Não há outro amor para mim.

68 Henry faz uma redação importante.


Notas iniciais
Olá, amigas leitoras. Este é o antepenúltimo capítulo da fanfic e já está batendo uma nostalgia gigante em mim. Só posso agradecer vocês por esperarem pacientemente esse capítulos finais que demoram a sair mais pela dedicação em fazer eles maiores como é o caso desse. Nos encontramos nas notas finais, tem um recado lá. Façam uma boa leitura.


Enfim grávida, e essa palavra já não me dava mais medo. Eu ria enquanto Emma e eu caíamos na cama e sentia a felicidade dela. Os olhos de Emma brilhavam radiantes e todos os meus receios iam embora dando lugar a uma vontade imensa de ver minha barriga crescer com aquele bebê. Depois de tanto tempo, tantos empecilhos criados por mim, eu havia encontrado o que me completava, algo que neguei por muito tempo, mas que sempre esteve comigo bem aqui no fundo. Foi essa a primeira coisa que disse à Swan depois de toda a empolgação em que ficamos. Emma alisava meu rosto, me beijava e suspirava sem esconder o quanto queria.

Passamos minutos sorrindo como se não precisássemos de mais nada naquele dia. Bem, na verdade precisávamos sim, contar a todos o que estava prestes a ocorrer conosco, seriamos mães de mais uma criança. E no meio da euforia pensamos em tanta coisa: nome do bebê, se seria um menino ou menina, se Henry ia gostar dele, se ele ou ela ia ter a cor dos meus olhos e cabelos, se seria falante, se seria mais calma, se ia gostar de Pongo, qual seria sua cor favorita... Muita coisa. Isso de repente pareceu algo tão bom de se pensar, fazer planos e imaginar como a vida vai ser. Se eu soubesse que me sentiria tão bem, eu teria engravidado mais cedo no nosso casamento. Mas será que Emma e eu seriamos maduras como hoje para encarar um filho naquela época? Talvez não.

Então minha mulher me fez prometer que eu a deixaria cuidar de tudo, desde o que eu ia comer até estar sempre ao meu lado quando fosse fazer os exames de pré-natal. Ela soava como a pessoa mais realizada do mundo, como se quem estivesse grávida fosse ela, eu entendia, era seu sonho se tornando real. A experiência pela qual eu ia passar serviria para nós duas mais uma vez. E enquanto eu pensava nisso, ela alisava minha barriga por baixo do pijama, parando de vez em quando para me olhar.

— Temos que contar para o Henry.

— Para o Henry... — repeti um pouco abobada com a forma como ela me tocava e no quanto seu rosto ficava corado quando estava feliz. — Ele vai ficar muito contente.

— Acho que todo mundo, minha vida. — ela sorriu, selando um beijo nos meus lábios.

Fomos contar para nosso garoto a novidade. Henry estava na sala, assistindo televisão quando descemos Emma e eu para falar com ele.

— Flapjack! Eu adoro esse desenho, sabia? — disse Emma, chegando perto dele no sofá, deixando a muleta de lado.

— É muito engraçado mesmo, mãe. — ele deu uma risada. Me olhou por cima do ombro, depois olhou Emma de novo. — Vocês demoraram para acordar hoje. Foram dormir tarde ontem?

Emma e eu trocamos olhares e assenti para minha mulher como se tomasse para mim a obrigação de contar a ele o que houve.

— Na verdade acordamos cedo e demoramos para descer porque eu descobri uma coisa, uma coisinha bem pequenininha. — prendi os lábios.

Pela cara que ele fez, acredito que tenha adivinhado o que eu iria contar.

— Acho que já sei o que você descobriu.

— E o que ela descobriu, Henry? — perguntou Emma.

Ele deu seu sorriso matreiro e se levantou para dar a volta no sofá e me abraçar. Encostou a cabeça bem no meio do meu abdômen e fechou os olhos.

— Meu irmão.

Toquei seus cabelos e fiz carinho neles.

Emma ficou espantada com a forma como Henry sabia de tudo ao nosso respeito, ou adivinhava como parecia nesse momento.

— Incrível, esse garoto sabe de tudo antes da gente.

Henry abriu os olhos e se soltou pouca coisa de mim para responder a mãe.

