Não pare a Música

40 Capítulo 40 - Acerto de contas


Sasuke esticou o braço até a bolsa no chão para pegar o celular que tocava. Não chegou a conferir o nome de quem estava ligando, mas agradeceu quando foi a voz de Neji que se fez ouvir.

— Deu merda no desfile da Ino.

A voz estava longe, mas clara o suficiente para fazê-lo franzir o cenho com a notícia e coçar os olhos. Sentiu a mão de Naruto em seu cabelo em uma carícia e o encontrou sentado na cama com o notebook sobre o colo. Suspirou ao deitar de costas e apertar os olhos, sonolento.

— Que merda?

— Olha as notícias. Eu to tentando achar ela para conversarmos, e ela já viu os vídeos de hoje também.

Sasuke se sentou ao lado de Naruto e sentiu os braços o puxando para que encostasse em seu peito. Arrepiou-se com os beijos em seus ombros, o contato da pele quente com a boca de Naruto quase o fazia se distrair do telefone. Quanto tempo tinha dormido?

— Que horas são? — perguntou para Neji.

Quase sete. Tá onde? Em casa?

— Não — respondeu breve. — Me liga se achar a Ino, ok?

Ok. Ah e, Sasuke, eu acho que é bom você ir pra casa…

Suspirou.

— Eles já te ligaram?

Não, mas não precisa ser um gênio para saber como eles vão ficar quando souberem. E, falando nisso, te devo descul-

— Não deve — Sasuke o interrompeu. — Fez o que tinha que fazer, o que eu faria.

Ainda assim, não era meu direito contar.

— Você não contou.

Não queria complicar ainda mais isso tudo para você.

— Bobagem. Você sabe que, se tivesse me perguntado sobre o plano de vocês, eu teria concordado, não sabe? E vou ter que prestar a queixa junto para ajudar a garota. Então… você só me deu a desculpa para finalmente poder tentar contar para eles. Eu deveria te agradecer, mas, não quero estragar a nossa tradição, preciso manter a pose. — Deu de ombros, e Naruto riu anasalado.

Vai pra casa hoje? — Neji perguntou mais calmo.

— Vou. Eles chegam às dez hoje… Madara ficaria na boate à noite, mas… é, você entendeu. Vou esperar por eles em casa.

Alguma notícia da Sakura?

— Te conto assim que souber.

Naruto fechou o notebook e beijou Sasuke na têmpora antes de sair do quarto enquanto ele ainda conversava com o amigo. Em silêncio na cozinha, preparou um lanche e um suco para Sasuke enquanto a consciência pesava. Seu plano com Neji havia dado certo, mas eles não tinham sido cuidadosos o suficiente para evitar que outras pessoas fossem afetadas por aquela bomba. Sakura, Sasuke, os dois tiveram o mundo virado de ponta cabeça naquele dia, sem aviso prévio, sem que lhes dessem a chance de se preparar para isso.

Apertou o mármore da bancada enquanto respirava fundo. Deviam ter avisado Sasuke antes. Se ele soubesse com antecedência, teria outra reação, as câmeras não mostrariam seu choque ou o quanto aquilo o tinha perturbado. Já havia visto os vídeos que os alunos compartilhavam, o foco não estava em Sasuke, nem na câmera nem nos comentários daqueles que assistiam, mas quem conhecia Sasuke com certeza saberia interpretar a dor exposta, a postura afetada pela notícia.

Deixou o ar escapar de repente ao sentir os braços de Sasuke lhe circundando a cintura, o corpo recém desperto morno o abraçando trazia certa paz, e Naruto relaxou o aperto na bancada quando Sasuke apoiou o queixo em seu ombro.

— Eu sei o que está pensando, Usuratonkachi.

Naruto girou, sem sair do abraço, e apoiou as mãos atrás do corpo na bancada.

— Me desculpe por isso.

— Síndrome de herói que não consegue salvar todo mundo agora? — Sasuke arqueou a sobrancelha e Naruto o censurou com o olhar. — Naruto, vocês foram ingênuos demais se acharam mesmo que denunciar Orochimaru não chegaria a mim em algum momento. Quem quer que denunciasse aquele filho da puta, hoje, amanhã ou depois, traria à tona casos antigos. E… — Suspirou e deu de ombros. — Tanto meus tios quanto os meus amigos são espertos demais pra não ligar os pontos uma hora ou outra.

