Não pare a Música

34 Capítulo 34 - Marcas da alma


Ino não se mostrou surpresa quando Hanabi a evitou de todas as formas possíveis durante os ensaios e dentro da agência. E, sendo sincera, agradecia. Podiam dizer que era egoísmo, irresponsabilidade, mas era puro medo. Enquanto andava pela agência, sentia sobre seus ombros a sombra que vinha vencendo desde a adolescência, ouvia os sussurros da própria mente querendo lhe pregar uma peça, e os olhos cercados por um único padrão de imagem, um único padrão de beleza, não a ajudavam a se sentir melhor. Não podia falar com Hanabi, não era a melhor escolha para aquilo e definitivamente não estava bem para ouvir os argumentos dela… para rebatê-los… Engoliu em seco, estava com medo de concordar com Hanabi, embora, racionalmente, lá no fundo, ela soubesse de cor e salteado todos os motivos pelo qual não deveria.

Respirou fundo ao entrar no banheiro e jogou água gelada no rosto mais de uma vez. Neji tinha a aconselhado a falar com Gaara, a contar sobre Hanabi, mas não queria. Definitivamente, não queria. Por mais que Gaara fosse incrível, por mais que acreditasse que ele iria entender e ajudar Hanabi, ele não era uma mulher… ele não entendia o impacto do peso na vida delas, como tudo e todos pareciam conspirar para te lembrar sempre que você precisa emagrecer, que precisa caber em um tamanho que sabe lá quem decidiu que era o certo!

Gaara podia ser sua personificação de príncipe encantado, mas não era o bastante para entender a pressão com que elas tinham que conviver, ele não via os monstros contra quem elas tinham que lutar toda vez que se colocavam diante do espelho.

Ergueu a cabeça, algumas gotas de água escorriam pelo rosto sem maquiagem, e ela respirou fundo à medida que os olhos vagavam por cada detalhe de sua imagem. Endireitou a postura e pegou uma das toalhas de papel, secou o rosto sem perder de vista o reflexo e respirou fundo e soltou o cabelo.

— Carpe diem, Ino, carpe diem. Sai desse banheiro e arrasa, você está linda — falou firme, em voz alta e clara, e não se permitiu pensar uma segunda vez antes de sair porta a fora.

Seu salto fazia um barulho marcante a cada passo, e ela se concentrou neles, como se cada “toc” contra aquele piso caro fosse uma vitória, sua vitória. Juntou-se às demais modelos que Konan havia convocado, sentou-se em silêncio enquanto via Hanabi na primeira fileira. Konan estava impaciente, o vestido marcava a barriga dela, a gravidez visível, e Ino se sentiu mais segura por saber que ela não se afastaria da agência tão cedo.

— Chegaram todos? Falta alguém? — Konan perguntou, e o tom de apreensão fez Ino estreitar o olhar quando Sasori parou ao lado de Konan e outras duas fotógrafas. — Ok. Temos um problema, um pedido de última hora que não tivemos como recusar. Haverá um desfile e, por um erro da administração do cliente, não recebemos as informações a tempo. Ainda assim, é um cliente importante, uma marca mundial, a Chunin — ela falou, e Ino franziu o cenho quando quase todos os modelos ao seu redor começaram a sorrir, os sussurros extasiados precisando ser contidos pela mão erguida de Konan em um pedido de silêncio. — Sim, creio que todos conheçam a Chunin, uma marca que organiza desfiles com grandes estilistas, reúne figuras importantes da moda em seus eventos, que acabam sendo um grande, belo e atrativo booking para os modelos que participam. É uma chance sem igual para qualquer um de vocês, isso é um fato, muita gente consegue contratos únicos com estilistas famosos, e por esse motivo e alguns outros, nós aceitamos participar do desfile com os modelos que reunimos aqui nesta sala.

— Ah meu deus… — Ino ouviu alguém sussurrar em excitação.

— Nós seremos parte do desfile — Konan prosseguiu. — Outras agências também participarão, mas vocês dez foram os escolhidos para representar a nossa. Eu sei que a rotina de vocês é corrida, que a agenda é cheia, mas nós vamos trabalhar da melhor maneira possível para conciliar os trabalhos em que estão inseridos conosco e qualquer outro contrato que tenham fechado por fora. Receberão hoje a data do desfile, mas, desde já, aviso que teremos pouquíssimo tempo para ajustar os figurinos e treinar o desfile. Escolhi vocês pensando em tudo isso. São os que possuem mais experiência, que já conhecem os procedimentos — ela explicou e então seus olhos caíram sobre Ino ao sorrir. — Ou então os que possuem quase que um dom natural para cativar a plateia. Caso algum de vocês não queria participar do desfile, peço que me contatem ainda hoje, com urgência. Embora eu ache que isso… não vá acontecer, não é? — Ela sorriu animada, e os modelos riram como se a decisão final sobre o desfile já tivesse sido tomada ali. — Dito isso, estão dispensados.

Ino não se moveu. Mesmo enquanto os demais se levantavam e saíam da sala, ela permaneceu sentada como se suas pernas tivessem sido pregadas ao chão. Havia ouvido tudo, mas as palavras se encontravam paradas à porta do cérebro, esperando que Ino a abrisse para que fossem processadas com cuidado. Processar, checar, conferir, checar de novo. Tinha ouvido certo?

