Não há outro amor para mim.

71 O primeiro dia da minha nova vida.


Notas iniciais
Olá, meninas que chegaram até o fim dessa fanfic. Enfim, terminamos aqui essa história que eu jurei um dia que ia ser curta, e vejam no que deu. Bem, já agradeci vocês de todas as formas, sempre,e hoje eu só queria que soubessem que estou dedicando o capítulo a cada pessoa que parou para ler. O capítulo ficou muito grande, extenso e com muita coisa que eu não pude deixar de fora. Eu espero sinceramente que vocês gostem, embora eu já tenha dito que esse final fica em aberto pra que vocês imaginem o que desejarem para elas duas. Façam uma boa leitura.


A vida é cheia de escolhas, por mais obstinada pessoa que você possa ser. Por que chego a essa conclusão? É simples. Eu passei vinte anos da minha vida tomando decisões por conta própria, bem, na verdade um pouco motivada em alguns casos, mas minhas últimas escolhas me tornaram o que eu sou hoje; uma esposa, uma mãe, uma mulher realizada. O.K., para que estou dizendo isso? Porque estou me deparando com mais uma escolha que é terminar esse livro muito bonito que estou escrevendo sobre meu romance com Emma Swan, a atriz vencedora do Oscar, esposa da apresentadora do jornal da hora do almoço.

Hum... me esqueci desse detalhe. Eu não vou mais apresentar o U.S.A News, agora já posso ser chamada de apresentadora de programa vespertino. Ouvi dizer que a MBC está em polvorosa por causa desse programa de TV, mas é melhor eu parar de ir sonhando com isso por enquanto, eu mal voltei para casa com Mathew, meu tempo está quase todo reservado a ele e Henry, então pense como é me tornar mãe do dia para a noite e em seguida ter um bebê para cuidar. É uma experiência incrível, certamente, eu estou encantada e não quero me sentir cansada por nada no mundo para ter todo esse fôlego de mãe que jamais soube que existia em mim. Fora isso, Mathew está representando uma nova fase na minha vida como mulher. É como se tudo agora tivesse uma enorme responsabilidade, eu tivesse que tomar muito mais cuidado e ao mesmo tempo estivesse prestes a aprender milhares de lições para saber entender meu bebê. Nunca é tarde para aprender a trocar fraudas, por exemplo.

Na semana seguinte ao nascimento de Mathew, papai, Mary Margaret e David vieram conhecer o neto e, como pais muito corujas que foram na época deles, eles souberam me dar umas dicas geniais.

Houve uma noite em que jantamos após eu amamentar Mathew, minha sogra estava no quarto com o neto, brincando com as mãozinhas dele quando cheguei de súbito. Passei alguns minutos observando ela o pegar no colo e niná-lo, ele devia estar sorrindo para ela, pois eu conseguia ver como Mary ficou feliz. Bem baixinho, minha sogra cantou para o neto uma canção de ninar que eu estava reconhecendo. Emma me contou no início do nosso namoro que sua mãe contava carneirinhos para ela dormir quando era pequena e que aquela música era infalível, eu sabia que conhecia de algum lugar.

— Espero que ele não esteja dando trabalho. — falei da porta do quarto, decidindo me aproximar dos dois.

Mary me olhou. Ela abriu um sorriso e, por um instante, o jeito como ela olhou Mathew me fez lembrar o de Emma quando o pegou no colo pela primeira vez na sala do parto da maternidade.

— Não, ele é muito calmo, me lembra bastante a Emma quando tinha essa idade. Ela era um bebê gordinho, tinha as bochechas quase sempre coradas e nasceu com muito cabelo também, só não puxou aos meus, isso ficou por conta do David. — Mary contou de forma carinhosa.

— Eu vi muitas fotos. — comentei.

Mathew estava gostando de ser ninado pela avó, mas logo sua fralda estava cheia e ela percebeu isso.

— Acho que alguém fez sujeira... — ela o colocou sobre a almofada do fraldário e eu prontamente busquei uma fralda nova para trocar. Prestei a atenção na forma como ela o limpou, deixando para mim apenas o trabalho de passar o talco no bumbum dele e jogar a fralda suja no lixo. Eu ainda não tinha pegado aquela técnica tão bem quanto Mary e Emma, meu negócio com Mathew ainda era uma questão de tempo, embora eu estivesse gostando de cuidar dele. — Pronto, pronto. Alguém ficou limpinho de novo.

— Limpinho e cheiroso. Queria aprender logo a trocar a fralda dele. No curso nos ensinam muita coisa, mas essa parte eu definitivamente não peguei. — disse e minha sogra riu, negando com a cabeça.

— Você é mãe de primeira viagem, Regina, está deslumbrada, eu sei como é.

— Eu não devia?

— Claro, mas tudo é questão de jeito, com alguns dias tentando você vai ver que não é difícil. As fraldas já vem praticamente prontas e sua única preocupação será limpar bem Mathew para que ele não fique com a pele assada.

Olhei para Mathew e ele deu um grande bocejo de bebê. O peguei nos braços e em alguns segundos ele dormiu. Meu colo era um berço para meu filho quando ele queria, quase sempre só dormia quando estava comigo ou quando eu estava por perto, nisso estávamos entrosados.

— Ele decide dormir só quando estou por perto, pelo menos nisso estou acertando. — fui andando com ele para o berço.

Mary me seguiu, ajeitando o colete de tricô típico de uma avó que ela estava usando.

— Não fique achando que é uma péssima mãe por ainda não saber trocar a fralda dele, Regina.

— Você tem sido a melhor mãe que eu jamais pensei que seria. — Emma chegou, vindo até nós. — Está vendo? Não tem com o que se preocupar.

Coloquei o bebê no macio e vi minha mulher o admirando tão orgulhosa quanto nós.

— Você é uma puxa saco. — disse eu, recebendo dela um abraço.

— Uma puxa saco que ama você. — trocamos um breve beijo nos lábios. — Mamãe — chamou Emma — Pode pedir para o Henry subir e se aprontar para dormir? Já está tarde.

— Oh, sim, como não? Eu prometi que contaria uma história para ele hoje. Estamos revezando, David, a Zelena e o sr. Mills. Eu nunca vi um garoto que gosta tanto de ouvir histórias. Bem, eu volto logo. — ela foi saindo e falando.

A forma como Mary olhava para Mathew e tinha um cuidado especial com Henry me fazia pensar se em algum momento da vida dela não pensou em ter mais filhos. Olhei para Emma tentando achar essa resposta um tanto complicada.

— Meu amor, seus pais nunca pensaram em ter outro filho?

Emma respirou fundo de um jeito como se a pergunta fosse imprópria. Ela pegou nas minhas mãos, fazendo um carinho lento e procurando o que me dizer. Ao que parecia havia algo mais profundo e secreto nessa questão.

— Na verdade, meus pais sempre quiseram outra criança na vida deles. — ela fez uma pausa melancólica, eu pude ouvir o som dela engolindo em seco. — Minha mãe engravidou quando eu tinha quatro anos. Ela teve um aborto porque o bebê veio com má formação, foi isso que eu soube. Até hoje ela não superou isso, desde então nós duas ficamos muito unidas, cúmplices, você sabe.

Eu jamais imaginei que Mary Margaret tivesse sofrido um aborto. Devia ser uma sensação imensamente triste, e isso me remetia à minha mulher, ao que ela sentiu quando seu teste de gravidez deu negativo. Não queria comparar as duas situações, mas foi inevitável não pensar naquele dia em que consolei Emma. Eu estava com vontade de dizer para Mary o quanto sentia por ela, mas, Emma de uma forma delicada e emotiva, me disse que a dor da mãe se transformou em orgulho. Era verdade que hoje os pais de Swan eram seus maiores fãs e a apoiavam em tudo, mesmo morando em Nova York longe da filha. Eles estavam sempre com ela, preocupados com ela, perguntando por ela, felizes por tudo o que ela conquistava. Talvez a tristeza pela qual Mary e David tenham passado tinha de ocorrer como qualquer outra tristeza que sofremos na vida por uma razão desconhecida, mas sempre com um propósito que um dia saberemos qual.

