Yoongi’s Pov:

Por mais que falasse para mim mesmo que tudo daria certo, eu ainda estava apreensivo. Não queria aquele homem cuidando do meu filho, mas nada eu poderia fazer. Não estava em condições de poder cuidar dele hoje, por conta de uma chamada repentina do meu trabalho. Talvez não tão repentina, já que eu fiquei sabendo ontem, mas demorava para conseguir achar quem pudesse cuidar do meu menininho.

Mesmo sempre sendo ocupado, eu nunca deixei Holly sozinho em casa à noite e era isso que me preocupava. Tanto eu quanto o pequeno cachorrinho em meu colo, temos um amor muito grande um pelo outro. Como não queria, e nem iria, deixar o pequeno sozinho no meu apartamento, recorri à última pessoa a quem eu poderia pedir algum favor: Jung Hoseok.

Bem, não era como se eu quem tivesse tido a grande ideia de deixar meu bebê na casa daquele louco, mas depois de tanto ouvir de Jimin, esta foi a única escolha que me restou.

Jimin estava na minha frente, sentado no carpete da sala, e em suas mãos, havia um dos brinquedos de que Holly mais gostava. O dito cujo latia para meu amigo, balançando seu rabo de um lado para o outro, todo feliz enquanto tentava pegar seu brinquedo das mãos do rapaz de madeixas rosas.

— Me lembre o porquê de você não poder cuidar do Holly, Jimin! — exclamei revoltado, mesmo sabendo que não era culpa do rapaz não ter tempo, e muito menos por eu estar puto assim.

Vi meu amigo rir da forma com que eu agia. Era sempre assim, o Park me adorava ver completamente irritado com qualquer que fosse a coisa.

— Calma Hyung! Não fique tão revoltadinho assim — ele tirou sarro, em uma falsa voz fofa, como se estivesse lidando com uma criança. — Não vou ter como cuidar do meu sobrinho porque tenho um encontro, eu já disse. — revirou os olhos em minha direção.

Ao ouvir isso, foi eu quem revirou os olhos. Jimin já estava de rolo com duas pessoas há dois meses e nenhum dos dois sabia sobre o outro. Já disse para ele, uma hora isso iria dar errado e ambos iriam descobrir o que acontecia, mas quem disse que o mais novo me dava ouvidos? Um teimoso de carteirinha, ainda por cima gostava de aventuras estranhas.

— E agora? Com quem eu vou deixar Holly? Me recuso a deixar meu filho sozinho à noite! O quão péssimo pai eu seria, caso o fizesse? — murmurei mais para mim, do que para o menor.

— Você poderia pedir para o seu vizinho. Como é mesmo o nome dele…? Hosuk? — perguntou, tentando se lembrar o nome daquele cara.

— Hoseok. — eu o corrigi automaticamente.

Eu ainda estava em dúvidas se ele realmente não se lembrava o nome do outro. Mas digo para mim mesmo que isso não importava, ele deveria estar apenas brincando comigo, pois sabia o quanto eu detestava o Jung.

— Hoseok... É isso mesmo! Acabei esquecendo. — soltou um sorriso fraco, o qual eu realmente não acreditei, mas não iria começar uma discussão com o rapaz de cabelo rosado naquele momento.

Me segurei para novamente não acabar revirando os olhos, com a idiotice da qual ele falava. Eu? Pedir alguma coisa para o meu vizinho? Não, definitivamente não.

— Nunca!

Assustei Holly com o quase grito que dei. Ele passou a se encolher no colo de seu tio.

— Poxa hyung. Não entendo o motivo de você o odiar. Ele me parece ser um cara tão legal, e pelo que você me contou, ele faz faculdade de veterinária, não é? Hyung, isso está que nem um dorama! O cara perfeito para você, um apaixonado pelo seu animalzinho de estimação! Des-ti-no!! — gritou animado, e em seguida, abraçou Holly, o qual tentou a todo custo se afastar de seu aperto.

