Não dito
4 Faísca
Notas iniciais
O toque ficou impregnado na pele como se jamais fosse sair. No dorso da minha mão, os dedos dela assinaram sua presença e partiram. Um aperto de leve, as palavras que não entendi e, de repente, ela sorriu alguma coisa antes de sair. Ficou a maciez que ultrapassava a aspereza da palma maltratada por travessuras e o contraste de sensações distintas que me acompanham.
Olho minha mão para confirmar se me pertence. Sinto-a fora do meu corpo há tantos dias que às vezes quase me convenço de que se desprendeu de mim. Se eu me concentrar um pouco posso sentir a pressão dos dedos finos, mas fortes, cobrindo-a com um ímpeto despretensioso de quem toca o que é seu.
Uno as duas e elas se estranham como se tivessem esquecido que são irmãs. Deixo-as assim para se acostumarem e me frustro ao afastá-las e perceber que nada mudou. Procuro o sentido disso e fico cansado. É como dar voltas na minha cabeça caçando o que não está ali.
Encontro-a na rua e a sensação aumenta, uma marca chamando por outra, e num descuido ganho mais.
Tenho agora duas mãos que estranham meu corpo.
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