Não quero olhar para trás.
3 Capítulo 3
–Katee acorda! Filhaaa.
Abro os olhos lentamente e vejo a figura de minha mãe me balançando, ela usava um vestido azul florido, parecia muito mais jovem do que realmente era. Na minha juventude sempre me falaram que eu tinha os traços dela, mas eu nunca vi semelhança alguma, mamãe sempre chamou atenção com seus cabelos castanhos escuros e seus olhos brilhantes, olhando agora, consigo sim perceber que somos parecidas, e até me sinto feliz por alguns sempre terem achado isso. Digamos que na adolescência eu não era assim tão autoconfiante. Após me sentar e abrir os olhos completamente, vejo que o quarto já estava bem claro, as cortinas estavam totalmente abertas, isso me incomodou.
–Mãe! Fala sério, que horas são?
–Já são 10h30 Kate, você dormiu bastante. Venha, esperamos você para tomar café.
–Me espere lá em baixo, vou tomar um banho rápido.
–Ta bom Kate, não demora!
Assim que ela saiu fui até o espelho, meu rosto estava horrível, meio inchado por causo do choro, pelo menos mamãe não notou. Tomei um banho rápido como falei que seria, olhei pela janela e vi que estava um dia bonito de sol, daqui da vidraça conseguia ver quase toda a propriedade. Coloquei um vestido da cor pêssego, fresco, elegante e confortável, uma sandália com salto médio e passei um pouco de rímel. Saindo do quarto, aperto minhas bochechas para elas ficarem mais coradas.
Chegando na sala avisto meu pai. Estava sentando distraidamente, dava para notar que estava feliz. Paro e fico a observá-lo um pouco, seus cabelos lisos já indo para o tom branco, os olhos expressivos e azuis do qual puxei ainda eram os mesmo dos de quando era jovem, a postura sempre correta. Suspirei. E foi quando ele me viu, vejo-o se levantar e caminhar até mim.
–Bom dia querida, estávamos te esperando. –Ele diz sorrindo e me abraça. Como eu falei, meus pais são muito amorosos, não fazia idéia do quanto eu sentia falta deles.
–Bom dia pai, cadê a mãe? Vamos ir comer. –digo logo depois do abraço.
Encontramos minha mãe na mesa e nos sentamos, a mesa estava repleta de alimentos como sempre fora, como uma maça enquanto mamãe está falando sem parar algo como “Estou tão feliz que está aqui.” Ela continua falando, está falando de como algumas coisas mudaram enquanto estive fora, como se eu realmente quisesse saber. Soube também que minha amiga Liesel está quase se formando em medicina, fico feliz por ela. Outros passaram um tempo fora assim como eu, e tem alguns nomes que nem foram citados.
–Filha se lembra do Colin? Soube que ele voltou ontem.
–É claro que me lembro mãe. Colin era meu antigo vizinho, éramos inseparáveis quando tínhamos treze anos, porém, ele foi morar com a mãe e nunca mais nos vimos.
–Seis meses depois que você viajou ele voltou a morar com o pai, que por acaso se casou com outra mulher agora, o nome dela é Flávia Bithz, já que agora ela adotou o nome de casada. Um ano atrás Colin viajou também, e voltou ontem.
Sorrio. Eu estava realmente com saudades do Colin, estava ansiosa para vê-lo. -Que legal mãe. –digo empolgada e termino de comer. –Vou ir vê-lo agora mesmo.
–Vai lá querida. –minha mãe responde.
Passei em meu quarto e peguei o óculos de sol, agora já estou aqui na frente da casa de Colin. A casa dele é enorme assim como a minha, embora muito diferente, de um jeito mais intimidador, talvez eu ache isso apenas por não ser minha casa. Entro na propriedade e avisto um garoto loiro de costas sentando próximo da piscina, só podia ser ele. Ando até lá e já mais perto o chamo.
–Colin? –pergunto o olhando.
Ele se vira e me vê, e eu vejo ele, e não! É o garoto do aeroporto, o do chocolate quente, o dos óculos, como eu não havia o reconhecido antes? Ele me olhou e ficou com uma expressão de surpresa no rosto, o que logo passou, agora ele estava me olhando com uma expressão engraçada, como se estivesse curtindo uma piada particular.
–Kate. Quanto tempo. –Ele diz com um sorriso no rosto, ele está me caçoando com certeza, ele me reconheceu lá no aeroporto e não me disse nada. Ou talvez tenha dito e eu não ouvi. Mas como poderia telo reconhecido? Colin nem parece mais a mesma pessoa, ele está tão mais... Bonito, esta mais alto, os cabelos dourados mais charmosos e até o óculos está melhor agora.
–Colin... Eu não te reconheci no aeroporto. –digo entre pausas e agora quem está constrangida sou eu. – E você também não me disse nada.
–Bom, você não me deu nenhuma chance não é? –Ele diz com aquele sorriso brincalhão ainda no rosto.
Diminuindo a cara de surpresa e adotando uma expressão normal, digo.
