Não será a última vez
1 A primeira conversa
Notas iniciais
Boa leitura!
As portas da boate foram fechadas exatamente às cinco da manhã, com os últimos bêbados sendo colocados para fora e um único funcionário trancado do lado de dentro, o que era a parte incomum.
Takeo havia recebido um pedido de ajuda de um colega para cobri-lo no dia seguinte e, mesmo que tivesse virado a noite trabalhando, um extra sempre caía bem. Conseguiu autorização da supervisora para usar a sala de descanso para dormir, caso contrário chegaria em casa na mesma hora em que teria que voltar. Precisava aproveitar aquelas míseras duas horas para descansar o máximo que pudesse e estar pronto para a abertura do Cyber Cafe às oito.
Infelizmente, planejar um horário para dormir nunca foi seu forte, sem falar que não estava em sua cama. Aquele sofá nem de longe tinha o conforto de um simples colchão!
No dia seguinte, lá estava ele no balcão, mal humorado, dolorido, com sono e possivelmente com a pele impregnada com o cheiro de cigarro e bebida que as pessoas jogaram pelo ar ou respingaram durante o preparo. Devia ter tomado um banho, mas trocar o uniforme teria que servir. Precisava parar de aceitar aquelas propostas malucas.
O horário de almoço trouxe consigo vários clientes, aumentando o movimento e obrigando-o a ficar desperto. Precisava ser atencioso na hora de anotar os pedidos e entregar cada um na mesa certa, por outro lado, Takeo não costumava prestar atenção no cliente em si, em seus rostos ou sobre o que falavam, contudo, foi impossível não se sentir nostálgico ao ver um rapaz entrando no estabelecimento com uma mochila enorme nas costas, olhando para todos os lados com curiosidade.
Ele mesmo viera de uma cidade do interior e parecia ter um imã para pessoa que passavam pela mesma situação. Não conseguia ignorar sem sentir empatia. Não era fácil sair de um lugar onde você conhecia praticamente tudo e todos, onde tinha casa, comida e família, ou às vezes nem isso, para então recomeçar do zero.
Pegou logo o cardápio, indo atender o recém-chegado antes que outro colega o fizesse. Um pouco de motivação sempre ia bem nessas horas e precisava comprovar suas suspeitas.
Conversaram pouco, tentando ser profissional e gentil sem abusar demais, dando-lhe as boas vindas e apresentando alguns itens do cardápio, conseguindo descobrir o suficiente através de olhares surpresos. Sabia bem a diferença do custo de vida entre uma cidade pequena e a capital. Por mais que tivesse se preparado quando saiu de casa, sua mesada não havia durado nem dois meses, provando o quanto era ingênuo na época. E, assim como fazia atualmente, ele também havia recebido a ajuda de alguém em outra lanchonete, que se ofereceu para lhe pagar um almoço.
Observou um instante enquanto o rapaz chamado Izumi, como veio a descobrir depois, se afastava, deixando no ar a promessa de uma volta para retribuir o favor. Ele não era o primeiro a prometer isso, assim como não era o primeiro a receber sua ajuda. Duvidava que algum dia o veria de novo.
Se soubesse o quanto estava errado na época…
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