Não pare a Música

20 Capítulo 20 - Bolha


As datas e os horários das audições eram diferentes para cada aluno e ano. O primeiro dia era exclusivo para os profissionais, e Neji teria sua vez à tarde, o quinto a realizar o teste naquele período, às dezoito horas. Diferente dos demais que ensaiaram para os dois papéis principais, ele focou-se apenas em um, conhecia seus pontos fortes e era muito melhor escolher o papel para o qual a coreografia lhe favorecia.

Eles eram proibidos de ver as audições dos outros participantes, ficavam todos reunidos nos camarins, alguns mais distantes que outros, uns em silêncio, outros com o fone vendo e revendo a coreografia, poucos rezando. Neji apenas fechou os olhos, a cabeça apoiou-se na parede e ele conferiu o relógio no pulso sem pressa.

Não adiantava ficar nervoso, já havia dado tudo de si nos ensaios e treinos, não havia mais nada que pudesse fazer naqueles últimos míseros minutos a não ser esperar e limpar a mente. Abriu o celular ao senti-lo vibrar, e não evitou sorrir discretamente com as mensagens de Sasuke mandando Ino deixá-los em paz e evitar os detalhes do último encontro com o fotógrafo. Não que isso fosse pará-la de qualquer forma, conheciam-na bem demais para saber que ela falaria daquilo a semana inteira ainda até que eles resolvessem realmente ouvi-la.

Sorriu maldoso ao digitar, o riso escapou baixo e até mesmo chamou a atenção dos outros no cômodo. Só Ino mesmo para conseguir fazê-lo rir naquela hora. Abriu o chat de conversa com Sasuke, o riso morrendo na hora enquanto relia a pequena explicação que o amigo havia feito sobre o que tinha acontecido com Ino no dia em que os dois faltaram e dois dias atrás quando ela também não foi à aula.

Madara e Inoichi abririam um processo contra dezoito alunos da companhia, mas isso só se tornaria público depois das audições, depois que o resultado saísse, para que Ino não perdesse nenhum papel caso passasse.

Era pouco. Para ele e Sasuke, aquilo ainda era muito pouco diante de tudo que aquela corja tinha feito Ino passar, pelo quanto que a tinham feito chorar, e Neji confessava que internamente desejava que Sasuke fizesse alguma coisa a mais… conhecia bem o amigo, Sasuke era uma pessoa que não media esforços nem tinha muita moral quando decidia se vingar, prova disso era que Neji não ficou muito surpreso quando soube da demissão das pessoas que lhe tinham cortado o cabelo. Sasuke era rancoroso e extremamente vingativo, e não que Neji também não o fosse, mas ele preferia deixar a fama para o outro sempre que possível.

Ouviu a campainha ressoar pelo teatro. Outra audição tinha chegado ao fim. Levantou-se, abriu o zíper do casaco e o tirou, ficou com o short preto e o collant de mesma cor e ajeitou as sapatilhas. Olhou-se no espelho para prender melhor o cabelo curto e saiu do camarim sem olhar para os demais. Parou na coxia, elevando-se na ponta dos pés com frequência enquanto esperava. Seu nome reverberou das caixas de som pelo teatro, e ele caminhou com calma até o centro do palco. Havia cinco avaliadores, sentados nas fileiras da frente; ao centro, Tsunade, diretora da companhia e madrinha de Sakura.

O que ela fazia ali? Aquilo era novo, normalmente Tsunade não participava das audições... Lembrava-se de dois dos outros quatro examinadores de outras audições e engoliu em seco, um deles havia feito questão de reprová-lo no ano anterior ao discorrer sobre o quão fria era sua expressão ao dançar. Respirou fundo e não pôde não se sentir um pouco melhor ao ver Naruto sentado de forma impecável frente ao piano, o sorriso aberto como se, por algum motivo, o estivesse apoiando.

— Neji Hyuga, vinte e três anos — apresentou-se em voz alta.

— Está aqui para tentar apenas Les Sylphides, correto? — Tsunade leu a ficha em suas mãos.

— Sim.

— Muito bem. Avise quando estiver pronto.

Neji fez uma breve reverência antes de assumir a postura inicial. As luzes da plateia se apagaram, o foco agora estava no palco, nele, e Neji respirou fundo e soltou o ar lentamente enquanto a música se iniciava.

Era o momento, o seu momento, e ele faria valer a pena cada segundo de treino e sacrifício. Que Sasuke o desculpasse, mas aquele papel era seu.

* * *

Ino suspirou, e Neji revirou os olhos pela terceira vez. Sentado no sofá com o notebook em seu colo, assistia a Ino bocejar enquanto batia a lapiseira no caderno. O relógio já marcava nove horas, estavam já ali desde que sua audição havia acabado. Tinha saído do teatro e encontrado a amiga sentada no capô de seu carro, sorrindo animada ao lhe perguntar como havia se saído. Depois disso, haviam ido para o pequeno apartamento que seu tio estava pagando por ser mais perto do ballet, dando-lhe a chance de aproveitar melhor o tempo, embora isso só significasse que teria que lidar com mais uma cobrança da família.

Ele se levantou quando o estômago roncou alto, uma rude lembrança de que ainda não haviam jantado.

— Vou pedir comida para a gente — anunciou, e Ino lhe sorriu, o desânimo pelo estudo sumindo no mesmo instante.