Ah, pronto! Destino? Jura mesmo? Tente ser mais brega do que Park Jimin e falhe miseravelmente!

Eu sabia que ele falava isso do meu vizinho apenas porque não o conhecia direito. Aquele cara é louco, nunca eu vou deixar meu filho com ele! Impossível! Eu lembro como se fosse hoje, da primeira vez que eu o vi no batente da minha porta, vestia apenas uma cueca no corpo. E ele alegou precisar usar o meu chuveiro. Não, eu me recuso a deixar Holly com esse tipo de pessoa.

— Ele é um pervertido, Jimin! Como vou deixar Holly em seus cuidados? E se esse cara tentar alguma coisa com ele? — o bombardeio de perguntas, as quais sabia que ele não se daria ao trabalho de respondê-las.

Park apenas ficou quieto um pouco, pensando. Achei até que ele não seria capaz de fazer isso, fiquei surpreso. Ia começar a falar mais alguma coisa, mas por fim, acabo calando a boca, quando então vejo o sorriso de capeta que surgiu em seu rosto.

— Hyung, é você quem escolhe. Imagina o quão triste Holly ficaria se você o deixasse aqui sozinho, sem amor e carinho. Realmente, ele iria pensar que você o abandonou. Passaria a chorar o tempo inteiro e ficaria magoado contigo. Mas é claro, o importante é ele ficar longe do seu vizinho porque você não gosta dele, mas sabe que ele não machucaria meu sobrinho. — o rosado jogou tudo em minha cara, quase me fez querer gritar, dizendo que ele estava louco, eu nunca seria capaz de magoar meu filhotinho.

Foi quando eu comecei a notar onde ele estava querendo chegar. Merda! Maldito manipulador dos infernos!

— Se alguma coisa acontecer ao meu filho… eu juro que te castro, Park. — quase acabei rosnando para ele, mas me segurei para não parecer com um animal selvagem.

Ele pareceu não ter se intimidado, mas não era algo estranho, parece até que gostava de me ver querendo o matar. Seu sorrisinho apenas aumentou, e a minha vontade de ter-lhe metido um soco também.

— Então vamos nos levantar e ir lá pedir para ele cuidar deste bebezinho aqui! — pegou Holly no colo enquanto se levantava, estendendo a mão para que eu pudesse me colocar de pé também.

E era essa a minha situação no momento.

Mesmo ainda contra a gosto, segui os dois, que já caminhavam para fora do meu apartamento, parando frente à porta da pessoa, que há poucos minutos atrás, eu jurava nunca deixar próxima do meu bebê. Jimin esperou eu me aproximar, então bateu na porta, e esperou que ele viesse nos atender.

Nos primeiros dois minutos, nada aconteceu. Até que, assim que o menor estava para o chamar novamente, a porta se abriu, e minha primeira visão dele, foi de seus cabelos completamente molhados. Aquilo estava realmente se parecendo com um dorama, pois foi só eu ter abaixado um pouco o olhar, e já consegui ver seu tórax desnudo, ele trajava apenas um samba canção.

— Viu, Jimin? Ele é um pervertido! — aponto o dedo na cara de Hoseok, o julgando.

Essa foi a ideia mais estúpida que o Park já havia tido. Olha só a forma como ele havia nos recebido... Quem atende a porta vestindo apenas shorts?! Quem?!

— Ei! Eu não sou um pervertido! Acabou que eu estava no banho quando vocês chamaram, me desculpem. — ele disse, sem tirar o sorriso dos lábios. Ele parecia meio envergonhado, mas acabei por ignorar esse detalhe.

— Tanto faz. Nos dê espaço, Jung. — “Peço” já o empurrando para que tivesse espaço o suficiente e conseguisse entrar no seu apartamento.

Sento no seu sofá esperando meu amigo fazer o mesmo, ambos esperando o anfitrião vir até nós dois.

— Não é que eu não goste de visitas, mas até onde eu sei, o último lugar em que você gostaria de estar é aqui, Yoongi.

