Não há outro amor para mim.

15 O amor requer sacrifícios.


Notas iniciais
Fala galera, aqui é a amiga Beast de vocês trazendo esse simples capítulo que tem alguns pontos interessantes sobre Regina e Emma depois de retornarem da lua de mel. Como houve uma grande demora na postagem desse capítulo, eu vou compensar vocês com outro provavelmente segunda ou terça-feira, vai depender da inspiração, mas não fiquem tristes se acharam esse capítulo pouco, ok? Tem mais coisa vindo aí porque há alguns episódios dessa história para contar antes de chegarmos nos dias presentes da narração da Regina. Eu espero que gostem, façam uma boa leitura.


Voltamos para os Estados Unidos com umas centenas de fotos na máquina, uma bagagem extra de lembranças de Cancún e ótimas histórias do que aprontamos para contar. Foi sem dúvida uma lua de mel e tanto. Eu já estava sonhando com o dia em que voltaríamos para o México, mas serviria qualquer lugar paradisíaco contanto que fosse com Emma.

Acho que essa primeira viagem que fizemos juntas deu certo justamente pela nossa disposição em fazer de cada momento um só. Olhando as fotos hoje, sinto muita alegria e uma imensa saudade de quando Emma abria aquele sorriso avassalador para mim. Ela ainda o faz, mas não com a mesma frequência, e, eu sei que no fundo, a culpa pelo o que está acontecendo com o nosso casamento é toda minha.

Mas voltando a falar do nosso retorno eu não poderia deixar de lembrar de quando chegamos em Los Angeles; Meu pai e minha mãe haviam nos comprado uma casa tipicamente americana em Pacific Palisades, um bairro um pouco afastado da parte mais agitada de L.A. Mary Margaret e mamãe ficaram de decorar a casa para nós enquanto viajávamos, dessa forma, quando chegamos, nossa nova residência estava pronta apenas nos esperando.

A casa não era uma mansão, mas tinha espaço o bastante para Emma e eu curtirmos nossa nova vida de casadas. Dois andares, três quartos, escritório, três banheiros, sala de jantar, sala de visitas com uma lareira, cozinha larga que dava para o quintal espaçoso com piscina e jardim, além da garagem. Sinceramente, ainda é a casa dos meus sonhos (e apesar da fama e dinheiro que Emma ganharia nós nunca pensamos em mudar para um lugar maior).

Como a boa decoradora que minha mãe era, deixei que ficasse a par dos detalhes para nós. Mary se encarregou dos móveis. Quando chegamos, tivemos uma surpresa ao vê-las nos esperando para entregar tudo como prometido e elas fizeram um ótimo trabalho. Emma e eu zanzávamos pelos cômodos da casa como duas crianças descobrindo a Disney Landia enquanto as duas riam.

— Hey, vocês duas — chamou mamãe da sala quando voltávamos de um dos corredores. — se estiver faltando alguma coisa ou se não gostaram de algo digam logo, ainda dá tempo de consertar.

— Faltando o que, mãe? Está tudo maravilhoso! — falei de mãos dadas com minha mulher que concordou.

— Lindo! Tudo muito bonito, de muito bom gosto. — ela dizia deslumbrada, depois olhou para Mary.

— E está mesmo, modéstia parte. — disse a senhora Swan. — Agora olhem lá em cima, acho que vão gostar ainda mais do quarto de vocês.

Então subimos as escadas e encontramos nosso quarto, o lugar onde passaríamos mais tempo nessa casa. E realmente gostamos da cama queen size, dos abajures e cômodas mas principalmente porque mamãe se lembrou de colocar em cima de uma delas uma foto do casamento, a nossa predileta.

Ficamos felizes de ver que nossas mães estavam se dando bem. Ao que parecia, mamãe havia convidado Mary para apresentar alguns de seus trabalhos no estúdio em Portland. Elas passaram aquele dia conosco nos ajudando a desfazer as malas da lua de mel. Houve um momento em que fiquei a sós com Cora e ela me perguntou se havia dado tudo certo na viagem.

— Quer dizer que vocês aproveitaram bastante?

— Sim, mas sabe que mesmo assim nós não estamos tão cansadas. — respondi em tom animado.

Eu e ela ficamos de pé na sacada de um dos quartos olhando para o jardim da parte de trás da casa. Dava para ver também um pouco das montanhas que cercavam Palisades bem de longe, uma vista bonita. Não foi difícil me acostumar.

— Normalmente a parte que cansa na lua de mel é a cama do hotel. — disse me olhando com uma cara muito engraçada.

— Emma que o diga. — brinquei e gargalhamos juntas.