— Japonesa dessa vez! — ela exigiu. — To com saudades de temaki.

— Abusada — ele reclamou, sem de fato estar incomodado e rolando a tela do celular até achar o aplicativo.

Pediu a comida enquanto jogava as almofadas no chão ao lado de Ino e se sentava para pegar os livros de exercícios abertos sobre o tapete. Ainda não entendia como ela conseguia estudar sem uma mesa decente…

— Vai conferindo esses aqui de química. — Ela lhe deu outro caderno. — Esses aí eu ainda não conferi, preciso revisar os de física antes porque eu sempre erro alguma unidade.

— Ok.

Ela prendeu o cabelo no topo da cabeça, e Neji sorriu de canto ao tocar notar as marcas no pescoço que a maquiagem deixava de cobrir com eficiência.

— Quando vai ter outra sessão de fotos? — perguntou com falso desinteresse.

Ino mordeu o lábio e se remexeu inquieta, como se só estivesse esperando ele tocar no assunto.

— Acha que agi mal? — ela perguntou o que tanto vinha martelando sua cabeça.

— Por que teria? — Neji devolveu a pergunta com calma, a atenção voltada ao caderno e às contas.

— Não sei, parece errado me preocupar com Gaara quando a minha audição é amanhã e o vestibular no fim do ano. Sem contar os outros problemas… — Ela suspirou, e Neji ergueu a cabeça para encará-la.

— Sabe o que eu fiz ontem, mesmo com audição hoje?

— Dormiu a tarde toda?

— Eu acordei cedo, sai com Ten-Ten e fui numa festa infantil com ela e o filho dela. Passei parte da manhã, almoço e a tarde cercado de crianças que queriam que eu colocasse um chapéu de bruxo mal enquanto Ten-Ten seria a guerreira que resgataria o aniversariante. A gente dá o sangue nisso, Ino, treinamos seis vezes por semana e aguentamos mais do que devíamos de professores e coreógrafos, se a gente não se distrair um pouco de vez em quando, vamos enlouquecer. Ninguém aguenta, você sabe disso. Até mesmo Sasuke saiu para beber com Naruto, e Sasuke é o mais neurótico entre nós. O mundo não vai acabar por você se agarrar com seu fotógrafo de vez em quando; só não aconselho fazerem isso na agência no meio de um ensaio.

— Não é como se tivéssemos planejado também… — ela resmungou sem graça, e Neji revirou os olhos. — Tá legal, eu entendi, não vai acontecer de novo.

— O que não significa que você não quer, não é?

Ino riu, alto, puxou uma das almofadas para o colo e a abraçou.

— Quero. Demorei demais para tomar uma atitude, e, uau, ele é tão lindo e tão carinhoso e-

— Se você começar com isso, vai ter que pedir pro Shikamaru te ensinar física hoje — Neji a cortou com uma careta de desagrado. — E você demorou mesmo. Pelo jeito que ele tava te olhando por todo esse tempo, estranhei você não ter tentado nada.

— Você vê coisas demais, Neji, queria ter esse dom.

Neji até pensou em rebater e explicar o quanto Gaara parecia um idiota enquanto olhava para ela no dia da entrega do booking, mas desistiu, Ino acharia que ele falava aquilo por pena, para fazê-la se sentir melhor depois de tudo. Era mais fácil deixar Gaara agir sozinho, afinal, assim Ino notaria aos poucos quanta admiração havia no olhar dele quando a observava e o sorriso discreto que escapava da expressão séria quando a via rir contente.

— Quer saber? Fecha isso — decidiu de repente e tomou os livros da mão de Ino. — Vai no meu quarto e vê se tem alguma roupa sua; se não tiver, vamos passar na sua casa depois de comer.

— Quê? Por quê?

— Vamos sair, vai ver se tem algo aqui enquanto vejo se Sasuke e Sakura vão junto.

Ino sorriu e se levantou de súbito, beijando o rosto de Neji audivelmente enquanto comemorava.

— Não vale voltar atrás! — gritou enquanto sumia pelo apartamento.

Neji suspirou e digitou rapidamente para os amigos. Sasuke daria alguma desculpa, tinha certeza. A audição de Ino era no dia seguinte e a de Sasuke no outro, à tarde, um dos últimos a se apresentarem, ele nunca que aceitaria sair quando devia estar se matando de treinar. Teria de convencê-lo, ou apelar para alguém que pudesse.

Digitou primeiro para Sakura e pediu que ela convidasse Naruto. Alguns diriam que ele jogava baixo, mas a verdade é que ele só sabia como jogar bem, afinal, se Sasuke precisava de um motivo para ir, não era muito difícil achá-lo. Não esperou Sakura confirmar a presença de Naruto antes de ir convidar Sasuke e, caso Naruto não fosse, podia apenas dizer que ele teve um imprevisto e desmarcou, não importava. Assim como esperado, o famoso “não” se tornou um “vou ver” após citar o nome do pianista.

Sasuke estava tão previsível…

— Achei! — Ino gritou de longe.

— Vai tomando banho primeiro, eu espero a comida chegar — respondeu e voltou a analisar os exercícios dela enquanto isso.