— Claro, é muito fácil, quando disse que era uma coisa pequenininha, eu logo pensei no bebê. Era tudo o que vocês queriam, então não foi difícil imaginar que iam me contar mais cedo ou mais tarde da inseminação. Bem, agora que você vai ter meu irmão, vai me deixar escolher o nome dele, não vai?

— Como pode ter certeza de que é um menino, filho? — perguntei, segurando em seus ombros.

— Porque sim, ora. Quero que seja um menino para brincar comigo.

Nós rimos disso.

— Se for uma menina também vai brincar com você, não acha? — Emma disse.

— Pode ser, mas eu tenho certeza que vai ser um menino. — disse, muito certo.

— Okay, filhinho, então fazemos um trato, se for um menino você pode escolher o nome.

Ele gostou da ideia e assentiu muito orgulhoso.

— Feito.

Depois disso, Emma e Henry inventaram de ir para a cozinha quando eu disse que faria o café da manhã, mas eles deram a desculpa de que agora eu não devia mais me preocupar com esse detalhe, pois eu esperava um bebê e tudo o que precisava fazer era descansar e observar. Me senti a pessoa mais paparicada do mundo quando vi as pilhas de panquecas, waffles, ovo mexido e suco começarem a subir na mesa, porque meu filho e minha mulher estavam muito preocupados em fazer aquele bebê crescer forte. Comecei a pensar que quem ia crescer seria eu e para os lados. Emma e Henry, como se eu pudesse aguentar muito, me davam panquecas na boca, um exagero danado e acabei enjoada antes de chegar na metade do prato, outra coisa que me fez lembrar que mulheres grávidas têm, enjoos e dos brabos. Se eu já estava enjoada de tanto comer panquecas, em breve eu não aguentaria sentir o cheiro delas e de qualquer outra coisa suspeita que minha mulher fizesse para o café da manhã.

Sob alguns protestos manhosos de Emma, fui para a MBC, deixando Henry na escola no meio do caminho. Eu precisava muito contar para minha amiga Maleficent sobre minha gravidez, então logo que terminei de apresentar o noticiário corri para a diretoria da emissora na esperança de revê-la e encontrei minha amiga em sua sala, falando ao telefone baixinho com alguém. Não quis ser enxerida, mas morri de curiosidade para saber quem era a pessoa com que Maleficent falava daquele jeito.

— Ocupada, chefe?

Maleficent havia acabado de desligar o telefone e tomou um leve susto quando fiz a pergunta. Ela se virou na cadeira e me viu.

— Regina, há quanto tempo! — se levantou rapidamente e veio até mim me dar um abraço apertado.

— Eu que o diga. Você está bem? Como foi de viagem?

Ela sorriu de canto como quem se lembrava de alguma coisa.

— Ah, foi muito boa, foi boa de verdade. Estou bem, melhor do que nunca, e você? Sinto muito por não ter mandado qualquer mensagem de celular, deixei você preocupada pela cara que está fazendo.

— Um pouco. — torci os lábios de propósito. — Mas sei que você tem uma boa desculpa para não ter me respondido.

Minha amiga desviou o olhar, em seguida quis rir, porém se controlou.

— Você sabe que eu fui ao Arizona resolver um problema em uma transmissora da MBC, enfim, não foi bem para isso. — confessou ela.

— Já imaginava. — comentei, cruzando os braços.

Maleficent ficou sem jeito, estava tímida para falar sobre o assunto, mas aos poucos ela se soltou e eu entendi o porquê da sua viagem repentina no mês passado.

— Fui me encontrar com um homem, Peter é o nome dele. — ela hesitou um pouco antes de voltar a falar. — Ele trabalha na transmissora de Phoenix e estávamos conversando desde que ele esteve aqui para negociar um contrato.

— Maleficent, isso é ótimo. — comentei, gostando de saber que minha amiga estava reencontrando uma paixão em sua vida.

— Nós ainda estamos nos conhecendo e basicamente esses dias em que estive em Phoenix foram uma boa oportunidade de passar o tempo com ele. Estava nesse momento falando com ele.

— Então você e o Peter estão namorando? — perguntei de forma bem sugestiva e Maleficent deu um sorriso bobo.

