A Abelha Vermelha











— Bom dia, classe, hoje aprenderemos um feitiço muito importante.

A professora Muriah, entra na sala de DCAT.

— Bom dia!

— Formem duplas, não demorem.

Eu olho Lúcia que forma dupla com outra garota. Mas que traíra!💢

— Desculpe Susie, não quero ter a minha cabeça arrancada ou virar pó. — ela diz enquanto fica de frente para a garota.

Eu olho todos, formando seus pares, e eu acabei sobrando. A professora se aproxima sorrindo.

— Não fique triste, Susie, o feitiço que vou ensinar é de proteção, então pode praticar comigo.

— Se a senhora diz...

— Fiquem de frente um para o outro assim — a professora me coloca na frente dela — Peguem suas varinhas bem firme e façam um círculo na sua frente bem rápido.

Todos repetem o movimento que a professora diz. Pego a minha varinha e faço o mesmo.

— Agora digam firme "Protego!"

— Protego!

Um escudo aparece na frente de cada bruxa e bruxo, era o feitiço de proteção Protego sendo bem feito.

Exceto o meu caso, meu feitiço não funcionou.

— Oh, bem, é normal não dar certo no início Susie... Continue praticando.

Eu olho a varinha, desanimada.

— Certo... — Eu suspiro e faço o movimento outra vez — Vamos lá varinha... Protego!

Nada acontece outra vez, a professora se aproxima curiosa com a varinha.

— Ainda não funcionou? É realmente estranho...

— Essa varinha me detesta professora.

— Ah, eu não acho que isso seja verdade, ela te escolheu afinal...

— Às vezes eu tenho dúvidas... Eu só consegui usar ela poucas vezes.

— Continue tentando Susie.

Eu assenti e tentei outra vez, apertei forte entre os dedos.

— Protego!

Nada acontece.

— Qual é!? Vamos lá! Protego! Protego! Protegooooo!!

Todos me olham enquanto faço as minhas tentativas fracassadas, não sei se estão com medo ou preocupados com a minha situação.

— E se ela estiver em situação de perigo? Talvez a varinha reaja.

Uma voz feminina fala do segundo andar da sala. É Lorie como você já deve imaginar.

— Você quer tenta Susie? — ela desce as escadas enquanto tira a varinha das vestes.

— Isso por acaso é só uma desculpa para me atacar??

— Talvez...

A professora entra no meio.

— Meninas, vamos ficar calmas...

— Eu só quero ajudar a minha colega professora, Hogwarts ensina que sempre devemos ajudar uns aos outros.

— Oh bem... Você está certa. Mas não faça nada muito brutal.

— Você vai mesmo deixar?? — olho Lorie vindo na minha direção e os alunos abrindo espaço.

— A Senhorita Lorie é uma bruxa extraordinária, sei que vai efetuar qualquer feitiço perfeitamente.

— Argh...— Vejo Lorie parando na minha frente com a varinha na mão.

— Preparada?

— H-hum...

Ela aponta a varinha minha direção e de prepara.

— Everte Statum!

— Protego!

Meu corpo é atingido pelo feitiço de Lorie, e é jogado para trás, dou algumas piruetas no ar antes de atingir o chão.

— Waaaah! — Eu grito caindo de bunda no chão.

— Wow! Muito bom Senhorita Lorie! — A professora aplaude a performance.

— Obrigada.

— Você está bem Susie?? — Lúcia vem preocupada.

— Uh... Estou. — me levanto do chão com dificuldades.

Lorie vem até mim.

— Você quer tentar de novo?

— Argh, sim...

— Você tem certeza Susie??— Lúcia diz.

— Tenho...

— Muito bem, então...

Nós nos preparamos outra vez.

— Everte Statum!

— P-protego!

Meu corpo é atingido outra vez e sou jogada para trás caindo em uma pilha de travesseiros empilhados. Os alunos assistem.

— Droga!

— De novo!

Meu corpo é atingido outra vez e sou jogada para trás.

— Argh!

— De novo!

— Ahhh!

