Não É Fácil

5 (Des) Encontros


Notas iniciais
*Olá pessoal, desculpa pela demora na atualização, é que agora eu estou trabalhando e o tempo ficou mais curto.
*Espero que vocês gostem do capítulo novo ;)
*Boa leitura

Lionel entrou na sala onde seu filho esperava por ele, sentado em sua poltrona, confortavelmente próxima a lareira, já que o clima estava cada vez mais frio, com a proximidade do inverno.

“Então papai, imagino que para me chamar aqui as pressas seja uma emergência.” O rapaz começou, e virou-se para olhar para o pai.

“Na verdade é um comunicado, meu filho, uma boa surpresa para você.” Lionel respondeu, fazendo seu filho se levantar. “A sua hora de mostrar o que aprendeu na vida chegou Sebastian.”

“Interessante, mas, dá para o senhor ser mais claro?” O rapaz falou.

“Você irá assumir o comando da nossa empresa de cremes de milho.” Após a resposta de Lionel, Sebastian caiu na gargalhada. Seu pai não podia estar falando sério.

“Isso é verdade?” Ele perguntou, ainda incrédulo.

“Eu não costumo brincar quando trato de negócios Sebastian.” Lionel respondeu sério, e a risada debochada do jovem desapareceu do ambiente.

“O senhor ainda está me punindo, com tantos negócios mais interessantes, o senhor vai me dar aquela estúpida fábrica de creme de milho?” Sebastian o questionou, irritadiço.

“Graças àquela estúpida fábrica de creme de milho nós somos quem somos hoje, Sebastian, e além do mais, isso é somente um teste.” Lionel respondeu.

“Teste?”

“Sim, eu quero ver o que você vai fazer para chegar ao seu objetivo.” Lionel piscou para o filho, que chacoalhou a cabeça. “Eu quero ver se você tem mesmo a hombridade dos Smythe.” Sebastian sabia que aquelas palavras foram escolhidas com o único intuito de magoá-lo.

Desde quando Lionel pegou um rapaz na cama com seu filho, ele nunca mais tratara Sebastian da mesma maneira. Ele mandou o garoto para um colégio interno de Metropolis, e sempre que possível não perdia a oportunidade de apresentá-lo a alguma menina, geralmente filha ou sobrinha de alguma pessoa importante, sócio ou conhecido dele, mas é claro que isso nunca dava certo.

As garotas geralmente chateavam e frustravam Sebastian, porque na sua maioria, elas tinham apenas idéias fúteis e suas conversas não saiam de assuntos como moda, férias na Europa, ou último tratamento estético, e nada dessas coisas interessava ao rapaz. Ele encontrou umas duas ou três, que não seguiam esse padrão, elas eram inteligentes e até bem bonitas, mas nunca passaram de boas amigas para o jovem.

“Bom, nesse caso, acho que será necessário uma comemoração.” Sebastian falou, quando o seu típico sorriso cínico no rosto.

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Já era noite quando o Porsche amarelo de Sebastian Smythe estacionou em frente à casa modesta de Alma Lopez. O jovem desceu do carro, carregando consigo uma pequena caixa de chumbo.

Ele subiu os dois degraus que davam acesso a pequena área, e lá bateu na porta duas vezes até ser atendido por Santana Lopez. Ele se surpreendeu ao vê-la, e abriu um largo sorriso.

“Uau... Você mudou bastante, para melhor, é claro.” Ele disse, ao trilhar o corpo da garota com seus olhos. Santana cruzou os braços, como se estivesse se protegendo. “Você se lembra de mim, Santana? Eu já estive aqui algumas vezes, há vários anos atrás.”

“Sebastian Smythe?” Ela perguntou.

“Exatamente.” Ele confirmou. “É bom te ver outra vez, tão crescida e linda, não há como negar.”

“Bom, obrigada.” Santana agradeceu, mas não podia deixar de estar desconfortável com tantos elogios.

Nesse momento eles ouviram passos vindos de dentro da casa.

“Santana, quem está aí?” Era a voz de Alma, que Sebastian prontamente reconheceu.

“É só uma visita abuela.” Santana respondeu, mas com Alma estava sempre desconfiada, ela resolveu confirmar, e se surpreendeu ao encontrar ali um rapaz, ao invés daquela Amanda.

“Olá meu jovem.” Ela o cumprimentou simpaticamente, coisa que nunca fizera com Amanda. Isso deixava Santana tão chateada, que Alma nem podia ter idéia do quanto.

“A senhora não se lembra de mim, Sra. Lopez? Sou eu, Sebastian Smythe.” O sorriso de Alma brilhou ainda mais.