Era um desfile, um de verdade, com modelos famosos, com estilistas e fotógrafos conceituados. Não era uma campanha que ficaria em um site aqui ou ali, um vídeo que seria esquecido em alguns meses, não era algo fugaz. Era um desfile, um desfile com alcance mundial para o qual tinha sido escolhida por mérito.

Aquilo não era um engano, era? Há quanto tempo não era selecionada para o palco por mérito próprio, sem professores se colocando no caminho, sem favoritismos? Não… estava desacostumada demais a isso… àquela sensação absurdamente deliciosa de justiça, de esforço sendo recompensado!

Riu, um riso gradativo que começou nervoso e terminou com uma gargalhada gostosa que ela teria que conter com a mão à frente da boca, mas não quis. Saiu da sala renovada, o sorriso tão brilhante que era impossível que não percebessem sua felicidade.

Que notassem! Que vissem! Foda-se!!

— Isso tudo é pelo desfile? — ela ouviu Sasori perguntar quando passou ao lado dele. — Não fique tão animada. Você ainda tem que provar que não foi selecionada por ser o novo caso do bichinho favorito de Konan.

Ino riu, sem parar de andar, girou sobre o salto e andou de costas enquanto mostrava os dois dedos do meio para Sasori e sorria. Sem culpa, sem remorso, com uma sensação tão plena de liberdade que ela sabia que não era pelo desfile, mas pelo que aquela chance representava para si, para o seu futuro.

— Sabe… — Ela parou diante da expressão chocada dele. — Eu to tão feliz que nem você consegue mudar isso hoje. Por que não vai dar meia hora de cu em vez de ficar tentando foder a felicidade alheia? — Ela piscou e girou mais uma vez sobre o salto para correr animada para fora da agência.

Aquele era seu momento, e precisava comemorar.

* * *

Sasuke saiu da prova da faculdade sem acreditar que havia conseguido responder de modo satisfatório a maior parte das questões. Tinha se esquecido daquela prova e não acreditava nisso, era parte do seu cronograma ter estudado no dia anterior, mas quando não estava ensaiando, estava com Naruto, e Naruto era…

Mas que merda!

Passou o polegar pelo anel em sua mão. Havia encarado aquela aliança por algumas horas no dia anterior, e as outras tinha gastado tanto no sofá quanto na cama com Naruto, perdido demais nas sensações dos toques dele e nas emoções que o coração tentava assimilar. Pela manhã, não havia nem mesmo treinado, o celular tinha enviado um pequeno e nada discreto lembrete de que era aniversário de Naruto, e isso lhe rendeu alguns minutos a mais entre os braços dele, beijando-lhe o rosto enquanto Naruto abria os olhos sonolentos, sentindo o abraço apertar enquanto Naruto esfregava o rosto em seu pescoço e suspirava. O sorriso dele havia sido tão lindo quando lhe desejara feliz aniversário, que sorrir de volta, apaixonado, era inevitável. Os olhos fechados, o sorriso contente e surpreso, o carinho com o qual Naruto o envolvia ainda mais e lhe agradecia baixo, a boca já colada sobre a sua antes de beijá-lo… era uma combinação boa demais para que deixasse a cama por um treino ou livros velhos.

— Eu ofereceria um doce pelos seus pensamentos, mas você não gosta de doce, e, considerando o chupão que você mal escondeu antes de vir para a faculdade, estou com medo de perguntar — Shikamaru debochou ao se sentar ao lado de Sasuke na biblioteca e deixar um copo de café em frente ao livro que Sasuke lia. — Você demorou na prova.

Sasuke bufou e pegou o café com a mão esquerda enquanto deixava a direita sobre o colo, embaixo da mesa.

— Eu já vi. — Shikamaru revirou os olhos. — E você não tem motivo para esconder.

— Não to escondendo nada — Sasuke rebateu e passou a mão pelo rosto. — Odeio anéis.

— Eu sei.

— Odeio relacionamentos.

— Eu sei.

— Ele comprou uma aliança.

— Estou vendo isso.

— E hoje eu fui liberado do ballet, ele disse que queria me levar para não faço ideia onde, e eu aceitei. Caralho, eu conheci a mãe dele ontem! Eu não sou o tipo que se apresenta pros pais, Shikamaru! Eu nem sou o tipo de pessoa que namora!

Shikamaru arregalou de leve os olhos e suspirou, entediado.

— E por que não?

Sasuke riu sarcástico e ergueu a sobrancelha.

— Sério?

— Sério. Ele parece gostar muito de você. Qual o problema nisso? E você quer estar com ele, Sasuke, ou teria fugido no momento em que ele te deu o anel.

— Eu não teria fu-

— Sim, teria. Você sempre foge quando está acuado, Sasuke — Shikamaru pontuou impaciente. — Não vamos ter essa conversa de novo. Você está bem, está se sentindo bem com ele, ou não teria aceitado continuar. Você não precisa fugir, porque não está se sentindo acuado. Ele te faz bem, Sasuke.

— Mas não sei se eu faço bem a ele — respondeu baixo.

— Por que não deixa ele decidir isso?

— Porque eu não quero depois que ele se arrependa por ter entrado numa furada.