— Ainda assim, nós devíamos ter te contado antes…

— Quem solta uma bomba só tem controle do quando ela vai explodir, não sobre os estilhaços ou quem eles vão acertar. — Sasuke revirou os olhos. — Eu to bem. De verdade — acrescentou. — Mito vai chorar e querer botar fogo na escola, Hashirama também, mas vai precisar fingir estar calmo para controlar tudo, e…

— Madara vai matar Orochimaru quando souber. — Naruto o olhou preocupado, e Sasuke engoliu em seco e desviou o olhar.

— Não nego que ele pode mesmo tentar. Mais um motivo para eu ir pra casa.

— Impedir?

— Assistir. — Sorriu de canto.

— Sasuke! Não é hora para piadas.

— Relaxa, Naruto, deixa que eu lido com a minha família, ok?

Naruto estalou a língua no céu da boca e acabou por concordar com um bico nos lábios que deixava claro que não gostava daquela ideia. Era bonita a forma como ele se preocupava, Sasuke gostava de sentir aquele carinho, a vontade do outro de mantê-lo bem, Naruto tinha a forma mais doce e eficaz de fazer sua guarda baixar. Acariciou o rosto dele, sentindo nas pontas dos dedos a tensão de Naruto se esvair conforme se aproximava com o rosto inclinado para o lado e os lábios entreabertos.

— Vai me ligar se precisar, não vai? — Naruto sussurrou, e Sasuke assentiu ao deslizar os lábios nos dele. — Promete? — Sasuke assentiu de novo, e Naruto suspirou ao ter o lábio inferior preso e chupado com lentidão. — Se acontecer qualquer c-

— Ah, eu desisto — Sasuke o interrompeu e bufou ao sair de perto.

Naruto riu anasalado e segurou Sasuke pelo braço para puxá-lo de volta.

— Desculpe — pediu, ainda sorrindo, enquanto empurrava Sasuke contra a bancada e deslizava a mão para a nuca dele.

A boca de Naruto cobriu a de Sasuke antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, e era só daquilo que ele precisava. Necessitava daquele beijo para reunir coragem e ir para casa. Não estava preparado para a conversa que teria, sua mente criava rotas de fuga, uma atrás da outra, mas ele sabia que não adiantava mais fugir. E o abraço de Naruto enquanto o beijava o acalmava, desfazia os planos um a um e o assegurava em silêncio que ficaria tudo bem.

E foi com essa sensação de segurança no peito que deixou a casa dele. Fechou os olhos enquanto o táxi o levava para casa, as mãos apertando com força a mochila no colo, tentando se lembrar dos exercícios de respiração de yoga para se manter calmo. O celular não possuía nenhuma chamada, nenhuma mensagem dos tios, e isso era alarmante, até mesmo Shikamaru havia mandado uma mensagem para avisar que estaria em casa se quisesse conversar.

Parado em frente à porta de casa, xingou em voz baixa pela ansiedade. Três passos… foi tudo o que conseguiu dar para dentro da sala antes de Mito abraçá-lo com força. Deixou a mochila e a chave caírem, e só naquele momento, com Mito o puxando para seus braços em silêncio e acariciando seu cabelo, que percebeu o quanto queria e sentia falta daquele apoio da família.

Devolveu o abraço, tão desesperado que chegou a temer machucar a mulher que chorava. Tinha sido para ela que ele havia corrido depois daquele dia com Orochimaru, no colo dela que havia chorado e adormecido. Mito sempre tinha sido seu porto seguro, e como doía agora não ter contado tudo a ela desde o início.

— Me desculpa — sussurrou em um fraco fio de voz quando ela beijou seu rosto, quando sentiu as lágrimas dela contra as suas em seu rosto. — Me desculpa, mãe…

Mito apenas assentiu, com veemência, sem conseguir soltar Sasuke dos braços, sem conseguir falar qualquer coisa, ainda que quisesse, ainda que precisasse garantir àquela criança teimosa que ele não tinha culpa, que não tinha que se desculpar, que ela o amava acima de tudo e que ela, nem Hashirama nem Madara deixariam aquela violência passar sem que algo fosse feito a respeito. E haveria tempo para todas essas palavras, mas naquele segundo tudo o que ela queria era sentir o filho nos braços, era que ele se permitisse estar neles e a deixasse amá-lo, secar suas lágrimas, chorar com ele, compartilhar a dor daquela ferida.

