Notas iniciais
JÁ SEI, VCS QUEREM ME MATAR E COM RAZÃO HAHAHAHA Não vou abandonar, pode, ficar tranquilos... maaas não sei quando vou poder postar de novo. MUIIITO MUUIITO MUUUITO obrigada por todos os comentários, mensagens, favoritos e pra quem está acompanhando. Entrei hoje e vi que nada mais nada menos do que 119 pessoas estão de olho na fic. Pra mim, esse numero é maravilhoso!! VAMOS LÁ!!!

Quando o relógio bateu 00:00, me posicionei em frente de sua sacada.

Há exatamente quatro dias eu vinha vigiando a rotina da casa dos Duarte, como um ritual. Discreto, observava os horários de todos eles. Talvez, quem me visse, pensasse que eu estava planejando assaltá-los.

Besteira. Meu objetivo era um só: encontrar a brecha perfeita para me encontrar com Karina outra vez.

Toda vez que parava para pensar no assunto, me sentia idiota. Justo eu, o inalcançável Cobra, fazendo planos para conseguir entregar um bicho de pelúcia estúpido para uma pirralha. Pensei em desistir várias vezes. Tinha medo de que aquilo acabasse tomando um rumo que eu não queria: tinha medo de Karina achar que eu estava tentando conquistá-la, tinha medo de Gael descobrir e me proibir de vê-la, tinha medo de que aquele abestalhado da guitarra fizesse alguma besteira por ciúmes.

A verdade era nua e crua: eu não poderia mais me envolver com Karina. Assumi-la estava completamente fora de cogitação e eu sabia que ela não merecia que eu a procurasse por sexo.

Por mais que eu quisesse muito levá-la para cama de novo.

Esse também era um problema: a vontade constante de transar com ela. Sentia meu sangue ferver toda vez que a via passar em frente ao QG. Uma vontade maluca de arrastá-la para meu quarto e rasgar suas roupas.

Eu era homem. E homem, tem suas necessidades. Consegui uma mulher no mesmo dia que havia ido a casa de Karina pela última vez. Saí de lá focado em encontrar alguém e uma passada rápida na agenda do celular foi suficiente para encontrar um alvo: morena, alta, provocante, corpo com curvas generosas até demais. Transei várias vezes com ela nos dias que se passaram. Transamos no QG, em sua casa, no carro, em becos... eu estava saciado o suficiente para me encontrar com Karina de novo.

Me perguntava por que eu fazia tanta questão de lhe dar aquele presente. Pensei muito e cheguei na conclusão que me deixou satisfeito: independente de qualquer coisa, eu gostava muito de Karina. Ela era minha amiga. Queria a ver bem, feliz, saudável. Agradá-la era uma boa forma de mostrar minha amizade.

E foi focando nisso que eu me concentrei em achar uma maneira de vê-la naquela quinta feira.

Estava eu ali, em frente a sua casa. Depois de minhas detalhadas observações, descobri que a família Duarte dormia sempre antes da meia noite. Não importava se Bianca saia, se Dandara e Gael fossem jantar, se João se enfiasse no QG ou se Karina ficava horas na academia: todos, sem exceção, chegavam por volta por das onze horas. Pouco antes da meia noite, todas as luzes eram apagadas. Era minha deixa.

Enquanto esperava mais alguns minutos para agir, sentei em um banco da praça e fingi estar entretido no celular para não chamar a atenção dos poucos pedestres que caminhavam lentamente para suas casas. Ergui a cabeça ao ouvir o som de saltos batendo no chão da praça. Eram passos apressados, irritados e acompanhadas de bufadas de ódio de alguma garota. A tal Vicky passou por mim como um furacão, balançando os cabelos curtos em um rabo de cavalo. Ela usava um roupa um tanto quanto curta demais e estava bem maquiada. Uma olhada rápida para o Perfeitão me permitiu ver Pedro na porta, suspirando aliviado.