Me peguei pensando na história dos meus sogros e de Emma uma centena de vezes no dia seguinte. Eu estava travada em um capítulo do meu romance-biográfico, justamente um momento em que precisava falar sobre minha mãe. Meu pai, Zelena e os pais de Emma haviam saído para passear com Mathew, minha mulher voltara a trabalhar meio período e Henry estava na escola. Eu gostava de aproveitar aquele tempo nas tardes para escrever, mas definitivamente não conseguia pensar em outra coisa a não ser querer chorar de saudade. Fiz um esforço e terminei o capítulo de minha mãe falando sobre coisas que não podemos prever e acabam acontecendo como foi quando Cora partiu. Ela me deixara uma mensagem uma vez que dizia que um dia saberíamos a razão de tudo o que houve de errado e até o que achávamos ser certo. Fechei os olhos quando escrevi a última palavra do capítulo e lembrei dela sorrindo para mim, sua personalidade forte, seu entusiasmo com decorações e o carinho de mãe que nunca faltou. De repente, olhei para o lado e senti o perfume dela invadir minhas narinas como se minha mãe realmente estivesse ali perto de mim. Isso me acalmou. Senti que de onde ela estivesse, ela estaria orgulhosa das minhas decisões e orgulhosa pela minha felicidade.

Um minuto após isso, escutei os passos de alguém subindo as escadas com pressa. Henry chegou no escritório e veio me abraçar feito uma vendaval, ele sempre fazia isso quando chegava do colégio.

— Mãe!

— Oi, querido!

Ele se agarrou nos meus ombros e depois do abraço me olhou.

— Como foi seu dia? Antes que pergunte, o dia na escola hoje foi muito produtivo, ganhei um A por ter sido o único a acertar uma questão na prova sobre preposições. — ele dizia animado, mas logo notou que eu havia chorado um pouco. — Mãe, você estava chorando? — ele ficou preocupado, passando os dedos pelos cantos dos meus olhos, tentei disfarçar, mas não deu certo.

— Não, não... Eu só passei muito tempo na frente do computador, meus olhos estão ardendo.

— Você é uma péssima mentirosa. Vamos, me conte o que fez você chorar? — disse ele, esperando pacientemente pela resposta.

— Ah, Henry, você deve saber como é sentir falta de alguém. Lembrei da minha mãe, da falta que ela faz pra mim. Mesmo assim eu sei que ela estaria orgulhosa e muito feliz por nós.

— Agora estou entendendo. Você não precisa esconder que sente falta dela, porque o que você disse é verdade, ela está muito feliz por nós e especialmente por você. Sabe por quê?

— Por quê?

— Porque ela nunca se foi, ela sempre esteve vivendo em você. Não foi isso que me disse quando perdi os meus pais?

Henry me olhava com uma ternura sem tamanho, e assim como ele, na primeira vez em que nos encontramos, não resisti, caindo no choro novamente e o abraçando emocionada. Meu filho alisou meus cabelos, fez carinho em meu rosto, deixando que eu curtisse a saudade que tinha de Cora Mills, compreendendo como ninguém aquele momento. Ficamos alguns minutos abraçados e adivinhe quem apareceu para nos chamar? Emma. Ela estava ali vendo tudo. Quando a olhei, ela entrou no recinto e não disse uma palavra, apenas assentiu para nós dois, nos esperando para um novo abraço em família.



Quando Mathew completou um mês, eu finalmente havia aprendido a trocar suas fraldas. Meu bebê crescia rápido e segundo meu pai, estava cada dia mais parecido comigo, o que era um pouco verdade, tanto no jeito quanto no rosto. Fora esse detalhe, ele era um bebê calmo no início, eu estava adorando vivenciar todos os dias do crescimento dele. Mathew começou a ficar muito dependente de mim e dava trabalho para os avós quando resolviam o levar ao parque. Ele ainda era um bocado manhoso, isso eu percebia, especialmente quando estava com Emma, ele a adorava, não havia uma vez em que não sorrisse para ela. Como quando peguei minha esposa conversando com ele. Emma falava muitas coisas para Mathew com aquele tom de voz característico, bobo e brincalhão. Eu estava saindo do banho, com um robe envolvido no corpo e uma toalha sobre os cabelos, vendo como o bebê parecia entender tudo o que Emma dizia para ele. Os pequenos olhos castanhos dele brilhavam enquanto ele escutava a voz dela, era lindo ver uma coisa assim.

Há cinco anos disse que jamais teria um filho, deixando Emma decepcionada comigo. Hoje estou convicta de que ter mudado de ideia foi a melhor decisão toda vez que vejo Emma e Mathew juntos. Assim como ele sorria para ela, minha loira também não conseguia esconder que se sentia realizada. Não seria um prémio Oscar, ou um papel importante num filme do Spielberg que trariam a felicidade a ela, era Mathew, ou melhor, ser mãe. Ela sempre quis ser mãe, agora tinha dois filhos. Emma vivia o auge de sua vida, como atriz, como esposa e como mãe. Me dava a sensação de ter cumprido a maior das missões, ter feito ela feliz como um dia prometi e ela a mim. Mas Emma me fazia feliz desde sempre com suas declarações e sensibilidade, nós conversamos sobre isso na noite em que Mathew completou três meses e os pais dela voltaram para casa.

Eu repousava nos braços dela, o lugar mais seguro do planeta, onde eu me sentia amada e completa, quando comentamos que ela sempre quis um casamento duradouro feito o dos pais. Isso estava prestes a acontecer conosco, mais dois anos e íamos completar dez anos de casadas, um feito e tanto em Hollywood, para um casal de mulheres famosas como ela e eu. Apesar desse tempo todo, depois da última crise, jamais sentimos a rotina bater a nossa porta outra vez, era curioso, pois passamos metade do relacionamento em uma monótona relação com o trabalho, a casa e a cama, e que com todo o amor que ainda existia em nós vencemos. De verdade, nós superamos muita coisa, por isso eu achava que nossa relação era inquebrável.

Ela parecia ter algo importante a me dizer, enquanto eu retirava cuidadosamente sua camiseta de dormir, lamentando não ter podido fazer amor com ela antes. Estava chegando a hora de Mathew acordar para alimentá-lo, então ficamos aquelas horas acordadas, e numa troca de olhares, ela soube que eu precisava de seus carinhos.

Sempre pareci muito frágil nos braços de Emma, minha mulher sabia ser suave e agressiva ao mesmo tempo. Mas quando me apanhou dessa vez, quis que fosse diferente. Fizemos amor de forma calma, carinhosa, às vezes calorosa, aproveitando cada momento. Emma me deixou marcas de beijos pelas costas, me amou em seu colo até eu sentir uma gota de suor escorrer pelo meu rosto, o sinal mais explícito de que nós estávamos demorando, mas eu não vi o tempo passar, muito menos estava me importando, eu só precisava de Emma, de senti-la, me doar para ela. E, entre aquele sexo silencioso e quente que tínhamos, encontrei um excelente momento para contar à Emma sobre o livro.

— Devia ter falado antes sobre esse assunto, confesso que me faltou coragem. — falei ofegante, ao mesmo tempo que Emma distribuía beijos por meu pescoço.

Ela fez uma pausa, contornando meus lábios, meu nariz, me deixando cheia de desejos novamente.

— Não é o que estou pensando, é?

— Não, meu amor, eu não engravidei de novo. — respondi e rimos juntas. Segurei seu rosto e olhei em seus bonitos faróis de esmeralda.

— Estou escrevendo a nossa história.