— Sasuke, mesmo que seja uma furada, o que eu não acredito que seja, ele entrou. E você também. Se der errado, vocês pelo menos tentaram e aproveitaram a parte boa. Você não pode decidir se afastar com medo de se envolver demais.

— Ah é? E por que não? —Sasuke perguntou frustrado, e Shikamaru sorriu de canto, os olhos felinos e astutos debochando de Sasuke.

— Porque… — Shikamaru se inclinou sobre a mesa e pegou a mão direita de Sasuke, evidenciando a aliança. — Você já se envolveu. Bem, eu tenho que ir, mas antes… quer um conselho? — perguntou ao se levantar.

— Qual? — respondeu a contragosto.

Shikamaru parou ao lado de Sasuke e lhe segurou o rosto com cuidado para beijar a testa dele com carinho, mesmo ciente da careta que o amigo faria pelo gesto em público. Afastou-se e acariciou o cabelo dele enquanto sugeria:

— Se permita. Ao menos dessa vez.

— Lembra da montanha russa? — Sasuke engoliu em seco. — Está me aconselhando a subir em uma sem trilhos. Não, obrigado, eu passo.

— Não, Sasuke — Shikamaru falou sério. — Estou pedindo que desça com as mãos erguidas, e não no freio. Você nunca vai sair dessa montanha russa se não deixar o carro ir até o final dos trilhos.

— E… se não der certo? E se, para mim — Sasuke o encarou, a boca seca, as mãos fechadas com força sobre a mesa.— Não existir um final?

— Eu tenho certeza que você e Naruto vão saber o que fazer, se for o caso.

Sasuke não respondeu e desviou o olhar, enquanto Shikamaru caminhava para fora da sala.

— Obrigado… pelo café — limitou-se a falar, e Shikamaru não se virou para acenar enquanto saía da sala de estudos.

Não houve pensamento algum pelos longos segundos que se passaram até que o celular de Sasuke tocasse. Naquele pequeno intervalo de tempo, tudo o que ele havia sido capaz de fazer era continuar parado, na tentativa de não permitir que a mente assimilasse a ideia que Shikamaru lhe havia dado simplesmente fingindo que não a tinha ouvido.

Mas ouvira.

O celular tocou.

O coração errou as batidas ao estender a mão ao aparelho.

As palavras entravam em seu organismo como a fumaça de um incêndio pela fresta de uma porta; no seu caso, pelas numerosas e significativas rachaduras que Naruto havia feito no muro frágil que construíra para se proteger.

Atendeu o celular ao mesmo tempo em que reunia seus pertences no automático. A voz do outro lado da linha era como sua sinfonia, Sasuke submergia em seus tons e deixava que ela o guiasse para fora da faculdade, corredor por corredor, degrau por degrau. O coração vibrava ao som do riso, e a pele se arrepiava sem que tivesse controle sobre isso quando Naruto falava mais baixo, em um tom que serpenteava entre mistério e provocação. Se fechasse os olhos, sentiria seu corpo inteiro sendo conduzido pelo outro, e a intensidade disso o assustava porque era fácil então acreditar nas palavras de Shikamaru, era fácil querer… tentar.

Não foi difícil avistar Naruto. O carro estava estacionado quase à frente da faculdade, mas foi o sorriso caloroso e animado que chamou sua atenção mesmo à distância. Ele acenava, e Sasuke se perguntou, perdido, por que seus pés não hesitaram, nem um pouco que fosse, antes de se apressarem até Naruto, por que nem ao menos cogitou afastá-lo quando as mãos em sua cintura o aproximaram do corpo apoiado na lateral do carro ou por que achou o beijo leve em seus lábios insuficiente...

— Uau… você está extremamente bonito. Acho que eu deveria ter me arrumado mais. — Naruto riu enquanto os olhos não se continham ao passar pelo corpo de Sasuke.

Sasuke podia sentir o olhar de Naruto como uma chave, soltava as trancas do seu corpo a cada parte que percorria e deixava um rastro incandescente que ele não sabia como apagar.

— Você não disse onde iríamos, então… — Deu de ombros, e Naruto sorriu antes de soltá-lo e abrir a porta do carro.

— Não seria surpresa se eu dissesse, Teme. Vamos?

— É seu aniversário, e eu que ganho uma surpresa?

— Foi surpresa o suficiente você lembrar e me acordar de manhã, Sasuke — Naruto falou, e a sinceridade e a simplicidade das palavras fizeram Sasuke desviar o olhar para entrar no carro. — Mas eu posso te dar uma dica… eu ganhei um presente interessante. E consegui te arrastar para ele. Aliás, acho que vai ser ótimo para você! Mas antes… vamos comer que eu to morrendo de fome.

Sasuke sorriu, incrédulo, e o dia passou como se não lhe pertencesse. Já era noite quando chegaram em um clube caro, com um pequeno chalé reservado como cortesia ao aniversariante. Naruto o puxava pelo lugar, a mão entrelaçada na sua enquanto contava animado sobre as mil coisas que se podia fazer ali, desde jogos, piscinas, massagens, etc. Aquela não era sua vida, aquela sensação plena de felicidade e calmaria não lhe era típica, não estava acostumado àquilo. E isso o deixava em alerta, desconfiado, como se a qualquer momento todo aquele sonho fosse se condensar em um pesadelo, como uma ilusão em um vidro fino que logo se partiria em mil pedaços.