Aquilo estava acontecendo com frequência. Na minha saga em vigiar a família Duarte, acabei sabendo sobre o ritmo do pessoal daquela praça. Percebi que a Vicky estava vindo todos os dias ao Perfeitão e cada dia que passava, ela saia de lá mais irritada e frustrada. Algo me dizia que os planos dela de conquistar o guitarrista estavam indo de mal a pior. Pobre garota. Pedro me observava agora. Estreitou os olhos e me encarou desconfiado. Fez menção de vir até mim, mas ao ver que eu aparentemente estava apenas mexendo no celular e possivelmente esperando alguém, ele desistiu e entrou novamente no restaurante.

Respirei fundo, encarei a sacada escura e olhei ao redor. Aos poucos, tudo foi ficando deserto. Quando as luzes do Perfeitão se apagaram e a família saiu cansada direto para a casa deles, me levantei para agir. Me aproximei um pouco mais da sacada e tirei as pequenas pedrinhas do bolso. Joguei a primeira. Fez um barulho, mas não alto o suficiente. Joguei mais duas com um pouquinho mais de força.

Karina já havia comentado comigo que normalmente tinha um sono normal, nem pesado nem leve. Ao contrário de Bianca, que só acordava com o despertador de uma banda completa no maior volume possível. Continuei jogando as pedras, sem desanimar. Sorri ao ver uma movimentação na cortina. Vi a silhueta de Karina me observar e logo após abrir a porta com cuidado. Pude ver seus olhos arregalados ao me ver ali. Sem pensar, ela se jogou para a sacada, trancando a porta e olhando horrorizada.

– Cobra! — sussurrou ela, espantada demais — ficou maluco? O que você quer?

– Quero que você desça — respondi calmo — escorrega pelo poste, eu te pego aqui embaixo.

Me posicionei ao lado do poste esperando que ela se movesse. Karina continuava a me olhar de boca aberta, como se eu fosse um maníaco.

– Você não pode estar falando sério.

– Estou sim — respondi estendendo a mão para ela — vem, Rapunzel.

Karina riu.

– Nem cabelo suficiente eu tenho pra isso, cara. Cobra, vai embora — Karina bocejou e esfregou os olhos. Linda — estou muito cansada. O que você quer comigo?

– Preciso te entregar uma coisa. É rápido. Por favor, desce K.

Karina ponderou. Olhou para dentro do quarto, respirou fundo. Me olhando de um jeito assassino, ela passou as pernas pela grade e se posicionou para descer.

Péssima ideia. Karina usava um pijama curtinho. Dali de onde eu estava, bem abaixo dela, eu conseguia ver a polpa de sua bunda saindo do shortz. E ao vê-la tentando envolver suas pernas nuas naquele poste, endureci de vez. Quando ela estava escorregando, me aproximei e a segurei pela cintura. Para que ela não percebesse meu estado, acabei jogando-a para o lado, com medo de que ela encostasse em meu corpo. Karina desequilibrou e me xingou.

– Me fez descer pra quase me jogar no chão? — brigou ela, arrumando a roupa.

– Foi mal, K. Espera aqui.

Fui em passos rápidos até o QG. O embrulho estava logo no balcão de entrada. O escondi nas costas e fui caminhando lentamente até ela.

– O que você tem aí? — perguntou Karina tentando espiar.

– Fecha os olhos e estenda as mãos.

Assim que Karina me obedeceu, encaixei o pacote em suas mãos pequenas. Ela pareceu surpresa. Entrando na brincadeira, ela decidiu desembrulhá-lo sem abrir os olhos. Com um pouco de dificuldade, ela finalmente conseguiu. Observei-a revirar a pelúcia em suas mãozinhas e senti meu coração acelerar quando ela me deu um sorriso magnífico. Quando finalmente aquela imensidão azul se abriu novamente para mim, pude ver de fato sua alegria. Karina admirava o bichinho e o apertou em seus braços.

– Você... mas não... poxa, Cobra. Adorei! — exclamou ela.

E me abraçou.

Envolvi meus braços envolta dela tomando cuidado para não aproximá-la demais de meu membro. Afaguei seus cabelos e esperei que ela mesma se soltasse, o que não demorou a acontecer.

– Valeu, cara.

– Você me disse que só tinha aquele bicho estranho para chorar em cima. Achei que o verdinho precisava de uma folga.

Karina riu.

