Notas iniciais
*desculpa pela demora, mas eu espero que o capítulo tenha ficado bom para voc~es.
*Como sempre, boa leitura.

“Pronta para o treinamento kryptoniano?” Kim perguntou, assim que Brittany apareceu no campo Chandler, onde os seus primos a esperavam.

“É para isso que estou aqui.” Brittany respondeu com uma falsa confiança que agradou a outra jovem, mas no fundo ela sabia que iria penar nas mãos da outra em poucos minutos.

“Bom, não temos tempo a perder, já que o perigo pode estar mais próximo do que pensamos.” A garota disse, e olhou para o irmão caçula, que abriu um sorriso. “Que tal começarmos vendo a sua resistência?” Brittany apenas fez um rápido movimento com a cabeça, concordando com a sugestão. Bom, ela não tinha nenhuma outra escolha naquele momento, a não ser acompanhar ambos os primos que saíram correndo com sua super velocidade.

Brittany tinha uma resistência extremamente incrível para uma pessoa com hábitos sedentários, mas após cinco minutos de corrida, onde os três jovens deram a volta ao redor de Smallville, ela começou a sentir o ar faltar, e as suas pernas ficarem doloridas, fazendo ela perder a velocidade gradativamente até parar de vez, poucos metros da torre da KTML TV, e após alguns segundos, seus primos que estavam bem a frente, voltaram.

“Qual o problema, Kara?” O rapaz perguntou, preocupado ao ver a prima respirando com certa dificuldade, e com as mãos no joelho.

“Estou bem, só um pouco... Cansada.” Ela respondeu e levantou-se, para olhar para os primos.

“Isso é muito ruim, Kara, sua resistência está horrível, você não está capacitada nem para fugir em uma situação de risco.” Kim disse, cruzando os braços. “Você precisa de treinamento urgente.”

“Não agora, por favor, eu preciso de um descanso.” Brittany disse, torcendo para que seu pedido fosse acatado, mas Kim manteve sua postura.

“Você não vai querer parar agora?” A prima a questionou.

“Kim, eu...”

“Nós mal começamos, seja forte, vamos continuar subindo naquela torre.” Brittany sentiu um frio na barriga e borboletas no estômago ao mesmo tempo ao olhar para a direção da torre tão conhecida por ela, que apesar de lhe trazer boas lembranças, ainda lhe dava calafrios devido a sua altura.

“É... Kim, eu não acho que...” Brittany começou a argumentar, mas calou-se diante de uma cena que poderia ser considerada como fantástica para a adolescente, seu primo em um único pulo subiu na torre. Aquele movimento que lhe deixou de queixo caído trouxe de volta à sua memória a cena do filme que ela vira anos atrás, onde um alienígena após uma perseguição dobrou suas pernas e deu um super pulo em cima de um prédio. “Oh. Meu. Deus!” Ela falou pausadamente e com um tom de voz mais alta que o normal, tamanha surpresa que tiveram.

“Surpresa, Kara?” Kim perguntou, com um sorriso malicioso, já sabendo a resposta, que era mais do que óbvia. “Mostre para ela, Kon, que a gravidade desse planeta não pode conter os kryptonianos.”

“Hã? Como ass...?” Mas ela mal teve mal tempo de terminar a sua pergunta, para todas as suas palavras desaparecerem, ao ver o seu primo levantar vôo, sim levantar vôo. Brittany engoliu seco, e observou Kon indo cada vez mais alto, até parecer um bonequinho, parar no ar, e olhar para baixo.

“Isso é divertido, você deveria tentar, Kara.” Ele disse em tom brincalhão, mas Brittany não tinha tanta certeza se para ela aquilo seria divertido.

“Ele tem razão, que tal tentar pelo uma vez, Kara?” A pergunta de Kim fez a adolescente olhar para ela com os olhos arregalados, visivelmente assustada.

“E-eu... Desculpa, Kim, mas eu não acho que isso seja uma boa idéia.” Brittany tentou falar firme, mas acabou vacilando no início.

“Você deveria tentar.” A jovem kryptoniana insistiu.

“Eu acho que não... Pelo menos por agora.” Ela acrescentou assim que recebeu um olhar pouco amigável de sua prima, após a primeira sentença. “Eu não sou o tipo de pessoa que fica confortável em grandes alturas.” Nesse momento Kon voltou ao chão. “Desculpa.”

“Você está me dizendo que tem medo de altura?” Kim perguntou, como se tivesse ouvido uma ofensa.

“Sim, eu tenho, desculpa se você não gosta disso, mas eu tenho.” Brittany respondeu com certa impaciência, já que ela estava se cansando de receber ‘patadas’ por coisas mínimas ou pessoais.

“Às vezes eu penso que é melhor que os seus pais estejam mortos, do que ver essa vergonha kryptoniana que você se tornou.” Aquelas palavras atingiram Brittany como uma facada em seu peito, seu rosto se fechou, e ela sentiu um nó crescendo violentamente em sua garganta.

“Ótimo! Nós nem começamos, e eu já estou parando com isso!” Brittany vociferou. “Estou cansada de você, Kim, se não acha que sou boa o suficiente, então vamos parar por aqui!”

“Sim, até que enfim você falou alguma coisa com sabedoria, Kara!” A outra jovem disse no mesmo tom.

“Ei vocês duas, parem com isso...” Kon começou, mas as duas garotas o ignoraram.

“O grande erro do seu pai foi ter te mandado para esse planeta de covardes, e você acabou se tornando uma deles.” Kim disse.

“Claro, então se você não gosta daqui, caia fora, ninguém precisa de você nesse planeta de covardes.” Brittany respondeu. “Agora, me deixe em paz!” E no mesmo instante, a garota usou sua super velocidade para deixar o local.

Kon colocou as mãos na cintura, e balançou a cabeça, incrédulo com a atitude da irmã.

“Por que, Kim? Custa ter um pouco de paciência com ela?” O rapaz a questionou. “Você precisa se desculpar.”

“Você sabe o quão difícil é para eu agir dessa maneira?” Ela perguntou, quase em lágrimas. “Eu sou a responsável por ela, eu tenho que ensiná-la a se defender.”

“Isso não está ajudando, não é difícil de se ver.” O rapaz disse, e repetiu o gesto de sua prima, deixando o local com sua super velocidade.

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Com o campeonato regional se aproximando, o treinamento das Cheerios ficando cada vez mais intenso, e a volta de Alicia só tornou as coisas mais difíceis para Santana.

Após uma longa jornada de exercícios e treinos de coreografia, quando o sol já estava se pondo, a treinadora Sylvester liberou as garotas.

“Acho melhor você movimentar mais a sua bunda durante os treinos Lopez, você está muito preguiçosa.” Alicia provocou Santana que estava a caminho do vestiário.

“Cuida da sua vida, Baker.” A morena respondeu, e seguiu para o vestiário, sem olhar para a garota.

“Você não deveria falar assim com a sua capitã.” Alicia a advertiu, mas Santana continuou a caminho do vestiário sem lhe dar muita bola.

“Ora Alicia, você pode ainda ter o título, mas nunca mais terá o mesmo respeito.” Essas palavras fizeram a loira olhar para trás, e viu um grupinho de cinco garotas, lideradas por Hannah Robertson, rindo maliciosamente. “Não enquanto ficar se preocupando em olhar para a bunda da Lopez.”

“Hannah, todo mundo sabe que você está com inveja, porque sabe que enquanto eu estiver por perto será sempre o segundo lugar.” Alicia respondeu no mesmo tom, arrancando risadas das outras meninas.

“Agora você é só uma sapata, e uma sapata apaixonada pela “Esquisita-Pierce”, a que nível você chegou, hein?” Hannah ironizou. “Apaixonada e traída por aquela coisa.”

“Eu não sou uma sapata!” Alicia se defendeu, sentindo-se extremamente ofendida com aquela palavra. “E você nem pense em me chamar assim outra vez!”