E não é que ele até era um pouco inteligente? Achei que sua raça era do tipo “jogadores de times de futebol escolar”, onde somente a beleza era o que importava.

— Realmente, o que eu mais quero é distância de você!

Ora, como se alguém conseguisse aguentar ele por muito tempo, ainda mais atendendo suas visitas só com um short. Maldito pervertido!

— E mesmo assim você está aqui em minha casa, sentado no meu sofá.

Me segurei muito para não levantar e socar aquele rostinho que exibia um sorriso debochado. Argh! Como ele me irritava!

— Só estou aqui por falta de opção!!



Hoseok POV’S

Isso estava realmente divertido. Não fazia ideia do motivo que ele estava ali, mas parecia ser bem importante para o baixinho aceitar vir pedir alguma coisa, justamente pra mim. Provavelmente era mesmo sua última alternativa.

— Olha, mesmo me odiando e tudo mais, eu não sei o que eu fiz pra você. E outra coisa, se você não me dizer o que quer então se retire pois eu queria estudar…

Tento não ser grosso. Se ele já me queria morto antes, imagina se eu dissesse algo que pudesse ser interpretado, nem que seja um pouquinho, como grosseria. Acho que aí sim eu perderia a cabeça, e não estou falando da de cima.

— O que você fez? Na primeira vez que nos vimos tu apareceu basicamente pelado! Agora hoje de novo! Você é um completo depravado, Jung. Além do mais, pouco me importa se você quer estudar ou não! Preciso de um favor seu e você vai me ajudar.

Pera. Como assim? Ele me odiava apenas por eu ter aparecido só de cueca na frente dele? Isso só poderia ser piada, não é possível que ele seja um idiota nesse nível.

— Todo esse ódio só por causa disso? Realmente, não sei como deve ter gente te aguentando!

O Min apenas me ignora, brincando com as orelhinhas do cachorro, este último que só agora eu havia percebido estar junto deles.

— Que fofinho! É seu? — Pergunto para o albino, tendo finalmente seus olhos em mim.

Só pelo jeito que ele tratava o cãozinho, se conseguia ver o carinho que ele tinha pelo companheiro. Se me baseasse apenas no que conhecia de Yoongi, diria que ele não conseguia ser carinhoso com nada nem ninguém, mas tempos de estágios em clínicas veterinárias te fazem distinguir uma pessoa que tem um animal doméstico para uma que tinha um membro de quatro patas na família. Por incrível que pareça, o senhor rabugento era a segunda opção.

Mas ainda estava um pouco surpreso pois nunca ouvi latidos de cachorro vindo do seu apartamento. Talvez um dos motivos seja eu quase nunca estar em casa por conta da faculdade e do estágio, mas mesmo assim ainda deveria ter notado antes. Será que eu ouvia, mas acaba ignorando inconscientemente? Que loucura, hein!

— Sim… e é por ele que eu estou no seu apartamento. Pois nenhuma outra pessoa me faria vir até aqui e ter um diálogo com um coisa como você. — disse em tom de deboche.

Me sinto ofendido por um momento, mas logo ignoro. Ele deveria ser assim com todo mundo. Claro que um pouco de educação seria bom, mas até que eu o achava divertido.

— Então, peça logo Yoongi.

Queria que ele parasse de enrolar tanto e fosse logo ao assunto principal dessa visita.

— Quero que você cuide de Holly hoje. Tenho coisas do trabalho para fazer e não há nenhuma outra pessoa que possa cuidar do meu bebê. Deixá-lo sozinho está fora de questão!

Oh, então era esse o motivo? Tanto drama só para pedir que eu cuidasse do seu cachorrinho? Era uma figura mesmo.

— Oh...quer dizer que toda essa cena sua é só pra me pedir isso? Pois é claro que eu aceito! Vou adorar cuidar dessa coisinha fofa! Como é o nome?

Pergunto sem nem sequer encarar o albino, já que minha visão estava totalmente focada naquele serzinho de quatro patas.

