Não há outro amor para mim.
18 Minha promoção para a TV e más notícias.
Notas iniciais
Logo após o episódio com Ariel Sheets, Emma e eu prometemos que nunca mais brigaríamos por ciúmes ou coisa do tipo. Só sei que Emma ficou tão chateada que quis ir até Beverly Hills para tomar satisfações com a senhorita Sheets, mas não deixei. Era perda de tempo e já havíamos nos resolvido.
Então com nossas rotinas de volta, nada de muito relevante aconteceu nos seis meses seguintes.
Swan terminou de gravar a comédia romântica na qual era protagonista. Meu trabalho como repórter andava me rendendo fama dentro do jornal e pelo meu bom trabalho, no final do semestre Gold me prometeu uma promoção.
Posso dizer que eu estava muito feliz por conta disso. Se tudo fosse como eu estava imaginando, em breve eu seria chefe de edição no jornal. Tudo caminhava para isso, mas surpreendentemente minha profissão tomou um rumo diferente.
Antes disso minha esposa passou um tempo em casa descansando das filmagens e se organizando para o próximo trabalho que faria. Três diretores a convidaram para diferentes trabalhos e minha loira se viu indecisa entre: drama, comédia e terror novamente.
Numa dessas noites em que antes de dormir ficávamos nos acarinhando lentamente uma nos braços da outra, Emma falou das propostas para o cinema. Quis minha opinião.
— Que tal eu aceitar a comédia agora? — perguntou.
— Você precisa pensar qual dos gêneros é o melhor para você nesse momento. — falei, me ajeitando em cima dela.
— Eu acabei de sair de uma comédia romântica, talvez o drama seja melhor. É uma personagem difícil, não sei se vou dar conta.
— Mas você é uma ótima atriz, de onde tirou isso? No teatro mesmo, conseguiu fazer tanta coisa.
— É que para o cinema o esquema é outro, minha vida.
— Sabe o que eu acho? Você precisa de desafios.
— É — ela desabafou. Alisava meu rosto enquanto eu a olhava, tocando sua bochecha com os dedos. — Eu gosto de desafios.
— Então, aceite o drama. — eu disse — Deixe-me ver se está pronta para o papel — comecei a brincar. — Vamos fazer uma cena muito dramática.
Emma deu uma risada.
— Uma cena dramática? Tipo Romeu e Julieta? Eu já encenei Romeu e Julieta na faculdade. — ela se lembrou.
— Isso. Vamos. Eu estou morta e você tem que chorar. — escorreguei de cima dela e me fingi de morta com os braços estirados no colchão.
Swan pigarreou e esfregou os olhos com as mãos para ficar com cara de choro e me segurou pela cintura, me abraçando como na peça de Shakespeare. Senti ela me apertar contra seus seios, e começou:
— Oh, Julieta... — disse fingindo uma voz chorosa, se tremia toda. Ela havia entrado mesmo na brincadeira. — Não! Não pode ser verdade! — Emma me sacudiu várias vezes. — Julieta? Julieta, não! — me apertou de novo e selou minha boca enquanto eu continuava me fingindo de morta e quase morrendo de verdade com a vontade de rir. — Se você teve coragem de abandonar a vida, eu também tenho. Vou enfiar esta faca no meu peito. — falou como se estivesse no teatro.
E fingiu enfiar uma faca no peito, chegou a fazer barulho, desabando do meu lado.
Abri os olhos, olhei para ela de lado e gargalhamos juntas. Nos abraçamos de novo então vi seu rosto e percebi que seus olhos estavam marejados. Mais do que isso, ela havia chorado pra valer na cena.
— Emma, você chorou de verdade. — falei me espantando.
Minha loira secou o canto do olho esquerdo.
— Você disse que eu tinha de chorar de verdade, não disse?
E não é que ela chorou mesmo? Eu sabia que ela era boa atriz e pelo visto só melhorava a cada papel que fizesse. A enchi de beijos no rosto e voltamos a rir, nos abraçar e, além disso, brincamos de interpretar mais um pouco. Só que não eram mais cenas dramáticas. O restante da noite foi puro romance.
Pegamos o habito de brincar de teatro antes de irmos para a cama e as cenas eram a justificativa para fazermos amor depois.
Não me lembro ao certo quantos personagens inventamos, mas que aquilo apimentou nosso casamento, isso fez.
Me lembro de uma noite em que Emma se fantasiou de policial e nossa... o uniforme ficou ótimo no corpo dela. Eu de bandida não precisava dizer muita coisa, apenas “sim, senhora” ou “não, senhora” e obedecer as ordens dela. Foi sem dúvida uma das melhores fases do nosso relacionamento. Mas Emma voltou a trabalhar e já não brincávamos muito depois disso porque ela chegava exausta em casa no fim do dia e tudo o que queria era uma boa massagem em seus pés.
Como havia me prometido meu chefe estava disposto a me oferecer uma promoção pelo bom serviço como repórter, mas diferente do que eu pensava a promoção não era para chefe de edição.