– É, o Flux merece descansar. E eu também. Fico muito feliz com o presente, mas preciso subir Cobra.

– Nossa, K — disse, coçando a cabeça — não tinha pensado nessa parte sobre você subir. Como vou te colocar pra cima?

Karina ficou pálida. Olhou para mim, para a poste e depois para a sacada. Eu não poderia pegar uma escada sem chamar muita atenção. Na verdade, eu nem tinha uma.

– Cobra, vou subir no seu ombro. Daí eu me equilibro e seguro na grade.

– Você tem meio metro de altura, Karina.

– Pega uma escada.

– Não tenho.

– Porra, Cobra — bravejou Karina, batendo o pé — o que eu faço agora?

Suspirei e tentei pensar em uma solução. A única maneira de entrar naquela casa sem incomodar Gael e Bianca era pela sacada. Mas não havia jeito de ela subir. Karina não tinha força suficiente para escalar aquele poste. Então, uma ideia surgiu em minha cabeça e num impulso eu a soltei.

– Dorme comigo.

Karina arregalou os olhos.

– Como? — sussurrou.

– Dorme lá no QG. Você está saindo tão cedo pra ir pra academia mesmo.

– Como sabe disso?

Silêncio.

– Deduzi, né. Dorme comigo, daí de manhã você vai direto para a academia.

– E como entro lá sem a chave, gênio?

– É, estamos encrencados — suspirei, passando as mãos pelo cabelo nervoso. Não queria colocar ela em apuros.

– Já sei — exclamou Karina de repente — de sexta feira Bete chega mais cedo em casa. Como meu pai sai mais tarde, ele abre a porta para ela por volta das 7 horas da manhã. A Bete chega uns 10 minutos depois disso. Eu só preciso entrar em casa nesses minutos em que ela não chega. Depois disso é só me enfiar na cama.

– E se ela não atrasar amanhã?

– Cala a boca, Cobra. Não é pra torcer contra.

– Tudo bem, K. Vamos então.

Karina ia começar a andar quando de repente parou bruscamente. Olhou para mim desconfiada.

– Você não armou isso apenas para que eu fosse dormir com você no QG?

Me senti ofendido. Minha única intenção com ela naquela noite era lhe entregar um presente e não fazer com que ela fosse para o QG comigo. Mas relevei, pois qualquer um poderia pensar o mesmo devido as situações. Parecia que eu tinha arquitetado o plano perfeito para mais um bote.

– Não, Karina. Apenas não pensei em todo o plano. Juro que só queria te entregar o presente e depois me despedir.

– Vou acreditar. Vamos.

Já dentro do QG, Karina me seguiu até o quarto. Ela havia insinuado que dormiria no colchão no chão, mas eu a havia convencido que se fizesse isso, assim que adormecesse eu a colocaria na minha cama sem que ela nem percebesse. A contragosto, Karina bufou, aceitou o travesseiro que eu oferecia e se encolheu de um lado da minha cama.

Ao sair do banheiro, depois de me preparar para dormir, me deparei com a imagem de Karina encolhida ao bichinho de pelúcia, já dormindo profundamente. Sorri diante da cena. Apaguei as luzes e abri um pouco as cortinas para que eu pudesse ver um pouco seu rosto. Me aproximei devagar e admirei por alguns segundos. Retirei alguns fios de cabelo que insistiam em lhe cair nos olhos e acariciei seu rostinho de boneca. Me acomodei na cama.

Depois de alguns minutos, não resisti.

Fazendo o mínimo de barulho e movimento para não acordá-la, puxei-a de forma que sua cabeça se apoiasse em meu peito e que suas pernas passassem por cimas das minhas, me envolvendo. Passei a acarinhar seu cabelos com uma mão e suas pernas com a outra. Karina se remexeu e jurei que ela havia soltado um som de satisfação.

No dia anterior, eu havia transado de forma feroz com aquela morena gostosa nessa mesma cama. Mas naquele instante, ao admirar a bonequinha pequena em meus braços eu percebi o óbvio.

Trocaria todas as noites de transa daquela morena por apenas uma noite com Karina ali, protegida em meus braços.

Notas finais
Ficou melhor que eu esperava HAHAHAHAHA