Emma sorriu, me fitou de volta, pensando talvez que eu estivesse brincando.

— O quê? — ela perguntou.

— Eu disse que estou escrevendo a nossa história. — olhei para ela como se quisesse dizer exatamente isso.

— Escrevendo como? Um livro? — seus olhos se apertaram. E por nenhum motivo no mundo notei que havia bagunçado demais os cabelos dela enquanto fizemos amor. Emma ficava engraçada com os cabelos emaranhados, isso tirava minha concentração às vezes. — Nossa história? Sério? — ela perguntou, com um olhar de espanto.

— Depois de tudo o que passamos para viver assim como estamos hoje, eu parei para perceber que não podia deixar escapar todas as lembranças que tenho de você. A única forma que encontrei de eternizar nossos momentos foi assim, e eu quero muito que todos saibam o que eu sinto por você. — roubei um beijo dela e recuperei o ar. — Em algum momento dos últimos dez anos eu devo ter pensado em alguma forma de te recompensar, tudo bem, agora temos dois filhos, essa casa, o Pongo, nossos trabalhos, mas eu sei disso, é como se com o tempo eu estivesse contando inúmeras vezes essa história para mim sem me dar conta de que vivo nela. Nossos amigos nos admiram porque sentem em nós amor verdadeiro, eles estão certos, não estão? Uma história como a nossa não vai ensinar ninguém a amar como nós, contudo ela pode mostrar que existem amores como o nosso, que existe uma mulher maravilhosa como você, alguém completamente imperfeito como eu e que pode dar certo. Emma, eu te amo.

— Nunca parei para pensar que quase dez anos de casamento passariam tão depressa. Foi muita coisa, Regina, mas eu duvido que se você não tivesse aparecido naquela boate, eu jamais viveria algo assim com outra pessoa. Não me arrependo de nada, minha vida. — Emma quis me beijar, e fizemos isso de forma apaixonada. Quando acabamos, minha mulher parou para me ver e disse: — Só não conte no seu livro que eu colocava comida no prato e obrigava você a comer o que eu não aguentava mais no jantar... E não conte também sobre a coça que te dei dois dias antes do seu aniversário em 2009 porque brigamos e não conte sobre aquele filme que não deu certo e só me fez ficar três quilos mais gorda.

— Aquela coça foi boa. — eu disse, começando a rir.

Coloquei meus braços para trás, apoiando a cabeça e continuei ouvindo a lista de exigências de Emma. Era muito engraçado como pequenos detalhes na relação importavam muito, eu achava que era a única que pensava nessas briguinhas, no que deu errado, nas birras que ela fazia ou eu, havia uma infinidade de situações para relembrar.

— Não conte também sobre minha perna quebrada, foram os seis meses mais terríveis da minha vida.

— Achei que os seis meses mais terríveis tivessem sido aquela vez que você viajou porque estávamos em crise.

— Não, aquilo foi fichinha, porque depois resolveríamos na cama, não foi? Não conte também sobre quando sua mãe praticamente me expulsou da sua casa.

— Sinto muito, querida, eu já escrevi essa parte, bem no começo do livro, isso aconteceu quando começamos a namorar.

— Droga! Quanto desse livro já tem pronto?

— Estou chegando na metade, digamos que no capítulo em que estamos em crise.

Emma bufou.

— Esse será um capítulo longo, e o que vem depois?

— Pongo, seu aniversário, Killian e Ruby, Maleficent e a MBC, Henry e o orfanato, a inseminação, a admiradora secreta, Lily e a pancadaria, a adoção, seu tempo em Vancouver e, finalmente, Mathew. — falei tudo aquilo exatamente nessa ordem.

— Isso deve dar umas mil páginas. — Emma fez um bico.

— Não se eu contar de forma resumida.

— Você está resumindo as cenas em que fazemos amor também? Olha, essas cenas são pesadas, eu não acho que devia contar sobre elas, especialmente aquela no meu aniversário. Ah, não fale sobre isso também, tenho ciúmes de ler que você estava de lingerie dançando pra mim. — ela tentou ficar séria, mas sorriu e acabamos caindo na gargalhada.

Para a sorte de Emma, eu não poderia fazer mais que alusões dos nossos momentos íntimos no livro. Bem, haviam detalhes que eu decidi guardar apenas para mim. Até os escrevi, mas os guardei como um livro erótico particular.

A hora voou e às três da manhã, nos vestimos e fomos ao quarto de Mathew. Ele devia estar prestes a acordar, só que para nossa surpresa, já havia alguém vigiando seu sono de anjo. Henry estava deitado na poltrona ao lado do berço, segurando no colo um livro de histórias que meu pai deu a ele de natal. Provavelmente o garoto foi ao quarto do irmão para contar alguma história para ele, mas acabou adormecendo ali ao lado. Emma o pegou no colo com cuidado e levou ele de volta ao seu quarto, foi nesse instante que Mathew despertou, abrindo seus olhos para mim. O par de castanhas ficou feliz em me ver, como se pudesse dizer: “Que bom que você está aqui, mamãe.”

Ele se mexia dentro do macacão amarelo quando o peguei no colo e lhe disse o quanto era lindo. Seu rosto se iluminava em um sorriso banguela que me derretia sempre. Eu sabia exatamente o que era aquela sensação de pegá-lo no colo e só querer sorrir para ele, era amor do mais puro e compreensível possível.



Semanas mais tarde, estabelecemos uma rotina saudável para o bebê, Emma, Henry e eu. Acordávamos cedo, Henry e Emma levavam o Matt e Pongo para um passeio no bairro enquanto eu preparava o café da manhã de sempre: waffles, panquecas e omelete. Os amores da minha vida chegavam sempre tagarelando e pelo visto estavam ensinando Mathew a falar, mas o café da manhã era um momento sagrado e assim que colocávamos o pequeno estacionado com o berço ao nosso lado da mesa, mandávamos ver em tudo o que eu preparava com carinho. Após isso, sobrava uma hora para descansar, eu dava banho em Mathew, Emma se aprontava para o trabalho e Henry para a escola. Dava até para ouvir uma música na minha cabeça enquanto meu filho e mulher desciam as escadas e eu segurava o bebê no colo, recebendo os beijos de despedida deles.

— Qualquer coisa me liga, o.k.? Eu venho na mesma hora. — dizia Emma após o beijo nos lábios. — Até mais tarde, garotão da mamãe. — Ela o beijava sempre na bochecha e o fazia querer ir pro colo dela, mas então vinha Henry correndo nas escadas.

— Henry, eu já disse que não deve correr quando descer as escadas. — avisei, e Henry quase não precisava se esticar para me dar um beijo no rosto e outro no irmão, isso quando não estava atrasado, Emma o apressava e ele apenas passava por nós com um abraço rápido.

— Tchau, mãe, Tchau, Matt, até mais tarde. — e lá ia ele correndo atrás de Emma com sua mochila e lancheira do Tron, o legado.

Emma levava Henry de moto para a escola, mas antes disso eu a fiz jurar que teria de ir devagar na velocidade, mesmo assim, eu sempre soube que Henry pedia ela para correr. Os dois colocavam seus capacetes, se ajeitavam e me faziam um sinal de “Tchau” antes de saírem da garagem e sumirem no final da rua. Mathew estava começando a copiar qualquer coisa que gente fazia, não demorou para ele dar tchau com sua mão pequenininha.

Hoje eu o levaria no shopping para comprar novas roupas de bebê, pois tinha crescido muito dos últimos dias para cá, então as primeiras roupas já estavam curtas ou apertadas. Fiz nosso almoço, seguindo a recomendação da Dra. Úrsula que havia me dito para começar a alimentar Mathew com papinhas e frutas após o sexto mês. Ele abria bem a boca para ganhar comida e eu fazia a brincadeira do aviãozinho que o divertia muito. Terminei de limpar sua boca após ele fazer sujeira no babador, e, assim que me levantei, o telefone da sala tocou. O peguei voltando para a cozinha, reconheci a voz do outro lado da linha.