Tinha sido tão grande o choque… Estava com Madara no quarto quando ouviram algo se quebrar na cozinha, a caneca de Hashirama estava em pedaços no chão, e Madara pegou rápido um pano para secar o café quente no braço de Hashirama, mas ele se afastou, fechou a tela do notebook com violência e socou a mesa algumas vezes antes de respirar fundo e apontar-lhes as cadeiras. Sentaram-se, confusos, e Hashirama abriu mais uma vez o notebook, iniciou o vídeo e se levantou, deixando-os a assistir enquanto ia para o quarto lavar o braço e trocar a roupa.

Não era possível dizer o que cada um pensava depois dos vídeos. Sentados em volta da mesa, Mito sentia que era apenas questão de segundos para um deles enfim explodir e acionar a detonação dos outros em sequência. Nem Hashirama nem ela escondiam as lágrimas, mas Madara as segurava na expressão furiosa, no riso histérico que cortou o ar.

— Kakashi vai ter trabalho dessa vez — falou, e Mito entendeu.

— Ele é um advogado bem caro — ela respondeu. — O mínimo que pode você pode fazer é fazer valer a pena esse dinheiro.

— Fica com Sasuke hoje, Mito? — Hashirama perguntou.

— Sim.

— Vou cobrar alguns favores então — Hashirama falou ao se levantar com o celular em mãos.

— Madara — ela chamou, e ele sentiu o aviso no tom dela. — Eu não vou estar com vocês, mas quero que esse desgraçado sinta como se eu estivesse — exigiu, e Madara se levantou com um sorriso perigoso, caminhou até ela e beijou-lhe a testa. — Você entendeu, não é?

— Não se preocupe, ainda lembro como seu soco dói.

— Façam bem feito.

— Não duvide disso nem por um segundo.

E Madara não estava brincando, não estava prometendo algo que não cumpriria, não estava apenas latindo. Aquele maldito professor havia feito algo a Sasuke, e ele nem ao menos sabia o que ou por quanto tempo. Seu chão sumiu ao assistir à reação do sobrinho, ao vê-lo vulnerável, ao imaginar por quanto tempo Sasuke tinha se obrigado a ficar calado para proteger um sonho, sofrendo sozinho, sendo obrigado a encarar o professor todo dia, semestre após semestre, ano após ano.

Ah, não… se já tinha raiva de Orochimaru por tê-lo visto cobrar de Sasuke mais do que o bom senso permitia em uma única aula, agora então aquele homem entenderia como era perigoso ser realmente odiado por alguém.

Da sala que dividia com Hashirama na casa noturna, podia ouvir a música alta, as vozes animadas, mas nada disso o distraiu do barulho da porta sendo aberta para que Orochimaru enfim entrasse.

— Boa noite. Você demorou. — Madara sorriu irônico, o corpo apoiado na mesa enquanto Hashirama permanecia sentado na poltrona.

Orochimaru olhou para a porta sendo fechada e para a mulher que se colocava à frente dela, a mesma mulher que o tinha abordado na rua horas antes junto com um grupo de pessoas que o tinham ameaçado e então o forçado a ir até aquele local.

— Aqui está o seu homem. Considere minha dívida com vocês paga, Madara — ela falou.

— Obrigado, Temari. Não se preocupe, dívida muito bem paga.

— Ah, e não matem esse lixo. Não quero ser cúmplice de um assassinato, nem consigo livrar a cara de vocês na delegacia se acontecer.

— Por que você acha que Hashirama veio junto? — Madara debochou. — Minha coleira está bem apertada, não precisa se preocupar.

Orochimaru arregalou os olhos, a mulher pareceu duvidar do que ouvia, mas apenas suspirou e deu de ombros.

— Bem, eu tenho um encontro. Limpem a sujeira depois.

— Mas do que vocês estão falando? O que tá acontecendo aqui? — Orochimaru gritou de repente, e Temari trocou um último olhar com Madara antes de Hashirama caminhar até ela.

— Mais uma vez, obrigado — Hashirama falou. — A gente assume daqui.

Temari não voltou a questionar, e Hashirama fechou a porta e a trancou assim que ela saiu. Orochimaru permaneceu atento, olhando de um homem para o outro. Madara… o nome lhe era familiar, o rosto também, mas não a memória falhava em dizer de onde. Até que ele desencostou o corpo da mesa, ergueu o rosto e lhe sorriu de forma arrogante e perigosa enquanto dobrava as mangas da camisa. Suou frio e sentiu uma vertigem antes mesmo do primeiro soco acertar seu rosto e jogá-lo no chão.

