conversa de cinco minutos com Katsuki, não conseguiria conter a língua e provavelmente iria provocá-lo e ele, em algum momento, iria usar sua paixonite contra ela. Além do mais, ela se sentia envergonhada de admitir que gostava de alguém. Por isso ela o evitou por dois dias.
Até que ele apareceu na sua porta, bem depois do toque de recolher, com uma expressão perturbada e com as roupas bagunçadas.
— Como você sabe se alguém é gay ou não? — Ele perguntou, dando um nó nos neurônios de Jirou. Ele esperou para a resposta que não veio — Como?!
Kyouka abriu a boca e soltou um som ininteligível e voltou a fechá-la.
— Quê? — Ela finalmente disse.
— Porra, esquece — Katsuki bufou um rosnado e deu meia volta.
— Ok, vem comigo — Jirou sacudiu a cabeça e o pegou pelo braço, guiando-o até o elevador.
— Para onde você está me arrastando, Orelha?
— Para a sala comum, Toru-chan ainda está acordada, qualquer barulho e ela vem checar pensando que é o Minetta, então vamos descer — Jirou explicou já apertando os botões do elevador.
— Não era melhor entrar no seu quarto, idiota?
— Nem sobre o meu cadáver um garoto vai entrar no meu quarto depois do toque de recolher — Kyouka bufou sarcástica — O mesmo vale para eu ir para o seu, vamos para a sala comum, não tem ninguém lá essa hora, só deixe as luzes apagadas e ninguém vem incomodar. — O elevador abriu e os dois saíram — Agora… me explica melhor o que está rolando.
Bakugou resmungou alguma coisa antes de sentar-se no sofá ao lado de Jirou e deslizar com a cabeça enterrada nos ombros.
— Kirishima é um filho da puta — Bakugou começou, frustrado — Não tenho ideia se ele está flertando comigo ou se ele é só imbecil mesmo. Toda vez que eu penso em fazer dar em cima dele, eu fico na dúvida porque esse idiota pode ser hétero e eu vou acabar cagando toda a amizade.
Kyouka tentou não rir ao ouvir Bakugou falando tão abertamente sobre isso. Ela tinha noção de que não deve ter sido fácil para ele vir até ela. Então, os dois ficaram conversando até tarde da noite sobre a estranha relação que ambos tinham com suas paixões.
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