Um belo dia Gold me chamou em sua sala, me pediu para sentar na cadeira a sua frente na imensa mesa de chefe dele, do mesmo jeito que Sidney havia feito quando me ofereceu minha primeira promoção na carreira de jornalista.
— Sente-se, Regina. Tenho algo interessante para conversar com você. — disse Gold com a voz mansa que ele tinha. — Não sei se você já sabe, mas nosso jornal tem parceria com uma rede de TV local e esse canal está procurando uma repórter para o novo noticiário da manhã.
Ouvi atenta tudo o que ele disse, sentada ali na frente dele querendo entender. Gold disse TV local. Demorei pouco para pegar no ar o que ele iria dizer a seguir.
— Oh, é mesmo? — fingi estar surpresa com a notícia.
— Eu indiquei você e sua entrevista está marcada para amanhã às onze com o diretor do noticiário. — Gold foi direto, chegou a apontar o dedo para mim.
— Você me indicou?
— Sim. Meus parabéns, Regina, você será repórter de TV a partir de amanhã. — ele estendeu a mão para mim, me cumprimentou enquanto eu continuava voando. Agora sim a notícia tinha me surpreendido. Quer dizer que eu iria trabalhar na TV agora?
Saí da sala dele meio tonta. Nunca foi minha intensão trabalhar em um noticiário em uma TV local, eu sempre achei que minha carreira seria toda em jornalismo de papel, como chamamos quem trabalha em jornais e revistas. Mas para ser sincera eu gostei da ideia. Por que não? Era uma oportunidade muito boa.
Pensando assim, fui assinar meu novo contrato na emissora local no dia seguinte. Pedi dicas para Emma de como me portar na frente das câmeras pois eu não tinha experiência com televisão a não ser nos trabalhos da faculdade em que fiz aparições para o canal da universidade, mas também foi apenas isso.
Eu tinha algum tempo para treinar, o noticiário só estrearia no final do mês então eu me preparei bastante em casa antes de fazer o teste de câmera que no final deu certo, muito por conta da minha fotogenia. Foi nesse dia que conheci Archie o meu mais novo amigo e cameraman que trabalharia comigo nos links ao vivo.
Archie era um cara engraçado. Ligeiramente calvo, andava sempre com o boné da emissora na cabeça e usava óculos sobre os olhos claros quando não estava segurando a câmera em um dos ombros. Ficamos amigos logo de cara.
Em casa Emma estava muito feliz por mim. A cada passo que eu dava na minha carreira ela se sentia muito orgulhosa de mim. Era maravilhosos ter o apoio dela e mesmo sabendo que dali para frente eu seria uma pessoa pública por aparecer todos os dias na televisão, ela não sentiu ciúmes e me apoiou da melhor maneira possível. Onde eu encontraria um mulher como essa? Não existia, Emma foi e é a melhor esposa do mundo por ser feliz me vendo feliz como fez com minha carreira.
Pois bem, faltavam alguns dias para minha estreia no jornal, gravei algumas reportagens para adiantar a pauta das próximas duas semanas de noticiário e estava tranquila, dividida entre a emissora e o Los Angeles Diário onde mantive serviço na coluna de celebridades. Eu andava cheia de trabalho naquela época, apesar de voltar para casa no mesmo horário de sempre. Ainda dava tempo de chegar e preparar alguma coisa para jantar com minha mulher mesmo que eu não tivesse talento nenhum para a cozinha. Enfim, eu também andava exausta porém muito satisfeita com a vida.
Até que um dia, enquanto eu fazia a comida e Emma terminava de tomar banho, o telefone tocou na sala e eu corri para atender.
— Alô.
— Regina — era a voz da minha irmã Zelena. — Eu... Eu preciso que você venha para cá. — disse de um jeito trêmulo.
Fiquei assustada com o jeito como ela falou. Parecia nervosa.
— Zelena? O que houve?
— A mamãe... Venha logo.
Ela mal conseguia falar. Alguma coisa tinha acontecido com nossa mãe.
— Zelena, fala logo o que está havendo? O que houve com a mamãe?
— Nossa mãe, Regina. Nossa mãe sofreu um acidente de carro, você precisa vir à Portland rápido! — soltou as palavras de uma vez.
De repente senti meu coração se apertar por dentro e meu estômago embrulhou.
— Como é que é?
Emma descia as escadas de roupão quando me viu cambaleando perto do sofá. Deixei o telefone cair da minha mão. Minha mulher correu até mim e me segurou, pegando o telefone do chão para falar com Zelena.
— Zelena, o que foi que aconteceu? — perguntou Emma a mesma coisa.
— Cora sofreu um acidente. — respondeu minha irmã. Eu conseguia ouvir enquanto abraçava Emma, assustada. — Preciso que Regina venha para Portland o mais rápido possível. Não sei se mamãe vai aguentar. — foi a última coisa que Zelena falou aos prantos do outro lado da linha antes da ligação cair.
Naquela noite nós não iríamos jantar. Emma me olhou apavorada me perguntando o que faria.
Tudo o que sabia era que minha mãe havia sofrido um acidente e era grave. Zelena não podia estar brincando, e não estava. Eu precisava voltar à Portland.
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