— Eu vou perguntar uma única vez, embora já saiba a resposta. Você tocou no meu sobrinho, não foi? — Madara perguntou, de pé, as mãos apoiadas no bolso da calça enquanto observava Orochimaru de cima.

Orochimaru tossiu, o gosto de sangue na boca pelo lábio machucado, o medo o fazendo buscar com os olhos a saída daquele lugar.

— Vocês não podem fazer isso! — desesperou-se. — Vão ser denunciados, sabem que não podem fazer isso!

Hashirama voltou a se sentar na poltrona enquanto Madara se abaixava para ficar na altura de Orochimaru.

— O que eu sei é que você é um professor sendo denunciado por abusar dos seus alunos, e que o meu sobrinho é um deles — Madara pontuou com frieza. — E que você entrou aqui, na minha boate, porque sabe que Sasuke vai te denunciar também e você quis me convencer do contrário, me comprar. E eu, bem, é uma boate, eu já havia bebido um pouco, bem mais do que normalmente devido às últimas notícias, sabe? E com toda essa história do meu próprio sobrinho, do meu filho, sendo abusado todos esses anos por um professor… eu perdi a cabeça. Agi sob efeito do álcool e forte emoção. O que acha? É uma boa história, não é Hashirama?

— Uma ótima história — Hashirama respondeu, sério. — Até porque as câmeras daqui vão mostrar você entrando de boa vontade aqui, ninguém vai acreditar se disser que te forçaram, tenho certeza de que Temari manteve uma boa distância ao te trazer, não foi? E que outro motivo você poderia ter com os pais de uma das vítimas, a não ser tentar convencê-las de não prestar queixa?

Madara sorriu ao olhar mais uma vez para Orochimaru e vê-lo se encolher.

— Não… nã-não, eu sou inocente, eu não fiz nada do que estão me acusando!

— Não acredito em você — Madara estalou a língua no céu da boca. — E você, amor?

— Nem um pouco.

— Vê? Não acreditamos em você. Além disso, nossa esposa mandou que te entregássemos os cumprimentos dela também.

— Não, por favor, não… eu-eu não toquei nele, eu juro… estão se arriscando por nada! Vocês não vão sair impunes disso! — Orochimaru se levantou, e Madara deixou que ele fosse até a porta e tentasse abri-la. — Abram a porta! Me deixem sair daqui agora! Vocês não vão sair impunes disso… por favor...

Madara riu, e Orochimaru sentiu a dor aguda do soco em seu estômago, da bile subindo à boca e o fazendo tossir violentamente em busca de ar.

— Não se preocupe comigo, por favor, eu facilitei ao máximo minha defesa pro meu advogado. — Madara prendeu o cabelo e estalou os dedos da mão direita ao erguer o rosto e fitar Orochimaru. — Preocupe-se só com você… Então, que tal começar a me contar exatamente o que você fez ao meu sobrinho enquanto ainda consegue falar?

* * *

Ino de despediu do pai e voltou para a lanchonete onde Hanabi, Gaara e Hinata a esperavam.

— Está tudo bem? — Hinata perguntou quando Ino parou ao lado da mesa.

— Sim, falei para ele que precisava de um tempo para respirar, mas que volto logo para casa. Isso também vai dar tempo para ele dar início ao processo contra as pessoas que me atacaram na internet.

— Você não ia esperar o vestibular para isso? — Gaara perguntou preocupado.

— E agora faz diferença? — Ela riu, sem humor. — A companhia já tá num caos, meus amigos na merda e eu nem sei como ajudar. E ferrei com o desfile e minha chance como modelo. — Ino respirou fundo. — Se a ideia era ficar na paz até as provas, falhei miseravelmente. E, também, percebi que não vale a pena manter essa história e ficar sofrendo quieta… — Ela olhou para Hanabi. — As pessoas que nos amam merecem saber a verdade, elas não vão nos julgar, vão nos ajudar e nós precisamos desse apoio. Uma hora, a gente precisa pedir ajuda.

Gaara olhou para Hanabi sem entender, e Ino tocou o ombro dele.

— Vem comigo pegar um sorvete?

— Ah, claro. — Ele se levantou. — Vocês querem mais alguma coisa?