Já tinha passado por aquela fase de vestibulares e se lembrava com certa raiva das provas, havia sido tão estressante. Mas Ino estava se saindo melhor, os erros diminuíam conforme ela estudava e fazia aquele maldito caderno de questões como Shikamaru havia aconselhado. Vestibular, ser modelo, ter a chance de conquistar um papel principal e agora o fotógrafo… ao mesmo tempo em que agora sabia dos ataques na internet. Havia tanto em jogo ao mesmo tempo que ele não fazia ideia de como ela conseguia manter a energia e o bom humor.

Passou a mão pelo cabelo, curto ainda, e suspirou. Estava com um péssimo pressentimento sobre as audições de Ino e desejava do fundo do coração estar errado…

* * *

Sasuke ignorou a surpresa de Hashirama e a sobrancelha arqueada de Madara enquanto subia as escadas da boate com Ino falando animada com Sakura. Acenou com a cabeça para eles e seguiu, continuou o caminho com os amigos enquanto os olhos tentavam ser discretos na busca que faziam pelo espaço. Não admitiria nem sob tortura que só havia aceitado estar ali porque Neji tinha lhe dito que Naruto ia, assim como não podia voltar atrás depois de Sakura ter dito que Naruto não havia respondido sua mensagem, mas que ela havia deixado o endereço de onde estariam.

Queria matar Neji por o ter enganado, queria matar Sakura por ter colocado no chat de mensagens as fotos dele com Naruto no teatro dias antes e queria fingir não se irritar com Ino toda vez que ela falava da maldita mão de Naruto em suas costas ou da proximidade deles nas fotografias. Mas era difícil, muito, ainda mais com Neji sorrindo discreto como se pudesse ler cada pensamento assassino que passava em sua cabeça.

Sentou-se no sofá enquanto Neji acompanhava Ino ao bar e Sakura vinha se sentar ao seu lado.

— Você está bem? — ela perguntou, e Sasuke apenas deixou a cabeça pender para trás no estofado em silêncio. — Achei que não fosse vir — falou, e Sasuke estreitou o olhar, irritado, enquanto ela ria por conseguir a atenção dele. — Ok, já entendi que seu humor está péssimo hoje, mas quem armou isso foi o Neji, não eu, então não adianta fazer essa carranca pra mim. Eu sei que não é o melhor lugar, mas eu queria falar com você, faz tempo que não conversamos direito.

As mãos dela estavam sobre a mesa, brincando com o celular, e havia certa ansiedade nos olhos verdes que não condiziam com o tom calmo da voz dela.

— Podemos sair depois da audição? Somos um dos últimos mesmo, podemos ir comer alguma coisa ou sei lá — ela sugeriu com falsa casualidade.

— Está com problemas? — perguntou direto, e ela olhou na direção do bar antes de suspirar.

— Não, eu n-

— Sakura, não mente, você é péssima nisso.

— A gente pode ou não conversar depois da audição? — ela perguntou firme, mais alto que antes, e Sasuke franziu o cenho para a urgência com que aquele pedido havia saído.

Ouviu a voz de Ino se aproximando e encarou Sakura ao concordar. Ela lhe sorriu com certo alívio e tratou de mudar o assunto quando os amigos se sentaram com as bebidas em mãos:

— E então? Qual o evento para estarmos todos aqui hoje?

— Descansar. — Ino sorriu e cruzou os braços na mesa. — E eu não aguentava mais fazer contas… sério, como vocês aguentaram cursinho?

— Desculpa, não fiz — Neji provocou, e Ino bufou enquanto Sakura revirava os olhos.

— Psicóloga uma vez por semana no começo, duas vezes no final do ano no final — Sakura massageou as têmporas. — Vestibular é uma bosta, mas você vai passar esse ano e por fim nesse sofrimento.

— Eu juro que, se tiver que passar mais um ano ouvindo sobre padrões geomorfológicos ou pêndulos, eu cometo um assassinato.

— A gente veio aqui para falar de cursinho? — Sasuke resmungou, e seu humor piorou quando viu Neji sorrir e piscar para Ino.

— A gente veio aqui para relaxar, você veio para ver o Naruto. Não é nossa culpa se ele não confirmou. Ele respondeu, Sakura?

— Ainda não, mas o sinal aqui está ruim, não sei dizer. — Ela franziu o cenho para o celular. — Vocês chamaram mais alguém? Porque, se eu for a única solteira dessa noite, vou socar a cara de vocês.

Neji apenas negou com a cabeça, e Ino sorriu de repente ao pegar o celular.

— O que está fazendo? — Sasuke a olhou com curiosidade, e Neji se esticou para ver a tela do celular e balançar a cabeça incrédulo.

— Se você pode chamar o Naruto, eu posso chamar o Gaara. — Ela deu de ombros.

— Acha que ele vem nessa chuva? — Sakura perguntou animada.

— Ele.... vem! — Ino mostrou a tela do celular e sorriu vitoriosa. — Ah, caralho, ele vem!

— Boa sorte. — Sasuke revirou os olhos.

— Eu vou dançar. — Neji terminou de beber o drink e estendeu a mão. — Alguém? Sasuke? Não vai adiantar ficar aí a noite toda.

Sasuke respirou fundo, bebeu o drink de uma vez e se levantou de modo mecânico. Deu a mão para Neji e deixou que o amigo abrisse caminho entre as pessoas até o centro da pista.

A música alta do dia era agradável, mas Sasuke sabia que seu mau humor não o deixaria aproveitá-la corretamente. Sentia sua cabeça pesada, seu corpo dolorido, cansado. A postura relaxada de Neji havia ficado na mesa, ele estava sério agora à sua frente, a mão ainda junto da sua enquanto começavam a dançar devagar.

