Não me deixe ir
35 Capítulo 35 - Epílogo
Notas iniciais
Não me deixe ir
35 – Epílogo
Vários dias se passaram desde que eu deixei o Bunker. Dean ficou para trás com um meio sorriso em seus lábios, menos sentido com a partida de Sam. Prometi ligar todos os dias, o atualizando das notícias sobre os anjos e as facções e assim eu o fiz. Foi tudo bem, por algum tempo.
Até Crowley mover suas podres mãos sobre a vida de Dean outra vez. Só penso que se eu tivesse ficado ao seu lado teria evitado tudo isso. No entanto, é tarde para se lamentar agora.
Quando eu vi aquela marca maldita em seu braço eu me odiei por não o ter impedido de fazer esta loucura. Não importa o que você diga Dean, aceitar a marca de Caim foi um erro.
Acho que foi com ela que nós começamos a nos afastar...
Você e Sam estavam se falando de novo após o fiasco com Gadreel, trabalhando juntos como de costume uma vez que o fantasma de Kevin os pediu que o fizesse, parando assim com as brigas ao invés de se lamentar por sua morte. O garoto sabia que não foi culpa de nenhum deles – apenas mais uma cruel fatalidade dessa terrível guerra que dura anos entre os humanos e seres sobrenaturais. Kevin tinha muito mais a ensinar a vocês sobre compaixão e compreensão do que todos esperavam.
Ao mesmo tempo em que você e Sam voltaram à ativa eu enfrentei outros problemas com os anjos.
Ficamos assim por um tempo, comigo indo e vindo do Bunker, permanecendo ao seu lado, dividindo as noites na cama – nossa cama, você insiste em dizer — mas também sem poder ignorar completamente o que estava acontecendo com Metatron, o que ele estava planejando não podia ser algo bom.
E então eu precisei me unir aos anjos, ao menos os que me escutaram, lembrando-se de mim como Castiel, o anjo que impediu o apocalipse, ao invés de pensar que eu me afiliei a Metatron. Você e Sam ajudaram, e muito, nessa batalha; porém o que mais me doeu foi te ver aos poucos começando a sucumbir à marca, Dean, usando a Primeira Lãmina para matar indiscriminadamente. E aos poucos sua humanidade te abandonava.
Tudo para matar o cavaleiro do inferno Abaddon.
Quando chegamos perto da batalha final, ao descobrir que Metatron queria com a Tábua dos Anjos se tornar um novo ‘Deus’, remodelando o céu e mesmo à Terra seu bel-prazer, nós três nos unimos novamente. E foi como retornar àqueles dias no Bunker, onde haviam apenas os trabalhos simples de caçador; onde nós pudemos ficar verdadeiramente juntos.
Sei que não devia, mas a lembrança daquela noite anterior à batalha é a última coisa boa que tenho destes dias, desde a última vez em que estivemos juntos durante dias perdidos entre semanas, ou mesmo meses.
Fizemos amor.... Sim amor, pois eu não consigo usar outro termo, por mais que você se negue a usar essa palavra, Dean. Nós nos unimos uma vez mais, não em nosso quarto ou no Bunker. Nós fomos a um campo, e lá, sobre o seu carro, nos beijamos e deixamos que o céu estrelado fosse a luz iluminando nossos gemidos, nossos corpos, o suor se formando entre eles com o encontro das peles, dos beijos e carícias.
Você disse que queria me dar uma boa lembrança de nós....
Naquele dia eu não entendi o que você queria dizer, nem o que pretendia, mas ao deparar-me com Metatron horas depois, com o maldito dizendo que até mesmo o humano pelo qual eu havia me dedicado estava morto...
Dean, você foi à batalha contra Metatron já esperando a sua extinção. E mais uma vez eu me odiei por não ter te impedido de fazer uma besteira.
Eu não sei de onde tirei forças para continuar ali sentado na sala de Metatron, o fazendo falar todo o seu plano enquanto os anjos o ouviam e descobriam suas vis intenções, voltando-se contra ele. Mas eu o fiz porque você me ensinou que temos um trabalho a fazer nesse mundo.
Ao frustrar os planos de Metatron, meus pés foram ligeiros ao caminhar até o carro e dirigir ao Bunker, onde eu sabia que Sam te levaria – levaria seu corpo. Eu queria mais do que tudo ter minhas asas de volta, assim eu estaria lá quando você despertasse e, quem sabe, tivéssemos evitado tantas outras complicações.
Porque a Marca de Caim não te deixou morrer.... Ela fez pior; te transformou naquilo que você mais odeia nesse mundo.
E eu não consegui chegar a tempo, não pude salvar você outra vez, Dean.
Foram meses te procurando junto de Sam, me arrastando e enfraquecendo aos poucos, até finalmente encontrá-lo sobre a roupagem nova desse ser das trevas na qual a Marca te transmutou.