“Oh Dios mio, Sebastian, está tão mudado.” A mulher falou, e depois olhou para Santana. “Por que você não falou para o rapaz entrar? Não foi assim que eu te eduquei, Santana.”

“Eu acabei de chegar Sra. Lopez, e Santana nem me reconheceu.” Sebastian se desculpou pela Santana. O sorriso não desaparecia de seu rosto.

“Bom, sendo assim, entre agora.” As duas mulheres abriram espaço e o rapaz adentrou a casa, em que estivera pela última vez sete anos atrás.

“Por que você desapareceu da cidade, garoto?” Alma perguntou, pegando o jovem milionário totalmente desprevenido. O seu sorriso desapareceu por alguns segundos, e ele pareceu envergonhado.

“Bom, é... Meu pai quis que eu estudasse em Metropolis por tempo integral, ele achou que seria mais fácil para mim se fosse dessa maneira.” Ele mentiu.

“Os pais estão sempre buscando o melhor para os seus filhos, com certeza isso foi o melhor para você.” Alma falou simpaticamente. “Sente-se, Sebastian.”

“Obrigado Sra. Lopez.” Ele agradeceu, e sentou-se em um sofá. Santana e Alma sentaram-se a sua frente. “E como andam as coisas para vocês?”

“A vida nunca foi fácil para nós, mas em meio a trancos e barrancos nós continuamos em pé.” Alma respondeu e olhou para Santana, que abriu um sorriso pela primeira vez desde a chegada de Sebastian à sua casa. “E você, continuou praticando com os cavalos?” Sebastian deu uma gargalhada alta com a pergunta.

“Oh não.” Ele respondeu em meio a risadas. “Eu desisti logo após uma queda, e nunca mais ousei a chegar a menos de cinco metros de um cavalo outra vez.”

“É uma pena, eu acho que você teria futuro.” Alma respondeu.

“Meu pai ficou furioso quando eu desisti, ele sempre reclamou de como eu sou indeciso, e de como ele sempre gastava um dinheirão com os meus ‘caprichos adolescentes’.” Santana quase riu ao ouvir aquilo. Lionel Smythe era dono de praticamente toda Smallville e um terço de Metropolis, dinheiro com certeza não era um item que integrava sua lista de problemas.

“Eu acho muito doce de sua parte vir nos visitar após todos esses anos.” Alma disse. “E é muito gratificante ver o homem bonito que você se tornou, tanto por fora, quanto por dentro.” Sebastian baixou os olhos, olhando fixamente para a caixa em suas mãos.

“Oh obrigado, Sra. Lopez, a senhora também está muito bonita, jovial, e a sua neta, bom, ela está se tornando uma mulher linda.” Ele piscou para Santana ao dizer isso. A adolescente ficou sem reação. “E é exatamente por ela que eu estou aqui hoje.” Alma abriu um sorriso esperançoso. “Eu estou com uma coisa que te pertence, Santana.” Ele se levantou e entregou a caixa que estava em suas mãos para a adolescente.

Assim que ela abriu a caixa ficou surpresa ao ver que dentro dela estava o seu colar. Ela olhou para o sorridente rapaz.

“Seu colar de kryptonita.” Ele disse, orgulhoso.

“Colar de quê?” A adolescente perguntou. Aquele era um termo totalmente novo para ela.

“Kryptonita. Essas pedras verdes vindas dos meteoros são chamadas kryptonitas.” Ele explicou docilmente.

“É... Obrigada, mas onde você o encontrou?” Ela perguntou.

“Eu encontrei no campo Riley.” Ele respondeu. “No mesmo instante me lembrei de você.” Naquele momento Alma viu uma luz no fim do túnel.

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Logo após quase uma hora de conversa, onde Sebastian falou um pouco mais de sua vida, contando até algumas histórias, ele decidiu que estava na hora de ir embora.

“Antes de ir eu quero lhe deixar um convite Santana, eu estou dando uma festa para comemorar o fato de eu começar a administrar a empresa de creme de milho, e você e seus amigos estão convidados. Eu sinto que preciso me reagrupar com os jovens e adolescentes dessa cidade.” Ele disse. “Vai ser no próximo Sábado, você vai?”

“Sim, sim eu vou.” Ela confirmou.

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Brittany estava vendo TV no celeiro quando ela ouviu passos, dos quais ela nem se importou, pois imaginou que fossem de sua mãe, lhe trazendo biscoitos e leite como sempre.

“Confortável aqui, não?” Ela se levantou bruscamente do sofá ao perceber que se tratava de uma voz masculina, mas assim que viu que se tratava de Sebastian Smythe, e é claro que ela ficou surpresa. Ela não esperava ver o rapaz tão cedo novamente.

