Não me julgue insano

1 Não me julgue insano - Capítulo único.


Notas iniciais
É um conto curto, portanto, One Shot. É um gênero nada generalizado, e tem linguagem dificultosa. Leia se for capaz. Espero ter agradado.

Não me julgo louco, insano, ou qualquer algo do gênero. Mais o seria se julgasse. Não espero que acredite no que eu vá dizer, só é tudo o que minha perturbada cabeça pode recordar. Não posso dizer se estou alcoolizado ou limpo das drogas, só posso contar o que me levou a esses inquietantes questionamentos, tais quais me atormentam até hoje.

Foi numa sexta-feira a noite, ainda me lembro de ter visto as árvores secas e macabras do outono inglês dançarem melancolicamente ao vento. A garota de programa cobrou 5 libras a mais do que de costume e não pude beber mais do que os usuais copos de whisky. Não sei se não a enxerguei, mas, aparentemente, minha carruagem não estava a minha espera e tive de andar até em casa. Para tudo o que olhava, a minha vista estava cansada e zombeteira. Zombava de mim, provavelmente, já que as ruas de Londres da madrugada daquele final de semana estavam vazias. Eu também não pude acreditar, mas foi àquilo que levara a minha terrível insensatez. O caminho para casa nunca fora tão longo e dificultoso como naquele dia. Eu já havia até decorado a vereda que ousava se nomear caminho.

Minha mansão ficava num bairro nobre perto do centro da grande Londres. Eu vestia meu fraque preto e um chapéu . Caminhava mais apoiado no cajado do que nas próprias pernas, mas de nada me importava já que estava perto de casa. Passei por uma vitrine de vestidos americanos desagradáveis e juro que vira, no reflexo, um homem ao meu lado. Empalideci e parei por uns estantes, quando voltei a minha pobre alma, olhei a vitrine novamente e de nada podia ver o reflexo com exceção da minha figura confusa e envelhecida arrostando os vestidos que havia julgado horrorosos. Decidi que deveria andar mais depressa para chegar em casa mais breve e então tomar minhas medicinas. Nesse momento, lembrei-me de uma história que um sujeito estranho me contara uma vez, não me recordava seu nome ou onde o encontrara. Uma história grotesca. Sobre um homem que caminha alcoolizado, sozinho numa noite de sábado e durante sua trajetória até em casa, encontra uma garrafa de bebida, na primeira quadra, e não julga aventuroso demais beber uns goles de seu conteúdo. E em cada quadra pela qual o homem passa, uma nova garrafa lhe é dada. E o homem continua a beber de seu conteúdo até que ouve uma melodia lôbrega e, a sua frente, um anjo — um tanto quanto negro, talvez um demônio — aparece e diz, lugubremente, para que pare de beber pois já não é necessário. O demônio acaba por levar o pobre homem. Disse que era cheio da riqueza, mas muito pobre de espírito, esse homem. Na história, o demônio tem as asas semelhantes às de uma andorinha, mas agora estou ouvindo a tal melodia lôbrega e vejo que na verdade são semelhantes às de um urubu.

Notas finais
E então, o que acharam? Se você não ficou pensando confusamente por pelo menos uns 10 segundos, você não entendeu.
Deixem reviewsssss!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!