— De novo!

— De novo!

— De novo!

— De novo!

A aula acaba e meu corpo está todo dolorido.

— Você não conseguiu fazer nenhuma vez, Susie, isso é muito problemático, é a primeira vez que vejo uma varinha não obedecer ao seu mestre.

— Sim... Ai! Ui! Ai!

Aposto que a Lorie se divertiu com isso, essa sádica metida a besta!

Uma Lufana vem correndo até nós.

— O que houve?

— Ele está aqui, Susie! Eu vi o seu pai!

Olho Lúcia.

— Papai está aqui?? Eu preciso ir vê-lo!

Mesmo meu corpo ainda dolorido, corro até o pátio da torre do relógio, onde ele foi visto.

E eu o vejo, sentado perto da fonte, com sua bengala de serpente na mão.

— Papai!

Ele se vira e me olha sério.

— Então era hoje que você viria?

— Sim...

Ele olha o meu uniforme amarelo.

— Por incrível que pareça, essa cor combinou com você...

— Ah, não diga isso...

Ele aponta para o banco.

— Sente-se vamos conversar.

Eu obedeço e conto tudo a ele, sobre meus problemas para efetuar feitiços.

— Entendo...

— O que devo fazer? Acabei de passar vergonha na sala de defesa contra as artes das trevas.

— Deixe-me ver a sua varinha.

Eu a entrego de bom grado. Papai olha a madeira vermelha enquanto passa os dedos pelos relevos do cabo.

— Núcleo?

— De raposa chinesa...

— Uma lenda, hum...

— Você conhece a lenda?

— Sim...

— O que eu devia fazer para ela me obedecer? Eu já dei um nome a ela... E às vezes funciona.

— É uma varinha antiga e está bem desgastada. Deve apenas funcionar para magias antigas.

— M-magias antigas?

— Sim...

— Entendo, mas como eu posso resolver isso?

— Hum, acho que conheço uma poção mágica que pode funcionar.

— Poção??

— Sim...

— E como eu faço?

Corro até Lúcia.

— Lúcia! Papai diz que tem uma poção que pode me ajudar a solucionar o problema da varinha!

— Mesmo??

— Sim! Mas precisamos pegar alguns dos ingredientes na sala de poções e preparar lá...

— Ehh? Pegar os ingredientes? Mas e o professor John??

— Terá que ser a noite... Enquanto ele estiver dormindo, nós entramos lá!

— Não sei não Susie...

— Você está comigo nessa, não pode me abandonar agora que eu preciso de ajuda!

— Tá bom! Tá bom! Eu te ajudo... Mas ele te disse exatamente quais os ingredientes?

— Sim! — retiro um papel do meu bolso e entrego a Lúcia.

— O-o quê? E esse último aqui?? Onde vamos conseguir uma lágrima de arrependimento??

— Hum é verdade... Isso será difícil de conseguir...

— Os outros ingredientes tenho certeza que tem perto da floresta.

— Certo, então vamos reunir o máximo de ingredientes que puder!

Eu puxo Lúcia da cadeira. E vamos para fora da sala comunal.

— E se o professor John descobrir que conseguimos alguns ingredientes na sala dele??

— Vamos perder uns dois pontos por quebrar as regras, mas vai ser para um bem maior.

Saímos do castelo e fomos para fora perto do trato de criaturas mágicas.

— Vejamos... Dois cogumelos recém-crescidos...

Lúcia começa a procurar debaixo de alguns troncos caídos.

— O que está fazendo?

— Cogumelos sempre crescem perto de árvores mortas.

— Como você sabe?

— Eu e minha prima sempre caçávamos cogumelos para fazer sopa.

— Eca!

— Você fala isso porque não provou a sopa da minha mãe. — ela ri — O gosto é ótimo, se um dia for em casa pedirei para ela fazer.

— Tá bom.

— Achei! — ela arranca dois cogumelos debaixo de um tronco e coloca em um frasco — O que mais falta?

— Um fio de cabelo de um centauro.

