Não me Abandone Jamais
1 St. Patrick Boarding School
Notas iniciais
Era um dia atípico do inverno londrino. O sol brilhava muito, mas um vento leve batia nos meus cabelos. Olhei para o imponente portão preto com detalhes dourados à minha frente. Logo acima dele, escrito em letras grandes e douradas, estava "St. Patrick Boarding School''. Então era ali que eu viveria por um bom tempo...
Deixe-me contar a minha história. Meu nome é Claire. Claire Wëiss. Eu tenho 16 anos e vivi a minha vida inteira na grande Nova York. Nós éramos muito felizes. Parecíamos aquelas famílias de filme, que nem parecem existir na vida real. Mas a gente existia. Sim, "existia". Eu ainda me lembro das tardes de primavera no Central Park. Dos piqueniques no Soho. Ainda me lembro dela. Mesmo assim, e embora tudo tenha acontecido há tão pouco tempo, parecia tão distante. Sabe a Ashley, mãe da Hannah em "Pretty Little Liars"? Ou a Lorelai, de "Gilmore Girls"? A minha mãe era assim. Nós éramos, acima de tudo, melhores amigas. Mas, há um mês, ela se foi. Aconteceu tudo tão rápido. A gente descobriu a doença e, pouco depois de três semanas, ela partiu. E agora parece que tudo perdeu o sentido.
Foi por isso que o meu pai achou que a melhor coisa seria me colocar em um internato do outro lado do mundo. Ele achou que, talvez se eu estivesse longe de casa, e, consequentemente, de tudo que me lembrasse dela, seria mais fácil de lidar com a dor. Eu esqueceria mais rápido. Sinceramente, pai! Você acha mesmo que eu vou me esquecer da minha mãe de um dia pro outro? As coisas seriam mais fáceis se eu pelo menos tivesse você! Eu tentei dizer isso à ele, mas ele estava irredutível.
Fui tirada dos meus devaneios quando o portão se abriu, e, de lá, saiu uma mulher de meia-idade, vestindo um terninho azul-marinho, com o emblema do St. Patrick Boarding School.
– Olá, Sr. Wëiss! Olá, Claire. Como foi a viagem? — ela perguntou, com um sorriso no rosto — Meu nome é Sarah Hill. Eu sou a diretora do St. Patrick Boarding School. Seja bem vinda, srta. Wëiss.
Fiz uma cara de desânimo e dei um sorriso amarelo. Meu pai colocou as mãos nas minhas costas, e disse, olhando para a diretora:
– Prazer, sra. Hill. A viagem foi um pouco cansativa, mas tudo bem. — ele sorriu, e se virou para mim — Bom, Claire, acho que é isso. Eu gostaria de visitar o colégio com você, mas, infelizmente, tenho uma reunião com uns empresários japoneses em Londres às três. Eu te vejo daqui a um mês, no Natal, querida.
Ao dizer isso, ele me deu um beijo e um abraço de despedida.
– Eu sei que as coisas não estão sendo fáceis, mas vai melhorar. Eu prometo. — ele sussurrou no meu ouvido, de forma que só eu pudesse escutar — Logo, você vai fazer amizades aqui, nem vai se lembrar de Nova York.
Fiquei muda. Meu pai sabia que eu não queria vir pra cá. Ele acreditava mesmo que eu esqueceria da mamãe aqui. Mas nem se ele me mandasse para Marte eu conseguiria fazer isso.
Olhei o carro indo embora, se distanciando cada vez mais. Quanto mais longe o carro ficava do colégio, mais a minha saudade ia aumentando. Do meu pai, da minha casa, da minha vida.
Suspirei, dando-me por vencida. Eu precisava dar uma chance ao colégio. Passei pelo portão e comecei a seguir a sra. Hill. Seria um longo ano.
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