Notando isso, Yoongi abraça o cachorrinho, como se pudesse o proteger de qualquer mal que eu possa fazer contra o pequenino.

— Holly. E é um macho.

Holly começa a latir para mim, como se estivesse confirmando aquilo que o dono falara. Eram uma dupla muito fofa de se ver.

Se desvencilhando do colo do albino e pulando para o chão, o cachorrinho vem em minha direção, abanando o rabinho e latindo, como se pedisse carinho.

Pego ele no colo, que parece ficar ainda mais feliz com isso. Ele parecia ser bem gentil com os outros, algo que era o completo oposto de seu dono amargurado com tudo e todos.

— Olha só que bom, Yoonie! Eu falei que ele poderia ajudar!

Finalmente o garoto com cabelos rosas se pronuncia, olhando para Yoongi com cara de quem sempre tem razão.

Eu já havia visto este rapaz algumas vezes no prédio. Todas elas indo para o apartamento do demônio ou saindo. Será que eram irmãos? Por que namorados eu tenho certeza que não, basta olhar para a cara azeda do Min que se adquire essa certeza.

—Você é…?

Indago ao nem tão desconhecido, recebendo um sorriso fofo vindo o mesmo. Por que Yoongi não podia ser assim? Esse sorrisinho do rosado é tão...FOFO!!!

— Me chamo Park Jimin, sou o melhor amigo do seu vizinho.

— Jimin, cale a boca! Não dê armamentos para o inimigo usar contra nós depois!

Inimigo? Além de vir até aqui “implorando” minha ajuda, essa criatura dos infernos ainda me tratava dessa forma? Se não fosse pelo cachorro ser tão fofo, eu mandava ele para a merda, expulsando da minha casa.

— Deveria aprender com seu amigo como ser amigável, nanico

Debocho da cara do mais velho, recebendo um olhar irritado dele.



— Cale a sua boca, bastardo! Ninguém pediu algum comentário seu.

Mas que desgraçado ele é!

Depois de mais uma longa conversa cheia de insultos e regras de como cuidar do seu “filho”, Yoongi finalmente saiu de minha casa, alegando que ainda precisava se arrumar e trazer as coisas de Holly.

Aproveito esse tempo em que estava sozinho em casa, não que fosse algo raro, para poder arrumar meu apartamento. Eu já imaginava que o cachorrinho daria um jeito de desarrumar tudo assim que voltasse, mas era sempre bom ter certas esperanças.

Não demorou nem uma hora para pôr tudo em seu devido lugar. Tempo suficiente para que eu ainda conseguisse tomar mais um banho, pois havia ficado cheio de poeira, e botar uma roupa, até que finalmente a campainha é tocada novamente.

Atendo a porta, dando de cara com Holly nos braços de satanás. Ele estava lindo vestido com aquele casaco de patinhas. Yoongi até que estava fofinho na roupa que usava.

— Até que enfim atendeu essa merda. Achei que havia morrido pelo tempo que demorou a atender.

Diz ele com uma expressão meio emburrada e impaciente, a qual apesar de todo esse comportamento agressivo e invasivo, não combinava nem um pouco com a cena que se passava em minha frente. Afinal, não era nem um pouco comum encontrar Min Yoongi vestido com uma blusa branca de botões com gola V, mostrando assim um pouco de seu peito. Um terno aberto, preto, que apesar de ter um ar profissional, também tinha um toque casual e meio desleixado. Mesmo que doesse na minha alma, ele estava extremamente sexy e com um ar selvagem. Para complicar ainda mais, ele usava uma elegante calça skinny preta, bem colada ao seu corpo.

Eu sabia que ele trabalhava em algo importante, mas não que usava esses ternos e coisas riquinhas, que apesar de lhe cair bem, não fazia muito o estilo dele.

Talvez eu estivesse prestando muita atenção nele, já que ele me olhava cada vez mais impaciente, esperando alguma reação vinda de mim.

— Me desculpe se tenho mais coisas pra fazer do que atender a porta pra porra do meu vizinho nanico e impaciente!