“Oi Sebastian.” Ela o cumprimentou.

“Olá Brittany.” Ele respondeu, aproximando-se dela. “Eu encontrei seus pais lá embaixo, eles me deixaram subir, quer dizer, seu pai não pareceu gostar muito da idéia, mas a sua mãe garantiu que estava tudo bem.” Ele explicou simpaticamente, e Brittany não conseguiu evitar uma risadinha.

“É legal ver você outra vez.” Ela disse.

“Eu digo o mesmo.” O rapaz colocou a mão no bolso. “Eu ainda estou agradecido por você ter salvo a minha vida.”

“Oh, você me salvou também, um dia depois, então, estamos quites.” Brittany falou.

“Nem chega perto Brittany, você foi muito mais heróica.” Ele argumentou. “ E por mais que eu pense, eu não consigo achar uma razão para alguém fazer com uma garota como você, isso é tortura.” Brittany baixou os olhos e suspirou. Ela sabia que ele estava certo, mas ela queria esquecer que aquilo havia acontecido com ela. “Às vezes eu não entendo as pessoas, por que alguém faria algo assim? Vingança, ciúmes...?”

“Por que você ainda está pensando nisso?” Ela perguntou quase irritada. “Isso é minha vida, e eu não quero ficar me lembrando disso.”

“Eu sei, e é por isso que eu quero te ajudar a fechar esse capítulo.” Sebastian falou determinado. “Só me diga, quem fez isso com você?” Brittany não disse nada. “Foi Santana Lopez?”

“Não!” Brittany respondeu no mesmo segundo, com a voz alterada, que a fez se arrepender no mesmo momento, porque Sebastian olhou surpreso, como se tivesse percebido alguma coisa. “N- não é nada do que você está pensando, nós... Nós somos meio que amigas.”

“Então é isso.” Sebastian sorriu. “Você gosta dela.”

“Não, não, não é nada disso.” Brittany negou, mas o seu embaraço, suas bochechas púrpuras e visível nervosismo lhe entregavam.

“Está tudo bem Brittany, bom, eu vou te contar um segredo: eu sou gay.”Brittany arregalou os olhos diante daquela revelação, mas ela não tinha certeza se Sebastian estava sendo sincero. “Por que você acha que o meu pai trancou naquele colégio interno em Metropolis? Ele estava envergonhado de quem eu sou, e agora ele vive jogando meninas nos meus braços, na esperança de eu me ‘curar’.” Naquele momento a adolescente pôde sentir a dor nas palavras do rapaz. “Eu sei que Santana é lésbica, são tão poucos gays aqui em Smallville, uma cidade caipira de um estado atrasado como o Kansas, que quando aparece alguém diferente, ele é tratado como uma espécie de aberração de um ‘freak show’.”

“Logo em uma cidade como essa, cheia de gente esquisita...” Brittany pensou alto, falando de si mesma, e não pelo fato dela achar que era gay, mas sim por ser um alienígena.

“Pois é.” Sebastian comentou. “Então, você foi feita o Espantalho do Homecoming por que a namorada de Santana estava com ciúmes de você?” Brittany apenas sacudiu a cabeça.

“Mas esqueça isso, ela já se desculpou, e eu quero deixar isso no passado.” Brittany lhe assegurou.

“Como você quiser, Brittany.” Sebastian sorriu amigavelmente,e tirou do bolso uma caixinha pequena, também feita de chumbo. “Então, eu tenho que ir agora, mas antes eu quero te falar duas coisas, a primeira delas é sobre uma festa na minha casa, no próximo sábado, para comemorar o fato de meu pai me deixar administrar a nossa fábrica de creme de milho.”

“Parabéns.” Brittany falou sorrindo.

“Isso é só o começo, um dia eu vou estar no topo da Smythe Corporation, e vou realmente fazer uma mudança nesse país, ou por que não dizer nesse planeta?”

“Quem sabe?”

“Bom, e a outra coisa que eu tenho a dizer, que em forma de agradecimento por você ter salvo a minha vida, eu te dou esse presente.” Brittany estendeu a mão com a caixa e Brittany a pegou. Assim que ela abriu, sentiu uma coisa estranha em seu corpo.

A pedra vermelha brilhante, que era o adorno do anel prateado chamou a atenção da garota, e a ansiedade dentro dela só crescia.

Sebastian por sua vez, não pôde deixar de notar como a cor dos olhos de Brittany estava escurecendo. Assim que a garota fechou a caixa, e voltou os seus olhos para a direção do rapaz, ele viu que eles estavam avermelhados, mas logo voltaram ao seu azul natural.