— Alô, Regina? Tudo bem?

— Maleficent! Tudo bem e você? Está tudo certo por aí?

— Está tudo ótimo, como vai o neném? E Emma? Sua família?

— Todos bem. Eu tenho que ir até aí para conversar com você, acho que em breve posso voltar ao trabalho.

— Não tenha pressa, nós estamos aguardando você, enquanto isso os preparativos para seu novo programa vão se ajeitando. Eu quero que venha até aqui sim, mas para que você veja uma pessoa.

— Uma pessoa? Quem?

— Pode vir aqui ainda hoje?

— Hum, sim, eu tenho que passar no shopping, posso ir aí antes.

— Certo, estou esperando por você, quero dizer, estamos. — Minha amiga soou como se alguém estivesse em sua sala e esse alguém me conhecia.

Era meio de tarde quando estacionei a Mercedes na garagem de funcionários da MBC. Levei Mathew comigo e demorei um pouco para chegar ao escritório de Maleficent, pois todo mundo nos parava para ver o bebê. Reencontrei alguns colegas de trabalho, Archie, o diretor e a moça que me maquiava de vez em quando. Mas, meu filho se sentiu agitado com tanta atenção das pessoas e começou a chorar pedindo meu colo. O segurei e o acalmei rapidamente fora do carrinho de bebê. Nisso, Maleficent apareceu, ela veio quando soube que eu estava ali.

— Own, mas que gracinha! — ela fez um carinho breve em suas costas, o olhando com a cabeça apoiada no meu ombro. — Eu ainda não tinha visto ele, a não ser pelas fotos que Emma postou.

— Emma posta fotos toda semana dele, está parecendo a criança mais feliz do mundo com seu brinquedo favorito. — contei, embalando Mathew. — Ele se assustou um pouco com o pessoal, todos queriam vê-lo.

— Natural já que aqui todos gostam de você. Que bom que chegou, eu quero mostrar alguém a você. — Fomos andando na direção dos bastidores. Maleficent estava sempre elegante, cumprimentando todos os seus funcionários enquanto andava, sem deixar de me contar como se viraram sem mim no U.S.A News enquanto eu estava fora e souberam que eu não ia mais apresenta-lo. O meu substituto era o apresentador de sábado, mas Maleficent disse que ele teve um problema pessoal e estava para se mudar para outro estado.

— Tive de procurar um jornalista competente o suficiente para entrar no seu lugar, Regina. Foi uma tarefa difícil, muitos testes até chegarmos ao nome da pessoa que entraria no seu lugar e no lugar do Jake Manson. O jornal perdeu um pouco da audiência com a entrada dele, para ser sincera, o diretor estava indo na minha sala todos os dias, desesperado com a falta de sincronia entre a produção e aquele rapaz. Felizmente, achei quem fará isso melhor e a altura. Ele está aqui.

Chegamos ao estúdio do U.S.A News. Estava acontecendo uma gravação, parecia ser uma chamada para o jornal de segunda-feira. Na bancada havia um homem que de longe eu não consegui reconhecer.

— Ele parece jovem. — eu disse, espremendo os olhos para ver o rosto dele, e para a minha surpresa eu estava reconhecendo muito bem quem era o escolhido para me substituir. Fiquei boquiaberta. — Não acredito!

Maleficent segurou Mathew para mim enquanto eu andei até perto dos câmeras. A gravação acabou e o cara da bancada se levantou, me devolvendo um sorriso de longe contente.

— Regina!

— Killian! — invadi o estúdio e o abracei. Fazia um tempo que não o via, ele andava enrolado com algumas coisas do trabalho depois que voltou das férias, agora eu estava entendo que coisas eram aquelas que ele sempre inventava para não ir lá em casa visitar o afilhado. — Quando aceitou vir trabalhar aqui? Por que não me contou? — Era uma grande surpresa para mim ver meu melhor amigo no meu lugar naquela bancada que ocupei por tantos anos, mas Maleficent pensou a mesma coisa que eu, Killian seria um substituto à altura.

— Era para ser surpresa. Maleficent queria confirmar com os diretores que eu estava dentro do jornal, fiz uns seis testes de câmera antes de ser aprovado. — disse ele todo orgulhoso.

— E como chegou aqui? Como soube do teste? Você nunca me disse que queria trabalhar na TV. — comentei.

— Eu nunca pensei em trabalhar na TV até Maleficent me procurar no L.A. Diário. Ela se lembrou de mim da festa de natal na sua casa. Pensou em arriscar depois que se lembrou que eu era jornalista e vinha do mesmo jornal que você.

Dei outro abraço nele, realmente feliz por Killian ter aceitado trabalhar no noticiário. Ele também parecia feliz com a decisão. Malefi trouxe Mathew para ver o padrinho, ele gostou de apertar o queixo de Killian porque adorava as caretas que meu amigo fazia.

Após um breve lanche na cantina na companhia de meus amigos, passei no shopping como prometera a mim mesma e voltei para casa a fim de contar a novidade para Emma e Henry. Eles já estavam em casa quando cheguei com Mathew e as sacolas de compras.

— Fez a festa no shopping, hein? — falou Emma de boca cheia, enquanto mastigava um sanduiche de pasta de creme de amendoim. Henry a acompanhava no sofá.

Os dois levantaram para me ajudar.

— Deixa o meu irmão comigo, leva essas coisas lá pra cima, mãe. — disse Henry para Emma, ele colocou Matt no carrinho, empurrando na direção da cozinha.

Emma carregou as sacolas para o quarto e voltou assim que coloquei a lasanha que serviria de janta no forno. Nem preciso entrar em detalhes sobre o quanto Henry e Emma comeram, os dois pareciam ter passado uma semana inteira sem comer e ainda queriam repetir pela terceira vez o último pedaço. Adora dava para entender por quê Mathew comia tanto, ele tinha dois grandes exemplos dentro de casa. Contei para eles sobre Killian e os dois ficaram surpresos, em especial Emma que pensou em outra pessoa que faltava se ajeitar na vida.

— O Killian é um cara muito legal, agora vocês vão se ver todos os dias. — disse Henry.

— É verdade, ele realmente merece. Parece que os nossos amigos se resolveram na vida: Killian tem um emprego na MBC e está namorando, Ruby vai participar da nova série do canal treze, Maleficent está vivendo com o namorado que conheceu no Arizona... Quem mais nós conhecemos que tinha algum problema? — perguntou Emma, em tom reflexivo.

— A tia Zelena. — respondeu Henry, depois de virar o resto de suco que bebia. — Falta ela arranjar um namorado ou namorada, esse é o problema dela.

— Acho que não é mais...

Recebi uma mensagem no celular como se Zelena tivesse escutado o que conversávamos naquele instante.

— Vejam isso.

Mostrei a tela do aparelho e os dois na mesa se esticaram para ver:

Zelena diz:

Fiquei noiva, e dessa vez eu vou me casar de verdade!!!

. . .

Um mês depois, fomos à Portland para o casamento da minha irmã. Foi uma grande cerimônia na Arquidiocese da cidade, digna de uma família real. Zelena fisgou o coração de um cliente ricaço do escritório de advocacia. Eles namoraram por três meses e minha irmã disse que foi uma paixão avassaladora como nenhuma que teve com seus ex-namorados. Zelena parecia ter encontrado o amor de sua vida finalmente, ela estava radiante e incrivelmente linda. Eu a ajudei com o vestido e passei com ela por todo o processo até ir para a igreja, foi um grande dia. Por outro lado, meu pai estava emocionado por ver a filha mais velha se casando, ele tinha Zel como seu braço direito na firma, além de ter um carinho como se fosse o pai verdadeiro dela.