Hanabi negou, e Hinata agradeceu. Ino sorriu quando ele passou o braço pela cintura dela e eles caminharam até a fila.

— Não acho que você acabou com sua carreira — Gaara a abraçou pelas costas.

— Tá de brincadeira né? — Ela riu. — Eu não se você viu, mas eu acertei um soco no Sasori.

— Um lindo soco aliás.

— Foi, não foi? Sasuke que me ensinou — ela comentou orgulhosa.

— Já salvei todos os vídeos desse soco que compartilharam na internet. — Ele sorriu de canto, e Ino gargalhou sem se segurar. — Mas, sério, não acho mesmo que arruinou sua carreira. Os comentários na internet, modelos e revistas, eles estão focando mais no seu discurso do que no soco.

— Sério? — Ela se virou para olhá-lo.

— Sim. Duvido muito que a Chunin te tire do desfile principal, a mídia não perdoaria.

— Mas Konan…

— Konan provavelmente concorda mais com você do que imagina — ela a tranquilizou. — Não se preocupe com a agência; já devia ter percebido que nesse mundo boatos, escândalos, tudo isso surge e desaparece na mesma velocidade.

Ino fez os pedidos à atendente e não demorou para que voltassem à mesa. Hinata estava com os olhos úmidos, o nariz avermelhado, assim como Hanabi, e Gaara franziu o cenho diante da cena.

— Nós já vamos indo na frente, tudo bem para vocês? — Hinata perguntou, e Ino sorriu compreensiva.

— Claro. Bom descanso para vocês.

Hinata se dirigiu à saída, e Ino viu Hanabi parar à sua frente e então abraçá-la.

— Parabéns pela coragem — Ino sussurrou. — Vai ficar tudo bem, tá?

— Obrigada, muito obrigada — Hanabi falou ao se afastar e limpar o rosto.

— A gente se vê na agência. Descansa. E, não se preocupe, eu vou quebrar aquele cartão de memória do Sasori. O que quer que ele tenha fotografado já era.

Hanabi sorriu ao assentir, e Ino acenou enquanto ela ia embora com a irmã.

— Eu vou entender o que aconteceu aqui? — Gaara questionou confuso.

— Infelizmente não — ela respondeu e pegou a colher para roubar um pouco do sorvete dele. — Mas não se preocupe, tá tudo certo agora.

Ele a observou, a mulher de postura forte que tentava não mostrar o quanto estava abalada e se esforçava para continuar sorrindo. Deslizou a mão pela mesa, e viu Ino morder o lábio antes de aceitar e apertá-la.

— Eu sei que você não está bem, Ino… Não precisa fingir… eu vi os vídeos.

— Dois dos meus amigos… — ela falou, e ele não precisou ouvir mais para entender. — E estou fugindo porque não sei como encarar nenhum deles… não sei o que sentir sobre isso além de desespero… Eu tentei ligar para Sakura, ao menos para ela porque… — Engoliu em seco. — Mas ela não me atendeu… deixei mensagens, várias, e ela não respondeu nenhuma. O Sasuke eu sei que pode contar com a família, mas e ela? Eu quero um tempo para pensar e me organizar emocionalmente para ajudar melhor eles, mas, ao mesmo tempo, sinto como se isso fosse uma traição, como se eu tivesse que estar lá, agora, para ajudar.

— Ino, a gente tem que estar bem para ajudar os outros. Você também importa, o seu emocional, a sua vida, os seus sentimentos, eles também são importantes — enfatizou.

— O que aconteceu como eles não chega nem perto do que-

— Não termine essa frase pelo amor de Deus — interrompeu-a, sério. — Nenhuma dor é menor que a outra, Ino. O fato de eles estarem sofrendo não muda que você também esteja, nem invalida a sua dor. Se você precisa de um tempo antes de falar com eles, tome o seu tempo. Vi seus amigos poucas vezes, mas você já falou tanto deles que eu sei que eles vão entender e que eles odiariam ouvir você falando assim.

Ela suspirou, e Gaara juntou as mãos dela antes de levá-las aos lábios.

— Preciso ir pra casa… — Ino lamentou ao ver o horário na tela do celular.

— Quer que eu vá junto? — Gaara perguntou, e Ino sorriu antes de se inclinar em sua direção.

— Já estamos na fase em que te apresento pro meu pai, é?

Gaara arregalou os olhos antes de desviar os olhos sem graça e rir.