Naquele tempo, a minha graça roubada estava se esgotando, assim como minha existência, contudo eu jamais pensei em mim. Em momento algum essa preocupação tomou o seu lugar nas minhas prioridades, Dean.
Eu continuei seguindo em frente, desaparecendo e me forçando a ficar de pé, mas sempre em frente, indo de encontro a Sam no Bunker para resgatar você.
Admitir que devo algo a Crowley é, realmente, um infortúnio, mas foi com a pequena interferência do rei demônio que eu recuperei parte das minhas forças ao receber um novo estoque de graça. Apressado e com as energias renovadas, eu cheguei ao Bunker bem a tempo de te impedir de cometer o pior erro de sua vida – de matar seu irmão.
Seus gritos misturados aos urros guturais e distorcidos de um demônio quando te abracei Dean.... Acho que ficarão guardados para sempre em minha memória.
Agora estamos aqui, nesse calabouço onde antes estava Crowley – e muitos outros demônios – constringindo você e usando o pouco que sabemos da cura para te livrar da mácula demoníaca.
Me pergunto se isso te faz lembrar daqueles meses no inferno, Dean.
Se o fazem, eu juro com todas as minhas forças e o restante de meus dias que farei o possível para lhe proteger disso, dessas imagens cruéis, desses meses em que você caminhou pela Terra fazendo.... Não, isso não importa. Não importa o que você tenha feito Dean, esse não era você.
O homem, o caçador que eu conheço é justo, abnegado, sempre preocupado com seu irmão caçula; é um homem de olhos verdes e não negros, que carrega o peso do mundo em suas costas, tentando com unhas e dentes proteger desconhecidos, caçar coisas, e seguir em frente com toda essa escuridão o perseguindo.
Eu vou trazer esse homem de volta.
O seu sorriso sarcástico me encarando do outro lado dessa sala não muda nada, Dean. Nem essas palavras infames.... Não é você dizendo que quer me arruinar no chão, que quer arrancar minha roupa e me tomar de todos os jeitos, mesmo que eu não o queira, me transformando no seu pequeno brinquedo. Você lambe os lábios de forma lasciva enquanto fala essas atrocidades. Eu sei que esse não é o Dean verdadeiro; eu te conheço no cerne de sua alma para saber disso.
Não importa o que aconteça. Não importa o que venha pela frente. Eu nunca te deixarei, eu nunca irei parar de tentar te salvar.
Afinal esse tem sido meu trabalho desde o dia em que eu te tirei do inferno. Eu vou te trazer de volta, Dean. Eu vou ficar o tempo que for ao seu lado, uma eternidade se for preciso.
– Vou continuar com o processo, Cas.
Sam fala apanhando mais uma seringa com o sangue de um humano consagrado e eu apenas concordo, encarando os olhos negros de Dean que me fitam com um meio sorriso mesquinho.
Não importa.
Eu vou continuar aqui de pé, pronto para te trazer de volta.
São mais algumas horas torturantes, as que eu tenho de ficar aqui ouvindo você praguejar, urrando em meio à dor, dizendo coisas insanas, e eu mesmo preciso me controlar para não sucumbir ao mal que me faz te ver assim.
A última seringa entra em seu pescoço, e aos poucos Sam e eu vemos os globos negros se dissipando, tal como uma névoa maligna saindo do seu corpo, e mesmo que eu não mais precise respirar, o faço mesmo assim, tamanho é meu alento ao notar que sua humanidade fora restaurada.
Seus olhos verdes nos olham incertos pela sala, parecendo assustados e arrependidos; as lembranças de três meses como um demônio te assombrando num baque único de amargura.
– E aí pessoal?
Você diz na sua costumeira voz brincalhona, querendo evitar conflitos emocionais maiores. Eu e Sam nos entreolhamos num meio sorriso, pois ao menos essa pequena vitória conseguimos.
Ao soltarmos você eu consigo enxergar um mar de dúvidas se formando através dos seus orbes esmeraldas, que me encaram e encaram sem palavras que possam descrever o que se passa em sua mente; no aperto formando-se em seu peito.
Dúvidas sobre se você será capaz de ser o mesmo de antes, dúvidas sobre como seguir em frente depois de tantas complicações, sobre a Marca que ainda está em seu braço... E eu vejo as suas dúvidas em relação a nós.
Não as tenha, Dean. Eu já disse, não foi? Desde o inferno.... Desde aquele primeiro momento em que toquei sua alma, você se tornou a minha missão.
Que venham espíritos, anjos ou demônios, qualquer criatura sobrenatural. Que o mundo se despedace em milhões de pedaços, eu ainda assim continuarei ao seu lado; ficarei com você até que o tempo me permita e para além dele.
Você ouviu Dean?
Eu não vou te deixar ir.
Nunca.
~Fim~
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