Notas iniciais
Ho hey Pois é, a Dona Internet não colabora. Assim que funciona: um dia sim, uma semana não.

“O mundo não vai mudar por você”, “As regras você não pode escolher”, “A vida não é do jeito que você quer”; essas são as três frases mais verdadeiras que já foram ditas. Há cinco anos, eu descobri o verdadeiro significado da última frase. Todos nós iremos sofrer grandes perdas, mas, mesmo sabendo disso, nós nunca estamos preparados. Se muitos adultos não conseguem se controlar, quem dirá um garoto idiota de dez anos...

Aquele dia havia sido o mais triste da minha vida.

Estávamos eu, Merida, Jack e Rapunzel (Hiro não estava lá, eu nunca soube o motivo), olhando o caixão descer. Cada um de nós segurava uma flor azul, que era a cor favorita de Anna, deixando nossas lágrimas cair em suas pétalas.

– Fique bem, Anna. – Rapunzel disse, jogando sua flor em cima do caixão.

– Fique bem, Anna. – disse Jack, fazendo o mesmo que a loira. O albino tentou sorrir, mas, naquele momento, ele não conseguiu.

– Fique bem, Anna. – até Merida, que odiava demonstrações de afeto e “coisinhas melosas”, jogou sua flor.

Senti outra lágrima escorrer por meu rosto. Respirei fundo, beijei a flor e finalmente joguei-a junto com as outras.

– Fique bem, Anna.

Essa foi a última vez que nós estivemos juntos. E Base Secreta? Eu não tenho ideia de como ela esteja. Se algum deles continua indo lá, isso já não é da minha conta. Aquele lugar é uma das melhores lembranças da minha vida, mas uma lembrança é apenas uma lembrança. Eu não me sinto triste por nossa Base Secreta ter virado uma memória, o que me deixa triste é lembrar que grandes amigos se tornaram desconhecidos. Triste mesmo é lembrar que eu odeio cada um deles.

“O mundo não vai mudar por você”, “As regras você não pode escolher”, “A vida não é do jeito que você quer”; há cinco anos, eu descobri o verdadeiro significado da última frase. Se eu pudesse mandar na minha vida, eu teria dado um jeito, eu teria evitado tudo isso.

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E seguimos para o tempo presente.

Hoje eu estou trancado no meu quarto olhando para o teto, embora eu tivesse de ir para a escola. Meus pais estão viajando, então eles não precisam saber de nada. Eu estaria com a casa só para mim, caso ela não estivesse aqui.

– Soluço, por que você nunca vai à escola? – Anna perguntou com seu olhar inocente

Sim, é aquela Anna, a primeira e única. Há um mês ela está em minha casa, seguindo-me para qualquer lugar que eu vá, sorrindo como naquele outro dia. Eu já contei isso para algumas pessoas em quem eu confiava, uns acharam que eu era louco e outros, tiveram certeza disso.

– Soluço. – ela continuava a me chamar e eu continuava a ignorá-la – Soluço? – ela inclinou a cabeça para a esquerda e usou um tom indagado – Soluço? Você está acordado? – mais uma vez, eu não respondi. – Você dormiu? – ela perguntou, cutucando a sola do meu pé descalço, fazendo cócegas. Talvez eu esteja ficando louco. – Soluço! Fala comigo! Por que você não me responde? – seu rosto estava se tornando vermelho de raiva – Soluço! Fala comigo! Agora!

– O QUE É? O QUE VOCÊ QUER, CARAMBA? – esbravejei já sem paciência

– Nossa, Soluço, também não precisa gritar. É uma mania muito feia, sabia?

Assoprei minha franja para longe dos meus olhos, tentando não ficar irritado.

– Desculpe.

Ela sorriu em resposta. Tinha que ser aquele sorriso que sempre me perseguiu.

– Mas agora, falando sério, o que houve?

– Eu preciso de uma ajuda. – ela disse, porém, aquilo não era uma resposta específica. – Você pode chamar o Hiro, a Merida...

–... A Rapunzel e o Jack? – completei

– É. – por que tudo tinha que parecer tão simples para ela? – A gente também precisa de um...

– Desculpe, mas não vai dar.

– Por que não?

“Porque eu não quero mais olhar para a cara deles. Porque nós não somos mais amigos. Porque eu os odeio”.

Notas finais
E aí? Curiosos? Gostaram? Odiaram? Comentem! Beijinhos de luz :*