— Sasuke? — Ouviu Naruto mais uma vez virou o rosto para olhá-lo.

Parado à porta de vidro do chalé observando a paisagem a fora, Sasuke esperava enquanto Naruto terminava de trocar as roupas. Suspirou com os braços de Naruto o envolvendo pela cintura enquanto o peito se colava às suas costas.

— Tá tudo bem?

Assentiu em silêncio, e Naruto sorriu quase de modo infantil enquanto abria a porta de vidro do chalé e descia os poucos degraus até a piscina aquecida a céu aberto. Havia quatro pequenas luminárias que iluminavam a área externa além da luz da sala do chalé, uma cerca viva floral ficava em volta da piscina, o aroma das flores se misturavam às essências que Naruto tinha adicionado à água e ao fundo ainda existia um discreto e harmonioso cheiro de terra molhada. Naruto se abaixou para colocar a mão na água, e Sasuke sorriu quando ele gemeu deliciado e retirou o roupão branco para entrar na piscina.

Sasuke revirou os olhos e caminhou devagar até onde havia um pequeno gancho para que pendurasse seu roupão.

— Sabe… eu aposto que eles esperam que você mergulhe pelado, Naruto — provocou enquanto se sentava à borda da piscina, e Naruto ria ao vê-lo com um dos shorts pretos curtos que usava para treinar, parecido com a boxer que ele próprio tinha mantido.

— Sendo bem sincero, Sasuke, eu aposto que é exatamente o que eles esperam que os clientes façam. Mas eu sou tímido. — Naruto riu pela mentira absurda e se aproximou, apoiou os braços nas coxas de Sasuke, fazendo com que o outro sentisse o calor da água em seu corpo, a palpável felicidade em seu olhar. — Eu já disse o quanto você é lindo?

— Já e não precisa repetir. — Sasuke corou. — Aliás, por que do nada está repetindo isso?

Naruto sorriu ainda mais, e Sasuke arregalou os olhos quando as mãos dele apertaram sua cintura e o puxaram com cuidado para a água. O corpo de Naruto colou-se ao seu, e Sasuke piscou aturdido quando sentiu os dedos dele contornarem seu queixo e desenharem as linhas de seu rosto com carinho.

— Porque agora eu posso — Naruto explicou, e era como se quilos não estivessem mais em seus ombros. — Eu morria de medo de você achar que eu… bem… — Riu, sem graça, e Sasuke engoliu em seco enquanto o olhar de Naruto o hipnotizava. — Que eu estivesse me envolvendo demais, e isso fizesse você se afastar… E eu não queria isso, então, tentei ir com calma. Eu sou afobado e meio impulsivo, eu sei — adicionou depressa. — Mas eu não queria mesmo que você me deixasse…

Sasuke perdeu o fôlego, conseguia sentir o coração acelerado de Naruto sob sua mão e a mente se negava a acreditar no que lia nos olhos azuis com tanta clareza. A carícia em seu rosto era quase que um anestésico, a voz de Naruto tão próxima também, mas Sasuke ainda estava consciente para sentir os lábios dele contra seu rosto, deslizando para sua boca em um leve encostar.

— Sasuke, eu…

Tremeu. Sasuke poderia jurar que suava frio se não fosse a água quente da piscina. Sabia as palavras pelas quais esperar, conseguia ouvi-las embora Naruto não as tivesse dito ainda. E não estava pronto, estava com medo. Não saberia responder, apesar de ter a resposta perdida em seu âmago, não saberia reagir, e isso machucaria Naruto, certeza que sim.

— Eu a-

— Não diga — sussurrou, os dedos trêmulos e molhados sobre a boca de Naruto. Respirou fundo para ter coragem de encarar o outro e acariciou-lhe o rosto com cuidado e desejando que a expressão confusa de Naruto não se tornasse pura mágoa. — Não ainda, não… agora… eu...

— O quê? — Naruto sussurrou, confuso.

— Me faça sentir…

— Sentir o que, Sasuke?

— Tudo…

Não existia mais palavras para responder àquilo, pelo menos não que Sasuke aceitasse, não que ele desejasse externalizar. Palavras tinham poder, ele bem sabia, e por temor, preferiu engoli-las a deixá-las sair. Porque palavras não tinham somente o poder de fazer um ato se concretizar, não, não… elas também bastavam para drenar sua coragem, para fazê-lo enterrar mais uma vez os pés fundo no solo e não se deixar voar no sonho em que mergulhava com Naruto.

Engoliu, sufocou, fingiu que as palavras nunca apareceram em sua mente e, como quase sempre acontecia quando estava com Naruto, preferiu trocar o pensar pelo agir. Fechou os olhos com a respiração de Naruto a acariciar seu rosto e passou os braços pelo pescoço dele. As mãos molhadas tocaram o cabelo loiro com lentidão, a mesma lentidão com que tocou a boca de Naruto com a sua.