“Você é uma sapata chifruda, e o que você vai fazer, Alicia?” Hannah a desafiou.

“Você vai ver quem é sapata.” Alicia disse com determinação, e seguiu para o vestiário.

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O resto do dia Brittany evitou seus primos, e viu quando Santana chegou em casa. Já a noite, e com uma aparência exausta, e sabia que os dias que se seguiriam seriam assim, pois a treinadora Sylvester não daria moleza para as meninas.

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A noite foi terrível para Brittany, já que ela se deitou logo após as dez, mas já eram quase três da manhã quando o sono apareceu, e a impressão que a garota teve foi de fechar os olhos por poucos segundos, e ouvir o alarme de seu despertador soar.

Durante o café da manhã, a garota permaneceu com a expressão fechada, e os seus primos não apareciam desde o dia anterior.

“Brittany, onde estão os seus primos?” Martha perguntou, assim que colocou a tigela com cereais na mesa, para a sua filha.

“Eu não sei, e eu não me importo.” A garota respondeu sem muito interesse, o que fez Martha estranhar, já que não era normal ver Brittany falando das pessoas daquela maneira.

“O que aconteceu para você falar dessa maneira?” Martha a questionou, sentando-se em frente à adolescente.

“Eu não quero saber deles, eu só queria que eles fossem embora e me deixassem em paz.” Brittany respondeu e comeu três colheres do cereal, enquanto Martha ficou ainda olhando para ela, ainda confusa.

“Por quê? Você estava animada por tê-los aqui.” Martha argumentou.

“Sim, eu estava, mas... Mas eles querem que eu seja alguém que eu não sou, e... E Kim me disse que eu seria uma vergonha para os meus pais biológicos.” Brittany suspirou fundo, e Martha surpreendeu-se ao ouvir aquilo. “E o pior é que eu acho que ela está certa, ela os conhecia, ela deve saber o que eles iriam pensar de alguém como eu.”

“Oh minha querida, eu tenho certeza de que isso não é verdade.” Martha começou.

“Não, mãe, você não tem.” Brittany respondeu. “Nós estamos falando de outro mundo, não de outro país, de outro planeta, isso é assustador, e é muito claro que eu seria outra pessoa se tivesse sido criada em meu planeta natal, pelos meus pais biológicos... É frustrante ficar imaginando um cenário que você nem sequer faz idéia de como era, porque eu nem sei como eram os rostos dos meus pais, eu sei os nomes deles, o que eles eram, mas eu nunca os vi, e nem vou ver... Eu tenho que ir, porque eu não posso perder o ônibus outra vez.” Brittany disse ao ver a hora no relógio da parede, e já que seu pai estava fora com o carro da família, ela iria para a escola de ônibus. “Tchau, mãe.”

“Tchau, Brittany.” A mulher se despediu da filha, que foi para o ponto de ônibus.

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Santana tomou um copo de suco de laranja, em pé, enquanto sua avó estava sentada na mesa, tomando seu café-da-manhã.

O silêncio habitava a casa há dias, desde que Santana descobriu a verdade sobre o seu pai biológico. A situação não ficava deste modo desde que a garota contara para a mulher que era lésbica.

Santana colocou o copo vazio em cima da pia, pegou a sua mochila e foi até a porta.

Desde que Sugar deixou a cidade, Santana ia para a escola de ônibus, como nos seus primeiros meses de ensino médio.

“Você não vai comer nada mesmo?” A mulher perguntou, assim que a neta abriu a porta.

“Não, eu estou bem.” Ela respondeu sem olhar para a mulher. “Tchau.” E antes que a mulher pudesse responder, a garota fechou a porta e foi para o ponto de ônibus, onde Brittany esperava pela condução.

“Ei Britt.” Ela a cumprimentou sorrindo, e recebeu um sorriso tão animado quanto em resposta.

“Oi Santana, como você está? Eu vi você chegando tarde em casa ontem, e parecia exausta.” Brittany comentou.

“Véspera de competição é sempre assim.” Santana respondeu. “Vai ser meio difícil lidar com a rotina de treinos e o meu horário no Diário de Smallville, mas logo isso tudo vai ter acabado.”

“E vocês vão ter um novo troféu para exibir.” Brittany brincou, e a garota riu.

“Talvez, quem sabe?” Santana respondeu. “Agora que temos de novo a nossa capitã...” Brittany engoliu seco ao ouvir aquilo, será que era o que ela estava pensando?

“O quê?”

“Alicia voltou.” Santana falou após suspirar fundo, e Brittany ficou inexpressiva por alguns segundos, muito surpresa com o que ouvira. “Isso mexe com você?”

“É... Não, eu só... Eu só fiquei surpresa, eu achei que ela não fosse voltar para Smallville tão cedo.” Brittany sorriu, porque só de pensar em ver Alicia ela sentia suas pernas bambas, e o seu estômago embrulhar, mas o pior de tudo, era sem dúvida alguma o grande peso em sua consciência por causa daquele empurrão.

“Brittany, está tudo bem?” Santana perguntou, fazendo a garota ‘acordar’ de seus pensamentos.

“Sim, eu estou bem.” Brittany abriu um sorriso meio forçado. “Nosso encon... Digo passeio no sábado, ainda está de pé?”

“Claro.” Santana respondeu no exato momento em que Brittany viu o ônibus amarelo se aproximando, e parando no ponto para as duas garotas embarcarem.

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Assim que Brittany pisou na escola, ela não pôde evitar os seus olhos atentos, procurando por Alicia em qualquer garota loira que ela via, e sentia os seus nervos à flor da pele só de pensar de ver a garota outra vez.

Ela sentia um misto de ansiedade e também receio, pois o seu último encontro havia sido desastrado, e a última imagem da adolescente somada à carta formava um grande peso na consciência da loira.

“Ei Britt.” A voz de Mike chamou a atenção da garota, que estava parada em frente ao seu armário, olhando fixamente para um livro em sua mãe, enquanto criava diálogos imaginários e imaginava como seria seu reencontro com a ex-namorada, que não tardaria a acontecer. “Está tudo bem?”

“Sim, por que não estaria?” Brittany disse, e fechou o livro.

“Ah nada, só foi uma coisa...” Ele começou

“Você viu Alicia?” Ela perguntou, sem pensar duas vezes.

“É, eu vi.” Mike respondeu de modo estranho.

“Ela está bem?” Brittany perguntou.

“Sim, mas está um pouco diferente, na verdade, ela voltou a ser a velha Alicia.” Mike disse, e suspirou, e antes que Brittany pudesse perguntar o que aquilo significava, ela viu no fundo do corredor, Alicia aparecer, de mãos dadas com Puck.

Brittany sentiu algo estranho ao ver sua ex-namorada com aquele idiota, que sorria de uma maneira arrogante, o que fez Brittany baixar os olhos, com a aproximação do casal, e manteve seus olhos assim, até o casal passar por ela, e assim que eles viraram o corredor ela voltou a olhar para Mike, pois havia entendido o porque dele usar as palavras “velha Alicia”.

“Bom, talvez isso seja o melhor.” Ele disse, em solidariedade com sua melhor amiga.

“Mas eu ainda preciso falar com ela, eu sei que eu errei, e para dizer a verdade eu não esperava que ela fosse encontrar alguém tão rápido, mas, eu estou muito feliz por ela.” Brittany forçou um sorriso, tentando mais convencer a si mesma do que à Mike que ela estava feliz pelo novo relacionamento de Alicia.

Aquela semana não estava sendo das melhores, e então ela começou a pensar que somente o encontro com Santana no final de semana salvaria toda aquela bagunça.

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Durante as aulas foi difícil para Brittany conseguir se concentrar algo, já que a única coisa que o seu cérebro parecia capaz de pensar naquele momento era nas palavras que ela iria dizer a Alicia quando elas se encontrassem outra vez. Ela precisava disso.