Zelena fez questão de nos agradecer por tudo no final da cerimônia, veio correndo nos abraçar e se despedir, ia passar a lua de mel no Cairo então faltava pouco para ir ao aeroporto. Depois que a abracei, nos olhamos como se uma etapa das nossas vidas tivesse acabado ali, mas jamais deixaríamos o laço de irmãs que nos unia. Ela olhou para Emma e meu pai que segurava Mathew no colo, em seguida Henry. Éramos a única família que ela tinha, e as pessoas com quem sempre poderia contar.

— Eu amo vocês, nunca se esqueçam disso. — disse, segurando o choro para não borrar a maquiagem e consequentemente o vestido de noiva que ficara absolutamente lindo nela. Minha irmã sempre se pareceu com uma princesa de livro (mesmo que gostasse mais das vilãs e às vezes se parecesse uma), hoje ela estava idêntica a uma. — Eu volto dentro de um mês, então me aguardem, a velha Zelena não existe mais, a partir de hoje sou uma nova mulher. — Ela disse com grande convicção e um lindo sorriso no rosto. Seu marido a pegou pela mão e eles correram até o carro que os esperava para levar os dois ao aeroporto. Nós acenamos, enquanto ela jogava beijos para todo mundo, sem tirar seu sorriso da cara.

Passei o restante do dia e noite na mansão em Portland, aproveitando a ocasião para mostrar minha antiga casa para Henry que não tinha visitado ainda. Meu pai fez um grande favor quando mostrou ao meu filho fotos minhas de quando era pequena, e o garoto aproveitou para tirar sarro disso. Enquanto ele se distraía com o avô e Mathew dormia no carrinho ao lado deles, Emma vivia um momento particularmente nostálgico olhando os cômodos da mansão. Eu sabia exatamente do que ela estava se lembrando.

— Foi ali, não foi? Foi por ali que você entrou naquele dia. Estava tão linda, a mulher mais bonita que eu já conheci, e minha, somente minha noiva. — sussurrei, deslizando as mãos por seu busto, sobre a blusa de cetim que ela vestia.

— O vestido podia estar meio apertado na cintura, mas eu esqueci desse detalhe depois que te vi. Você sim era a mulher mais bonita. — ela respondeu.

— Faz tempo, não acha?

— Quase dez anos. É muito tempo, e eu ainda te amo com a mesma intensidade que naquele dia. — Emma me abraçou, selando meus cabelos.

— Eu ainda consigo sentir e acho que você me ama até mais do que naquela época. — me agarrei a ela. — Acabei de perceber que preciso colocar essa frase no livro.

— Falta muito para acabar? — ela me fazia um carinho firme.

— Desde que você me fez essa pergunta pela primeira vez, eu acho que avancei uns dois capítulos apenas. Cuidar de Mathew tem sido mais interessante e quando vejo estou exausta para terminar o livro.

— Sabe o que isso significa?

— O quê?

— Que você ainda precisa esperar algumas coisas acontecerem para termina-lo.

— Que coisas, por exemplo? — a olhei, franzindo a testa.

— Esperar eu engravidar do seu terceiro filho ou filha. — Swan ergueu as sobrancelhas, dando a sugestão.

Eu queria dizer à Emma que adoraria escrever sobre aquilo, porém, não havia lembrado que ela queria ter mais um bebê para completarmos a família. Mas não podia usar a desculpa de Mathew ou Henry, eu estava me divertindo sendo mãe, me sentindo bem como nunca, aprendendo coisas novas que só mudando eu aceitaria, então ter mais um poderia ser uma excelente ideia.

— Hum, não se preocupe, vou falar sobre esse futuro bebê mesmo que ele ainda esteja aqui dentro de você, então, começamos uma nova história, um novo romance. — A agarrei pela gola de sua blusa.

— Mal posso esperar. — Emma fez que sim, satisfeita e me beijou na boca.



Mais algumas semanas iam se passando enquanto Mathew crescia. Passamos pela época de acordar de madrugada todos os dias, para a época de ensinar o bebê a andar, se bem que aos nove meses de idade, Matt já ficava de pé, agarrado nos trilhos do berço, fazendo festa toda vez que via um de nós três aqui de casa chegar no quarto para busca-lo. Emma e Henry estavam encorajando o garoto a dar os primeiros passos todos os dias.

Enquanto isso, meus dias de dona de casa e mãe dedicada estavam chegando ao fim, pois em breve eu precisaria voltar ao trabalho já que agora eu tinha um programa de televisão só meu. Maleficent havia me dito que eu não devia ter pressa para voltar, porém, quase um ano todo sem pisar na MBC com a finalidade de trabalhar começava a me incomodar. Eu amava ser mãe, amava cuidar de Emma e ser mulher dela, mas eu gostava de ser jornalista tanto quanto. Confesso que minha curiosidade me levou a voltar até a emissora e acertar o que faltava para o programa de entrevistas começar.

Comecei a apresentar o episódio piloto do meu programa de TV em fevereiro, iniciando a nova grade de programação da MBC. O programa consistia em entrevistar personalidades da mídia e mostrar ao público eventualmente, curiosidades sobre o cotidiano. Aquela mistura de Ellen Degeneres com Oprah me agradou de cara, mesmo que fosse uma coisa completamente diferente de apresentar o U.S.A News, que por sinal, ia bem com Killian no meu lugar. O noticiário acabava e eu entrava no ar agradecendo meu amigo por ceder espaço na programação.

— Obrigada, Killian, nos veremos amanhã, e vocês aí de casa sejam muito bem-vindos ao Talk Show dos seus artistas favoritos. — dizia eu, sentada no sofá amplo do estúdio, enquanto a câmera que meu amigo Archie operava se aproximava para o close. — No programa de hoje, vamos receber uma das atrizes mais bonitas de todos os tempos, conhecida pelo enorme talento e por ter vencido um prémio Oscar. Algo me diz que essa atriz é uma velha conhecida minha. Emma Swan.

Coincidência ou não, Emma foi a escolhida para ser minha entrevistada no primeiro programa. Obviamente aquilo tinha dedo de Maleficent, e mesmo que não tivesse, eu jamais recusaria entrevistar o amor da minha vida, mostrando para o público que nosso relacionamento era bom até mesmo quando estávamos juntas na TV.

Swan entrou no estúdio de salto, saia e blusa, cabelos soltos, enrolados até os ombros, uma combinação feminina e atraente demais para mim que precisava se conter, afinal, o programa era Ao Vivo. Então, ela me deu um beijo no rosto e um breve abraço, arrancando um suspiro da plateia que assistia. Voltei ao meu lugar atrás da bancada corada e me sentei, esperando Emma fazer o mesmo no sofá.

— Antes de começarmos, eu devo dizer que nunca imaginei que fosse acabar entrevistando uma pessoa tão importante quanto você, na minha vida jornalística inteira, Emma. — falei de forma séria, mas havia uma ironia na minha fala.

— Nem eu pensava que seria entrevistada por uma jornalista tão influente e bonita quanto você, Regina. — Já Emma preferiu fazer uma cara que entregava sua brincadeira, a plateia adorou.

— Está certo, e como vai a vida em família, se eu estiver permitida de fazer essa pergunta?

— Como se não precisasse fazê-la. A vida em família nunca foi tão boa para mim. Eu tenho uma esposa sensacional, dois filhos incríveis e uma casa bem grande para nos aguentar. — respondeu ela, cruzando as pernas.

Nossa interação durou meia hora, por mais indireta que algumas perguntas fossem no bom sentido, Emma respondeu sobre felicidade, deixando claro que se não fosse por mim, nada daquilo teria acontecido.

Ela tocou minha mão em cima da mesa em algum momento, e por coincidência eu estava usando o bracelete que ganhei dela num natal passado. Percebi que ela olhou para ele e sorriu. A proximidade entre nós estava restrita apenas pela bancada e o sofá, ela podia ficar junto de mim o quanto quisesse. O silêncio pairou no estúdio e pelo reflexo da tela atrás da gente, eu sabia que o foco da câmera era em nós duas.