“Eu não sei se devo aceitar isso, Sebastian.” Ela falou. “Isso deve ter custado muito caro.”

“Não, na verdade, eu usei a pedra de kryptonita para fazer esse anel.” Ele explicou.

“Pedra de quê?”

“Kryptonita, as pedras que formavam os meteoros que caíram aqui em Smallville.” Ele explicou, e Brittany ficou confusa.

“Existem outras além das verdes?”

“Sim, mas todas elas vêm das verdes, pelo menos as que eu conheço.” Ele explicou.

“Bom, obrigada, mas eu não sei se vou poder usá-lo, eu acho que sou alérgica à essas pedras.” Brittany inventou, pois não sabia o que dizer.

“Bom, o Dr. Schuester me garantiu que em pequenas quantidades como essa, elas são inofensivas contra humanos.” Sebastian explicou. “Eu realmente quero que você aceite, como prova de gratidão.”

“Tudo bem.” Ela concordou em aceitar o anel, mas sem nenhum plano de usá-lo. Ela sabia que ela não a deixava fraca ou lhe causava dor como a verde, mas ela sentiu algo estranho, e não queria nem saber o que poderia acontecer com um contato maior com a pedra.

“Brittany, eu tenho certeza que o dia em que você salvou a minha vida, será marcado pelo início de uma amizade que se tornará uma lenda.”

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Amanda saía de sua casa no início da noite. Ela e Santana iriam ao cinema, ver um filme baseado em um livro que a morena era grande fã, e esperou ansiosamente por dias até encontrar ingressos. Desde o lançamento, eles já estavam esgotados nas duas primeiras semanas.

Amanda já estava com a mão na maçaneta da porta do motorista, quando viu um rapaz se aproximando, ela rapidamente virou-se de frente para ele.

“Amanda Fordman?” O rapaz perguntou.

“Sim, sou eu.” Ela respondeu, desconfiada e até temerosa com aquela aproximação.

“Eu sou Sebastian Smythe, você já deve ter ouvido falar de mim, não é?” Ele sorriu.

“Sim, acho que todo mundo em Smallville já ouviu.” Quem naquela cidade nunca ouvira falar do filho do poderoso magnata Lionel Smythe? Eles eram as celebridades locais, todo mundo sabia o nome deles.

“Bom, então você sabe o quanto eu sou importante, e temido por aqui.” O sorriso no rosto do rapaz desapareceu. “E você, o que você é?”

“Eu não sei do que você está falando...”

“Ah, você não se lembra? Então me deixe te ajudar.” Amanda deu um passo para trás, sentindo-se muito intimidada com aquele tom de voz, e as palavras escolhidas pelo jovem. “Você é aquela pessoa popular, aquela atleta que namora a líder e que todo mundo na escola sabe o nome, por isso se acha no direito de zombar e humilhar as garotas mais fracas e não-populares, garotas como Brittany Pierce.” Amanda engoliu seco. “Não é verdade?”

“Não, eu não tenho nada contra essa menina...” A ruiva tentou se defender, mas apenas fez Sebastian rir debochadamente.

“Você não precisa mentir para mim, eu sei muito bem que você fez dela o Espantalho, fui eu quem a salvei naquela noite.” Ele falou sério. “Agora me diga, por que você fez isso com ela?”

“Ah, eu... Eu...”

“Esquece isso, não precisa falar nada, porque na verdade eu sei porque você fez isso.” Ele falou. “Você fez isso por ciúmes, ciúmes da sua namorada líder, porque você sabe que não é nada, que é só ela olhar para o lado, e vai ver que existem pelo menos uma centena de garotas que são melhores que você!” Amanda sentiu um nó na garganta, mas estava se segurando o máximo possível, para não chorar na frente daquele rapaz. “Você sabe que isso vai acontecer um dia, Santana finalmente vai abrir os olhos, se livrar desse namorico adolescente, e encontrar uma pessoa que será muito mais do que você pode imaginar em ser!” Amanda usou o indicador para enxugar rapidamente uma lágrima, que mesmo com tanto esforço escapou. “E você também sabe que existe uma grande possibilidade dessa garota ser Brittany.”

“Para com isso!” Amanda implorou mais do que ordenou, mas Sebastian era implacável. Ele estava causando exatamente o que queria.