Quando o sinal bateu, ela colocou a mochila nas costas, e nem se importou em guardar o seu material no armário. Ela sabia que Alicia teria aula de história nacional naquele período, pois o tempo em que as duas namoraram, Brittany acompanhava Alicia em todas as suas aulas, e mesmo sabendo de que havia uma boa probabilidade de Puck estar fazendo isso naquele momento, ela resolveu arriscar e ver no que daria.

Brittany andou mais rápido que o normal, até chegar no corredor onde viu Alicia conversando com outras duas garotas, ela sorria animadamente, enquanto segurava seu fichário, e tinha os cabelos presos em um rabo-de-cavalo.

Brittany sentiu um nó na garganta ao ver a sua ex ali, mas ao mesmo tempo aliviada por olhar ao redor, e não encontrar nenhum vestígio de Puck ali, o que a fez criar coragem para se aproximar, de forma bastante tímida.

Mas antes que a garota pudesse se aproximar e ganhar a atenção de sua ex por si própria, uma de suas amigas apontou para Brittany com um sorriso desdenhoso, e logo Alicia virou-se para olhar nos olhos azuis de sua ex-namorada após longas semanas.

“Oi...” O cumprimento de Brittany saiu baixo e fraco, quase inaudível, e então ela respirou fundo e tentou outra vez. “Olá Alicia, é legal te ver outra vez.”

“Para você eu sou capitã Baker.” As palavras duras e frias de Alicia surpreenderam Brittany, que sentiu como se alguém tivesse apunhalado seu peito. “E além do mais, o que você quer de mim, sua estranha, caso você não se lembre, a única coisa das Cheerios que gosta de confraternizar com gente como você é a sua amiguinha, Santana Lopez, não eu, não mais.”

“Eu sinto muito, Alicia, de verdade...” Brittany começou a se explicar, mas Alicia começou a rir ironicamente, calando a adolescente.

“Sente pelo quê? Você não sabe o quanto me machucou, e eu não digo só fisicamente, porque aquele seu empurrão me fez ficar dolorida por dias...” Nesse instante Brittany se sentiu como uma verdadeira canalha, e extremamente covarde. “... Mas isso não foi o pior, o pior de tudo foi a dor que você causou dentro de mim, fazendo meu coração sangrar depois de tudo o que eu fiz por e para você.”

“Alicia eu nunca quis que você sofresse...”

“Guarde suas palavras, eu não quero ouvi-las, agora vamos voltar a ser o que éramos antes, você o verme que só servia para ser zoada e feita de Espantalho pelos populares, e eu, a garota que regia essa escola, cuja, pessoas como você tem que sair do caminho quando estiver passando.” Essas palavras atingiram Brittany como um raio violento. Doeu demais.

Alicia abriu um sorriso triunfante, enquanto Brittany usava o seu máximo para não deixar o choro preso em sua garganta se tornarem lágrimas, e observou silenciosamente Alicia entrar na sala onde teria aula, enquanto as outras duas Cheerios riam dela.

“Sai daqui, sua perdedora!” Uma delas falou.

“É, você está contaminando o nosso ambiente, verme!” Brittany abaixou a cabeça e virou-se para deixar o local, sentiu aquele líquido gelado, sabor uva, se chocando violentamente contra o seu rosto.

“Só para não perder o hábito, nerd.” Ela reconheceu a voz de Noah Puckerman. “Agora saia do meu campo de visão, antes que a Lopez fique sabendo que você está atrás da minha namorada.”

Brittany poderia responder, mas ela decidiu que o melhor a fazer naquele momento era ir até o banheiro e tirar aquele slushie de seu rosto.

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“Mulheres são loucas!” Mike falou para Brittany, logo que ela explicou os acontecidos do começo da manhã. Agora eles já estavam na hora do almoço. “Todas são ciumentas e vingativas e emotivas, ainda bem que você é diferente.” Brittany lançou um olhar não muito amigável para o garoto. “Britt, eu não quis sobre você ser lésbica, mas sim por você ser... Você sabe.”

“Eu entendi, mas isso não faz diferença, minha prima é como eu, e não deixa de ser uma louca vingativa.” Brittany respondeu e suspirou, e conhecendo a amiga como ele conhecia, ele soube que havia algo muito errado.

“Britt, o que aconteceu?” Ele perguntou. “O que ela fez para você?”

“Ah, eu não sou o que eles esperavam encontrar...” Brittany começou, e cruzou os braços, parecendo bastante chateada. “Ela disse para mim que é melhor meus pais terem morrido do que ver a vergonha que me tornei.” Mike ficou surpreso ao ouvir aquilo.

“Caramba...”

“Quem disse uma barbaridade dessas, Britt?” Os dois adolescentes gelaram ao ouvir a pergunta vinda de Rachel Berry, que apareceu ali do nada, ou pelo menos os outros dois adolescentes não estavam atentos o suficiente para perceber a chegada da amiga. “E que história é essa de seus pais terem morrido?”

“Bom, é...” Brittany começou, tentando não se enrolar em suas próprias palavras, mas isso foi bem difícil.

“Está escondendo coisas de mim, Britt?” Rachel perguntou, cruzando os braços em um misto de desconfiança e mágoa.

“Não, claro que não, eu só contei isso para o Mike antes porque tivemos aula agora.” Brittany disfarçou. “Mas você seria a próxima a saber.”

“É, vamos para a lanchonete, eu estou faminto.”O rapaz disse, e passou a mão na cintura de sua namorada, e lhe deu um selinho, e assim os três jovens seguiram para a lanchonete, onde Santana se juntou à eles, para ouvir a história de Brittany.

Brittany disse a história de seus primos, trocando apenas alguns dados importantes como o local de origem de sua família, que mudou de Krypton, para uma cidadezinha na fronteira com Canadá.

“...Bom, e eles me falaram sobre os meus pais biológicos...” Brittany sentiu sua voz estremecer, pois conforme os dias iam se passando, pensar em seus pais biológicos se tornava mais doloroso. “ Eles me falaram que eles eram ótimos, que se importavam comigo, e que eles eram importantes na nossa Terra natal.”

“E o que aconteceu com eles?” Rachel, a mais curiosa de todos, perguntou.

“Eles morreram em um acidente de carro, perto de Smallville, no dia da chuva de meteoros, e aí meus pais me encontraram.” Brittany mentiu, e não pôde deixar de notar o olhar de pena de Santana, porque ela mais do que ninguém se identificava com aquilo.

“E qual era o nome deles?” Rachel fez outra questão, pegando Brittany desprevenida. Jor-El e Lara Lor-Van não eram nomes comuns para nenhum terráqueo. “Você falou sobre os seus primos e sobre os seus pais, mas em nenhum momento disse os seus nomes, ou mesmo o seu nome biológico.”

“Meu pai se chamava Joseph, e minha mãe Linda.” Brittany falou os primeiros nomes que vieram a sua mente. “Eu fui nomeada em homenagem à ela, eu era Linda Lee.” Linda Lee era o mais secreto dos segredos de Brittany. Um segredo que nem seus pais, nem seus amigos conheciam. Linda Lee era o alter ego que a garota inventou para si mesma durante o início da adolescência. Linda Lee era tudo que Brittany gostaria de ser, mas tinha plena consciência de que jamais poderia ser.

“Nome bonito.” Santana comentou.

“Mas eu ainda prefiro Brittany.” Ela respondeu sorrindo.

“ E os seus primos, como eles chamam?” Rachel mais uma vez a questionou.

“Lucy e Samuel, Fabray, Lucy e Samuel Fabray.” Ela respondeu, nem sabendo de onde aqueles nomes surgiram, e assim que ela desviou o olhar, viu Alicia aos beijos com Puck há algumas mesas de distância. Ela sentiu asco, mas voltou a olhar para os seus amigos e sorriu.

“Eu acho muito bom que você tenha encontrado alguns parentes biológicos.” Rachel comentou. “Eu acredito que todos tenham direito de conhecer sua própria história.”