— Infelizmente eu vou precisar me despedir de você, Emma. Mas algo me diz que nos veremos muito em breve por aí, quem sabe ainda hoje em casa. — comentei com aquela eloquência de jornalista que devia empregar a voz. Levei as costas da mão dela ao meus lábios e selei.

— Eu tenho essa mesma impressão, então não é infelizmente, meu bem. Nós vamos te esperar, Matt, Henry e eu.

Nos selamos sem combinar para encerrar a entrevista. A foto acabou sendo capa de uma revista no dia seguinte, mas essa era só a cereja do bolo quando tantas outras revistas e jornais resolveram falar sobre a estreia do meu programa. A audiência foi ótima para um piloto, e impressionada com esse fato, Maleficent decidiu investir mais ainda no programa. Eu estava feliz, me sentindo confortável, apresentando cinco programas por semana. E nem era pelo camarim maior que eu ganhei com a mudança de posição na MBC, eu também tinha mais liberdade dentro da emissora, podia levar Mathew nos dias em que Emma precisava ir trabalhar. Isso sem dúvida me deixava mais confortável.

E no meio disso tudo, mais três meses se foram, meu filho mais novo completou um ano, mais algum tempo depois, Emma e eu fizemos dez anos de casamento e o meu presente de bodas para minha loira ficara quase pronto, só faltava o dela que eu sabia o que seria.

Demos uma festa aproveitando que os pais de Emma, meu pai, Zelena e o marido e nossos amigos tinham se lembrado da data. Henry entregou duas taças com champagne para nós e brindamos como naquele momento do casamento. Papai nos fotografou, Emma ao meu lado, Henry na frente e Matt comigo nos braços, a foto de família que estava faltando na mesa de cabeceira. Depois, roubei minha esposa alguns minutos dali, deixando todos conversando. Levei Emma para fora da casa, no jardim e me enrosquei em seu pescoço a fim de ganhar dela um beijo pelos dez anos, como se não tivéssemos feito isso o dia todo pelos cantos da casa.

— Feliz dez anos, sra. Swan Mills. — eu disse, com a os lábios borrados pelo beijo dela.

— Feliz dez anos, sra. Swan Mills. Tenho algo pra você. — disse ela, puxando algo do bolso de trás da calça.

— Meu amor, você não devia me dar qualquer presente agora, eu ainda não terminei o livro, ele era meu presente pra você. — falei, segurando uma folha sobrada que ela me entregou.

— O presente não é esse ainda, eu não o fiz, é apenas uma confirmação.

De repente, Emma parecia ansiosa para que eu abrisse o papel, assim abri e reconheci o nome da clínica onde fiz a inseminação artificial.

Olhei para ela, mordendo meu lábio inferior, igual sua reação quando disse que estava disposta a engravidar por ela. Sorri naturalmente.

— Eu sabia. — falei baixinho colando em sua boca.

Emma lambeu os lábios e afastou meus cabelos do rosto para trás das orelhas.

— Quero esperar só mais um pouco. Penso no final das gravações da série, estão próximas, devo fazer isso logo em seguida. O que acha? Posso?

— É isso o que quer, meu amor. Você tem que se sentir confortável. Eu sabia que já podia tentar de novo, e dessa vez, eu tenho certeza de que vai dar certo.

— Espero que sim. — Ela sorria. Encostamos nossos rostos um no outro e aproveitamos os últimos minutos do nosso aniversário de casamento dessa forma.

Diante da escolha de Emma em engravidar, eu precisava definir um final para meu livro, mas prometi à ela que lembraria do bebê. Nada mais justo do que escrever o fim depois que ela estivesse com a barriga grande. Mesmo assim, gastei algumas manhãs escrevendo e pondo detalhes que faltavam na história.

Àquela altura, Mathew finalmente aprendera a andar e falava a linguagem dos bebês. Mas se você esperava a primeira palavra que ele fosse dizer seria Emma ou mamãe, está enganada. A primeira coisa que Mathew disse, claramente não foi nossos nomes e sim o de Henry.

Nos sentamos na mesa do café um dia de manhã, e conversando sobre coisas aleatórias, Mathew balançava a colher de ursinho que era dele, enquanto Emma terminava de esquentar a papinha. Ela me entregou a comida de bebê, e foi nesse momento que escutamos ele falar:

— Henry — Rápido, uma vez, igual uma tentativa.

— Vocês ouviram isso? — Henry perguntou, se assustando.

— Eu acho que ouvi. — Emma disse.

— Sim, eu ouvi, ele disse Henry. — completei.

Paramos os três para ver se ele repetia o nome outra vez. Ele voltou a se agitar na cadeirinha e falou de novo:

— Henry.

Foi a coisa mais meiga do dia, para Henry então uma enorme surpresa. Ele adorou e dizia para todo mundo desde então que o irmão era seu melhor amigo, sempre repetindo que o bebê falara seu nome antes que o das mães. Bem, isso não foi uma exceção, algum tempo depois, Matt chamou Emma e logo em seguida a mim, para então aprender o nome de todo mundo na família.



Você vai perguntar quanto tempo mais demorei para escrever o livro que contava minha história com Emma, foi basicamente como eu disse, respeitando o momento em que ela engravidasse. Aconteceu mais ou menos assim: As gravações da série de Emma se encerraram e ela estava liberada para tirar férias até quando recebesse outro convite de cinema, que não faltava. Dessa vez, Emma recusou todas as propostas que tinha para fazer o que escolheu. Nós conversamos muitas vezes sobre o assunto, mais um ano havia se passado, eu concordava que ela não precisava mais esperar para ser mãe. O que você já sabe aconteceu. Swan passou por todo o processo de fertilização primeiro, depois os exames e, enfim, a inseminação. Eu estive ao lado dela por todos os dias e horas que necessitou, torcendo de coração que nada pudesse dar errado dessa vez. Porém, com a torcida reforçada para ela engravidar, era impossível que ela não conseguisse.

Um mês inteiro se foi até ela conseguir saber se estava grávida. Eu me lembro de chegar em casa com Henry, subir as escadas e encontra-la no quarto de Mathew, parada, olhando para o lado de fora na janela, enquanto nosso filho brincava com uma porção de coisas no chão. Ela estava de costas quando me aproximei. Matt chamou “mamãe” ao me ver, nisso ela se virou.

— Oi. — Percebi que ela tinha o rosto inchado de quem havia chorado, mas ela também sorria, se contendo para não mostrar os dentes.

Ela estava me esperando chegar para mostrar o teste de gravidez. Assim que estendeu a mão com ele, senti meu coração se apertar.

— Isso é...?

— O teste, minha vida. — Emma falou. — Eu estou grávida, dessa vez, estou mesmo.

Vi os dois riscos no teste, confirmando o que ela dizia. Senti como se meu coração se derretesse de tanto pulsar com a notícia. Era como reviver toda a alegria pela qual passei quando me descobri esperando um bebê. O maior dos alívios estava estampado no rosto da minha mulher, e finalmente ela ia realizar o sonho de gerar uma criança, sendo mãe pela terceira vez, isso não é maravilhoso? Esse foi um dos abraços de Emma mais agradáveis que recebi na vida. A beijei por todo o rosto, enxuguei as lágrimas de felicidade dela e devolvi todo meu amor para ela. Se o amor é o que dizem sobre uma chama, a minha estava transbordando dentro de mim.



Enfim, eu terminei de escrever o livro com minha história de amor. Um trabalho de três anos e alguns meses, e tenho de reconhecer que talvez esses foram os melhores anos após me casar e ter formado aquela família.