–Pois é, me desculpe, estava meio estressada ontem. –sorrio para ele.
Ele riu e agora está vindo até mim, e ele é tão bonito. Da última vez que nos vimos ele estava chorando por nos separarmos, e ele era mais baixo do eu e agora ele está me abraçando forte e consigo sentir seus músculos, e está pelo menos uns 20 centímetros maior do eu.
–Kate, você está tão bonita. Eu senti sua falta. –Colin diz ainda me abraçando.
–Você também está... –Planejava falar mais coisas mais acabei de perder a voz. Ainda abraçando Colin vejo um homem sair da casa, ele era alto, forte, cabelos negros, intensos olhos verdes que agora não descruzavam dos meus, lindas maças do rosto. Ele era maravilhoso, parecia um ator, um deus grego. Eu já vi muitos homens lindos, só que este. Este me fez perder o ar. E enquanto ele chegava próximo a nós, soltou um sorriso, um sorriso que me fez derreter. E eu me perguntei o que é está acontecendo comigo? É este lugar com certeza, eu pareço ter 16 anos novamente, a muito tempo que eu não me abalo por coisas bobas assim. Colin se solta do abraço e olha para o rapaz, sem muita vontade ele diz.
–Kate este é Derek filho da nova mulher do meu pai. Derek está é Katherine, minha amiga e vizinha. Derek da um sorriso malicioso e me da um beijo na bochecha.
–Prazer Kate. Ele diz e eu me derreto totalmente por dentro, a voz dele, a voz dele é tão macia, tão bonita. Mas por fora continuo com a expressão implacável de pouco caso.
–Olá Derek. – eu respondo.
Colin está falando alguma coisa, mas não estou ouvindo nada, estou olhando para Derek, e ele está olhando para mim. Ele está com uma expressão divertida no rosto, como se soubesse que me afetou de alguma forma, e eu continuo com a minha expressão calma, olhando em seu rosto a procura de um defeito.
–Kate? –Colin me chama, olhando curioso.
–Hamm, o que foi Colin? –viro meu olhar para ele.
–Eu disse que tenho que fazer uma coisa inadiável agora, e perguntei se pode me encontrar a noite, as 20h. –Ele disse mostrando uma certa irritação.
–Claro Colin, as 20h. –sorrio e logo em seguida Colin sai e mesmo parecendo não querer ele me deixa sozinha com o Deus grego Derek, que por sinal ainda está sorrindo. Fala sério, a boca dele não dói não?
–Então, você já deve conhecer a propriedade né? Ou quer que eu te mostre?
A propriedade? Sim é claro que eu conheço, cada canto, como se fosse a minha casa, sinto uma enorme vontade de revirar os olhos, o que essa cara tava fazendo? A casa nem é bem dele.
–Já conheço. E você, mora aqui a quanto tempo?
–Dois anos mais ou menos. Já conheço bastante gente aqui.
E eu num súbito de curiosidade começo a perguntar.
–Conhece Liesel?
–Sim. –ele diz e da um sorriso malicioso. Aliás, todo sorriso dele parece ser pelo menos um pouco malicioso.
–Sofi? Natalie? James? Ian?...
–Todos.
Por algum motivo aquilo me irritou, ele conhece meus amigos, meus amigos que eu deixei a três anos. E ainda ta querendo me mostrar a propriedade? Respiro fundo.
–Não sabia que os Underwods tinham uma filha tão bonita. Você parece muito com sua mãe –Ele sorriu novamente.
Espera, ele está me cantando? Quero dizer. Já não basta isso tudo e ele ainda está me cantando? E falando da minha mãe? Esse garoto já esta me irritando.
–Pois agora sabe. –dou de ombros e dou um sorriso confiante.
Sem se afetar ele me diz.
–Acho que seus antigos amigos devem estar ansiosos para rever a modesta amiga deles. Nós vamos nos encontrar hoje as 19h30 você quer vir?
Modesta, essa é realmente a palavra que me descreveria para meus amigos à três anos atrás, será que eles iriam gostar dessa minha nova personalidade? Mas espera, ele falou antigos amigos?
–Eles não são meus antigos amigos querido. –arqueio a sobrancelha tentando olhar com desprezo. –Nós nos conhecemos deis de sempre, podemos ficar anos sem se falar, mas sempre seremos amigos.
–Se você diz. –Ele sorri, de novo? É.
–Então vai vir?
Penso um pouco e digo. –Vou.
–Ótimo. –ele me olha com um olhar de malícia. –Esteja pronta as 19h.
Ele falou mexendo os lábios lentamente e agora está vindo até mim, passou a mão em meu rosto e depositou um beijo em minha bochecha. E eu estou parada e sem palavras.
–Agora tenho que ir, até mais Kate. — Ele diz e sai logo em seguida, assim que ele sai volto ao normal e penso que sim, eu queria é ter dado um chute nele, esse idiota pretensioso, acha que é quem? Saio voltando para casa.
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