“É, eu também acho, e mesmo sabendo que os meus pais estão mortos, e que nunca vou poder falar com eles, me deu um certo alívio saber que eles não me abandonaram.” Brittany disse, em tom melancólico, lembrando-se das palavras de seus primos, e de como os seus pais se dedicaram até os últimos minutos de suas vidas para salvá-la de virar poeira espacial.

“Eu sei como se sente, Brittany, você pode sempre contar comigo se precisar de algo.” Santana disse, e abriu um sorriso solidário para a adolescente.

“Obrigada.” Brittany agradeceu, e olhou para o relógio em seu pulso, presente de Natal de Alicia, e viu que o seu horário livre estava quase terminando. “Eu tenho que ir agora, a próxima aula é de álgebra, e vocês sabem como a Sra. Jinkerson é.” A garota disse, levantando-se. “Vejo vocês mais tarde.” Brittany despediu-se dos amigos e seguiu para o corredor onde a sala de álgebra estava localizada, e com um olhar furtivo à mesa onde o mais novo casal de Smallville High, e viu que eles já não estavam mais ali, e não demorou para ela encontrá-los outra vez.

Ao virar o corredor onde da sala de álgebra, ela mal teve tempo de pensar até sentir aquele líquido tão conhecido quanto gelado, sabor morango atingir seu rosto, e em seguida vários outros slushies também, todos de sabores diferentes.

“Esse é o meu presente para você. Eu sei que você gosta de arco-íris, e eu espero que você tenha gostado desse." Brittany reconheceu a voz de Alicia e risadas femininas, e assim que conseguiu tirar o líquido de seus olhos, ela olhou para trás, e viu as Cheerios, lideradas por Alicia, com copos de slushie vazios, rindo de sua miséria.

Agora ela iria perder a aula toda, porque para tirar todo aquele líquido de seu rosto iria levar um tempo e no fundo do corredor ela viu, no meio de um grupo de estudantes, Amanda Fordman, observando toda a cena em silêncio, e até demonstrando certa comoção com aquilo.

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Brittany sentiu-se aliviada por chegar em casa, após aquele dia terrível, e logo foi recebida por Krypto, que pulava alegremente em volta dela.

Brittany entrou em casa, e encontrou os seus pais vendo televisão.

“Oi família.” A adolescente os cumprimentou sem muita animação.

“Qual o problema, Brittany?” Jonathan perguntou, preocupado ao ver a filha daquela maneira.

“Nada, só estou um pouco cansada.” Brittany mentiu, ela não gostava de envolver seus pais nos problemas escolares, ela sabia o quão triste eles ficariam caso soubessem do bullying que ela sofria às vezes. “Alguma notícia dos meus parentes?”

“Não, eles não apareceram o dia todo.” Martha respondeu, e Brittany sentiu um aperto no peito ao ouvir isso. Ela estava preocupada com os primos, será que eles haviam ido embora sem ao menos se despedir?

“Eu vou para o meu quarto, eu tenho prova de geometria semana que vem e tenho que estudar.” Brittany disse.

“Você não está com fome?” Martha perguntou.

“Não, eu estou bem, eu comi logo que saí da escola.” A garota respondeu, e subiu para o seu quarto, acompanhada de seu mais novo fiel companheiro, Krypto.

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Santana respirou aliviada ao ouvir a ordem da treinadora Sylvester decretando o fim de mais um treino. Tudo o que ela queria naquele momento era apenas tomar uma ducha, voltar para a casa, e cair no seu colchão, pois mesmo tendo um bom condicionamento físico, ela sentia cada um de seus músculos em extrema dor.

“Eu não sei porque a treinadora Sylvester mantém um peso morto como você em nosso time!” Alicia acusou Santana, poucos metros antes delas entrarem no vestiário. “Ah, na verdade eu sei sim, pena de você!”

“Do que você está falando, garota?” Santana perguntou, já sem muita paciência com Alicia, que passou o dia provocando ela e Brittany. Alicia colocou as mãos na cintura, e deu dois passos para frente, ficando cara a cara com Santana.

“Eu já estou cansada de você e seu traseiro preguiçoso e sem talento.” Alicia disse, em tom irritado. “Todo mundo sabe que você só faz parte do time por que a treinadora Sylvester gostava da sua mãe, e todos tem pena de você porque ela foi esmagada por um meteoro...”

“Cala a sua boca!” Santana vociferou, quase em lágrimas. “Não fale da minha mãe, sua louca! Você tem problemas comigo, tudo bem, mas deixe a minha mãe fora disso.”

“Como deixar ela de fora, se ela é a responsável por você estar aqui agora, usando esse uniforme que você nem merece.” Ela apontou para o uniforme. “Mas se bem que, aposto que se ela soubesse que teria uma filha como você, com sérios problemas mentais, e sem talento algum, ela provavelmente teria feito um aborto.”

“Você vai engolir essas palavras, sua...” Santana partiu para cima da capitã das líderes, mas sentiu alguém lhe segurando.

“O que está acontecendo aqui, garotas?” Era a treinadora Sylvester, que acabara de chegar no local, antes de evitar que algo maior acontecesse.

“Nada treinadora Sylvester, essa garota é que não agüenta ouvir uma crítica.” Alicia se defendeu.

“Você pode me criticar o quanto quiser, mas nunca mais coloque o nome da minha mãe no meio disso.” Santana respondeu, e a treinadora lançou um olhar desconfiado em direção à Alicia.

“O que você disse sobre Laura?” Sue a questionou.

“Eu não disse nada sobre Laura, eu só disse que Santana não é tão talentosa quanto ela.” Alicia mentiu, e olhou para a outra adolescente, com um ar desafiador. “Não é, Santana?”

“Eu acho bom isso acabar por aqui, já estou cansada dessas picuinhas entre vocês duas, da próxima vez as duas serão punidas, estamos entendidas?” As duas adolescentes assentiram com a cabeça. “Eu também não quero saber de envolver familiares nessas discussõezinhas idiotas entre vocês, e agora vão para o chuveiro e deixem de infantilidade, estamos às vésperas de uma grande competição, temos que manter um clima bom.”

Sem mais rodeios, as duas meninas seguiram para o vestiário, evitando qualquer contato visual.

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O resto da semana foi estressante tanto para Brittany, quanto para Santana, que além de terem que lidar com as provocações de Alicia, Puck e as Cheerios, também tinham seus problemas em casa. Santana com sua avó, e a falta de contato entre as duas, e Brittany com os seus primos, que desde o frustrante treinamento que culminou entre a briga entre ela e Kim, estavam desaparecidos, sem dar nenhum sinal de vida, mas sábado finalmente chegara, e com ele, o primeiro encontro oficial das duas garotas.

Brittany havia passado a noite entre sexta e sábado insone, só que dessa vez era por uma ansiedade boa, imaginando como seria o momento em que ela e Santana estariam juntas em um encontro oficial pela primeira vez.

Após uma série de perguntas de seus pais, que sorriam abobalhadamente enquanto as faziam, Brittany foi se trocar. O dia estava sendo bom, apesar da insinuação de seus pais, deixando nas entrelinhas que estavam felizes por ela e Santana estarem juntas, o que deixou Brittany bastante envergonhada, mas feliz, de certa forma, bela boa aceitação, já que ela fazia planos para um futuro, só estava indo com calma porque ainda não sabia o que a outra garota e principalmente a sua avó iriam pensar.

Após um longo banho, e uma demora ainda mais longa para escolher as suas roupas, a garota vestiu uma camiseta branca, com uma jaqueta e saia jeans claras, e prendeu o seu cabelo, adotando um visual bem diferente do dia-a-dia, pois queria surpreender Santana.

Brittany desceu à escada, e encontrou seus pais jantando na cozinha, e ambos surpreenderam-se ao vê-la, vestida de uma maneira tão diferente da comum.