Eu não diria algo diferente me sentindo como eu estava atualmente, tudo parecia dar certo, como uma valiosa recompensa por ter me tornado uma mulher melhor e realizado coisas igualmente boas, mas eu não estava feliz apenas por mim. Uma série de coisas aconteceu para completar. Maleficent abriu um novo negócio em sociedade com uma editora, e seu primeiro trabalho seria editar meu livro. Até então, a história de amor que criei não tinha um nome estampado, estava aí um problema que eu não sabia como resolver por ter me concentrado tanto em escrevê-la.

— Regina, estou absolutamente encantada com esse livro — admitiu Maleficent, olhando os capítulos que trouxe para ela em um Pendrive. — Isso tem que ser impresso o quanto antes.

— Acha mesmo que precisamos vender tantos exemplares assim? E se não gostarem da história? — eu disse.

— Deixe de ser tola, se estou dizendo que está bom, acredite em mim. Eu vou enviar agora mesmo para os meus sócios e vamos fazer uma tiragem de mil exemplares para início de conversa. — Arregalei meus olhos, achando a ideia da tiragem de livros uma loucura, mas seria uma boa tentativa. — Só há um problema.

— Que problema?

— Você não colocou nome no seu livro.

Maleficent virou a tela do computador e me mostrou de onde comecei, realmente não coloquei nada no arquivo. Parei para pensar em algo rápido, mas só nomes muito comuns de histórias clichês vinham na minha mente; A mulher da minha vida; Simplesmente Emma; Minha vida com ela; Minha avida após ela; Eu precisava ser mais criativa. Me lembrei de ter pensado naquele nome antes de escrever, era mais fácil do que eu imaginava, estava no meu pulso o tempo inteiro, andando comigo para cima e para baixo. Olhei o bracelete de ouro que Emma de deu há alguns anos e lá estava o nome do livro.

— Não há outro amor para mim. — falei.

Maleficent tirou os óculos do rosto e fez um bico de quem estava admirada.

— Hum... Eu gostei desse nome.

Não só ela gostou do nome, para a minha surpresa.

. . .

Noventa dias se foram até o grande lançamento, e como autores muito importantes, eu acabara de ganhar da editora uma noite de autógrafos na melhor livraria da cidade.

Eu estava muito contente por todas as pessoas da minha vida estarem presentes. Emma – com uma barriga de cinco meses crescendo e linda como nunca, jamais poderia faltar. – Henry e Mathew, meu pai, minha irmã, os enteados dela e o marido, Mary Margaret, David, Killian e sua noiva, Belle, Maleficent e o namorado, Peter, Archie e sua esposa e até mesmo Ruby que chegou por último. Mais pessoas estavam lá como grandes amigos. Eu pude ver a senhorita Blue do orfanato, juntamente do Dr. Flynn da clínica de fertilização e a obstetra da família, Dra. Úrsula. Todos presentes para me prestigiar.

Era difícil pensar em um discurso, embora eu precisasse falar sobre o livro que contava parte da minha vida e de Emma. Quando fui chamada ao palco montado num espaço da livraria, subi os degraus com um pouco de medo, mas andei bem até o microfone no meio, recebendo uma porção de aplausos. Olhei para as pessoas na plateia, assentindo em forma de agradecimento a todos. Já que eu não tive ideia do que falar, era melhor deixar que as palavras fossem as mais espontâneas possíveis.

— Antes de tudo, muito obrigada a todos os que estão presentes aqui nesta livraria hoje com o único intuído de me prestigiar. — comecei bem, respirei fundo e continuei. — Agradeço de todas as formas a minha musa inspiradora, Emma, que durante todos esses anos provou ser a melhor parceira de vida que alguém pode ter, e sorte a minha por tê-la ao meu lado. — Sorri para ela. Emma alisava a própria barriga, me observando do jeito mais orgulhoso possível. — Mas vou livrar vocês dos meus elogios à Emma, isso quem ler o livro que escrevi terá a oportunidade de acompanhar ao longo da história, então não há necessidade em me prolongar muito. O que proponho nesse livro é o amor acima de tudo, a capacidade que temos de nos envolver e criar um laço muito forte com quem amamos. Quando esse amor é de verdade, não há dor, crise ou problema que o destrua. Espero que encontrem a mensagem que quiserem dentro da história e que possam ter a mesma sorte que eu de viver algo tão bonito com quem eu amo, para quem eu amo.

Terminei meu discurso sob as palmas da plateia, pensando se não me faltava mais nada, se eu não queria mais nada. Um pensamento egoísta se você notar, pois eu não precisava de nada na vida, eu estava completa.

Foi uma noite de autógrafos muito interessante para mim, reconheci vários colegas jornalistas, pousei para muitas fotos com todo mundo, mas sem dúvida, me diverti muito toda vez que alguém mais próximo a mim me pedia para escrever uma dedicatória num exemplar de livro.

Depois que me sentei para autografar os trezentos primeiros livros vendidos, apareceu muita gente bacana na mesa onde eu estava sentada, incluindo minha família.

— A senhora se importa em me escrever uma dedicatória? Me chamo Henry Mills e vim de Portland, Oregon apenas para comprar este livro. Você não imagina o quanto minha esposa e eu somos seus fãs. — Era o meu pai, todo engraçado, fingindo ser um fã de carteirinha. Eu o amava muito e seu sorriso para mim nesse instante me ajudou a pensar em uma linda dedicatória na contra capa do livro.

— Na verdade, senhor, sua esposa e você são apenas as duas pessoas mais queridas do mundo, eu amo vocês. — escrevi essas mesmas palavras para ele e assinei, devolvendo o livro.

— Sua mãe estaria muito orgulhosa de você, pequena. — Papai beijou as costas da minha mão e vi que ficou emocionado por ter lembrado da minha mãe.

Ele se afastou, e na fila atrás dele, apareceu minha irmã Zelena.

— Meu pai já deve ter dito alguma coisa sobre mamãe, não é? — ela disse.

— Ele falou. Acho que roubou sua vez, irmã. — respondi.

— Ah, nada do que eu não fosse dizer também. — ela fez um gesto tolo com as mãos e sorriu. Era bem verdade que Zelena tinha mudado como prometeu, ela andava mais vaidosa e bonita, mas não tinha a ver com o dinheiro do marido milionário dela, acho que tinha a ver com felicidade, talvez. — Parabéns pelo livro, mana, prometo que vou ler com muito carinho. Mas você quer saber de uma coisa?

— É claro que quero.

Ela se esticou um pouco para falar mais baixo.

— Por um bom tempo eu tive inveja de você por ter encontrado Emma. Você sempre foi feliz antes de mim, eu não achava justo. Agora, entendo que o amor certo é loteria, eu finalmente ganhei na minha. — ela disse, embora estivesse olhando para seu marido e os enteados.

Fiz um carinho na mão da minha irmã e ela pegou o livro de volta, saindo para dar vez a Killian e Belle.

— Finalmente vamos saber os segredos da sua vida com Emma. — ele falava sempre erguendo sua sobrancelha direita. Estava com a cara mais leve, parecia muito bem ao lado da namorada dele que também era um amor de pessoa.

— Você sempre quis saber deles que eu sei.

— Eu sabia que se amavam, mas queria entender por que se recuperavam tão rápido depois das brigas, isso era um pouco engraçado. — refletiu Kill.

— O amor tem dessas, meu amigo. Leia e se divirta com os “segredos”. E Belle — olhei para ela a lado dele. — Cuida bem do meu amigo, ele merece muito carinho.

— Não tenha dúvidas de que eu vou cuidar dele, pra sempre. — ela replicou e o casal trocou olhares amorosos.

Então Mary Margaret e David apareceram com seus livros para serem autografados e brevemente me fizeram um agradecimento.

— Regina, embora você tenha afastado nossa filha de nós definitivamente, eu sempre gostei de você. — comentou Mary.