— C-centauro? Onde vamos conseguir isso??

— Margott Whine deve ter.

— Quem é essa?

— Uma aluna do sexto ano, ela sempre fica se gabando de que conhece centauros na mesa ao lado.

— É bizarro...

— De fato.

Puxo Lúcia outra vez.

— O quê?? Um fio de cabelo de um centauro? — Margott diz.

— É urgente, é para uma poção!

— Eu não sei exatamente quanto tempo vai levar até eu conseguir isso...

— Você não conhece nenhum centauro aqui na floresta?

— Bem, eu vi um, uma vez, mas...

— Ótimo! Vai atrás dele.

Ela resmunga.

— Se eu for conseguir algo tão importante assim, eu quero pelo menos alguma coisa.

Eu olho Lúcia. Não tínhamos pensado nisso.

— O que você acha Lúcia?

— Não sei, Susie, aceita logo antes que escureça.

Eu suspiro.

— Tudo bem, vamos aceitar o seu pedido... O que você quer?

— Um cachecol novo.

— U-um cachecol??

— É, da boutique da Mandelour.

— O que é isso? — Lúcia pergunta.

— É uma loja de roupas famosa... E cara.

— Não deve ser difícil para você conseguir não é Susie? Afinal você tem muito dinheiro.

— Argh... Você pode esperar o natal? Até lá o seu pedido chega.

— Tudo bem...

Parece que não vou ganhar presentes nesse natal, mas tudo bem, eu posso lidar com isso...

— Certo, agora vai pegar o que precisamos.

Ela dá as costas e sai do salão de banquetes. Lúcia me olha.

— Você vai mesmo dar a ela algo tão caro?

— Vou... Trato é trato afinal. E uma Landerwood nunca fica sem cumprir uma promessa.

— Se você diz...

— Vamos atrás da gota agora.

— Era uma gota do que mesmo?

— "Uma gota de água que escorreu por uma colmeia."

— C-colmeia??

— Sim, vai ser difícil conseguir... E você quem vai pegar.

— E-eu??

— É claro, eu não sei o feitiço de proteção, e já que você é a sabe tudo, você pega.

Ela ri de nervoso.

Depois de procurar muito uma colmeia, nós encontramos em uma árvore baixinha.

— Isso é uma abelha-bunda vermelha! V-vamos inchar até explodir se formos picados.

— Então é só tomar cuidado... Vai lá — eu empurro ela de leve enquanto me escondo atrás de uma árvore grossa.

— P-protego!... — Ela coloca a varinha na frente do corpo, a varinha faz um escudo protetor. — Acho bom essa sua poção funcionar Susie, ou eu vou colocar essa colmeia na sua cama!

— Muito engraçado.

Vejo ela pegar um pequeno frasco de água e derramar sobre a colmeia. De início não acontece nada enquanto a água escorre.

— Só precisamos de uma gota!

— Não grita Susie! — ela pega a gota que escorre da bunda da colmeia. — Peguei!

As abelhas começam a sair. Lúcia coloca a varinha na frente para não receber o impacto.

— Corre! Corre Lúcia!

— Ahhhh!!!

Ela começa a correr sem olhar para trás. Um pouco afastado da colmeia, eu olho o frasco em sua mão.

— Conseguimos??

— Sim...

— Ehh!

Olho Lúcia cair no chão com a mão no pescoço.

— Lúcia?!

Uma abelha voa para cima saindo de trás de sua nunca.

— Lúcia?! Droga!

Eu começo a balançar seu corpo desesperada enquanto o rosto dela começa a inchar.

— Lúcia?! Lúcia?? Não, Não!...

— Arg....

— Lúcia, sinto muito! Eu não devia ter te colocado nessa... me perdoe!

— Ahh... Ah...

Eu coloco o braço dela em volta do meu pescoço e puxo ela.

— Eu vou te levar para enfermaria! A-aguenta firme!

— Minha cara... Uh...

— Uhh... — Meus olhos marejam enquanto levo ela para dentro com a ajuda de alguns alunos.