“Então, como eu estou?” Ela perguntou, meio timidamente, e o casal Pierce sorriu.

“Linda.” Martha foi a primeira dizer.

“Sua mãe está certa, você está diferente, mas muito bonita.” Jonathan completou.

“Obrigada.” A adolescente agradeceu.

“Eu pensei que você tinha aposentado essa saia.” Martha comentou e Brittany deu uma risadinha.

“É, eu também, mas eu pensei que seria legal vestir algo diferente hoje.” Ela respondeu animada. “Bom, eu tenho que ir agora.” Jonathan colocou a mão no bolso e pegou a chave do carro da família e uma nota de cem dólares. “Caramba pai, não precisa me dar dinheiro.”

“Claro que precisa, assim vocês podem ir a um restaurante melhor, ou a um cinema 3D, coisas do tipo.” Jonathan explicou sorrindo.

“Obrigada, pai.” Brittany agradeceu, surpresa com o gesto. Ela sabia que seus pais eram pessoas ótimas, mas não imaginava que receberia um apoio tão grande por parte deles, e pegou a nota e a chave do carro. “Mas lembre-se, nada de bebidas alcoólicas, dirigir acima da velocidade ou chegar depois da meia-noite.” Ele a alertou.

“Sim, pai, pode ficar tranqüilo.” A garota lhe garantiu.

“Caso contrário você sabe que terá um castigo, dois meses da escola para casa e da casa para a escola.” Martha fez questão de lembrar a garota.

“Eu sei mãe, eu vou obedecer as ordens, não se preocupe.” Brittany garantiu. “Eu tenho que ir agora, até mais.”

“Tchau, filha” Jonathan respondeu.

“Divirta-se com responsabilidade.” Martha disse, e Brittany sorriu e deu um beijo no rosto de seu pai, e de sua mãe, e saiu, entrando no carro de sua família, e estacionou na frente da casa de Alma Lopez.

A garota desceu do carro, subiu na área da casa, e tocou a campainha, e foi atendida por Alma.

“Boa noite, Sra. Lopez.” Brittany a cumprimentou, um pouco desconfortável pelo olhar desconfiado que a mulher lhe deu.

“Boa noite, Brittany.” Alma respondeu e olhou para os lados, como se estivesse procurando por alguém. “Onde estão os outros? Santana disse que vocês sairiam com amigos...”

“Eles estão na cidade.” Santana interveio na conversa, para salvar Brittany, antes que a loira tivesse tempo de responder aquela pergunta que lhe pegou totalmente desprevenida. A garota postou-se ao lado de sua avó. “Oi Brittany.”

“Oi Santana.” Brittany cumprimentou a morena, tentando não demonstrar o quão encantada estava por vê-la naquele momento, usando uma calça jeans skinny preta, e uma blusa tomara-que-caia, na mesma cor, que valorizavam os seios mais-que-perfeitos de Santana, com um decote de tirar o fôlego de qualquer pessoa que apreciasse a anatomia feminina, como Brittany, e por cima uma jaqueta branca, aberta. Seus belos cabelos negros e brilhantes, soltos, por sobre os seus ombros.

“Já está na hora de ir, eu volto mais tarde, abuela, tchau.” Santana se despediu da mulher, e saiu de sua casa.

“Até mais, Sra. Lopez.” Brittany sorriu ao se despedir da mulher, mas não recebeu o mesmo gesto em resposta.

“Não chegue muito tarde, Santana.” A mulher disse, antes de voltar para dentro de casa, e as duas garotas seguiram para o carro.

“Desculpa pela minha avó, e por ter que mentir sobre sairmos com mais amigos.” Santana disse, assim que as duas entraram no carro, e Brittany ligou o veículo. “Eu só não quero que ela comece a implicar com você, como ela fazia com Amanda.”

“Tudo bem, não se preocupe com isso, eu te entendo.” Brittany respondeu sorrindo.

“O que você disse para os seus pais?” Santana perguntou, intrigada.

“A verdade, eles não tem problemas comigo sendo... Gay.”

“Você tem sorte, às vezes eu fico imaginando se meus pais ainda estivessem vivos, será que eles me apoiariam ou me expulsariam de casa, ou mesmo fariam como a minha avó, acreditando que isso é só uma fase, que vai passar quando eu encontrar o homem certo.” Santana falou visivelmente chateada.

“Não fique triste, por favor.” Brittany pediu, e seu gesto arrancou um sorriso de Santana.

“Eu não estou triste, Britt, acredite em mim, eu estou muito feliz por estar indo a um encontro com você.” A morena disse.

“Eu também.” E antes do carro entrar na estrada, as duas trocaram um beijo rápido nos lábios.

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Brittany e Santana foram até o “Metroplis Shopping Center”, localizado no mesmo complexo de arranha-céus que o Planeta Diário, lugar que contava com o mais moderno cinema 3D de todo o Estado do Kansas.

As duas garotas entraram no local, e foram caminhando pelo local, com tranqüilidade, parando vez ou outra para admirar vitrines, Santana tinha preferência pelas lojas de roupas e livrarias, enquanto Brittany gostava mais das lojas de bichinhos de pelúcia e artigos de informática e games.

Como a menina do interior que era, Brittany preferia a escada normal à escada rolante e elevador, e Santana, apesar de ser uma menina toda antenada, e desejar intensamente alcançar a maioridade, entrar para uma faculdade, e ir embora de Smallville, decidiu deixar de lado as modernidades do shopping e acompanhar a outra garota pela escada mesmo, dizendo que assim elas estavam aproveitando para queimar algumas calorias também.

Quando chegaram ao cinema, as duas chegaram ao consenso de que veriam “Os Vingadores”, pois assim ninguém dormiria ou morreria de medo no final da sessão.

Elas ficaram por cerca de vinte minutos na fila do filme, e Brittany ficou mais cinco minutos na fila da pipoca, e encontrou Santana dentro da sala, em uma das últimas cadeiras, da última fileira.

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“Gostou do filme?” Brittany perguntou, logo que as duas deixaram o cinema.

“Foi legal, mas eu não acredito muito em heróis, acho que eles ficaram enterrados junto com a Segunda Guerra Mundial.” Santana disse. “Mas é bom fugir da realidade às vezes.”

“É, eu também acho isso.” Brittany concordou. “Então o que você quer fazer agora?”

“Você pode ser minha heroína.” Santana respondeu sorrindo.

“O quê? Como?” Brittany perguntou confusa, e então Santana apontou para uma direção, e assim que a loira olhou para a mesma direção, viu que se tratava de uma grua para pegar bichinhos de pelúcia.

“Você acha que consegue pegar um para mim?” Santana perguntou, e Brittany sorriu.

“Eu nunca fiz isso, mas eu posso tentar.” Brittany respondeu, e caminhou para próximo do objeto junto de Santana, que comprou duas fichas. “Eu comprei uma ficha para mim, e outra para você, quer ir primeiro?”

“Não, pode ir primeiro.” Brittany respondeu, e Santana colocou a ficha no brinquedo, e começou a minuciosamente controlar a máquina, e logo capturou uma zebra de pelúcia. Brittany ficou em silêncio observando a garota, e em como ela estava linda, concentrada para atingir o seu objetivo, quando...

“Merda!” A garota vociferou, e levou a mão esquerda à cabeça, em um movimento de frustração. “Britt, desculpa pelo palavrão.”

“Está tudo bem.” Brittany disse, pois ela entendia a frustração, afinal faltavam poucos centímetros para ela conseguir o bichinho de pelúcia. “Vamos ver o que eu consigo fazer com isso.” Brittany disse, colocou a sua ficha na máquina, e se posicionou para tentar a zebrinha que Santana queria.

Brittany foi vagarosamente até o animal e conseguiu agarrá-lo, mas não pôde deixar de usar um pouco de sua velocidade sobre humana para colocar a pelúcia no local certo, e ela sair pela portinha de baixo da máquina.