— Eu também. Ainda lembro do dia em que Emma nos ligou dizendo que tinha encontrado a mulher da vida dela. — David riu de forma simpática.

— É verdade, e não é que ela estava certa? — falei para ambos.

— De todas as coisas que aconteceram para ela, acho que você é a mais importante, continue sendo tudo para minha filha. — Mary apertou minha mão.

Me lembrei da história que Swan havia me contado sobre os pais dela terem perdido um filho antes dele nascer. Aqueles dois eram o que Emma tinha de mais preciso antes de eu surgir na vida dela, eu devia prometer para Mary e David que os próximos anos continuariam sendo bons para nós duas. Assenti, inspirando confiança aos dois, eu não iria decepcioná-los.

Depois deles, teve Archie, a esposa dele, depois a senhorita Blue que tirou uma folga do convento para vir ao lançamento e os já amigos da família Swan Mills, os doutores da clínica de fertilização. Todos pessoas queridas por mim e por Emma. Falando nela, minha mulher e meus filhos, estavam apenas esperando a fila acabar. Demorou mais um pouco e no final, eu fiquei preocupada com Emma, ela podia estar se sentindo mal.

Dei o último autógrafo e me levantei, indo até os três, sentados, rindo de alguma coisa muito engraçada que ela deve ter dito.

— O que é tão engraçado que eu não sei?

Mathew desceu do colo da loira para puxar meu vestido. Emma e Henry se voltaram pra mim.

— Nós só começamos a ler o livro em uma página aleatória. — Emma disse, me olhando por baixo. — Adivinhe em qual capítulo o Henry abriu?

Fiz um bico.

— Não faço ideia.

— No capítulo em que você me encontra dormindo na porta da minha antiga casa. — Meu filho mostrou a parte exata que estavam lendo.

— Eu não devia dizer, mas esse capítulo é um dos meus favoritos. — Peguei o livro da mão dele rapidamente e conferi o que havia escrito. — Ah, estão rindo porque Henry ficou com a cara marcada por ter dormido em cima do tapete.

— Também disso. Nós achamos engraçado Henry ter aberto o capítulo justamente aí, foi basicamente quando você percebeu que queria ser mãe. — Emma falou.

Dei um grande suspiro e fechei o livro.

— Foi quando me dei conta de que queria ter uma família grande.

Me sentei ao lado deles. Henry sorriu e o abracei de lado. Matt subiu no meu colo, pousando seu rosto e cabelos escuros em meu ombro e Emma me fitava de uma forma completamente doce. Ela pegou minha mão livre, juntando a dela sobre sua barriga crescida. Foi o momento mais importante para mim naquela noite. Meus três filhos ao meu lado e Emma. Bem, se eu tinha dúvida de que faltava alguma coisa antes, lá no palco, agora eu sabia que estava enganada.



A venda dos livros ia bem, meu programa na TV era um sucesso igualmente bom. Eu caminhava para o final que escrevi na minha história, o mais óbvio. Mas a verdade mesmo era que meu romance não teve um fim e ao que parecia estava longe de se tornar uma trilogia ou uma série de livros que te fazem chorar sempre que você ler. Acordei uma madrugada dessas pensando nisso. Histórias de amor não tem fim. Elas vivem recomeçando, seja do zero ou quando já estão mais maduras.

Era justo pensar dessa forma tendo o casamento que eu tinha e dentro das atuais circunstancias. Eu tinha encerrado uma etapa da minha vida para começar outra tão boa quanto.

Faltavam algumas semanas para meu aniversário chegar, eu ia completar trinta e cinco anos, e no entanto já havia realizado todos os sonhos de uma mulher. Foi essa reflexão que me fez levantar naquela madrugada morna, como um aviso de que eu devia perceber o que estava acontecendo.

Emma repousava na cama, dormindo o auge do sono de beleza, eu sempre babei por ela dormindo, mas ultimamente tem sido tão lindo quando ela dorme que eu pretendia fazer um quadro. Toquei em sua barriga, deixando um beijo delicado na menina que estava por vir ali dentro. Sim, nós descobrimos que seria uma menina dessa vez e eu esperava que ela fosse parecida com Emma, os mesmos olhos, cabelos, o rosto angelical, tudo o que pudesse ter da mãe atriz.

Deixei o quarto e fui até o fim do corredor conferir se Henry estava dormindo bem. Entrei em seu quarto de mansinho, percebendo que ele cresceu muito desde que chegou na nossa casa, pois o edredom já começava a ficar ligeiramente pequeno sobre o corpo dele. Ajeitei a coberta por cima dele, fiz um afago em seus cabelos e vi Pongo deitado no canto do quarto. Eu sabia que Henry o trazia antes de deitar, então deixei que ficasse assim.

No quarto de Mathew, ele dormia tão em paz que nem meu carinho em sua barriga o fez despertar. Ele era como meu pai e Henry diziam, parecido comigo. O mesmo rosto emburrado, bochechas volumosas e os cabelos bem escuros. Era justo pois tendo uma versão pequena de mim, em breve Emma teria uma versão menor dela. Fez sentido.

Não me lembro de olhar que horas eram quando deixei o quarto, mas deva estar prestes a amanhecer. Me enrolei no robe por estar fazendo um frio típico da madrugada, peguei um copo d’água e voltei para a sala. Havia um exemplar de Não Há Outro Amor Para Mim em cima da mesa, eu quase o peguei para reler o que tinha escrito, mas algo me chamou a atenção. O dia estava chegando, começou a clarear atrás de mim, na janela e me virei para ver. Foi uma das primeiras vezes em que tive a chance de encarar o sol nascendo, e me sentia arrependida pois era uma coisa linda, ainda mais a sensação que me dava depois que eu jamais soube explicar qual era. Eu notei que meus olhos ardiam, mas era impossível não permitir que lágrimas rolassem deles.

Quando me dei conta, eu estava na janela há uma hora, Emma ia se levantar em breve e me procurar. E para minha surpresa, ela tinha feito isso há muito tempo, pois assim que escutei seus passos descendo as escadas, eu me virei para vê-la. Ela se aproximou de mim, beijou meus lábios e suspirou com sono.

— Te procurei na cama e não achei, sabia que tinha descido.

— Vim assistir o sol nascendo. — eu disse, roçando a ponta do meu nariz no dela.

— Imaginei. Você ultimamente tem feito coisas que não costumava antes. Devia ter me chamado para ver com você.

— Da próxima vez eu prometo que chamo vocês duas. — sorri para Emma e nossa menina em sua barriga.

Demos um beijo demorado e dali Emma foi fazer nosso café da manhã.

Eu estava prestes a segui-la, porém, o livro sobre a mesa me chamou novamente a atenção e eu finalmente havia entendido o significado de me sentir tão emocionada em ver o sol nascendo. Hoje seria o primeiro dia da continuação do meu romance com Emma, a nossa história estava ganhando o novo início, e talvez um dia eu iria parar para lembrar tudo de novo.

Notas finais
Eu já estou sentindo muito a falta de escrever essa fanfic. Nunca um trabalho desses me fez tão bem a ponto de querer continuar tanto. Muito obrigada a todas pelo retorno que vocês me deram em vários dos capítulos, só para não perder o costume. Um beijo em especial para as que estavam frequentemente comentando: Shei, BeatrizTavares2, maleczada, Gabilnsanity, Alexandra Monte, Modern Love, lelebatist2, mellowness, Jhe, Giuliacci, DiFabray, Queen4ever, Zai, LayCooper, Vetzen e também para todas que fizeram uma recomendação. Pra quem ainda não sabe, eu comecei uma nova fanfic, chamada Intimamente Emma, com uma proposta totalmente diferente, mas escrita com a mesma dedicação: https://fanfiction.com.br/historia/711738/Intimamente_Emma/ Um beijo enorme, que vocês tenham um ótimo natal e ano novo. Fiquem bem.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!