— O que aconteceu!? — a enfermeira vem correndo até nós e ajudando a colocar Lúcia desacordada na cama.

— Ela foi picada por uma abelha-bunda vermelha...

— O quê?! Como isso aconteceu??

— Foi culpa minha, era para uma poção...— seco meus olhos ainda chorosa.

— Ohh! Não chore agora, eu preciso da sua ajuda. Pegue o soro para abelhas no armário.

Ela aponta para o armário e eu imediatamente corro para pegá-lo.

Depois de entregar a madame Letícia, eu fico com Lúcia até ela voltar ao normal.

— O que aconteceu?

— Você foi picada por uma abelha, lembra?

— Ah sim... Doeu bastante...

— Você está sentindo dor ainda?

— Não...

— Olha o que eu consegui.

Mostro o frasco para ela.

Lúcia logo começa a sorrir com o rosto ainda inchado.

— Uma lágrima...

— De arrependimento... — Eu rio ainda preocupada.

— Eu vou fazer o resto sozinha, você pode ficar aqui e descansar.

— Você tem certeza?

— Sim, apenas descanse.

Me levanto da cadeira e saio da enfermaria.

A noite logo chega e eu consigo sair da fila da Lufa-Lufa antes de entrar no dormitório, após o banquete. Já estava com o fio de cabelo do centauro. Me escondo no banheiro até dar o horário.

— Ótimo, agora é a hora!

Eu saio do banheiro indo em direção a sala de poções. Vejo um grupinho de corvinos saindo de uma sala e me escondo atrás de uma estátua de cavaleiro.

— Você viu? Outra palavra apareceu no corredor.

— É bizarro como essas palavras sempre aparecerem no castelo.

— Ah, isso deve ser algum aluno querendo pregar peças.

— Não é?

Eles passam por mim, conversando. Eu rapidamente desço as escadas para ir para a sala de poções.

— Sobre o que eles estão falando?

Eu olho a parede onde há uma palavra escrita com tinta verde.

"aquela"

— Hm? "aquela" o quê?

Era letra de mão e a tinta já estava seca, parecia ter sido feita à anos.

— Não tenho tempo para isso agora...

Eu tento abrir a porta da sala de poções, mas está trancada. Pego a varinha de Lúcia das minhas vestes e aponto para a tranca.

— Alohomora!

O feitiço destranca a porta e eu guardo a varinha na minha cintura outra vez.

— Você devia aprender com ela. — Resmungo para a minha varinha enquanto tiro o papel dos bolsos. — Vamos ver do que eu preciso...

Fecho a porta outra vez e começo a revirar as prateleiras de frascos. Pego um caldeirão, alguns frascos de pó de fada, uma colher de ouro para mexer, e um recipiente que caiba a minha Varinha.

— "Mexer três vezes no sentido horário e quatro vezes no sentido anti-horário... Depois jogar um pouco da poção por cima do ombro esquerdo..."

Eu faço tudo o que se pede.

— E agora... "Balançar a varinha por cima do caldeirão repetindo as palavras 'Octum amasso dentre mostato' depois colocar a poção inteira dentro do recipiente..." — Pego a varinha de Lúcia — Hum... Octum, amasso, dentre, mostato!

A poção começa a borbulhar, eu coloco toda a poção dentro de um recipiente e mergulho a varinha por alguns segundos. Me pergunto como o papai sabe dessa poção... Talvez tenha aprendido com a mamãe? Ela adorava criar poções...

— Repetir o processo sete vezes?? Aff — repito o processo sete vezes. Vendo que nada aconteceu, me sento na cadeira e olho a varinha dentro da poção. — Que horas serão agora?

Olho o relógio na parede.

— O quê? Três da manhã??

Enquanto o tempo passa, ando de um lado para o outro na sala, mexo em alguns frascos e a maioria tenta me atacar ou me engolir. Depois de alguns segundos, deito a cabeça na mesa e cochilo por alguns segundos. Então há o som de um estouro reverberando pelos meus ouvidos, e eu caio no chão acordando assustada.