“Parar? Mas eu ainda não terminei, Mandy, eu sei que é difícil ouvir a verdade, mas às vezes é necessário...” Ele falou em um tom irônico. “Então, vamos cortar essa conversa, no próxima sábado eu darei uma festa na minha mansão, e eu convidei a sua namorada, porque eu conheço ela há muito tempo, eu espero que ela vá, mas você não!” Ele colocou a mão no ombro da garota. “Você sabe, sua família tem um negócio pequeno, mas promissor, eu acho que você não gostaria de ver ele vindo abaixo, até eu acho que pelo histórico cardíaco do seu pai isso não seria nada bom, você sabe, gente com o coração fraco não suporta grandes decepções, certo?” Ele piscou para Amanda, que estava de olhos arregalados. “Estamos entendidos?”

“S-sim.” Ela respondeu, cabisbaixa e arrasada.

“Ótimo!” Ele tirou a mão do ombro dela, e começou a se afastar. “Então, nos vemos por aí Mandy, tenha uma boa noite.” Ele entrou em seu carro, e saiu em alta velocidade.

Uma vez sozinha Amanda fez o seu máximo para não chorar, já que em poucos minutos ela encontraria sua namorada, e não queria que ela soubesse de nada do que estava acontecendo.

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No dia seguinte, na escola, Brittany contou a novidade para Mike e Rachel, e ambos ficaram bastante animados, afinal, não era todo dia que o milionário da cidade resolvia dar uma festa, o que mudava totalmente a rotina dos três adolescentes, cujo o programa mais comum era ir na casa de um deles com uma pilha de DVD´s, geralmente com histórias de suspense ou terror, muita pipoca e refrigerante.

“Então, Britt, você não vai sozinha a essa festa, não é?” Mike perguntou, na hora do almoço, enquanto ele e suas duas amigas estavam almoçando.

“Ah, eu vou com vocês.” Brittany respondeu simploriamente.

“Eu não estou falando assim, eu estou falando sobre ir com um, no seu caso uma acompanhante.” Ele falou, e Brittany sentiu as bochechas queimando. Às vezes ela tinha muita saudade de sua infância, naquele tempo tudo era tão simples. Sua única preocupação nos tempos em que ia a essas festas infantis era somente quando ia nos aniversários de Santana, e se controlava ao máximo para não jogar nenhuma criança longe na disputa pelos doces da piñata.

“Mike, deixa ela em paz.” Rachel o repreendeu. “Não liga para isso não Britt, você não precisa de acompanhante nenhum, isso é tão anos 50.” A morena ironizou.

“Você só está falando isso porque não tem nenhum acompanhante.” Mike provocou Rachel, que rolou os olhos.

“Cresce um pouco Mike Chang, você está aí falando, mas aposto como você também não tem nenhuma ‘acompanhante’”. Ela abriu um sorriso, e Mike levantou uma sobrancelha, como se estivesse sendo desafiado.

“Ah, é?” Ele perguntou em tom desafiador. “Você esqueceu de que agora eu sou parte do time?”

“E isso tornou você o Brad Pitt asiático?” Brittany não agüentou, e acabou soltando uma risadinha.

“Tudo bem meninas, eu vou mostrar para vocês como se faz.” O rapaz se levantou e caminhou até a mesa mista entre seus companheiros de time e líderes, e uma das meninas, Hannah Robertson, uma líder loira, com um sorriso e um corpo extremamente atraentes, capaz de deixar até uma menina reclusa como Brittany vidrada ao passar por ela pelos corredores, sorriu para ele, e os dois começaram uma conversa cheia de flerte.

Rachel e Brittany ficaram apenas observando aquela conversa que não durou mais que três minutos, até o rapaz voltar com um sorriso de orelha a orelha, orgulhoso de si próprio.

“Vejo vocês na festa do Smythe, acompanhado da deusa do Smallville High.” Ele piscou para as duas meninas e se virou, saindo com a líder que o acompanhou.

“Ridículo!” Rachel murmurou. “Às vezes eu não entendo porque os garotos são tão ridículos e imaturos, sério, principalmente quando são semi-populares como o Mike.” A garota bufou.

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Brittany foi até o seu armário para pegar seus livros de matemática, que era a última aula, quando foi abordada de forma inesperada, por uma pessoa ainda mais inesperada. Sugar Motta, a melhor amiga de Santana.

“Olá Brittany.” Ela cumprimentou, um tanto quanto timidamente, e com certa intimidade, chamando-a pelo seu primeiro nome, sendo que a única palavra que elas trocaram foi um ‘desculpa’, quando Brittany pisou sem querer no pé da garota, e ela soltou um grito que chamou a atenção de todo mundo que estava no corredor.

“Oi.” Brittany abriu um sorriso, tentando ser simpática.

“Eu... Eu estive pensando, se você vai a festa do Sebastian Smythe, é... Você vai?” As bochechas de Sugar estavam púrpuras , e Brittany tinha certeza que as suas estavam no mesmo tom.