Exclamei sem nem perceber, vendo seus olhos tentarem me fuzilar. Talvez ele me odeie mais ainda agora. Mas fazer o que, ele já não me queria por perto mesmo.

—Vai para o inferno, seu grosso do caralho! Agora pegue o Holly aqui, e cuide muito bem dele. Se algo acontecer com o meu filho, Jung…

— Já sei! Já sei! Vou ser enforcado e meu corpo esquartejado, sendo dado para os porcos comerem. — Digo já esperando como deveria ser o final da sua fala.

— É... Bom que sabe.

Bufa, me fazendo controlar para não dizer que ele parecia uma criança super fofa, porém completamente incorporada no satanás.

Ele me entrega o cachorrinho com todo o cuidado do mundo, quase achei que se fizesse um movimento em falso ele ia quebrar.

— Eu vou sair agora e devo voltar por volta das duas da madrugada, então espero que esteja acordado. E amanhã é sábado, nem se atreva a me dizer que precisa acordar cedo para ir à faculdade.

Afirmo com a cabeça querendo que ele sumisse logo da minha frente para que eu conseguisse fazer as minhas coisas. Também era bom ele desaparecer antes que se iniciasse uma discussão sobre o meu tempo livre.

Esse Hobbit está pensando que eu não faço mais nada da vida para poder ficar acordado a hora que ele quiser? Sorte dele que sou pau mandado, se não já me revoltava em voz alta.

— Tá bom, Yoongi. Deixe Holly aqui de uma vez e vá fazer sei lá o quê.

Como que concordando comigo, o cachorrinho late, balançando o seu rabinho, todo feliz no meu colo. Como era fofo, meu Deus!!

—Tsc! Não me incomode. — Revira os olhos me entregando a ração, que só agora havia notado estar com ele — Se ele fizer algo com você, é só arrancar um pedaço do seu braço, tá bom, meu amor? — Utiliza a típica voz de bebê, enchendo o cachorrinho de beijos.

Depois de um tempo me enchendo ainda mais o saco, ele nota que estava quase se atrasando. Volta a se despedir de Holly e me dando um tchau seco, o qual respondi na mesma altura.

Já sozinho com o cachorro, boto ele no chão, deixando que corresse por todo o meu apartamento. Era realmente contagiante a alegria que o pequenino demonstrava enquanto rolava no meu tapete de pelos, criando uma cena extremamente fofa, a qual peguei meu celular, para poder registrar.

Como Holly se apegou muito ao meu tapete, o deixo ali mesmo enquanto ligava a televisão e me jogava no sofá. Passeio pelos canais, até que acho um filme interessante.

Deveria ser por volta das uma e meia da madrugada quando tocou a campainha mais uma vez. O pequeno camarada de quatro patas estava confortável sobre a minha barriga, quase ao ponto de dormir. Eu não estava muito diferente dele, pois eu mais fechava os olhos do que prestava atenção na trilogia de Nárnia. Esta que por acaso era minha favorita, então imagina o sono que eu sentia para não estar prestando atenção direito.

Mesmo não querendo perturbar o quase sono de Holly e o meu junto, levanto o mais calmo possível para tentar não acordar o pequenino, missão impossível só para deixar registrado. Com nós dois ainda sonolentos, caminho até a porta, a abrindo e dando de cara com Yoongi.

— Oh...finalmente chegou.

Comento coçando um dos olhos para que eu não acabasse dormindo em pé. Depois de alguns bocejos finalmente consigo prestar atenção no ser a minha frente, notando só agora suas bochechas meio coradas.

Sinto um peso se apoiar no meu corpo. Demorou um pouco para notar ser Yoongi. De forma meio desengonçada, ele pega seu cachorro no colo, enchendo de beijos. Queria muito ter um celular para poder gravar essa cena.

— Que saudades desse meu filhotinho lindo! Papai ficou pensando em você esse tempo todo. Esse monstro cuidou bem de você?

Se ele não estivesse obviamente alcoolizado, já teria começado uma discussão com ele. Isso se eu não estivesse só pensando na minha cama, também.