— Você não está bem, esse não é o seu mau humor usual — Neji pontuou.

— Não quero falar.

— Você não anda falando muita coisa. — Franziu o cenho.

— Preocupado, é?

— Sasuke, não começa com a ironia, isso não me engana.

— Neji, você vai saber se algo importante acontecer.

— Que nem eu soube dos ataques contra Ino?

— Fale com ela, não comigo.

— Ah, claro. — Neji riu com sarcasmo. — Faça como quiser então.

Sasuke não respondeu, não queria se estressar com aquilo; para ser sincero, sentia-se sem energia até mesmo para rebater as acusações de Neji. Havia sido uma péssima ideia ir ali, não tinha cabeça para aquilo. Afastou-se de Neji com um suspiro pesado e ignorou quando ele chamou seu nome. A boate estava lotada, tinha vontade de gritar para que lhe dessem espaço, a música se tornava gradualmente desagradável, apenas um barulho incômodo a agredir seus ouvidos. Ser empurrado de um lado para o outro não ajudava, cada vez que isso acontecia era como se derrubassem um pouco de sua paciência. Respirou fundo e levou a mão à cabeça enquanto se controlava. Estava cansado, física e mentalmente, quase cedia e se sentava ali mesmo, sem vontade de lutar contra aquela multidão que o separava da saída.

E não seria má ideia… pelo menos, não parecia. Os últimos dias haviam sido… um inferno. A impressão que tinha era que estava em uma luta constante contra a própria mente e corpo. Os treinos não ajudavam, a lesão do joelho não o deixava mais levar o corpo à exaustão de modo a ignorar os pensamentos que vinham conforme dançava, a música agora trazia a lembrança de Naruto e isso lhe deixava em xeque, fazendo-o simplesmente parar de dançar e se amaldiçoar em voz alta.

Não dormia. Estava sendo uma tortura se deitar e não conseguir dormir ou acordar suando frio durante a madrugada. Até mesmo se sentar para analisar os documentos da boate com Madara às duas da manhã já havia feito, qualquer coisa que o impedisse de ficar a sós com os próprios pensamentos. O número de Shikamaru estava ali, na discagem rápida, e ele chegou a ligar uma única vez, mas desconversou assim que foi atendido. Neji estava certo, fazia tempo que não falava, as palavras se acumulavam em seu cérebro, empurravam-se de um lado ao outro como se disputassem o primeiro lugar da fila para serem vomitadas assim que ele ruísse e as colocasse para fora.

Cobriu o rosto com as mãos e respirou fundo conforme sentia o coração entrar em pânico. Olhou ao redor e empurrou as pessoas sem educação alguma para conseguir chegar até as escadas que o levariam ao terraço onde a área de fumantes ficava. Duvidava que alguém estivesse ali por causa da chuva, mesmo que agora fosse apenas uma garoa chata. Fechou a porta e não se incomodou com a água a cair, quase desejou que a chuva voltasse, não se importaria de deitar naquele chão e deixá-la bater em seu corpo até que não pensasse em mais nada além do frio invadindo os ossos.

Virou-se para espiar a porta enquanto andava até o centro do lugar, conseguia ouvir a música alta dali e foi assim que soube que ninguém o ouviria gritar. Gostava daquela sensação, de ser isolado pela música e estar sozinho mesmo que há alguns metros houvesse dezenas de pessoas. Era como uma bolha, uma fina bolha de notas que vibravam ao seu redor e que o permitiam então gritar.

A voz veio de dentro, batendo contra os limites do peito e sendo empurrada garganta acima. Os olhos se fecharam, e o corpo inclinado para frente foi se erguendo à medida que o grito se exteriorizava. Arfou, sentiu a garganta arder, levou a mão aos olhos e quis se sentar ali mesmo no chão molhado. Contudo, sobressaltou-se quando uma mão se fechou em seu braço e o impediu de fazê-lo.

Respirou fundo, torcendo para que não fosse Madara, Mito ou Hashirama, não tinha forças para mentir mais para eles, entretanto, ao se virar, desejou que tivesse torcido para também não ser Naruto…

Os olhos azuis o observavam em choque e preocupação, e Sasuke não reagiu ao vê-lo retirar o casaco e jogá-lo sobre sua cabeça enquanto o puxava para a área coberta do local.

— Você está bem? Sasuke!

Por que ele estava ali? Por que ele tinha que estar naquele lugar consigo? E por que a merda do seu coração batia aliviado por o ter tão perto? Fechou os olhos, não queria pensar, a mão de Naruto em seu rosto era quente, o toque dele era bom… sabia que ele ainda falava, mas não conseguia prestar atenção, o som da chuva era suave e parecia mais correto apreciá-la. Deixou o ar sair dos pulmões, e a cabeça se inclinou na direção de Naruto naturalmente, como se repousá-la no ombro dele fosse o certo a se fazer.

Não errara. Sentiu certa satisfação quando os braços dele o rodearam, era melhor do que a bolha em que estava se isolando, o corpo gostou do calor que vinha do outro e a mão em seu cabelo certamente era bem-vinda. Quis ficar ali, com a estranha sensação de que aquele pequeno abraço lhe era um lugar seguro onde poderia permanecer. Sentia o coração de Naruto contra seu corpo, e um sorriso convencido lhe marcou a face ao percebê-lo acelerado.