— Quase, ele me pediu em namoro quando eu estava no aeroporto antes de voltar para cá, mas não dei certeza de nada ainda.

— Por quê? Se você gosta dele, se estão conversando e gostando da companhia um do outro, o que falta?

— Não sei ainda, Regina, eu tenho receio que não saiba mais como isso funciona. — Malefi meneou a cabeça.

— Um namoro?

— É. Um namoro, um relacionamento novo, isso é estranho.

Dei um riso discreto.

— Malefi, é mais simples do que pensa, essas coisas acontecem. Você se separou do Gerard e conheceu esse homem, está se interessando por ele, por que não tentar viver uma paixão nova, esquecer o que aconteceu com seu casamento?

— Estou com medo de não ser tudo o que o Peter deseja de uma mulher.

— Se vocês tiveram um tempo para se conhecer e ele te pediu em namoro, por que não tentar e conhecê-lo ainda mais? Na minha opinião você deve dar uma chance a ele. — eu disse.

Maleficent ficou pensando e deu de ombros para suas dúvidas.

— Vou pensar no que me disse, talvez eu deva mesmo me dar essa nova chance. Mas e você, me fale de você, dos seus últimos dias, o que fez? Emma está bem? Seu filho?

Dei outro sorriso (eu andava sorrindo muito, na verdade, isso estava ficando fácil, espontâneo como nunca antes, eu acho).

— Meus filhos, você quis dizer.

Ela não entendeu de primeira, então tive de ser mais específica.

— Como?

— Meus filhos. Fiz uma coisa que precisava.

— Ah, meu Deus! Não me diga que...

— Sim, fiz a inseminação. Estou esperando um bebê.

Malefi ficou encantada. Colocou as mãos juntas na boca entreaberta e logo me deu um abraço cheio de alegria. Eu sabia que ia gostar da notícia.

— Ah, querida, que coisa boa, minha nossa! — ela dizia enquanto me apertava, comecei a sentir falta de ar.

— Uma coisa maravilhosa, com certeza.

Ela percebeu e me soltou.

— Oh, me desculpe, Regina, mas fiquei tão feliz por você, prometo não fazer mais isso, é uma mania que tenho. E Emma? O que ela está achando disso? — soou curiosa.

— Ficou toda emocionada quando viu que o teste tinha dado positivo. Ela até me pegou no colo e quase se machucou de novo. — rimos imaginando a cena. — Era tudo o que ela queria, era tudo o que nós precisávamos junto de Henry.

— E você está feliz? Consegue imaginar como essa barriga vai crescer? — Malefi tocou em minha roupa por cima do estômago gentilmente, alisando. — Acabei de me lembrar que estou perdendo a apresentadora do meu programa das tardes. — ela disse, ficando um pouco desanimada.

— Você ainda me queria nesse programa? Mesmo com as minhas recusas à ideia?

— Sim, eu ainda acreditava em você, eu queria vê-la no programa novo, você leva jeito para apresentar, era minha escolha perfeita. Será que não há sequer uma chance? Eu esperaria sua gravidez, o tempo que fosse necessário para se recuperar e deixar o U.S.A News.

Respirei fundo e dei uma resposta incerta para minha chefe, na verdade eu ainda escolheria o que fazer. Malefi me disse que eu teria um salário melhor, três vezes maior do que o que eu ganhava como âncora de jornal, e poderia chegar mais tarde na emissora, teria menos trabalho na edição, porém, muito mais responsabilidade.

— Tudo bem, depois que esse bebê nascer te digo se aceito ou não apresentar o novo programa da emissora.

Ela concordou e voltamos a falar sobre tudo o que houve comigo naqueles pouco mais de dois meses. Isso me rendeu a tarde e consequentemente eu teria de deixar o trabalho de edição do jornal para quando chegasse em casa e já previa minha mulher me dando uma enorme bronca se bem que em seu estado de encantamento por saber que seria mãe pela segunda vez, era capaz dela apoiar que trabalhasse em casa o tempo inteiro até aquele bebê nascer.