“Sim, eu vou.” Sugar então mordeu o lábio inferior, e suspirou fundo.

“Eu... Eu estava pensando se você gostaria de ir a essa festa comigo?” O queixo de Brittany caiu. Ela nunca imaginou que Sugar Motta ou qualquer outra garota da escola iria chamá-la para um ‘encontro’, e além do mais, pelo que ela sabia, Sugar não era lésbica, apesar de ser grande amiga do único casal gay da cidade, Brittany sabia que ela havia tido um breve relacionamento com o estudante intercambista Rory Flanagan e ficado com Noah Puckerman.

“Seria legal.” Brittany respondeu e sorriu. “Eu vejo você lá então...?”

“No sábado, me pegue as oito, você sabe onde eu moro, né?” Ela falou.

“Sei.” Brittany respondeu. Em Smallville todo mundo sabia onde todo mundo morava, ainda mais uma pessoa como Sugar Motta, cuja a situação financeira era um pouco melhor do que a da maioria dos habitantes da cidade.

“Então, eu espero por você.” Antes de sair, Sugar deu um beijo no rosto de Brittany, deixando-a ainda mais sem reação, e saiu. Brittany sorriu, aquilo não era exatamente o que ela esperava, mas ela não podia negar que era uma surpresa muito boa.

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Sugar entrou no vestiário feminino e encontrou Amanda sentada sozinha, com uma expressão preocupada, e com a cabeça baixa, mas assim que ela viu de quem acabara de entrar ali, se levantou no mesmo instante.

“Então Sug, você falou com ela?” Ela perguntou, aproximando-se da outra, para poder usar a voz mais baixa, e evitar que alguém ouvisse aquela conversa.

“Sim, e ela aceitou ir comigo a festa do Smythe.” A adolescente respondeu.

“Eu nem sei como te agradecer, de verdade, eu te devo um grande favor.” Amanda falou para a sua amiga.

“Eu ainda acho que você deveria contar para a Santana o que está acontecendo.” Sugar lhe disse, mas a jogadora não queria arriscar.

“Não, eu não posso.” Ela disse, frustrada. “Eu só preciso da sua ajuda para manter aquela menina do rancho longe da minha Santana.”

“Não se preocupe Mandy, eu vou ficar de olho nela durante toda a festa.” Sugar lhe assegurou e Amanda sorriu para ela.

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“Então Sugar Motta te convidou para ir a festa do Sebastian com ela?” Mike perguntou surpreso. Mais surpreso do que ele, só mesmo Brittany. “Se deu bem, hein Britt?” Mike a provocou, batendo com seu cotovelo no braço de sua amiga.

“Não é nada do que você está pensando, é só uma festa, nós não estamos namorando ou algo assim...” Brittany explicou, mas Mike continuou rindo.

“Isso não importa, o que importa é que você tem a oportunidade perfeita para perder o seu ‘BV’.” Brittany arregalou os olhos com aquelas palavras. Ela não havia pensado nisso, na verdade, ela estava deliberadamente evitando pensar nisso.

Nesse instante Rachel apareceu no corredor, de mãos dadas com Noah Puckerman, que sorria como se tivesse ganhado um prêmio. O sorriso no rosto de Mike desapareceu. O casal se despediu com um selinho, e a garota caminhou na direção de seus dois amigos.

“Oi pessoal.” Ela falou. “Então, como foi o dia de vocês?”

“Agora o Puck vai poder falar que as únicas garotas nessa escola que ele ainda não pegou é só você, Santana e Amanda.” Mike falou para Brittany, propositalmente ignorando Rachel. “ Eu tenho que ir, eu combinei com o meu pai de ajudá-lo em algumas coisas lá em casa hoje, vejo você amanhã Britt.” Ele nem sequer olhou para Rachel antes de deixar o local.

“É muito infantil mesmo, né?” Rachel comentou e rolou os olhos.

Brittany odiava esse tipo de situação, pois ela tentava se manter neutra, mas era complicado.

“Eu tenho uma novidade Rach.” Brittany falou mudando o foco da conversa. “Sugar Motta me convidou para ir a festa do Sebastian com ela.” Rachel sorriu, mas parecia confusa. “Surpresa? Eu também fiquei.”

“Isso é bom Brittany, eu estou muito feliz por você.” Rachel disse. “Só uma sugestão: vai com aquele vestido azul que o seu pai te deu no Natal, azul combina tanto com você.”

“Obrigada, Rach.”