As mãos de Naruto escorregaram por sua cintura até as costas à medida que o abraçava com mais força. O corpo dele era quente, mais que a própria água, e Sasuke arfou entre os lábios de Naruto quando foi pressionado contra os azulejos escuros. A coxa de Naruto estava entre suas pernas, sentia-se erguido por ela, e deixou o corpo inteiro à mercê do outro enquanto requisitava para si algo que nunca lhe devia ter sido negado: prazer.

Beijou Naruto como se sua mente nunca tivesse sido poluída por qualquer medo, por qualquer traição, por qualquer sujeira. Beijou Naruto como queria fazer, entregando-se de tal forma que o fôlego inexistente não o incomodava, nem mesmo o fazia cogitar por fim ao momento. Era mais que desejo, óbvio que sim, era a perfeita combinação entre desejo, confiança e amor.

Amava Naruto. E queria poder entender quando isso tinha acontecido, quando havia aceitado, quando permitiu que isso não mais o assustasse. Amava aquele pianista intrometido que parecia brilhar como o próprio sol e invadia o quarto escuro em que tinha se trancado. Queria se colorir em Naruto, queria que cada toque e beijo dele marcassem o seu corpo com a cor vibrante da vida que ele exalava. E, quando abriu os olhos, ébrio pelo gosto de Naruto em sua boca, seu coração, sua mente e seu corpo enfim pareceram entrar em acordo.

Naruto gemeu ao buscar a boca de Sasuke mais uma vez, beijos breves e molhados que os gemidos de Sasuke faziam Naruto distribuir não só mais à boca, mas ao rosto, ao pescoço… Olhavam-se, e era tão importante aquele contato… Havia algo diferente no ar, Naruto sentia, o modo que Sasuke o observava como se pudesse devorá-lo ao mesmo tempo em que se doava era hipnotizante e despertava em Naruto a fome por mais, por ver até onde era possível avançar.

Sasuke apoiou os dois braços na borda da piscina, a cabeça pendeu para trás quando Naruto segurou suas coxas e as apertou antes de lamber a linha média de seu peito até o pescoço. Segurou o cabelo dele e sorriu de canto antes de colar a boca no ouvido de Naruto:

— Me marque… o quanto quiser, Naruto, onde quiser.

Naruto se arrepiou, as mãos apertaram as nádegas de Sasuke enquanto chupava a pele do pescoço em deleite e lhe mordia o lóbulo da orelha de leve.

— Vai ser difícil esconder se eu marcar você tanto quanto eu quero, Sasuke — provocou. — Por mim, eu nunca afastaria minha boca da sua ou do seu corpo… Ah, você não tem noção do que faz comigo…

— Você me quer? — Sasuke sussurrou, e Naruto mordiscou o lábio inferior dele em seguida. — Então me mostre…

— Sasuke…

— Me mostra o quanto você me quer, me faça sentir tudo, até o fim. Você me quer, Naruto? Porque eu quero tanto você que não sei mais como ficar sem…

Naruto gemeu e beijou Sasuke enquanto esfregava o corpo ao dele sem qualquer resquício do controle que vinha mantendo durante todos aqueles meses. Não existia espaço algum entre os corpos para indecisão, nenhum dos dois hesitava. O som das respirações, dos ofegos e dos gemidos formavam uma melodia erótica, uma deliciosa composição a que Naruto amava adicionar mais notas ao descer a boca pelo abdômen de Sasuke e apertar-lhe a ereção escondida no short fino, e a que Sasuke não podia se negar a acompanhar. Não era uma dança, embora talvez fosse, afinal, de que outro modo seu corpo se encaixava tão bem nos movimentos de Naruto? De que outra forma se completariam?

Sasuke impulsionou o corpo para cima no exato momento em que Naruto apertou suas coxas e subiu as mãos para as nádegas para sentá-lo na beirada da piscina. Prendeu as mãos no cabelo loiro e se inclinou com urgência para beijar Naruto enquanto o short era jogado longe na água. A falta da água quente em volta do corpo nu fez Sasuke se arrepiar, mas ele tinha certeza que o sorriso predatório de Naruto era a causa verdadeira para aquela reação.

O descolar das bocas foi seguido pelo gemido que ele não quis reprimir ao ter o pênis ereto engolido por Naruto. Não existia mais frio, não existia mais qualquer coisa no mundo que não fosse o céu estrelado sobre sua cabeça e o calor da língua de Naruto a subir pela extensão de sua ereção antes de voltar a chupá-la.

Naruto respirou fundo em meio à afobação, passou a mão pelo cabelo para tirá-lo depressa da frente dos olhos enquanto a ereção deslizava entre seus lábios. Chupou, ao mesmo tempo em que as mãos colocavam as pernas de Sasuke sobre seus ombros. A água da piscina o incomodava agora, quente demais para um corpo em combustão. Lambeu Sasuke até não sentir mais nem sombra do gosto da água em que estavam e gemeu deliciado quando o gemido mais longo de Sasuke foi acompanhado pelo pré gozo. Apertou o próprio membro ao soltar o de Sasuke com um barulho estalado, soltou as pernas dele e apoiou os dois braços na borda da piscina para se erguer.

As mãos de Sasuke já estavam ao redor do pescoço de Naruto antes mesmo de ele terminar a subida, deixava que Naruto o movesse um pouco mais para trás, e acolher o corpo dele sobre o seu o fez sorrir ao notar que não tremia.