De fato Emma ficaria mais zelosa comigo, tentando me proteger a qualquer custo de qualquer coisa e pensar nisso era engraçado. A partir de hoje me transformaria em uma boneca de vidro e o mínimo que eu fizesse Emma tentaria proteger. Exagerada como ela era, com certeza sua preocupação exacerbada iria nos render momentos engraçados, mas eu não ia deixar que durante nove meses (especialmente os últimos dois meses finais da gravidez) sua preocupação em me proteger e agradar se tornasse um problema.

Disse isso a ela hoje depois que cheguei com Henry da rua, no final da tarde, quase noite devido ao transito infernal que encarei de volta pra casa. Emma tinha feito nosso jantar, e a casa estava infestada de um maravilhoso cheiro de camarão. Henry faltou ficar hipnotizado só de imaginar o sabor e correu para a cozinha, largando seu material da escola todo no chão.

— Mãe! O que está fazendo? Esse cheiro é muito bom. — disse ele para Emma.

Quando cheguei na cozinha, Swan estava terminando de arrumar os pratos para levar à mesa de jantar. Tinha preparado camarões ao molho e quando vi os pratos dei graças aos céus por ainda não me sentir enjoada só de pensar em comida ou sentir cheiros fortes como mulheres gravidas ficam.

— Leve para a mesa, filhinho, com cuidado. — ela disse, entregando um prato para Henry.

— Tá. — ele logo saiu dali.

— Ora, ora, alguém, decidiu aprontar na cozinha hoje. — me aproximei dela, selando seus lábios docemente.

— Só um pouco, queria ter feito mais coisa. Olá, mamãe mais bonita do pedaço. — ela respondeu.

— Meu amor, se eu continuar comendo assim vou virar uma bola.— olhei para ela.

Emma deixou a espátula que segurava sobre a panela no fogão e me olhou.

— Tenho que alimentar bem minha mulher e meus filhos. Eu vou continuar amando todos mesmo que virem bolinhas lindas. — ela me abraçou e sorrimos juntas.

— Seu outro filho vai nascer feito uma bolinha, isso sim se continuar fazendo essas coisas saborosas. — fiz uma careta e então disse: — Contei a Maleficent sobre o bebê.

— Ah, jura? E ela? O que achou?

— Ela adorou a notícia, só lamentou que eu provavelmente fique fora do programa que ela queria fazer nas tardes da emissora.

— Se ela te quiser nesse programa, ela pode esperar. Estava esperando vocês chegarem pra ligar pra sua família.

— Acha que já devemos contar para eles? Minha irmã vai querer vir pra cá amanhã, eu conheço aqueles dois.

— Meus pais também iriam pensar a mesma coisa, arrumar as malas e vir, são muito preocupados, igual a mim. — Emma piscou.

— Pensei exatamente nisso hoje, você vai tentar ser a melhor mulher possível enquanto eu estiver grávida, não é? — fiz o comentário com ironia.

— Mas é claro, Regina, você está esperando uma criança, nove meses passam depressa e você vai sentir muitas coisas nesse tempo. Vai ficar emotiva, vai se sentir feia, embora você seja a mulher mais bonita de todo o planeta, vai sentir muita fome, vai querer dormir mais, não vai poder fazer muito esforço, vai precisar de carinho, atenção...

— Eu sei, Emma. Não vou reclamar da sua disposição em cuidar de mim, só não quero ficar mal acostumada, entende?

Ela deu um sorriso, mordeu seu lábio inferior e afastou meus cabelos do canto do rosto.

— Posso prometer que vou tentar não deixar você mal acostumada, o.k.? Mas só tentar. — Ela se afastou até a geladeira e pegou um papelzinho daqueles de recado, vindo me mostrar. — Veja, marquei sua primeira consulta com o obstetra.

Peguei o papel vendo que a data estava marcada para a próxima semana.

— Mas, querida, eu...

— Tem quatro semanas que você está grávida, já devia ter ido a um médico.

Olhei para ela e vi que minha loira tinha razão. Em breve minha barriga ia começar a aparecer inclusive.

— Hey, vocês duas, deixem para namorar depois, vamos jantar. — disse, Henry do portal da cozinha. Emma estirou a língua para o garoto e só não correu atrás dele porque estava com a muleta. Ele saiu dali rindo dela.