“Sorte de iniciante.” Brittany disse, assim que pegou o animalzinho de pelúcia e olhou para a surpresa. “É para você.”

“Oh, obrigada, Britt.” A morena agradeceu ao pegar a pelúcia. “Sabe que essa grua me traz uma das poucas das lembranças que eu tenho dos meus pais? Eu me lembro de algumas semanas antes deles morrerem, que nós tínhamos ido a um parque, e eu quis de todo jeito um ursinho cor-de-rosa que estava em uma máquina dessas, então o meu pai comprou umas cinco fichas, e falhou em todas as tentativas de pegá-lo, e eu comecei a chorar, e enquanto ele tentou me convencer de que iria comprar um urso mais bonito para mim quando voltássemos para casa, minha mãe comprou uma ficha, e conseguiu o pegar o tal ursinho.”

“Seus pais pareciam bem legais.” Brittany comentou.

“Sim, eles eram diferentes, e acho que isso fazia com que eles se completassem.” Santana disse. “Meu pai era bem calmo, mais racional, enquanto minha mãe era agitada e completamente emocional, e os dois juntos encontravam um equilíbrio.” Brittany percebeu que a voz de Santana começou a ficar embargada, e então decidiu que era melhor mudar de assunto.

“Está com fome?” A loira perguntou.

“Um pouco.” Santana respondeu.

“Bom, graças ao meu pai eu vou poder te levar para comer algo melhor que hambúrguer e batata frita.” Brittany brincou e Santana riu. “Então, onde você gostaria de ir?”

“Bom, eu ouvi dizer que tem um ótimo restaurante italiano nesse shopping, gosta de comida italiana?”Santana perguntou.

“Sim, eu adoro pizza.” Brittany brincou, e as duas riram. “Você sabe onde ele fica?”

“Sim, venha comigo.” Santana respondeu, e as duas adolescentes seguiram para o local.

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O restaurante não era luxuoso, mas bastante confortável, e as imagens de seus principais pratos pelas paredes deixava qualquer um com água na boca.

As duas adolescentes sentaram-se em uma mesa de canto, e começaram a ver o cardápio, quando após alguns minutos um garçom veio atendê-las.

“Já decidiram qual o prato que irão pedir?” Ele perguntou.

“Eu quero espaguete ao molho de bolonhesa, e suco de laranja.” Santana respondeu, e o garçom olhou para Brittany, que ainda lia o cardápio.

“Eu vou querer o mesmo que ela.” Ela disse e sorriu, tentando não parecer patética, enquanto o homem anotava os dois pedidos, e caminhou para a cozinha. “Me desculpa por pedir o mesmo que você, é bem tosco isso, não?”

“Está tudo bem, Britt.” Santana logo disse e abriu um sorriso solidário. “Nas primeiras vezes em que vim aqui eu sempre pedia o mesmo que Amanda...” A garota parou de pronunciar o que estava dizendo no mesmo instante em que o nome de sua ex-namorada saiu naturalmente no meio daquela conversa. “Desculpa...”

“Está tudo bem.” Dessa vez foi Brittany que se apressou em jogar panos quentes na situação, tentando não transparecer toda a surpresa que sentiu ao saber que Santana sugeriu o mesmo restaurante que ela costumava freqüentar com Amanda para o seu primeiro encontro. “Isso é normal, eu te entendo, você e Amanda estiveram juntas por tanto tempo, é normal que você se lembre dela em situações assim.”

“Eu realmente sinto muito, Britt, eu não devia ter falado aquilo.” Santana se desculpou outra vez. “E não é esse o caso, eu não estou pensando na Amanda agora, eu senti falta do lugar, mas a sua companhia é bem melhor, não tenha dúvidas.” Brittany sorriu ao ouvir aquilo.

“Obrigada.” Mas o sorriso da adolescente logo desapareceu no momento que ninguém mais ninguém menos que Alicia e Puck entraram no mesmo restaurante que ela e Santana estavam, de mãos dadas, e logo a olhar de Alicia cruzou com o dela, fazendo-os olhos de Brittany irem direto para a superfície da mesa.

Atenta à situação, Santana olhou para trás, em busca do que havia causado aquele comportamento estranho em Brittany, e viu o casal mais popular do McKinley High acomodando-se a uma mesa, próxima a porta de entrada, e em seguida voltou a olhar para a adolescente em sua frente.

“Mundo pequeno, não?” Ela comentou, de forma ácida, e Brittany entendia bem o porquê, afinal em uma cidade do tamanho de Metropolis, com vários shoppings espalhados, e muito mais restaurantes, encontrar Alicia e Puck ali era uma grande surpresa, e nem um pouco agradável. “Mas não se preocupe, nada disso vai estragar o nosso encontro.”

“Claro que não, eu não vou deixar isso acontecer.” Brittany esticou sua mão e a colocou sobre a mão de Santana. “Eu realmente gosto de você, Santana.” A morena abriu um sorriso terno, e Brittany notou o brilho nos olhos negros dela, totalmente diferente da maneira que qualquer outra pessoa havia olhado para ela. “Eu gosto muito.”

“Eu também gosto de você, Britt.” Santana respondeu, deixando Brittany bastante corada, mas ao desviar o olhar por apenas um segundo, ela viu um beijo bem quente entre Alicia e Puck.

“No nosso próximo encontro, pretendo eu mesma cozinhar para você.” Santana falou, visivelmente chamando a atenção de Brittany de volta para si. “Eu me dou bem com massas, e preparo um molho de barbecue com pimenta que toda a família da minha mãe sempre me pede para fazer em nossas confraternizações de fim de ano.”

“Eu imagino.” Brittany disse. “Bom, eu sei fazer uma ótima pipoca de microondas, que os meus pais e meus amigos adoram, você precisa ver.” Brittany brincou, e Santana riu.

“Ah sim, eu quero provar a sua pipoca de microondas sim, Srta. Pierce.” Santana falou em tom brincalhão.

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Após o delicioso jantar, Brittany e Santana ainda pararam em uma sorveria, e tomaram Milk-Shakes, e finalmente foram para a casa, ouvindo canções antigas pelo rádio do carro.

Após mais de trinta minutos de viagem, onde Santana cantarolou praticamente todas as canções, demonstrando ser uma grande conhecedora de músicas antigas e clássicas.

“Chegamos.” Brittany disse, assim que estacionou o carro há poucos metros da casa de Santana. “Obrigada por tudo, essa noite foi incrível.”

“Eu também te agradeço, Britt.” Santana respondeu. “Eu queria ter feito isso antes, mas eu acho que agora é o momento perfeito.”

A morena colocou as mãos na face de Brittany, que fechou os olhos e deixou os seus lábios entreabertos, pronta para o que viria, e assim que aconteceu ela sentiu um arrepio percorrer de sua espinha dorsal conforme Santana massageava a sua língua com a dela.

Brittany sentiu como se seu corpo tivesse levitando, mesmo estando tenso, e sem saber o que fazer com suas mãos, quando as mãos de Santana soltaram o seu rosto, para pegar nas mãos de Brittany, e guiá-las até a sua cintura.

“Me segure, Britt...” Ela murmurou, entre beijos, e a loira prontamente acatou a ordem, e manteve as mãos firmes na cintura de Santana, que levou suas mãos ao pescoço de Brittany, usando a ponta de seus dedos para acariciar a nunca da adolescente, levando a um outro nível de prazer. “Minha avó...”

“O quê?” Brittany se assustou ao ouvir aquelas palavras, após Santana se separar quase bruscamente. “Onde?” A loira olhou para trás, achando que veria o rosto furioso de Alma Lopez no vidro e com um rifle na mão pronta para acertar as contas com ela.

“A luz da sala estava apagada, e agora acendeu, eu tenho certeza que ela ouviu o barulho do carro e está espiando pela janela.” Santana disse. “É melhor eu entrar, senão ela vai me bombardear com perguntas.”