— Me beija — pediu, mas a mão no queixo de Naruto e a boca a buscar a dele não davam ao outro muita opção.

Beijou-o, com um desespero que Naruto não entendeu, mas também não recusou. Sasuke precisava dele, do gosto do beijo dele, da pressão das mãos em suas costas, da respiração quente em seu rosto. Simplesmente, precisava de Naruto para acalmar o caos que tinha se desencadeado nele. Estava fora de si, sabia, estava sóbrio, mas a mente conseguia ficar ébria apenas com a forma lenta e intensa como Naruto o conduzia. Suspirou de prazer quando sentiu seu lábio entre os dentes do outro e arranhou-lhe o pescoço ao subir as mãos para os cabelos loiros.

Naruto arfou. Sentia o corpo de Sasuke tremer de leve e diminuiu o beijo enquanto bloqueava o vento gelado. Precisava tirá-lo dali, sentia as roupas dele pouco úmidas, mas se expor daquela forma à chuva naquele clima não era a melhor ideia para quem se apresentaria e poucos dias. Sasuke queria ficar doente por acaso?

Segurou-lhe o rosto entre as duas mãos, a boca de Sasuke voltou à sua em uma cobrança repleta de desejo e foi difícil se afastar. Respirou fundo, tocou a testa de Sasuke com a sua ao separar os lábios e encostar o indicador nos dele.

— Precisa sair desse frio, Sasuke — sussurrou, rouco, e Sasuke balançou a cabeça em negação.

— Não quero voltar lá embaixo.

— Não pode ficar aqui em cima também, está frio, e você, gelado. Sua audição…

— Não fale nisso — Sasuke pediu em um fio de voz, os olhos fechados com força.

— Sasuke…

— Me leva pra sua casa. Só não quero ficar lá embaixo, não suporto aquele lugar, não hoje…

Naruto assentiu, incerto, arrumou o casaco ao redor de Sasuke e passou o braço pelos ombros dele enquanto desciam as escadas. Aquilo definitivamente não era o que esperava para aquela noite… Esperava encontrar Sasuke animado, ou algo próximo disso considerando a personalidade fechada do bailarino, esperava algo próximo de quando haviam saído pela primeira vez, e só o céu sabia o quanto tinha ficado assustado ao ouvi-lo gritar naquele terraço. Aquele grito entrou em seu corpo como um alerta, acordando cada célula e o fazendo sair da inércia para tirar Sasuke daquela chuva qualquer que fosse o motivo que o levara ali. Era dor, era frustração, era raiva, não fazia ideia ao certo do que aquele grito queria transmitir, mas tinha sido o suficiente para querer puxar Sasuke para si e não soltar mais.

Atravessou a multidão sem soltar-lhe a mão, viu Sasuke sinalizar para os seguranças e caminhou até o carro com certa pressa, a chuva voltava a engrossar, e isso o fez olhar mais de três vezes para o bailarino enquanto atravessavam a rua. Destrancou o carro e ligou o ar quente, viu Sasuke afundar no banco e fechar os olhos e se inclinou para secar a gota teimosa que escorria pelo rosto dele. Viu os olhos negros se abrirem, encarando-o, calmos, tristes, como uma noite coberta de nuvens que ocultavam suas estrelas.

— O que houve?

— Só estou cansado.

Não acreditou, havia muito mais no olhar caído, na voz passiva e na postura relaxada, porém não o desmentiu, aproveitou-se para passar o cinto pelo corpo dele e ligou o carro. O caminho foi silencioso, chegou a pensar mais de uma vez que Sasuke dormia e só soube que não pelo riso baixo que ele deixou escapar ao lhe pegar o encarando demais.

— O semáforo já abriu, Dobe — ele falou, o sorriso de canto presente enquanto Naruto sentia o rosto quente e voltava a prestar atenção no trânsito.

Chegou em casa rápido, desligou o carro e viu Sasuke o acompanhar em silêncio. Acendeu as luzes e trancou a porta, caminhou até Sasuke parado no meio da sala e tocou o cabelo dele com uma expressão de desgosto.

— Toma um banho quente, vai ser péssimo se você pegar uma gripe agora dois dias antes de se apresentar. Tem toalha limpa no armário do banheiro e minhas roupas podem ficar um pouco largas, mas servem. Está com fome?

— Não. E não estou tão molhado assim, só preciso secar o cabelo.

Naruto fez uma careta, mas não discutiu, deixou Sasuke sozinho por um minuto para pegar uma toalha e a entregou para ele.

— Vou fazer um chá para a gente, tudo bem?

Sasuke riu anasalado com a insistência de Naruto, abriu a toalha somente para passá-la ao redor do pescoço do outro e segurou melhor as pontas antes de puxá-lo para si. Viu Naruto respirar de modo pesado quando encostou os corpos e sentiu-se aliviado quando ele não o afastou. A ponta de seu nariz correu do queixo à bochecha de Naruto, e pôde ver a pele dele se arrepiando com o contato. Voltou, vagarosamente, a boca quase sobre a do outro.

— Não quero chá.

Naruto engoliu em seco. Sasuke abusava de seus limites…

— Posso fazer café se preferir… — sussurrou, a voz interrompida toda vez que os olhos se atraíam pelos lábios de Sasuke.