— Me beija… — falou ao segurar o rosto de Naruto entre suas mãos, sem dar chances da resposta ser algo além do que havia requisitado.

Naruto mal respirava, não queria gastar o fôlego com qualquer coisa que não fosse Sasuke. Sua pele estava tão atraída a do bailarino que eram como ímãs de polos opostos, a mínima distância os fazia reclamar entre o beijo, declarando inútil e desnecessário qualquer centímetro que evitasse o atrito entre os membros endurecidos, entre as peles em chamas, entre os corações acelerados e as respirações perdidas no intercalar de um beijo e outro.

Sasuke arranhou os ombros de Naruto quando os olhos se reviraram pelo prazer ao ter a mão do outro masturbando juntas as duas ereções. Água pingava do cabelo de Naruto, o rosto dele estava corado, os lábios entreabertos para puxar o ar e gemer baixo. Era como a imagem indecente de algum filme impróprio, quase o retrato de Eros ao tomar para si um amante em sua cama…

— Mais rápido... — pediu, necessitado, o calor do lugar o fazendo soar ainda mais urgente.

Naruto tremeu sobre seu corpo, a mão lambuzada bombeando as ereções, e Sasuke abriu as pernas para puxá-lo para mais perto antes de girá-los. Naruto não questionou, a surpresa nos olhos azuis morreu quando os olhos se fecharam pela onda de prazer que o fez apertar com força as coxas de Sasuke quando o sentiu mastubar os dois membros de maneira firme e rápida.

O cabelo de Sasuke estava molhado, e Naruto sabia que não era pela piscina. Os olhos negros o tragavam para o infinito que era a alma complexa e misteriosa do bailarino, e Naruto se deixava ir, ansioso por devorá-la, por consumi-la até seu último suspiro naquela dança regida pelo coração.

Gostava, demais, de como Sasuke o olhava naquele momento. Não entendia o que havia mudado, o que tinha acontecido, mas era como se finalmente Sasuke o olhasse por inteiro, como se não existisse mais nada entre eles, nenhum muro, nem mesmo o mais simples e insignificante tijolo.

Sentou-se, as mãos apertaram as bandas da bunda de Sasuke enquanto o beijava e esfregava seu membro entre o vão delas. E Sasuke gemeu, apertou seus ombros enquanto sorria ébrio e confuso e o ajudava.

— Confia em mim? — Naruto sussurrou, e Sasuke riu antes de lamber os lábios e sorrir de canto.

— Você já me bagunçou inteiro, Naruto… não pare agora.

— Eu não quero só te bagunçar, Sasuke — Naruto falou ao acelerar os movimentos, a insinuação o fazendo pulsar dolorido à medida que o desejo se intensificava. — Eu quero te virar do avesso, quero te fazer gozar como nunca gozou, com meu pau dentro de você enquanto geme o meu nome, alto, sem qualquer arrependimento…

Sasuke sentiu o arrepio subir da base da coluna até a nuca e, embora o corpo tenha se lembrado de ficar tenso pelo medo, a boca foi mais rápida em responder:

— Você quer? Então, vem… me mostre.

O macio dos lençóis da cama não demoraram a sentir o corpo de Sasuke sobre eles. A pele clara contrasta com os lençóis escuros, o cabelo se espalhava pelo travesseiro, e Naruto quis poder nunca esquecer o quão sedutora era a imagem de Sasuke daquele modo. Beijou-o, a mão revirava a gaveta do criado mudo com pressa e então jogava sobre a cama tudo aquilo de que precisariam.

Estava agitado, mais que o comum. Não era só sexo, sabia que não, e também não sexo com alguém habituado a isso. Sasuke não tinha experiência e, há alguns meses, ele havia lhe garantido que aquilo não aconteceria. Isso, de alguma forma, o fazia se sentir especial, como se Sasuke confiasse a ele algo importante. Não sabia se era tolisse sorrir verdadeiramente feliz por se imaginar correspondido, mas gostava da sensação e de como seu coração batia vibrante dentro do peito. Era um sentimento único, inédito, que o fez reavaliar todos os relacionamentos anteriores que havia tido.

Puxou Sasuke para o seu colo, as pernas dele deslizaram sobre as suas enquanto as unhas curtas subiam por seus braços. Beijou-o, na certeza de que nada em sua vida era mais revigorante que beijar Sasuke e senti-lo desmanchar sobre si.

— Eu te amo — sussurrou, impulsivo, e os lábios colando-se aos de Sasuke em seguida para ser obrigado a se calar.

Ouviu Sasuke gemer, ele o abraçou com mais força, e Naruto sentiu o momento em que ele saiu de seu colo. Abriu os olhos na incerteza e achou Sasuke se ajoelhando na cama, de costas para ele, o olhar baixo enquanto o espiava sobre o ombro, a decisão tomada.

Esticou o braço para que os dedos tocassem a base da coluna de Sasuke e se aproximou devagar, subindo o toque ao mesmo tempo em que beijava os ombros de Sasuke. Havia tensão, não como da primeira vez quando o tocou, mas semelhante. Por isso, tocou e beijou a pele sem pressa, o desejo evidente na vontade com que apertava e a sugava, mas sem apressar o deitar de Sasuke na cama.