— Ainda bem que você já chegou. Agora pode levar ele e me deixar dormir, finalmente.

Quase chego a implorar para que ele saísse da minha porta. Mais um pouco e eu ia dormir aqui mesmo.

— Né, Hoseok… você cuidou bem do Holly… me desculpe por tudo que eu te disse, sim? Acho que não deveria ter tirado conclusões precipitadas sobre você…

Isso era um pedido de desculpas? De Min Yoongi? Meu Deus do céu! Ou deram drogas muito pesadas pra ele junto das bebidas, ou colocaram um robô melhorado dele.

— Achei que você iria apenas em um jantar da sua empresa, não em uma balada pra se drogar!

Ele me olhou feio, mas não pareceu realmente irritado com a minha fala, como muitas outras vezes.

— Eu estou tentando ser educado, então não começa, caralho…

Muito educado, né? Como isso era algo raro, decido parar com as brincadeiras e trocas de farpas.

— Tudo bem, tudo bem. E não se preocupe, eu não estou chateado nem nada do tipo. Além disso, sempre soube que bem no fundo desse seu coração, você não me odiava tanto assim.

— Já estou me arrependendo de ter te dito isso…

Sorrio para ele, mostrando os dentes, me alegrando mais ainda quando vira o rosto do lado, só aumentando o vermelho do seu rosto, mas agora eu sabia bem do por quê.

— Alguém tá ficando coradinho, será que vo-

Arregalo os olhos, parando a frase automaticamente assim que senti seus lábios contra os meus. De forma involuntária, entreabro a boca, permitindo que ele colocasse sua língua ali. Involuntariamente levo minha mão até sua cintura, puxando seu corpo contra o meu, tentando evitar esmagar o cachorrinho que ainda estava no colo do mais velho.

Deixo que nossas línguas se entrelacem até que o ar não conseguisse ir para nossos pulmões. Separamos nossas bocas, mas ainda deixando nossos corpos próximos.

— Wow! Esse sim foi um bom pedido de desculpas.

Brinco com a situação, querendo quebrar o clima estranho que ficou ao nosso redor. O Min fica quieto, agora sim afastando-nos.

— Já está na hora de eu ir embora…

Sem falar mais nada ele bate com força a minha porta, me fazendo levar um pequeno susto. Até pensei em ir voltar a dormir, mas depois do que acabou de acontecer nem sei se ainda teria como me deitar sem pensar nele. Pior que pra um baixinho amargo ele até que tinha um beijo doce. Como nos clichês de livros adolescentes, seus lábios tinham um gosto de menta com bebida alcóolica.

Rio da situação toda, voltando para o sofá onde estava anteriormente, me jogando e terminando de assistir ao filme, mas pensando que a combinação de Yoongi com álcool era realmente mais divertida do que prestar atenção.



Hoseok POV’s off



Era por volta das oito da noite do dia seguinte. Um certo aspirante à veterinário batia freneticamente na porta de seu vizinho rabugento, o incomodando em níveis, os quais o mais velho deles julgava não ser capaz:

— Yoon~! Vamos beber! Quero receber mais pedidos de desculpas seus.

E foi a partir daquele momento que o Min notou o quanto estava ferrado. Todo os dias Hoseok o incomodava com isso, não o deixando esquecer daquilo, mesmo que estivesse bêbado quando o fez.

Essa sessão de batidas na porta apenas parou quando Yoongi finalmente aceitou ir beber, querendo que aquela encheção de saco diária acabasse. Desse dia em diante, o Jung não precisava mais chamar, o pequeno estava sempre ali na sua casa, ambos deitados no sofá com Holly no meio deles.

— Yoon…

Chama o mais novo entre eles, tendo a atenção do Min para si

— Eu te amo.

Braços rodeiam o pescoço do Jung. Sem tempo para falar algo, o baixinho gruda seus lábios, não contendo a felicidade que lhe apossara.

— Cale a boca, seu pervertido!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!