Ouviu-o rir e, então, a toalha escorregou por seus ombros e Sasuke caminhou até o sofá.

— Não quero café, não quero nada, não se preocupe…

Naruto coçou a nuca enquanto via Sasuke se sentar e secar os cabelos de qualquer jeito. Foi até ele e estendeu a mão, fazendo Sasuke lhe olhar desconfiado antes de entregar a toalha.

— Vai um pouco para frente — pediu, e Sasuke se virou surpreso com a boca aberta em protesto enquanto Naruto subia no sofá e se sentava atrás dele.

— Eu sei secar meu cabelo, Dobe.

— Estou te fazendo um favor, não devia reclamar tanto — resmungou com falsa irritação e puxou Sasuke para o meio de suas pernas antes de começar a passar a toalha nas mechas escuras.

Sasuke sentiu o arrepio que subiu da base da coluna à nuca assim que seu quadril encostou no corpo alheio. Os músculos enrijeceram por reflexo em defesa, e ele fechou os olhos enquanto se focava no quão relaxante era ter as mãos de Naruto em seu cabelo. O silêncio foi quebrado por uma melodia qualquer, e Sasuke não reconheceu a música que Naruto cantarolava baixo. A voz rouca e baixa de Naruto o fez fechar os olhos, havia certa harmonia em apenas se deixar levar pelo som, como se o cantar tivesse quase o mesmo efeito que o piano quando Naruto tocava: entrava por seus ouvidos, disseminava-se por seu corpo, enlaçava cada parte de seu ser e o convencia a baixar suas defesas enquanto a melodia perdurasse.

As costas cederam, e ele se lembrou do quão bom tinha sido a primeira vez que havia tido o peito de Naruto contra elas. Acompanhou a respiração dele, era viciante sentir o coração alheio contra seu corpo. Naruto deslizou a toalha por seu cabelo mais uma vez, Sasuke abaixou a cabeça seguindo o movimento da mão dele quase que de forma automática. A toalha foi depositada no sofá, a voz de Naruto sumiu, e Sasuke fechou os olhos e apertou as mãos quando a boca de Naruto tocou sua nuca vagarosamente.

Era um beijo, um simples e lento beijo, mas que fez Sasuke perder o ar de uma única vez. A mente queria algo que o corpo hesitava. Havia uma decisão feita, mas não parecia forte o suficiente para convencer o corpo a aceitá-la com facilidade. Teria que ir aos poucos, com paciência, ainda que isso não fosse o seu forte. Respirou fundo ao inclinar a cabeça para o lado, dando mais acesso a Naruto e mordendo o lábio quando, a despeito de toda sua confusão interna, pegou-se gostando da sensação que o hálito e a respiração quentes em contato com sua pele causavam.

Não queria pensar. Que o mundo todo desaparecesse e explodisse! Quis apenas sumir, com Naruto, alheios ao correr do relógio ou à existência de qualquer outro ser. Fechou os olhos, privar-se da visão dava-lhe a impressão de abrir mão do controle de seus atos, como se pudesse simplesmente deixar Naruto conduzi-lo, guiá-lo passo a passo, apresentá-lo a cada nova sensação como algo bom.

Os dedos em seu rosto fizeram-no erguer a cabeça, repousá-la no ombro de Naruto atrás de si e se virar de modo que o ar fluísse de uma boca à outra à medida que o beijo se iniciava. O corpo de Naruto era um contraste com o seu, em todos os quesitos. Ele parecia maior, mais quente, confortável, acolhedor, e os toques pareciam sempre na medida correta, com a pressão que o desejo pedia, mas gradativos, como se agarrasem com fome e de maneira afoita tudo e somente o que Sasuke liberava aos poucos. O pescoço e os lábios eram testemunhas, terrenos já explorados que detinham as marcas das mordidas e dos chupões que Naruto parecia ter prazer de deixar.

Sasuke se remexeu, as pernas dobradas com os pés apoiados no sofá. Encaixou as mãos sob as de Naruto em sua cintura e suspirou quando ele entrelaçou os dedos aos seus. Subiu-as pelo corpo, manteve os olhos fechados, o beijo de Naruto lhe tirava o pouco de raciocínio que tentava manter, guiou suas próprias mãos pelo tórax, devagar, e prendeu o fôlego quando as deslizou para longe, deixando apenas as de Naruto sobre seu abdômen.

Uma exclamação surpresa escapou quando sentiu o contato das peles, segurou-se nas coxas de Naruto enquanto o corpo tentava lutar contra o prazer que se espalhava desde o lóbulo da orelha entre os lábios de Naruto até mesmo às mãos que subiam sua camiseta e o tocavam sem pudor, apertando e acariciando tudo que estava disponível.

Contraiu-se ao ter os mamilos presos entre os dedos do outro, sentiu o sorriso dele contra seu pescoço e virar o rosto para fingir represália só lhe resultou em um novo beijo, um mais profundo e intenso, de acordo com a excitação que fluía pelas veias quentes. Levou a mão para trás, puxando Naruto pelo cabelo para si, a boca se abria sem ressalvas, recebia a língua do outro como um convidado ansiosamente aguardado com quem se deliciava a cada novo beijo. O pequeno tempo em que se separaram bastou para que a camiseta fosse retirada e jogada no chão. Tremeu, soube que sim quando Naruto ia beijá-lo e parou no meio do caminho para o olhar.