Sem muita escolha, na semana seguinte eu precisei ir a consulta com a obstetra. Emma tinha marcado um horário com a assistente do dr. Flynn, uma mulher chamada Úrsula que também trabalhava na clínica de fertilização. Contei a ela que até então eu não havia sentido nada e perguntei se isso era comum. A resposta me deixou mais segura.

— Varia um pouco de mulher para mulher. Naturalmente, na primeira gestação, como é o seu caso, algumas mulheres não sentem qualquer enjoo ou tontura até a oitava semana. Algumas não sentem qualquer mal-estar durante a gravidez toda, não é uma coisa que aconteça para cem por cento das mulheres. — disse a doutora para mim.

— Entendo. E a partir de quando eu posso ser submetida ao ultrassom? — perguntei.

— Na verdade você já pode fazer esse tipo de exame, mas não vai ver muito mais do que um borrão. É interessante fazer um exame mais preciso lá pela décima sexta semana, inclusive a partir da décima quinta consegue-se saber o sexo do bebê com precisão dependendo da posição em que ele estiver no útero.

Emma e eu nos olhamos.

— Quando você vier fazer o ultrassom nós temos que trazer o Henry, ele vai adorar. — ela disse.

Assenti achando graça e lembrando dele, então a doutora me fez algumas recomendações. Pediu que eu voltasse para consultas regularmente e até pediu para que Emma prestasse atenção no meu humor durante a gestação para tomar cuidado.

Era a quinta semana e eu não via nada além da barriga de sempre, nem um indício de que eu esperava uma criança. Pela primeira vez eu me sentia inquieta, querendo que acontecesse logo. Quando saí da consulta tive a ideia de chegar em casa e me olhar no espelho.

Eu estava parada na frente do espelho do closet quando Emma chegou, como numa cena que imaginei há algum tempo. Ela me olhava da porta, se apoiando na muleta, percebendo o que eu estava fazendo. Minha loira se aproximou e tocou em minha mão por cima, sorriu de um jeito calmo, com uma certeza nos olhos e um certo orgulho. Não sei como, mas naquele instante ao vê-la, meus olhos ardiam.

— Eu quero que você saiba que eu tô muito orgulhosa de você. Você estava tão interessada em saber tudo na consulta de um jeito que eu não esperava ver. Eu não tinha dúvidas de que você queria esse filho, mas agora, é uma certeza absoluta. — ela dizia. — Não te amo apenas porque vai me dar esse bebê, eu te amo por tudo o que você é e se tornou. Eu tô louca pra ver sua barriga crescer. — Emma suspirou.

— Eu também, muito... — De repente meu rosto estava quente, minhas bochechas molhadas por estar emocionada e não conseguir controlar. — Acho que estou começando a ficar muito sensível. — dei um riso sem graça, e mais lágrimas sem controle desciam.

Emma alisou minha barriga, olhou para ela e disse:

— Hey, você aí dentro, a gente já ama muito você. — ela disse, me olhando logo em seguida.

— Estamos loucas para que você chegue. — falei, colocando a mão por cima dela e isso virou nossa rotina a partir de então.

Foi assim por dois meses, e minha barriga começava a aparecer quando me olhei no espelho na décima segunda semana.

Eu estava de lado na frente do espelho, Emma apareceu sem a muleta depois de finalmente ter firmado o pé no chão na fisioterapia, mesmo que ainda mancasse um pouco. Ela se ajoelhou na minha frente, a vigésima vez naquele mês pelas minhas contas, afastou minha camisa de dormir e deu um beijo demorado sobre o meio da barriga.

— Hey, você aí dentro...

— A gente já te ama muito. — disse junto dela.

Emma se ergueu e me deu um beijo nos lábios como se não tivéssemos feito isso quando acordamos. Hoje estávamos especialmente ansiosas, pois haveria uma apresentação na escola onde Henry estudava e seria a primeira vez que eu iria a um lugar que não fosse a MBC, onde todo mundo já havia percebido minha barriga. Mas de tudo nós queríamos ver Henry que nos contou que faria uma surpresa e queria muito que estivéssemos lá para ver, então nós não podíamos faltar.

— Já acordou o Henry? — perguntei, recebendo seu beijo.

— Já, ele está descendo pra tomar café. Vamos lá pra baixo?