— E você está feliz?

— Muito, muito! — disse com ar apaixonado. — Emma é o amor da minha vida, mãe. Eu sinto isso, eu tenho certeza.

— Sente tanto que está até abandonando sua família.

— Não é verdade, mãe, você sabe que não é assim. Eu não vou abandonar vocês.

— Eu sei, querida, só brinquei um pouco e eu entendo que um dia você sairia de casa para viver a sua vida com a pessoa que você ama. Por muito tempo achei que fosse Daniel, contudo, as coisas não foram o que pareciam. Você olha para Emma de outra forma e ela olha para você de um jeito ainda mais forte. Eu só vi alguém olhar assim para outra pessoa uma vez. — disse ela.

— Quem, mamãe?

— Seu pai para mim.

Saber de um detalhe tão íntimo do relacionamento dos meus pais me deixou encabulada, mas ao mesmo tempo admirada. Eu sempre soube que meu pai se apaixonou pela minha mãe à primeira vista, assim como eu por Emma, e pelo jeito nossos romances tinham muitas coisas em comum. Era um sinal de que poderia dar tão certo quanto o deles.

— Jura?

— Uhum — assentiu Cora. — Não tenho dúvidas de que você fez uma boa escolha, querida, só lhe digo uma coisa: o amor, por si, por ele mesmo é o que mantém o casamento. E às vezes para mantermos esse amor firme, precisamos sacrificar algo que não queremos abrir mão.

Quando minha mãe me disse isso não sei por quê senti como se meu coração estivesse espremido dentro do peito. Ela estava me alertando. Sempre me lembro das sábias palavras dela, especialmente agora.

Por fim, nossas mães foram embora no dia seguinte. Minha mãe voltou para Portland e Mary voltou para Nova York. A despedida de Emma foi dolorosa pois elas não sabiam quando iriam se ver de novo, mas eu prometi que nas próximas férias iriamos para lá visitar ela e o David.

Agora com a nova casa inteiramente para nós e a vida de recém casadas naquele furor sexual, não fizemos diferente da época do namoro. Namoramos em praticamente todos os cantos da casa, ou seja, todos estavam aprovados. Ainda me surpreende muito lembrar do nosso libido naquela época e o que me assustou quando Emma confessou ter se tornado viciada em sexo com um porém, só depois de ter me conhecido. Mas quem sou eu para reclamar de uma coisa que nos fazia tão bem, talvez esse fosse o sacrifício que minha mãe falou.

Nos dias seguintes, recebi minha carta da recomendação enviada pelo meu ex-chefe o senhor Sidney. Junto recebi o endereço do jornal onde devia apresenta-la, o Los Angeles Diário. Lá fui apresentada para um senhor elegante e muito educado chamado Gold. Ele era o diretor do jornal e ficou muito satisfeito com a minha recomendação.

Um fato curioso sobre Gold é que ele também era casado com uma mulher mais jovem, Belle French. Eu estava ao ponto de me perguntar se era uma regra que todos os chefes que eu tivesse gostassem de mocinhas que tinham idade para serem suas filhas. Não que eu fosse contra, mas era engraçado. Além disso, a tal jovem que era casada com Gold, também era atriz de seriados Teen, ela era bem popular. Na mesa dele haviam alguns retratos deles dois em premières e fotos que tiraram para o jornal também. O Los Angeles Diário tinha uma famosa coluna semanal sobre personalidades da mídia. Comecei a imaginar Emma dando uma entrevista para mim que fosse parar nessa coluna.

Acabei ficando como assistente de redação sabendo que seria meu cargo temporário. Mesmo assim, eu tive bastante trabalho nas semanas seguintes. Enquanto isso, Emma, Ruby e o restante do elenco do filme começavam a divulgar o longa-metragem em que participaram. Era um filme de terror chamado “Sent to Hell” que tinha previsão para ser exibido no verão em todo o país. Com o merchandising investido no longa, a bilheteria de estreia arrecadou quinhentos mil dólares.

Lembro de ir à pré-estreia com Emma e adorar vê-la na tela grande do cinema mesmo que em muitas das cenas ela estivesse ensopada de sangue (na verdade era suco de groselha reforçado) e lama. O filme foi sucesso, os diretores ficaram em polvorosa e pretendiam fazer uma sequência. Assim como em My Sweet Heart Mary, Emma ganhou reconhecimento e começou a chamar a atenção de outros diretores.

Minha esposa ainda não era uma celebridade, mas já não podíamos sair muito na rua, pelo menos enquanto o filme ficou em cartaz pois as pessoas a reconheciam. Embalada no sucesso de Sent to Hell, Emma aceitou trabalhar em mais um filme, só que esse seria uma comédia romântica. Uma entre as tantas que ela fez, porém, o gênero que consagrou Swan foi o drama.