Puxou-o, calou no beijo as dúvidas dele e, sem muito sucesso, os pensamentos que seu corpo empurrava à mente mais uma vez. Frustrava-se; a cada novo beijo e toque, sentia a frustração competir com o desejo, o querer duelar com as reações inconscientes que o corpo tinha. Sentia a ereção entre as pernas, sentia a de Naruto junto de seu quadril, era bom, de modo que o assustava por nunca ter sido, mas ainda não o suficiente para evitar que recuasse.

Girou para se sentar sobre as coxas dele, as mãos de Naruto apertando suas costas o fizeram gemer e jogar a cabeça para trás enquanto a língua serpenteava por seu pescoço e ombros. A cabeça doeu, estava tão cansado, queria aquilo a ponto de não querer mais lutar contra e, mesmo assim, sem poder simplesmente desistir. Gemeu mais uma vez surpreso quando a boca envolveu a pele do tórax, quando a mão de Naruto se fechou em seu cabelo e o puxou para trás fazendo-o arquear as costas e sentir, em seguida, o mamilo preso entre os dentes.

— Ah! O que vo-... Ah, droga… — sua voz saía rendida, a ereção pulsava desconfortável dentro da calça e parecia maior enquanto Naruto subia a boca por sua garganta e o puxava para frente, colando os corpos e o beijando de forma imperativa.

Sasuke jogou os braços ao redor do pescoço dele, as mãos fecharam-se no tecido da camiseta em dúvida, a vontade de arrancá-la presente, mas a coragem em falta. Queria a pele dele na sua, mas não saber o que sentiria com o contato o fazia subir as mãos para os fios loiros e desistir diversas vezes.

Naruto gemeu rouco e esperou. Sasuke havia lhe dito que não fazia sexo, mas o que exatamente estava incluso nessa informação ele não fazia ideia, e essa era a razão para estar indo devagar, conhecendo o corpo dele enquanto lhe testava as reações. A face corada e a respiração descompassada de Sasuke eram sinais de que estava no caminho certo, conseguia sentir o coração dele acelerado, via o modo como a pele se arrepiava e sorria satisfeito, mas o tremor do corpo aos toques iniciais não passaram despercebidos. Eles eram constantes toda vez que explorava um local novo, diminuíam com o tempo, como se Sasuke precisasse se acostumar, e ainda assim algo permanecia.

Perdeu a linha de raciocínio quando sua camiseta foi puxada para cima pela gola. Ergueu os braços para ajudar a retirá-la e perdeu-se sob o olhar que Sasuke lhe direcionava. Viu-o pentear o cabelo úmido para trás com os dedos, havia malícia na forma como corria os olhos por seu corpo, e Naruto não se negou a obedecer quando Sasuke mandou que deitasse.

As mãos de Sasuke acompanharam-no no trajeto, empurravam-no aos poucos enquanto deslizavam por seu tórax, e Naruto arfou quando viu Sasuke se acomodar melhor em uma de suas coxas e abaixar-se com cuidado, a língua para fora como um felino a se preparar para saciar a sede. Suspirou audivelmente, os olhos azuis semicerrados enquanto Sasuke lambia e mordia seus mamilos, o olhar preso nele como se a curiosidade por suas reações não o deixasse desviar.

E não deixavam. Sasuke havia tocado outra pessoa daquela forma uma vez, uma única vez com Shikamaru, apenas porque se achava no dever de retribuir de alguma forma a paixão que o outro tinha por ele. Havia sido uma merda, aprendera muito bem que não deveria nunca fazer algo apenas por “gratidão” ou “culpa”, e deixara claro para Shikamaru que aquele era seu limite e que duvidava que um dia passasse daquilo. Mas com Naruto estava curioso, não fazia por obrigação ou culpa, queria ouvi-lo gemer de novo, a voz não lhe despertava repulsa. Pelo contrário! Parecia apenas parte da melodia em que Naruto sempre estava envolto, tocá-lo com calma e assistir como o corpo dele reagia bem aos seus toques e beijos o deixava curioso, como se quisesse entender como aquilo podia ser bom, como o prazer que os olhos azuis mostravam podia ser tão genuíno.

Mordeu o lábio e desviou o olhar de Naruto ao gritar internamente para que a mão não tremesse ao descer pelo abdômen e parar sobre o fecho da calça, arrepiou-se com o leve puxão em seu cabelo que o fez olhar para Naruto enquanto se apoiava em um braço e descia-lhe o zíper. Arqueou a sobrancelha quando a mão de Naruto segurou a sua e o viu respirar fundo em busca de controle.

— Até onde podemos ir? — Naruto perguntou, o tom oscilando entre o desejo e a confusão, a língua umedecendo os lábios e a boca soltando o ar quando Sasuke escorregou a mão para dentro da calça. — Sasuke…

— Até onde eu disser que sim — respondeu por se odiar ao não saber a resposta ao certo. Naruto o fazia querer experimentar tudo ao mesmo tempo em que o fazia se xingar por desejar fugir dali desesperadamente.

Fechou a mão em torno da ereção de Naruto e a puxou para fora, os dedos dele deslizaram para longe dos seus, subiram pelo braço até que se encaixassem em seu cabelo e o puxassem para ele. Deitado parcialmente sobre Naruto, permitiu que ele lhe devorasse a boca como se o fizesse com seu corpo inteiro. O estalar dos beijos, a pressa e a urgência com que se seguiam o lembravam do banheiro do bar, da sala de música, desarmavam-no, o corpo vibrava com os toques em sua nuca, costas, cintura, e tudo o que ele quis foi que Naruto se sentisse tão perdido quanto ele naquele momento.