— Vamos, eu só estava olhando o quanto cresceu... Eu não vou conseguir fechar minhas calças de alfaiataria daqui a pouco. — eu disse, mostrando a circunferência da barriga para Emma.

Ela fez que não.

— Eu te compro muitas calças novas, muitas camisas e roupas, tudo o que precisar, mas só se descer comigo, tá bem? — ela perguntou, ansiosa.

— Ah, Emma, mas o que vou vestir hoje? Não tenho uma roupa boa para ir trabalhar, veja esse closet... — comecei a andar em círculos, insatisfeita com algumas peças que não cabiam mais em mim e Emma ao invés de concordar começou a rir. — Pare de rir feito uma gralha, Emma. — chamei sua atenção e tentei bater em seu ombro, mas ela me agarrou e me tirou do armário à força.

Na mesa de café da manhã, Henry estava fazendo a revisão de uma redação que ia ler na festa da escola. Estava muito concentrado, sério e até ensaiou uma pose aleatória. Emma o cutucou no ombro e ele tomou um susto.

— Garoto, o que está fazendo?

— Poxa, mãe, cuidado. — ele disse, pegando a folha de rascunho da redação. — Estou revisando essa redação. Vou ler em voz alta para todos na festa da escola. Vocês vão ver.

— Ah, então essa é a surpresa? — fiz a pergunta enquanto recolocava suco num copo.

— Em partes. Vocês vão precisar comparecer hoje às quatro horas na escola para saberem.

— Hum, mas que tanto mistério. — Emma balançou os cabelos dele e voltou a comer suas torradas com geleia.

Que a surpresa estava na redação nós sabíamos, mas o porquê de Henry ter sido chamado para ler nós não fazíamos ideia. Com certeza, se ele nos contasse perderia a graça e eu tinha a leve impressão de que ficaria muito orgulhosa do meu filho independente do que ele fosse fazer.

Chegamos na escola de Henry no horário que ele pediu claramente todas as vezes. Imagina uma criança que adora pontualidade, essa criança certamente é Henry Swan Mills, meu filho, ele sempre foi assim, inclusive me dizia quando eu chegava atrasada no orfanato, disso eu me lembro. Sua alegria ficou estampada no rosto quando as cortinas sobre o palco do anfiteatro da escola se abriram. Ele estava lá no meio das crianças, um pouco no alto e bem depressa nos avistou, acenando. Emma e eu demos um tchauzinho, sentadas na quarta fileira à direita. Então depois de uma breve recepção por parte da sra. Diretora, a festa começou com uma peça de teatro daquelas em que há uma floresta, crianças vestidas de árvores, insetos e bichinhos e curiosamente eu estava achando aquilo bem engraçado, mas Henry não estava nela. Emma via potencial em algumas crianças e dizia que dariam ótimos atores, era quase certo de que ela faria isso. A primeira apresentação terminou, então era a vez dos prodígios, crianças que cantavam, outra coisa que foi divertida de se ver, mas tive pena de uma menina que não conseguiu fazer sua apresentação depois que se deparou com a plateia. Emma ao meu lado se lembrou de uma vez que travou em uma peça da escola dela quando era pequena.

E daí a melhor parte chegou. A diretora voltou para anunciar a próxima atração, as redações premiadas do ano na escola primária St. Paul. Eu finalmente estava entendendo, Henry tinha ganhado o prémio, por isso foi convidado a ler. Bem, outra coisa nós não sabíamos, pois apenas três alunos ganharam prémios de melhores redações. A diretora chamou primeiro um menino do segundo ano que escreveu uma redação sobre seu cachorro. Os pais do garoto fizeram a maior festa, assobiaram, bateram fotos com uma daquelas câmeras profissionais do tamanho de uma bigorna e estavam a todo o tempo chamando o nome do filho, ele mal conseguia terminar de contar que seu cachorro tinha quatro patas e um focinho cor de pérola. Na segunda vez, uma menina do quarto ano, chama-se Kelly e se parecia com Emma quando era menina, então você pode pensar que era uma garotinha bem fofinha. Ela leu sobre suas férias e seus avós. Então, por fim, foi a vez de Henry, ele havia conseguido o primeiro lugar.