— Só se ele não me perguntar sobre meu passado rebelde. Preciso terminar de conquistar a filha dele antes. Só por garantia.

Ino riu e entrelaçou os dedos nos dele.

— Eu vou adorar assistir o seu interrogatório. Vou me divertir com certeza.

— Vai assistir com balde de pipoca e tudo?

Ino sorriu e piscou antes de levantar.

— Você me conhece tão bem.

* * *

Já era quase de manhã quando Madara e Hashirama chegaram em casa. Hashirama deitou-se no sofá da sala, cansado demais para tomar um banho e sem querer acordar Mito e ter que explicar os machucados que ele e Madara tiveram que providenciar antes de irem para a delegacia. O boletim de ocorrência mais os exames de corpo de delito tinham demorado algumas horas, Kakashi tinha conseguido que fossem liberados, mas teriam que voltar na tarde do dia seguinte para maiores esclarecimentos. Mas, é, tinha valido muito a pena…

Madara passou por Hashirama, ainda não estava sóbrio, e chegar ao quarto de Sasuke mostrou-se quase que um desafio. Ainda assim, abriu a porta sem fazer muito barulho, as cortinas abertas deixavam que o céu a clarear já permitissem que ele enxergasse os detalhes do cômodo, e Madara suspirou ao ver Sasuke adormecido.

Sentou-se no chão, as costas apoiadas na cama dele, o silêncio sendo interrompido pela movimentação nos lençóis. Sasuke coçou os olhos enquanto escorregava o corpo pela cama e deixava-se sentar no chão ao lado de Madara. O braço do tio passou por seus ombros em um chamado, que ele não demorou a atender. Sentou-se entre as pernas dele, como fazia quando era criança, ignorou o cheiro forte da bebida, não questionou os machucados, e deixou a cabeça repousar contra o peito de Madara enquanto ele acariciava seu cabelo.

— Me desculpe por nunca ter entendido…

— Não quero que se culpem. Foi escolha minha esconder.

Madara negou com a cabeça e Sasuke sentiu a risada amarga vibrar o peito dele.

— No fim das contas, te ensinei a mentir bem mesmo, não é? — Madara ironizou, e Sasuke riu com ele.

— Você sempre foi o melhor pai para ensinar o que não prestava.

— Alguém tinha que ensinar. E Hashirama e Mito já tinham pego a parte chata da sua educação.

— Você entende? O porquê não contei...

— Quis proteger seu sonho.

Sasuke balançou a cabeça e sentiu o suspirar de Madara.

— Quero que me ouça bem, Sasuke, porque eu preciso deixar isso claro para que nunca mais tenha que esconder algo tão importante… — Madara falou, devagar, e Sasuke assentiu para mostrar que estava ouvindo. — Eu nunca vou te impedir de alcançar os seus sonhos, moleque. Nunca… Eu te tiraria, sim, daquela escola, revezaria com Mito e Hashirama para socar aquele filho da puta até não poder mais, mas nunca, nunca, destruiria seu sonho. O papel dos pais é fazer o possível e o impossível para proteger seus filhos e ajudá-los a alcançar seus sonhos. E eu acharia um jeito, criaria um se fosse preciso, mas jamais deixaria o seu sonho morrer. Nós faríamos qualquer coisa por você, moleque, qualquer coisa… Está me ouvindo?

Sasuke engoliu a vontade de chorar, assentiu com firmeza ao esconder o rosto no peito de Madara e suspirou ao ser abraçado.

— Nós vamos precisar ir à delegacia essa tarde, tudo bem? — Madara perguntou.

— Hoje? — Sasuke franziu o cenho e depois deixou um som de compreensão escapar. — Você foi atrás dele, não foi?

Madara riu anasalado.

— Não se preocupe comigo, pirralho, nem com Hashirama nem com nada. A gente já limpava nossa bagunça antes de ter que trocar suas fraldas.

Sasuke sorriu e fechou os olhos, ainda com sono.

— Obrigado…

Madara sorriu, apoiou a cabeça na de Sasuke e só se permitiu fechar os olhos e ceder ao sono quando percebeu que, assim como faziam quando Sasuke era criança, ele dormia encolhido em seus braços.

Notas finais
Meu deus, a fic no fim e eu chorando aqui por isso hahaha Não sei se faltam 1 ou 2 capítulos, sou péssima nessas contas, perdão :x Espero que tenham gostado ♥ Beijoss