Acompanhou o corpo dele, deixou-se sobre Sasuke sem que o peso o atrapalhasse e fez questão de beijá-lo quando o primeiro dedo lubrificado entrou nele. Ele estava nervoso, sentia, o corpo parecia rejeitar o toque, lutar contra, ainda que os olhos negros estivessem tão decididos quanto antes.

— Repete… — Sasuke sussurrou contra seus lábios, e Naruto os sugou antes de dizer:

— Amo você…

Amor era um conceito tão abstrato, mas com uma força tão avassaladora… Sasuke sentia isso porque acreditava em Naruto, porque aquelas palavras soavam tão doces e verdadeiras, livres de qualquer significado oculto, que ele acreditava sem ser preciso se convencer para isso.

Arfou, o gemido lânguido deixando os lábios quando dois dedos de Naruto encontraram uma parte esquecida em seu corpo. Apertou o travesseiro e se arrepiou ao ter suas pernas separadas mais um pouco, a movimentação dos dedos em seu interior fazendo com que perdesse o controle de sua voz. Doía, óbvio que sim, mas era bom… Era imprevisível também, mordia os lábios, mas era obrigado a parti-los e gemer sempre que Naruto acertava sua próstata, seu pênis queimava, e os quadris se erguiam livremente, na ânsia de intensificar fosse o contato do membro ereto contra os lençóis, fosse o vai e vem dos dedos de Naruto em si.

— Respira, Sasuke… — ele sussurrou, quente em seu ouvido. — Respira e abre pra mim...

Naruto o olhava, atento, como um expectador que observava admirado uma peça há muito esperada. O azul dos olhos dele brilhava, e a satisfação que via neles competia e perdia para o desejo. Era intenso, era estranho… sentia como se Naruto o visse como a pessoa mais interessante do mundo, se sentia importante para ele e, mais que isso, sentia-se vulnerável porque via que seu prazer agradava ao outro. E era perigoso perceber que desejava que Naruto o tocasse ainda mais vezes, ainda mais fundo, não só por sua realização própria, mas também porque queria mais daquele olhar sobre si.

Arregalou os olhos com as pernas trêmulas quando Naruto mordeu uma de suas nádegas, três dedos moviam-se em seu interior, sua mão já deslizava pelo próprio membro, o prazer o deixando aéreo à forma como ele próprio rebolava e pedia baixo por mais.

E Naruto atendeu. Retirou os dedos com cuidado de dentro de Sasuke e gemeu enquanto mordia os lábios pelo pulsar do membro ao separar as nádegas de Sasuke e ver o lubrificante brilhar ao redor do ânus.

Sasuke fechou os olhos e gemeu dolorido quando sentiu Naruto penetrá-lo. As mãos firmes em seus quadris o mantinham parado, e a ereção de Naruto entrava devagar, mas sem parar. Ardia, e seu corpo pareceu despertar da fantasia para tentar resistir. Sentiu as coxas de Naruto nas suas, o quadril dele contra seu, arrepiou-se quando o peito de Naruto colou às suas costas enquanto as mãos dele subiam por sua cintura, acompanhando o trajeto de seus braços para que os dedos se entrelaçassem aos seus. A respiração quente estava em sua nuca, junto dos beijos molhados e dos sussurros entrecortados pelos gemidos de Naruto. Pela primeira vez, sentiu que não era ele a tremer… e ficou curioso sobre como era tremer só e somente por puro desejo.

Abriu os olhos com a primeira estocada, o ar saiu de seus pulmões, e a língua vibrou ao encontrar a de Naruto. A segunda veio com um gemido, baixo, de desconforto e surpresa, de expectativa e medo, de fascínio pelo modo como Naruto parecia perdido nas próprias sensações. A terceira o fez abrir mais as pernas e erguer o corpo em busca do prazer que o fez cair de volta nos lençóis tão rápido que não soube explicar o que tinha acontecido. O gemido que escapou era irreconhecível aos seus ouvidos, era lânguido e carente, pegando Sasuke desprevenido e fazendo Naruto sorrir ao repetir o feito.

Pingava, sentia a própria ereção melar o lençol enquanto o corpo suado se esfregava ao de Naruto a cada estocada. Naruto o apertava, as mãos tocavam cada centímetro do seu corpo e o guiavam pela cama como a um boneco de cordas, um feliz pelo mestre que tinha. Deixava-se guiar, sedento pelo prazer que descobria a cada toque, a cada investida de Naruto em seu corpo, a cada sussurro de “eu te amo” que recebia ao ouvido. As mãos apoiavam-se na cama agora, em frente ao corpo ajoelhado enquanto Naruto ia e vinha dentro de si e o masturbava.

Os gemidos dele preenchiam não só o quarto, mas ecoavam dentro de seu corpo, de sua mente. A voz de Naruto penetrava até o canto mais escuro de sua alma, e Sasuke precisava ver isso, precisava enxergar o prazer nos olhos azuis, a perdição no sorriso quente, o amor que ele lhe confessava toda vez que Sasuke gemia mais alto em seus braços.

Rebolou contra o colo dele, praticamente sentado em Naruto e arfando toda vez que ele lhe erguia o quadril para voltar a enterrar-se em si. O coração batia rápido demais, quase tão rápido quanto o passar do tempo naquele quarto. Gemeu quando Naruto virou seu rosto para o lado e exigiu sua boca, segurou-se no braço dele e sorriu a cada som novo que roubava do outro.