“Tudo bem, mas antes, me dê mais um beijo, por favor.” Brittany pediu, e Santana mordeu o lábio inferior.

“Certo.” A morena disse, e avançou para mais um beijo, dessa vez mais doce e calmo que o anterior. “Agora eu tenho que ir mesmo, tchau Britt.”

“Tchau, Santana.” A loira respondeu.

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Assim que Santana entrou em casa, encontrou sua avó sentada no sofá, usando o controle remoto para mudar os canais sem nenhum interesse em suas programações.

“Esse bichinho foi presente da Brittany?” A mulher perguntou, logo que Santana trancou a porta.

“Não, eu ganhei ele em uma grua.” Santana mentiu, mas não teve certeza se a avó acreditou em suas palavras, já que sua expressão demonstrava isso claramente.

“Você se divertiu, pelo menos?”

“Claro, foi uma ótima maneira de passar o meu tempo.” A morena respondeu, e caminhou em direção ao seu quarto. “Agora eu quero descansar, estou morrendo de sono.”

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O sorriso de Brittany na segunda-feira era revelador da felicidade extasiante que ela havia vivido durante o seu final de semana, e ele permaneceu estampado em seu rosto durante boa parte do dia, mas foi no último horário que o líquido verde e gelado chocando-se contra o seu rosto de forma violenta.

“Esse foi só para você não esquecer quem manda aqui.” Ela reconheceu a voz de Puck acompanhada de uns dois ou três membros do time de futebol, que foram se afastando gradativamente.

“Britt, deixa que eu te ajudo.” Mike falou, e então Brittany sentiu o rapaz enxurgar o seu rosto usando uma toalha. “Está melhor agora?”

“Sim, obrigada Mike.” Ela agradeceu, aliviada por poder abrir os olhos.

“Britt, eles ultrapassaram os limites há muito tempo, você deveria contar para os seus pais o que está acontecendo.” Ele a aconselhou, genuinamente preocupado.

“Eu não quero envolver eles nisso.” Ela respondeu, com a mesma resposta de sempre. “Eu só não entendo, por que ele me odeia tanto.”

“Por você ter conseguido algo que todos os caras do time morreriam para ter.” Ele respondeu e abriu um sorriso, para a confusa Brittany.

“O quê? Visão de Raio-X para espiar no vestiário das líderes?”Ela ironizou, e o garoto riu.

“Bom, isso seria demais também, mas eu não estou falando disso, você sabe.” Ele falou. “Eu estou falando sobre Santana... E Alicia.”

“O que elas tem a ver com isso?” Mike rolou os olhos.

“Britt, pare de se fazer entendida, porque não é possível que você não saiba que é a pessoa mais sortuda dessa cidade, as duas são Top 2 na lista das mais gatas de Smallville High.” Ele explicou de um jeito meio sacana. “Todos queriam estar no seu lugar.”

“Que droga de lista é essa?” Brittany perguntou, surpresa com o que acabara de ouvir.

“Bom, é uma lista onde os caras do time votam nas garotas que eles consideram as mais gostosas da escola, bom e Alicia ficou em primeiro e Santana em segundo.” Ele explicou. “É idiota, eu sei.”

“Muito idiota.” Brittany concordou, pois sabia que os garotos eram muitas vezes tolos e infantis, mas não imaginava que era tanto.

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Santana foi uma das primeiras a entrar no vestiário e tomar a sua ducha antes de ir para casa, e esperava evitar Alicia, já que estava praticamente virando rotina rolar um estresse entre ela e a capitã do time treino após treino.

“Se divertiu no sábado?” Ela logo reconheceu a voz de Alicia, e assim que olhou para a garota, que estava atrás dela se impressionou ao notar que ela não usava blusa, nem mesmo um sutiã, ela exibia orgulhosamente seus seios, com a blusa em uma mão, e a outra na cintura. Santana virou os olhos, sentindo-se envergonhada. “Qual o problema, Lopez? Vamos lá, não é nada que você não tenha visto antes.” Ela provocou.

“Não fale do que você não sabe.” Santana se defendeu.

“Não sei? Ora Lopez, admita que você tem uma coleção de playboys escondidas debaixo do colchão, e que você reza todo dia para sua avó não encontrar, senão ela acaba tendo um ataque cardíaco e indo para as cucuias também.”

“Alicia, é melhor você parar de falar da minha família, ou eu não respondo por mim.” Santana a ameaçou, e Alicia sorriu.

“Desculpa, me esqueci que esse é um ponto sensível para você.” Alicia falou, e vestiu sua blusa, possibilitando Santana olhar para ela.

“O que você quer de mim?” Santana a questionou, com impaciência.

“Eu só quero te parabenizar, afinal não é todo dia que eu vejo um casal tão bonitinho como você e Brittany, que até parecia um casal de velhinhos, tamanha a pieguice.” Alicia deu uma risadinha sacana. “Quando Brittany e eu namorávamos fazíamos coisas bem mais interessantes.”

“Olha, eu não estou interessada...” Santana disse, e virou-se para a direção da porta de saída, mas sentiu seu braço ser seguro por Alicia. “Tire as suas mãos de mim!”

“Sem estresse, Lopez, eu só quero conversar.” Alicia disse, e empurrou Santana contra um armário.

“Você só quer me provocar, não sei qual é o seu problema... Na verdade eu sei sim, você é uma infeliz por esconder quem realmente é, e quer descontar sua frustração e infelicidade em mim e em Brittany, porque queria estar com ela, eu não sou idiota.” Alicia riu debochadamente. “Você não deveria fazer isso...”

“Cala a boca, sua mimada!” Alicia vociferou, mudando o tom completamente.

“É mentira o que eu disse? Eu sei que você não gosta do Puckerman, qualquer pessoa atenta percebe o nojo que você sente dele quando ele está perto de você, e por que você faz isso? Por causa de uma popularidade idiota?”

“Popularidade idiota? Para você é fácil falar garota, todo mundo sabe que você só está no time por causa da sua mãe, e a vida toda foi assim, você sempre viveu à sombra de seus pais mortos, mas você não foi a única que perdeu parte da sua vida quando aquela chuva de meteoros atingiu Smallville!” Santana sabia que Alicia se referia ao incidente envolvendo si própria. “Mas ao contrário de você, eu não posso sair por aí falando sobre o que eu perdi durante a chuva de meteoros, senão todos me chamam de aberração e me mandam pra Belle Reve.”

“Eu sei que não é fácil para você, mas descontar isso em mim, e principalmente em Brittany não vai mudar a situação...” Santana começou.

“Você não entende nada, né garota? Eu não estou descontando minha frustração em você ou naquela sua namoradinha estúpida, o que eu quero é vingança, porque vocês me humilharam naquela noite de karaokê, e enquanto eu estiver em Smallville High vou fazer da vida de vocês um inferno, não tenha dúvidas disso, Lopez!” Alicia esbravejou antes de deixar o vestiário.

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Após o jantar, Brittany foi para o seu quarto jogar a mais nova versão do Mario World que Mike lhe emprestara naquela tarde, quando seu celular tocou indicando que ela havia mensagem, e ela prontamente olhou para ver de quem se tratava:

‘Ei Britt, estou sozinha em casa, quer me fazer companhia? Ass. Santana.’

Brittany sorriu, e sem demorar digitou a resposta.

‘Estou indo, Santana.’

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“As coisas seriam mais fáceis se você simplesmente pedisse desculpas.” Kon sugeriu para sua irmã, que observava a cidade de Metropolis do alto de um dos vários prédios abandonados que estavam espalhados pela cidade.

Desde a briga entre Kim e Brittany, os irmãos kryptonianos estavam vivendo ali naquela antiga construção, como fizeram durante os dias em que ainda procuravam pela prima perdida.

“Eu sei o que fazer, Kon, você não precisa me dizer.” Ela respondeu em um tom cansado, sem olhar para o rapaz que estava há poucos metros atrás dela. “Talvez seja melhor nós simplesmente irmos embora, não há lugar para nós na vida de Kara, ela já tem sua própria família.”