Seu membro doía, a vontade de tocar-se se fazendo tão necessária que ele não sentiu vergonha ao se esfregar contra a coxa de Naruto. Acelerou o ir e vir de sua mão, desejou que a mente gravasse a ferro, sangue, o que fosse!, aquela sensação de prazer que o invadia ao ouvir Naruto gemer, daria tudo para costurar aquela memória em seu cérebro e assim ter uma referência boa que fosse daquele tipo de contato.

Os dedos espalharam a umidade que a glande derramava, sentia a ereção endurecer em sua mão, gemia baixo cada vez que Naruto impulsionava os quadris para cima e o acompanhou, tanto na masturbação quanto no rebolar contra a coxa dele. Não sabia o que era aquilo, aquela vontade de se entregar e atingir o clímax era diferente demais de quando se tocava, era mais urgente, era um desespero bom que controlava seu corpo como as cordas de um fantoche.

Arregalou os olhos, o coração na boca quando sentiu o aperto firme em uma de suas nádegas. Gemeu e escondeu o rosto na curva do pescoço de Naruto quando ele dobrou um pouco a perna, intensificando o contato com seu membro. O sorriso que via no rosto dele era excitante, uma mistura de prazer e diversão, uma malícia que o contagiava. A mão em seu cabelo ergueu seu rosto de novo enquanto a voz fraca o entregava quando Naruto o puxava pelo quadril, fazendo questão que ele se esfregasse em seu corpo.

— Mais rápido, Sasuke.

Sim, também queria mais rápido, queria muito mais… Excitou-se com o revirar de olhos de Naruto quando atendeu o pedido.

— Ah, puta merda, isso… — Naruto virou o rosto para morder e sugar seus lábios, e Sasuke desaprendeu a respirar quando a mão dele entrou por sua calça para se fechar em sua nádega ainda por cima da boxer que vestia.

Os movimentos se intensificaram, e Sasuke perdeu o apoio que tinha no braço livre. Deixou-se estar de vez sobre o corpo de Naruto, gemendo entregue contra pele dele e permitindo que ele ditasse os movimentos com a mão em seu quadril.

Naruto engoliu em seco. A imagem de Sasuke se contorcendo de prazer sobre seu corpo, com os cabelos desordenados, os olhos semicerrados que se abriam deleitosos a cada gemido, a boca avermelhada a deixar o ar quente em sua pele e um pequeno rastro de saliva, era demais para a sanidade de qualquer um. Queria que ele gozasse, queria saber que expressão ele faria quando esse momento chegasse, como a voz soaria em seus ouvidos; queria o corpo dele satisfeito sobre o seu, assistir à letargia que o dominaria em seguida. E quando a mão livre de Sasuke apertou seu ombro, quando ele mordeu o lábio escondendo o rosto em seu corpo e tremeu por inteiro enquanto rebolava com mais força contra si, soube que era hora.

Devia ser proibido alguém ser tão belo, devia ser ilegal alguém possuir uma beleza tão pecaminosa porque nem Bernini conseguiu passar tamanha luxúria em suas esculturas, nem mesmo o êxtase de Santa Teresa podia se igualar ao que dominou Sasuke.

Era como ter todas as amarras arrancadas de uma única vez, como se o gozo afogasse todos os receios. Sasuke gemeu alto, o tremor do corpo dessa vez era pelo prazer que passava de célula à célula, como uma descarga elétrica descontrolada que arrepiava até o último fio de seu cabelo. Apertou o braço de Naruto, buscou nele apoio uma vez que o orgasmo parecia tê-lo arremessado para outra realidade. Sentiu a mão de Naruto junto da sua na ereção dele, e só abriu os olhos porque se recusava a perder o momento em que Naruto também atingiria o ápice.

Os olhos negros estavam tão afogados no clímax que Naruto não sabia dizer se Sasuke podia mesmo vê-lo, o suor lhe escorria pelas costas, o corpo dele ainda movia-se contra o seu, agora devagar, como um felino a buscar o calor do corpo do dono. A boca de Sasuke deixava mordidas em seu peito, preguiçosas lambidas em seu pescoço, e sentiu a boca dele lhe calar quando o orgasmo enfim recaiu sobre si.

Sasuke o beijou com gula, clamando para si todo o prazer que os lábios de Naruto deixavam escapar naquele gemido. Afastou-se minimamente, a boca ainda próxima para sentir a respiração descompassada do orgasmo. O corpo de Naruto tinha espasmos, o quadril dele ainda se arremetia contra sua mão enquanto o líquido quente escorria entre seus dedos, e Sasuke sorriu de canto antes de voltar a deitar sobre ele.

Naruto era a tempestade que ele sempre tinha tentado evitar, mas que agora acolhia de braços abertos por desejar enfim se molhar por completo.

— Acho que agora aceito aquele banho — sussurrou contra o pescoço dele, e Naruto riu.

— É, acho que precisamos de um...

Notas finais
Olá!! Gostaram? Curtiram? O próximo capítulo ainda não está pronto ^^' Chegamos naquele momento em que meus capítulos se esgotaram, mas farei o possível para postar certinho segunda que vem! Beijoss