Novamente a diretora voltou ao posto no meio do palco para anunciar o campeão das redações do ano, Emma estava com a mão suada, igual a minha, mas eu não imaginava que ela fosse ficar tão contente quando chamassem o nome de Henry.

— Muito obrigada, Kelly, que bonita redação. Contudo, senhoras e senhores, nós temos um campeão. — a mulher ajeitou o microfone e apertou as próprias mãos. — Recebam com uma salva de palmas, Henry Mills. — ela disse e nesse exato momento, meu filho voltou ao palco, segurando a folha que havia passado a limpo no café da manhã. Ele acenou para as pessoas da plateia, especialmente para nós e se colocou na frente do microfone.

Ao meu lado Emma se levantou e assobiou alto com os dedos na boca.

— É isso aí, Henry! Você é o maior!

Peguei minha mulher pela calça e a fiz se sentar, mas todo mundo nos olhava e eu não sabia se era porque tinham achado engraçado ou se sentiam vergonha por mim.

Henry acenou de novo, olhou o papel em sua mão e esperou para começar ler:

Família


Me chamo Henry, tenho nove anos e esse foi o ano mais incrível da minha vida. Perdi meus pais há poucos meses do último natal. Eu jamais poderia pensar que um dia ficaria completamente sozinho no mundo, sem as duas pessoas mais importantes da minha vida, mas isso aconteceu. Foi como no dia em que meu hamster morreu, eu fiquei muito triste. Minha mãe disse que o céu precisava de uma estrela, para que sempre que eu olhasse para ele me lembrasse do meu hamster. Eu não sabia que o céu precisava de mais estrelas, então ele levou meus pais.

Fui para um orfanato onde muitas crianças como eu, ou até piores, esperavam pelo dia em que voltariam a ter uma família. No início eu não queria ficar naquele lugar, eu só queria que meus pais voltassem e me dessem de novo a chance de ser filho deles, até que um dia eu decidi fugir e voltar para minha antiga casa, mas eu não podia ficar mais naquela casa, eu não tinha ninguém. Uma pessoa me encontrou e me disse que eu devia voltar para o orfanato porque eu estaria seguro lá, então eu entendi que meus pais não podiam voltar para mim. Prometi ficar no orfanato só para ter a chance de rever quem tinha me encontrado, então um dia ela voltou, e voltou de novo em outro, nós ficamos amigos.

Hoje sou filho de quem me encontrou na porta da minha antiga casa, ela é uma mulher. Um dia ela me disse que meus pais estariam sempre vivos enquanto me lembrasse deles. Na verdade, sou filho de duas mulheres, que se amam muito e tudo o que elas queriam era um filho. Fui escolhido para ser o filho delas e me considero o garoto mais sortudo do mundo. Esqueci de dizer que também tenho um cachorro e vou ganhar um irmão em poucos meses, quero que ele se chame Mathew porque tenho certeza que vai ser um menino. Quando Mathew nascer, vou contar a ele o quanto eu sou agradecido por ter as duas melhores mães do mundo. Tudo o que eu queria era ter meus pais de volta e essas duas mulheres me deram o mesmo amor que eles me davam. Regina, Emma e Mathew, vocês são a minha verdadeira família.

Me levantei imediatamente de onde eu estava para correr na direção de Henry. Ele pulou do palco e me abraçou quando cheguei perto.

— Querido... — eu me sentia emocionada demais para falar, então o apertei, erguendo ele.

Emma chegou em seguida um pouco mais lenta e preocupada comigo, mas com certeza imensamente feliz pelo o que Henry havia nos dado. A maior surpresa que poderíamos esperar. Ela nos abraçou e nesse momento ouvimos o teatro nos aplaudir de pé.

Notas finais
Ah, Henry, você é o filho que todas nós queríamos ter. Okay, no próximo capítulo muita coisa vai ser narrada, vocês podem imaginar, temos que acompanhar o resto dos meses de gravidez de Regina e ver esse bebê nascer, não acham? Para quem ainda não sabe, comecei a escrever uma nova fanfic. Chama-se Intimamente Emma e está nesse momento no segundo capítulo: https://fanfiction.com.br/historia/711738/Intimamente_Emma/ Até o próximo, um grande abraço e fiquem bem.