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Na noite de sábado, assim que Brittany chegou ao lado de Sugar Motta na mansão Smythe, ela sentiu os olhares dos convidados caindo sobre elas.

Brittany estava com o vestido azul, que Rachel lhe sugerira dias atrás, e que realmente ficava bem nela, e os cabelos soltos. Sugar usava um vestido cor-de-rosa, com um pouco de brilho, e os seus cabelos castanhos presos em um bonito coque.

“Ei Brittany.” As duas garotas olharam para trás, e viram Sebastian Smythe, vestido com um belo smoking preto e cabelos cheios de gel. “É bom te ver aqui, com sua amiga...”

“Sugar Motta.” Sugar falou com um certo orgulho.

“Você é parente de Al Motta?” Ele perguntou.

“Ele é meu pai.” Sebastian sorriu.

“Ele costumava fazer negócios com o meu pai, mas isso já faz muito tempo.” Sebastian explicou.

“Eu me lembro bem.” Sugar falou, e apesar do sorriso em seu rosto, Brittany percebeu uma certa animosidade da garota em relação ao rapaz.

“Bom, sejam bem-vindas a minha casa, sintam-se como se estivessem em suas próprias.” Ele falou simpaticamente, e virou as costas para ela, indo conversar com um rapaz.

“Você viu Santana por aí?” Sugar perguntou, enquanto ela e Brittany adentravam a elegante sala principal da mansão.

“Não.” Brittany respondeu timidamente, na verdade, ela não estava procurando por Santana, não queria vê-la com Amanda. Mas sem dificuldade alguma, ela encontrou Mike, ao lado de Hannah em um grupinho de jogadores e líderes, e Puck e Rachel se beijando em um canto da sala.

Por alguma razão ela se sentia estranha, como se tudo aquilo que estava acontecendo naquele exato momento fosse errado.

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Santana estava apenas vestido com uma lingerie preta, no banheiro de seu quarto, e com o seu celular na mão. Ela ainda não entendia o porque de Amanda não ir com ela à festa de Sebastian Smythe. Na verdade ela já não estava mais com vontade nenhuma de ir, mas, ela não queria dar mais motivos para a implicância de sua avó para com a sua namorada, por isso decidiu ir a festa, mas não sem antes de última tentativa de convencer a ruiva a lhe acompanhar.

Para isso, ela usou o celular para tirar uma foto de seu corpo, e a enviou para Amanda, prometendo momentos maravilhosos para depois da festa, mas tudo o que ela obteve em resposta foi um ‘desculpa, mas eu não posso.’

A morena suspirou frustrada, e resolveu se vestir e ir para a festa, torcendo para a noite acabar logo, e para ela não ficar tão entediada.

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Após quase uma hora, sentada ao lado de Sugar, que estava mais interessada em olhar para alguns rapazes que estavam próximos delas, do que conversar com Brittany, a loira já estava quase alcançando o seu limite de paciência, e estava com vontade de se levantar e ir embora, quando ela viu Santana chegando na festa, extremamente linda. Cabelos soltos, vestido preto e tomara que caia, e sem Amanda, o que provavelmente era a razão de sua expressão triste.

Brittany sentiu seu coração disparar só de vê-la, mas ela nem sequer olhou em sua direção, apenas entrou cabisbaixa, e andou alguns metros até ser alcançada por Sebastian, que parecia bastante animado ao vê-la ali.

“Ei Santana.” Ele a cumprimentou.

“Oi Sebastian.” Ela respondeu, sem muita animação.

“Algum problema?” Ele perguntou. “Você parece... Triste.”

“Está tudo bem, na verdade é só um problema com a minha namorada...” Santana sabia que todo mundo tinha consciência de seu relacionamento com Amanda, elas eram assunto de toda a cidade.

“Por que ela não veio? Ela seria muito bem-vinda na minha casa.” Sebastian falou, e Santana suspirou.

“Eu não sei, ela só me disse que ‘não podia’”. A irritação na voz de Santana era visível, e era exatamente isso o que o rapaz esperava.

“Talvez as coisas aconteçam para nos mostrar quem realmente as pessoas são.” Ele sugeriu, e quando Santana levantou uma sobrancelha. “Talvez isso seja para te mostrar que talvez você não esteja com a garota certa.” Ele deu os ombros, e Santana ficou em silêncio, como se estivesse refletindo sobre aquelas palavras. “Mas quer saber de uma coisa? Isso não é hora para pensar nisso, que tal uma dança?” Sebastian sugeriu sorrindo, e sem nada mais para fazer, além de sentar-se, tomar alguma coisa e esperar o tempo passar para ela ir embora, resolveu aceitar.