— Quero olhar pra você — exigiu, e Naruto desceu os beijos por seu pescoço antes de parar os movimentos e se sentar na cama sem soltar sua mão.

Sasuke mordeu o lábio ao perceber-se puxado, as pernas uma de cada lado do corpo de Naruto, as mãos dele acariciando seu corpo antes de puxarem seu cabelo em meio ao beijo com que era provocado. Rebolou, sentindo a vontade de ter esfregar o pênis de Naruto no vale entre as nádegas e sorrindo embriagado pela forma desejosa que Naruto o observava.

Respirou fundo, os olhos fechados e a cabeça jogada para trás enquanto Naruto o penetrava. Segurou-se nos ombros dele, e o rosto se escondeu na curva do pescoço enquanto o cheiro de suor e sexo pareciam impregnados na pele de Naruto. Abraçou-o, marcou Naruto como ele havia feito com seu corpo, gemeu ao ouvido dele toda vez que o sentia ir fundo e o beijou perdidamente quando sua próstata foi acertada.

Havia perdido o controle de tudo, das três coisas que mais escondia e protegia de qualquer um. Naquele momento, tudo se resumia a Naruto, ao prazer que ele tatuava em seu corpo, ao amor com que segurava seu coração, e ao medo que espantava de sua mente.

— Não para, não ouse parar… — sussurrou com urgência, e Naruto assentiu ao segurá-lo mais forte, ajudando Sasuke a cavalgá-lo e a descer em seu membro com mais força.

Suas coxas ardiam, exaustas pelo subir e descer frenético contra o membro duro, e seus músculos todos clamavam por ar que ele lhes negava por preferir ocupar melhor a boca com os lábios de Naruto. Era bom, era gostoso, era a satisfação mais completa e plena que já havia sentido em toda a sua vida, e seus olhos perderam-se na órbita enquanto gemia quando Naruto fechou a mão em seu membro, masturbando-o desritmado, ambos afoitos e enlouquecidos pelo vislumbre do orgasmo próximo.

— Deixa vir, Sasuke — Naruto o beijou, breve, molhado, o polegar brincando com a glande enquanto Sasuke apertava seus ombros e rebolava. — Deixa vir tudo, goza, vem, goza pra mim…

Sasuke tremeu, e foi extasiante perceber que o tremor era pelo corpo a se contrair pelo prazer, pela eletricidade que disparava de um ponto ao outro e o fazia perder a cabeça, gemendo e buscando em Naruto algum apoio, algum alívio para aquela loucura.

A voz de Naruto ficou mais alta, os lábios vermelhos e inchados pelo que haviam feito atraíam os olhos de Sasuke, que não soube o que fazer quando o corpo convulsionou, quando pareceu que não era mais capaz de segurar o clímax e que explodiria. Gozou com violência, com o rosto enterrado no pescoço de Naruto, e as unhas a arranharem as costas dele enquanto gritava. Os quadris não paravam, moviam-se com fervor enquanto o sêmen sujava o abdômen de Naruto e escorria entre os corpos.

Sentiu Naruto arranhar seus quadris e gemeu, ainda entorpecido, pela pressa, pelo modo desesperado e desordenado com que o outro clamava por si. Sorriu deliciado pelo êxtase de Naruto ao atingir o clímax, apaixonou-se pelo som da voz rouca chamando seu nome, e admirou os olhos desfocados de Naruto enquanto ele tentava controlar a respiração. Sentiu os batimentos cardíacos dele só de encostar seu rosto à curva do pescoço e beijou com carinho a área, exausto demais para se mover.

Ta tum, ta tum, ta tum, ta tum… podia dormir ao som do coração de Naruto. Ta tum, ta tum, ta tum, ta tum… podia escutar as batidas dia após dia e nunca se cansar. Te amo, te amo, te amo, te amo… podia se lembrar com clareza da voz de Naruto sussurrando momentos antes…

Ta tum, ta tum, ta tum, ta tum…

— Sasuke? — Naruto chamou, baixo, a mão acariciando o cabelo de Sasuke antes de se afastar para encará-lo.

Ta tum, ta tum, ta tum, ta tum… seu coração parecia bater como o de Naruto, no mesmo ritmo, na mesma intensidade.

Ta tum, ta tum, ta tum, ta tum…

Selou os lábios aos de Naruto em um leve encostar, os batimentos repercutindo em sua mente e se condensando em palavras…

Ta tum, ta tum, ta tum, ta tum…

Naruto arrastou a boca por seu rosto, o beijo delicado em sua têmpora fez Sasuke fechar os olhos e, diante de tanto afeto, no meio de uma sensação tão inusual de segurança, não foi mais difícil deixar escapar por entre os lábios o que precisa tanto dizer.

Te amo, te amo, te amo…

— Te amo...

Notas finais
E aí, minha gente? Gostaram? Curtiram? Seguinte, aviso mega importante: eu tenho prova dia 02, 03, 09, 10 e duas no dia 11 de abril. Ou seja, to estudando que nem louca desde já. É provável que dia 05 não tenha capítulo novo por causa disso, ok? Depois volto normal ♥