Nisso com o sucesso do filme de terror e o novo trabalho em vista da minha loira, o natal chegou. Decidimos ficar em L.A. no recesso, até porque fomos convidadas para várias festas de natal dos atores e diretores que Emma conhecia. Até que consegui me divertir conhecendo gente nova e comendo todos os petiscos que nos ofereciam, o grande problema era que em todas essas festas passei a maior parte do tempo longe de Emma. Que dividia sua atenção com o pessoal do filme que sempre a puxava para um canto. Tive de me acostumar com isso durante algum tempo, depois eu sabia que teria toda a atenção dela, não era a pior das situações que já enfrentamos. (É, ainda vou contar sobre os paparazzi em breve.)

Na noite de natal ficamos esperando dar meia-noite ao lado da árvore que montamos na sala de estar da casa, vestidas com pijamas e abraçadas embaixo de uma coberta. Emma me contava algumas histórias de natal da época em que vivia em Nova York, me fazendo rir algumas vezes pela forma como imitava seus pais.

— Então meu pai disse: Emma, não coma tantos biscoitos, você vai passar mal. E sabe o que eu fiz? — ela perguntou.

— Não, eu não sei. — respondi a olhando meio que de lado.

— Comi o pote inteiro. — e riu um bocado. — Sabe, eu sinto falta desses tempos, pena que não voltam.

— Agora você vive natais muito mais interessantes comigo.

— Eu sei, mas o que eu sinto falta é de poder correr e brincar como criança. Acho que é por isso que gosto tanto delas.

— Você me disse mesmo que adora crianças. Já eu não tenho muita paciência. — falei um pouco desleixada.

Emma virou meu rosto para olhar para ela, nos beijamos e então pousou seu queixo em meu ombro para sussurrar no meu ouvido:

— Posso te pedir uma coisa?

— Claro que sim, meu amor. — eu disse.

— Eu quero um filho. Eu quero adotar uma criança com você.

Ela não viu mas fiquei sobressaltada ao ouvir aquilo.

— Você o quê?

— Um filho, Regina... Que tal a gente adotar uma criança?

Engoli em seco. Pensei brevemente, porém, eu jamais havia me imaginado sendo mãe. Era tão cedo para pensar nisso. Nós praticamente ainda éramos recém casadas. A ideia de Emma soava absurda para mim.

— É tão cedo para pensarmos nisso, meu amor. Não temos nem cinco meses de casadas.

Minha mulher riu de leve.

— Não agora, minha vida, daqui a algum tempo, quando você estiver mais tranquila no jornal. Já pensou, uma criança correndo por essa casa? Tem muito espaço aqui, e a gente poderia...

— Emma, vamos deixar pra pensar quando for a hora certa então — a interrompi. — Nesse momento temos que focar no trabalho, aproveitar os momentos que temos juntas. — me virei finalmente e a olhei nos olhos, tocando em seu rosto. — Deixa para ver isso ano que vem.

— Mas ano que vem é daqui a uma semana, minha vida. — ela sorriu para mim.

— Então, outra hora a gente conversa sobre isso, o.k.? — tentei desviar do assunto de qualquer jeito. Para mim Emma estava completamente maluca naquele momento. Como ela poderia pensar em filhos tão cedo? Tudo bem que ela sempre gostou de crianças, mas eu achava que ter filhos era algo tão distante de mim que nunca soube lidar com a ideia. Naquele momento então eu com certeza não queria lidar com a ideia.

Achei que era apenas uma coisa momentânea e com o tempo eu fosse querer ser mãe também, todavia, não foi o que aconteceu.

Minha sorte foi que Emma trabalhou muito desde então se esquecendo desse pequeno detalhe que ela tanto almejava na vida. Eu sabia que no fundo o trabalho tiraria um pouco daquela vontade da cabeça dela. Então deixei o tempo passar. Infelizmente com ele, compreendi o que minha mãe me disse na varanda do meu quarto um dia: O amor requer sacrifícios.

Notas finais
Já se pode imaginar o problema atual das duas, ou não? Vocês conseguem prever o que Regina tanto lamenta nessa fanfic? A resposta quase veio nesse capítulo. Se você gostou acompanhe, favorite, comente. Eu fico muito contente com o retorno mesmo. Se tem alguma dúvida fique à vontade para falar comigo por aqui também, é sempre um prazer conversar com as minhas leitoras sobre a história. Então, até o meio da semana, me aguardem. Fiquem bem!