“Mas nós não podemos deixá-la agora, ela é poderosa, mas não sabe como usar seu poder, se Brainiac chegar aqui ele vai matá-la sem a menor dificuldade.” O rapaz insistiu, e se aproximou da irmã, que foi rápida a enxugar uma lágrima que rolou por seu rosto.

“Kim, você está chorando?” Ele perguntou, e colocou a mão no ombro da irmã.

“Eu acho melhor você ir buscar mais comida, já que o nosso estoque já está quase esgotado.” Ela respondeu de forma fria, e se afastou dele.

Kon suspirou, e decidiu fazer o que a irmã lhe dissera, já que continuar ali, não iria fazer diferença nenhuma, pois ela só iria falar quando quisesse, e nada que ele fizesse para tentar convencê-la iria trazer bons resultados, pois ele a conhecia como a palma de sua mão.

“Eu não demoro.” Ele disse, e saiu do prédio em super velocidade.

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O rapaz entrou em uma rua deserta, caminhando em direção a uma pequena loja de conveniência que ficava há duas quadras dali, quando começou a ventar, estranhamente forte para um dia consideravelmente quente que foi aquele.

Ele continuar a andar, e assim que se aproximou da esquina, ouviu passos apressados, e sentiu um impacto contra o seu corpo, que era uma garota, chorando, visivelmente desesperada, que segurou firme em sua jaqueta.

“P-Por favor, me ajude... Ele... Ele quer me matar!”

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Brittany pulou a janela para ir até a casa de Santana, pois queria evitar perguntas suspeitas de seus pais, pois entre eles e altura, naquele momento ela preferiu encarar a altura.

Ela usou sua super velocidade para chegar até a casa da família Lopez em uma fração de segundo, e tocou a campainha, quando sentiu seu celular vibrar no bolso da frente de sua calça, e ela viu que era uma mensagem de Santana.

‘Está aberta, pode entrar. Só tranque a porta depois.’

Brittany fez exatamente o que estava indicado na mensagem, e entrou na casa, trancando a porta, pois a chave estava nela, e olhou pela casa procurando por Santana, que provavelmente não estava ali embaixo, quando novamente seu celular vibrou.

‘Estou no meu quarto, esperando por você. É a porta que está encostada.’

Brittany respirou fundo, achando aquilo tudo muito estranho, mas continuou seguindo as instruções de Santana, e subiu a escada, que dava acesso a um corredor, e viu a porta encostada.

Brittany caminhou devagar até lá, e abriu a porta ainda mais devagar ainda, sem saber o que encontrar, quando ela viu uma imagem que a deixou de queixo caído: Santana estava deitada em sua cama, usando apenas uma lingerie cor-de-rosa, os cabelos soltos, e um sorriso muito além de malicioso.

“Vem cá, Britt.” Santana disse, em tom provocante, e usando o indicador para fazer gesto para a outra garota se aproximar, mas Brittany não se moveu um centímetro, muito pelo contrário, ela permaneceu parada, com seu cérebro processando em velocidade baixa se ela estava sonhando ou não. “Não me faça esperar, baby...”

“Santana, você está bem?” Ela perguntou, preocupada que a vizinha tivesse entrado com contato com a Flor de Nicodemus outra vez, mas ao trilhar o quarto com os olhos, ela logo percebeu que aquele comportamento atípico não era fruto da flor tóxica, mas sim da metade faltante da garrafa de Tequila que estava no criado-mudo da garota. “Você bebeu tudo aquilo sozinha?”

“Claro que não, Britt, essa garrafa é da minha avó, ela toma uma dose de Tequila quando os calmantes acabam.” Santana respondeu, e Brittany não soube distinguir se ela falou a verdade, ou apenas ironizou a sua pergunta.

Santana se levantou, com certa dificuldade, claramente devido ao álcool em seu sangue, e começou a caminhar em direção à Brittany, que deu dois passos para trás, e acabou se chocando contra a parede, facilitando assim para Santana lhe prensar, colocando os seus braços dos lados da garota.

“Você está bem?” Santana perguntou, colocando a sua mão por baixo da blusa de Brittany, e acariciar o seu abdômen. “Você parece que vai ter um ataque cardíaco...” Santana sussurrou próximo ao ouvido de Brittany, e deu um beijo no seu lóbulo. “Deixa eu te ajudar com isso.” Brittany gemeu baixo ao sentir os lábios de Santana tocarem o seu pescoço, e em seguida sua língua começar a sugar lentamente o mesmo lugar.

“Santana... Por favor, pare com isso.” Brittany pediu, e afastou a garota alguns centímetros dela. “Nós não devemos.”

“Por que não? Tenho certeza que você fez isso com Alicia.” A morena a acusou. “Qual o problema? Ela tem um corpo melhor que o meu? Você ainda gosta dela?”

“Não, e não! Isso não tem nada a ver, Santana, eu só...” Brittany parou de falar quando em um movimento rápido, Santana pegou as suas mãos e as colocou em cima de seus seios.

“Sinta eles.” Brittany mais uma vez ficou de queixo caído. “Eu amo seios, eles são incríveis, aposto que você ama também.” Santana provocou, antes de beijar Brittany, de uma forma quente cheia de malícia e desejo. “Vem para a cama comigo, por favor, Britt, eu preciso sentir o seu toque...”

A voz de Santana exalava desejo, necessidade e sedução, tornando impossível para Brittany negar o seu pedido,

“Mas e a sua avó?”

“Ela está fora da cidade, não se preocupe, baby, ninguém vai nos ver.” Santana lhe garantiu. “Britt, por favor, não diga não para mim.”

“Certo...” Brittany murmurou, e então pegou Santana no colo, se enchendo de coragem para fazer o que estava por vir.

Brittany levou a morena até a cama, e a colocou em cima do colchão com a maior delicadeza possível, e parou para observar a garota, ali, deitada em sua cama sorrindo, vestindo apenas aquela lingerie cor-de-rosa, pronta para se entregar à ela.

O corpo de Santana poderia ser condenado um monumento, tudo ali era perfeitamente no ponto, como se fosse esculpido por um grande artista, suas pernas, seu abdômen, seu rosto, e seus seios, a parte do corpo em que Brittany não conseguia tirar os seus olhos. Só de pensar em poder tocá-los, ela já sentia sua boca se encher de água...

“Britt, vem cá, não fique apenas olhando, quando você pode tocar...” Santana a provocou, e então Brittany, fez o seu primeiro movimento, tirando a sua jaqueta, e lentamente postando seu corpo sobre o de Santana, e depois lhe dando um beijo quente, úmido e profundo.

Santana colocou a mão direita na nuca de Brittany, puxando-a ainda mais para si, enquanto a sua mãe esquerda acariciava as costas da garota.

Brittany por sua vez, resolveu provocar a outra adolescente, usando a mesma tática que ela usara minutos atrás, e assim começou a beijar o pescoço dela.

“Oh Britt... Continue, continue...” Santana gemeu.

“O que está acontecendo aqui?” A voz de Alma de Alma, fez com que Brittany se levantasse no mesmo instante, e assim ela pôde encarar a mulher, que olhava para as duas garotas, com um misto de horror, nojo, choque e fúria.

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Próximo capítulo: Mean

Os problemas entre Santana e Alma só aumentam, enquanto Kon e Kim encontram uma garota que pode ajudá-los a se reaproximar de Brittany.

Brittany tenta outra vez se desculpar com Alicia, mas acaba falando mais do que deveria, dando armas para a capitã das Cheerios continuar humilhando Santana.

E o retorno de um antigo morador de Smallville pode mudar a vida de muita gente.

Notas finais
*Espero que tenham gostado do capítulo, e que a espera tenha valido a pena.
*Não se esqueçam de deixar reviews sobre o que acharam.
*Obrigado por lerem e até a próxima
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.