Os dois começaram a dançar, tocava Nelly Furtado ‘I Will make U cry’, uma musica bem animada, e os dois estavam até se divertindo, mas antes mesmo da música terminar, Sebastian guiou Santana próximo ao local em que Brittany e Sugar estavam sentadas.

“Que tal uma troca de casais agora, no bom sentido, claro.” Ele falou, e pegou a mão a mão de Sugar. “Aceita dançar comigo, Srta. Motta?” Sugar foi pega de surpresa, assim como Brittany e Santana, que ficaram se olhando, ambas com os olhos arregalados, e pálidas. Praticamente sem falas.

Como Sugar não disse nada, Sebastian a puxou, e os dois começaram a dançar.

“Você quer dançar?” Santana quebrou o silêncio quase constrangedor entre elas.

“S-sim.” Brittany respondeu, e se levantou. Santana sorriu para ela, e segurou em sua mão. Totalmente sem nenhuma ginga ou balanço, Brittany deu o seu máximo, para acompanhar os passos de Santana, que como líder de torcida tinha vasta experiência com dança.

Mas a música agitada chegou ao seu final, sendo substituída por uma lenta e romântica, que fez o estômago de Brittany embrulhar, assim que Santana tocou o seu ombro, aproximando-se dela, para dançar aquela música.

“Eu adoro essa música, era a preferida da minha mãe.” A morena sussurrou tão próxima do ouvido da loira, que a fez arrepiar. Quando Santana começou a cantar junto com a música, Brittany se esforçou para não chorar, porque aquilo era muito melhor que qualquer sonho.

For you there'll be no crying

(Por você não haverá mais choro)

For you the sun will be shining

(Por você o sol estará brilhando)

And I feel that when I'm with you

(Porque sinto que quando estou com você)

It's alright, I know it's alright

(Está tudo bem, eu sei que está tudo bem)

Nesse instante, Brittany notou que Santana estava chorando.

And the songbirds are singing

(E os pássaros estão cantando)

Like they know the score

(Como se eles soubessem a partitura)

And I love you, I love you, I love you

(E eu te amo, te amo, te amo)

Like never before

(Como nunca antes amei)

To you, I'll give the world

(Para você, eu daria o mundo)

To you, I'll never be cold

(Para você, eu nunca seria fria)

'Cause I feel that when I'm with you

(Porque sinto que quando estou com você)

It's alright, I know it's right

(Está tudo bem, eu sei que está certo)

Mas antes mesmo da música terminar, Santana se afastou de Brittany, chorando e olhou para a garota.

“Me desculpa Brittany, mas eu não posso continuar com isso.” Ela se explicou.

“Está tudo bem...” Brittany começou, mas Santana simplesmente saiu, deixando-a para trás. Ela sabia que aquele choro era por causa de Amanda.

“Satisfeita agora?” Brittany olhou para trás, e lá estava Sugar, de braços cruzados, parecendo furiosa. “Eu achava que você era inocente nessa história, mas eu me enganei, você faz parte dessa armação para destruir o namoro da Santana com a Amanda, mas saiba de uma coisa, sua caipira sem-graça, Santana nunca vai olhar para você de outra forma, se ela ainda fala com você é porque sente pena dessa pessoa ridícula e patética que você é, que nunca vai chegar a ser um por cento do que a Amanda é para Santana, entendeu?” Brittany estava sem palavras, ela foi do céu ao inferno em prazo de segundos.

Sugar virou as costas e foi embora, deixando para trás uma Brittany desconcertada e humilhada, e assim que ela se virou para sentar aonde estava, viu Rachel e Mike sentados de braços cruzados, lado a lado, ambos parecendo bastante chateados. Brittany se aproximou deles.

“O que aconteceu com vocês, pessoal?” Ela perguntou sentando-se ao lado de Rachel, que não disse nada, apenas apontou para uma direção, que Puck e Hannah dançavam e se beijavam ao mesmo tempo.

“Pelo visto essa noite foi um desastre para todo mundo.” Mike comentou.

“Nossos encontros viraram desencontros.” Rachel completou.

“Só nos resta ir para casa.” Brittany falou.

“Isso mesmo.” Os outros dois concordaram em uníssono.

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Próximo capítulo: Nicodemus.

William Schuester com a ajuda das pedras de kryptonita conseguiu trazer de volta a flor de Nicodemus, uma planta que fora extinta há mais de cem anos, porém o grande problema é que ela é nociva aos seres humanos.

Após contato com essa flor, Santana e Mike passam a exibir comportamentos diferentes, dando trabalho e dor de cabeça para os seus amigos.

Notas finais
*Reviews, please?
*Até a próxima pessoal.